As Aventuras Bizarras de Beta Fisk

11 A Gravidade e o Vácuo são gêmeos


Notas iniciais
https://www.facebook.com/groups/beta.fisk/

Vinte e quatro seres celestiais diferentes. Uma profecia que se aplica a todos eles. “Terás em sua existência algo que te guiará, algo que tu chamarás de sol.” Beta tinha certeza de que Alice era seu sol. Não tê-la perto de si era angustiante e o deixava inseguro. Corria pelo bosque, as árvores se fechando à sua frente, o nome dela bombando em sua mente. Então, a voz dela ecoou em sua mente.

“Siga para o leste da casa, Beta.”

Beta parou e encarou as folhas caídas no chão, laranjas e fúnebres. Sorriu consigo mesmo ao pensar na ligação que tinha com Alice. Virou e correu para o lado contrário, mal esperando para segurá-la em seus braços e sussurrar em seu ouvido que está tudo bem, que ele está ali, com ela. Pouco tempo depois, Beta conseguiu encontrá-la e desacelerou ao vê-la, a camisola de seda pérola curta paradoxa àquele frio. Colocou a mão em sua lombar gélida e delicada, puxando-a para um abraço. Era incrível o fato de ela se encaixar perfeitamente em seus braços. Levantou aquele rosto pequeno pelo queixo e dispersou toda a sua insegurança naqueles lábios quentes e carnudos. As mãos de Alice depositavam-se em seu pescoço, geladas.

– Acalme-se, Beta. Eu estou bem. – ela passou as mãos pelos ombros tensos do deus. Ele a soltou, tirou o casaco e a cobriu. Alice deu um sorriso afetivo. – Cumprimente seu irmão.

Com isso, Beta prestou atenção ao redor, sentindo uma grande presença em um corpo pequeno. Gama. Relaxou os músculos. Ele não era – nunca fora – uma ameaça.

– Meu irmão. – Beta olhou com carinho para o garoto. – Seja muito bem-vindo. Me perdoe pela hostilidade inicial.

– Eu entendo. Até porque sei a razão. Sigma esteve aqui antes de mim. – Gama sorriu. – O seu sol é tão radiante que não dá para comparar com qualquer outro, nem com o de Omicron. – disse em sua língua natal – Esperamos um grande casamento. Mas, não é por isso que estamos nos reunindo. Entretanto, não é hora de falarmos sobre isso.

– Beta, — Alice se fez ser ouvida – eu não entendo nada. Tenha piedade de mim.

– Ora, acalme-se. Eu vou lhe ensinar.

– Já era para ter começado.

Gama assistia tudo com um sorriso inocente no rosto. Seguiu-os até a casa e esperou que Alice pegasse seus pertences e colocasse uma roupa decente.

– Gama, por que está de jaleco? – Beta enrugou a testa.

– Ele é o nosso professor de física! – Alice gritou de dentro do quarto, Beta fez uma careta.

– Física?! É a sua cara, Gama. – colocou as mãos nos bolsos, ainda fazendo careta. — Estamos atrasados, então.

– Vamos! – Alice passou correndo entre os dois. Beta e Gama entreolharam-se sorrindo.

– Poderia nos ajudar? – Beta esticou a mão.

– É claro. – Gama segurou a mão, fazendo-os disparar como um raio. No meio do caminho capturaram Alice. Ela não viu nem sentiu quando chegaram ao campus. Sentiu apenas uma forte ânsia de vômito devido à velocidade da luz. – Venham. Vamos para a aula. – Gama se apressou e foi na frente. Alice cambaleou e sentiu que ia cair. As mãos firmes de Beta serviram de apoio à sua cintura. Apoiou as mãos no peito de Beta, concentrando-se em respirar fundo. Beta respirava calmamente. Com facilidade, ele a pegou no colo e a carregou até o prédio.

– Beta, eu posso andar.

– É visível que não. – ele sorriu – Eu verifiquei seu corpo com o meu radar.

– Então sabe que é mentira. – Alice insistiu. Era verídico que já se sentia melhor. Beta sorriu como se tivesse seu orgulho ferido.

– Deixe-me carregar a mulher que amo. É o mínimo que este homem pode fazer por ela.

Alice corou e escondeu o rosto na curva do pescoço do deus. Ali, depositou um leve beijo que arrepiou o corpo de Beta.

– Eguzkia, aqui não. Digo, na universidade. Tenho que me manter são.

Alice riu. Os corredores estavam vazios. Eles haviam perdido a noção do tempo para se atrasar dessa forma. Gama os esperava do lado de fora da sala. Caminhando por si mesma, Alice entrou na sala lotada seguida de Beta. Não achou Mona nem Leonard lá dentro. Automaticamente, abaixou a cabeça, vermelha. Beta a conduziu até uma das bancadas elevadas da sala. Olhando para trás, Alice via a mesa do professor bem abaixo deles. Gama estava sentado com as pernas cruzadas, esperando que o casal se sentasse. De repente, Beta parou. Seguindo seu olhar, Alice descobriu dois rapazes vestidos igualmente com calça jeans e camisa do Stars Wars. Eram exatamente iguais, com cabelo verde-limão e olhos castanhos claros. Os encaravam com a mesma expressão de surpresa. Um deles se levantou e o outro se afastou, dando lugar aos dois estudantes atrasados. Gama começou a falar quando eles se acomodaram, apresentando-se. Beta estava tenso.

– Quem é você? – o menino ao lado de Alice indagou.

– Eu...

– O nome dela é Alice Carter. É tudo o que precisa saber. – interrompeu-a Beta.

– Não estamos falando com você, Beta. – disseram os gêmeos em uníssono. Alice sorriu.

– São irmãos de Beta.

– Eu sou Mi, a Gravidade. – disse aquele ao lado de Alice.

– Eu sou Ni, o Vácuo. – disse o outro.

– Mais conhecidos como Os Gêmeos. – disse Beta encarando o quadro negro.

– Você é... – disse Mi.

– ... o sol de Beta. – completou Ni.

– Sim. – Alice assentiu – Prazer em conhecê-los.

– O prazer é nosso! – disseram sorrindo. De repente, um pedaço de giz passou zunindo entre Mi e Alice, entrando na parede atrás deles. Alice congelou de susto, o que não aconteceu com os outros três. Gama a encarava com uma expressão sanguinária e Alice sentiu Beta tensionar-se, as mãos tremendo. Mesmo tremendo, a menina segurou-as e, imediatamente, a tremedeira do deus parou. Todos os alunos estavam estáticos, assustados com aquela reação repentina. Então, Gama sorriu.

– Calados durante a minha aula. – e voltou a escrever na lousa.

Alice entrelaçou os dedos nos de Beta, espalhando a calma pelo corpo dele. Levando os dedos finos aos lábios, Beta beijou-os.

– Você é minha protetora, eguzkia.

Notas finais
https://www.facebook.com/groups/beta.fisk/