Notas iniciais
Desculpa mãe! Não aguentei esperar até o final de semana...

Por um momento, Alice não sentiu nada. Não ouvia nada. Não via nada. Apenas um pensamento tomava conta do seu ser: “Tenho que matá-lo. Ele sabe demais.” Rápida como um relâmpago, Romanoff pegou a faca presa por dentro de sua bota e voltou-se para Leo, com uma expressão assassina. Entretanto, para a surpresa dela, Leo foi mais rápido e sacou uma arma, já destravada, e apontou para sua testa. Naquele momento, Alice sentiu medo. Mais do que quando Sigma tentou estuprá-la. Mais do que quando Beta lhe olhou com aqueles olhos assustadores. Mas, seu medo tinha um motivo: o rosto de Leonard não possuía expressão, porém, o pior eram os olhos, que tinham a aparência de...

— Morto... – sussurrou Alice. Sim, os olhos de Leonard não tinham brilho. Estavam com aquela aparência sebosa que só os mortos possuíam.

— Pois é. Incrível, não é mesmo? – Leo assumiu um sorriso assustador, mas Alice não se abalou. – E eu nem treinei muito para conseguir fazer isso. Eu apenas...morri. – ele encarou a loira com mais intensidade. – Ou melhor, fui assassinado. Mas, é uma história engraçada, sabe?

Rindo, Leonard voltou a sentar no tronco de madeira. Desconfiada e um pouco apavorada, Alice fez o mesmo, sentando-se o mais longe possível do morto.

— Como assim engraçado? A morte não é algo para rir. – Alice guardou a faca.

— Eu sei que não é para rir. Aprendi isso com a pessoa que eu mais amava nessa vida. – ele parou para encarar o céu. – Depois de Alfa, é claro. Eu amava essa pessoa mais do que a mim mesmo. Faria tudo por ela. Mas, fui traído. – ele riu, sarcástico. – E, o pior era pensar que ela era minha única família.

O coração de Alice deu um salto enorme em seu peito quando todo o seu passado veio à tona. A Academia de Assassinos na Rússia; as múltiplas cicatrizes que tinha nas costas, resultado de múltiplas punições; seus superiores assustadores; e, o mais importante: seu irmão mais novo. Ela tremeu novamente e começou a negar com a cabeça.

— Isso é...isso é impossível... – lágrimas desciam pelo rosto angulado da mulher. – Você...não pode ser...!

— Não precisa se preocupar. – Leonard sorriu maniacamente. Alice levantou e se afastou mais ainda. – Eu não voltei para te machucar, irmãzona. Mas não se engane pensando que eu vou te perdoar.

...

Beta estava tão ocupado conversando com seus irmãos que nem reparou que Alice havia saído há uma hora. Não podia sair de casa porque precisava manter a calma entre seus irmãos e impedir que Stephanie e Élica descobrissem a verdade. Mas, sua preocupação cresceu de um segundo para outro e, então, resolveu ligar para Alice. O telefone tocou várias vezes antes dela atender.

— Oi, Beta.

— Alice? – o deus sorriu inconscientemente. – Você está bem?

— Estou, sim. – do outro lado do telefone Beta pôde ouvir Alice fungar.

— Você está fungando?

— Devo ter pegado a gripe do Leo. Nada que eu não possa cuidar.

— Depois eu resolvo isso para você. Mas, esse exercício é comprido, não?

— Ah, já estamos acabando e já vamos subir. Só mais alguns minutinhos.

— Ok. Sinto sua falta.

— Eu também. Até daqui a pouco. – Alice desligou. Beta sorriu para a tela do celular e, depois, o guardou. Então, percebeu que o ambiente estava silencioso. Olhou em volta e viu Stephanie e Élica encolhidas no sofá encostado na parede, aterrorizadas. Voltou seu olhar para seus irmãos. Gama estava encolhido embaixo da mesa de xadrez. Omicron estava com os braços cruzados, encarando Sigma. Mi e Ni se entreolharam antes de encararem Beta com uma expressão clara de: “Vai dar merda!”

— O que aconteceu aqui? – Beta indagou, totalmente perdido. Sigma mal conseguia encará-lo. Mi e Ni apontaram para a mesa de centro da sala da casa de Beta. O deus arregalou os olhos quando se deparou com seu móvel transformado em carvão. Ainda restava uma pequena chama acesa, a qual Sigma recolheu quando Beta olhou para a ex-mesa. – Puta que paril... – Beta encarou Sigma. – Você vai comprar uma nova. E, aproveita e explica para as duas ali porque saiu fogo da sua mão.

— A história inteira? – Sigma teve a ousadia de indagar.

— Eu vou te socar. De novo. E, dessa vez, não vou te buscar lá no bosque.

Sigma abaixou a cabeça como uma criança que acabara de levar uma baita de uma bronca e foi-se sentar ao lado das meninas, que se encolheram mais ainda. Não ia adiantar se Beta falasse que Sigma não ia machucá-las, pois elas nunca iriam acreditar. Então, retirou-se para o seu quarto para esfriar a cabeça.

...

Alfa andava de um lado para o ouro, cheia de preocupação. Mas, não era com Leonard, muito menos com a sua segurança. Estava preocupada com a Morte. Ou melhor, O Morte. Deixou de rastreá-lo por um dia e o perdeu. Tentou de tudo. Colocou a Lua e as Estrelas de vigia para ver se conseguia achá-lo novamente. Criou cachorros feitos de trevas para farejá-lo. Tentou contatá-lo com sua mente, mas nada estava ajudando. Aflita, Alfa resolveu testar se aquela simpatia humana era verdadeira e se acalmava mesmo: misturou açúcar em um copo gigante de água e bebeu. Assim, ela se acalmou e parou de pensar no seu inimigo por um instante.

— Está mais calma, querida?

— Sim, estou. – ela respondeu sem pensar. Fazia muito isso. Mas, um segundo depois, ela lembrou que deveria estar sozinha. Virou-se violentamente, pondo-se em posição de defesa. – Como entrou aqui? Protegi toda essa casa contra você.

— Ora, sua tolinha, — o menino à sua frente estava muito bem vestido em um terno caro. Seus cabelos negros estavam bem distribuídos pela sua cabeça. Virou-se de frente para alfa, segurando um vaso que Leonard havia feito para ela. – esqueceu que eu conheço todos os seus truquezinhos baratos?

— O que quer aqui, Morte?

O menino fez uma careta, fingindo ter sido ofendido.

— Meu nome mudou para esse, agora? Ainda prefiro o antigo. – ele colocou o vaso no lugar.

— Você não merece mais aquele nome. – Alfa disse o mais firme que pôde. Mas, Morte apenas riu.

— Ouvi dizer que Beta está te caçando porque acha que foi você que matou Tudo e Nada. – ele abriu os braços – Como se ele nunca tivesse caçado você em todos esses anos. Imagine Beta enfiando aquela lança da justiça dele no seu peito, — Morte começou a dar voltas ao redor de Alfa – sua vida se esvaindo, assim como a vida daquele que você tirou de mim. Então, você resolve dizer ao seu irmão que a culpada não foi você e, sim, — ele parou e exibiu os dentes afiados – minha. Visualize a expressão de arrependimento no rosto dele. E, neste momento de fraqueza, eu arranco seu coração e esmago-o em minhas mãos. – ele sorriu, sentindo-se triunfante.

— Vá para o Inferno! – Alfa gritou, completamente fora de si.

— Ora, querida! Aquele lugar é a minha casa. Fui eu que construí. – Morte colocou as mãos nos bolsos da calça. – Mas, foi divertido vê-la novamente após tanto tempo. Até a próxima, Trevas. – e desapareceu. Alfa voltou a respirar, o ar entrando e saindo com dificuldade, fazendo um barulho que preencheu a casa. Numa explosão de fúria, Alfa gritou. Gritou com todo o seu ser.

Nesse dia, anoiteceu mais cedo.

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.