Notas iniciais
É só o começo, espero que gostem :)

Há muito tempo o continente de Dget era repleto de reinos prósperos e benignos, às vezes guerreavam entre si, mas nunca de maneira muita catastrófica. Sendo os reinos mais poderosos ode Maccron, dos dragões; Ve-Oli, das feiticeiras; Gamapu, dos puros. Contudo um homem se levantou um dos mais tenebrosos que a terra poderia produzir, nasceu na ilha de Streb, ainda criança se mudou para uma ilha distante do continente, onde toda a maldade que não dominava os outros reinos se concentrava: um reino pútrido, as Terras Nefastas. Uma ilha grande na costa oeste do continente.

Aí o jovem menino achou os mais pérfidos mestres, os mais sórdidos aliados, e ele mesmo se tornou mestre ainda com pouca idade, com 17 anos. Mestre em magia negra, senhor de várias cidades, comandante de exércitos de demônios. Torturou, roubou e assassinou para conseguir tudo que queria. Foi aluno do mago Atlante, da bruxa devoradora de crianças Baba Yaga. Por fim, unificou toda a ilha das Terras Nefastas, que antes era salpicada por pequenos reinos e cidades-estados.

Com alguns dos reis, o jovem e poderoso bruxo fez alianças, os que não quiseram se subjugar foram mortos e seus reinos pilhados. E assim o bruxo virou rei da ilha, mas sem que o continente percebesse, se bem que ele que nunca se interessava muito pela ilha, só a usava para mandar seus prisioneiros. E o mago crescia e se fortalecia, construía palácios e aumentava seu exército, e seus súditos maléficos o amavam.

O jovem então voltou para o reino de Streb, que também é uma ilha na parte leste do continente. Voltou como um simples camponês e junto dele vieram os monstros e seu exército, permanecendo ocultos por um tempo. Dominaram a cidade costeira de Torris, mataram os cidadãos e o conde que ali comandava, o jovem bruxo utilizando sua mágica criou um testamento antes passando a cidade para ele e o declarando conde e ali fingiram serem cidadãos normais, enquanto o jovem bruxo assumiu o cargo de conde da cidade. O conde de Torris.

Inclusive o velho mago Atlante e a bruxa Baba Yaga vieram junto de bruxo. Seu general um ciclope grande e brutal e seu outro general um minotauro, além de outros magos, lobisomens, ogros, vampiros, harpias e górgonas. Um exército perfeito para tomar o reino. As criaturas começaram a atacar as cidades vizinhas. Todo dia novos barcos desembarcavam no porto de Torris, clandestinamente. Carregados de armas e monstros.

Logo a cidade vizinha foi dominada pelos monstros e todos seus habitantes mortos e servidos como alimento para os soldados. Aí o general ciclope Bust assumiu o lugar como baronete, e a cidade na verdade se tornou uma grande ferraria, ali só foram os ciclopes que numerosos vinham das Terras Nefastas. E o número de armas cresceu ainda mais.

As outras três cidades vizinhas de Torris também pertenciam ao antigo conde, deste modo foi fácil para o novo conde de Torris domina-las. Os cidadãos das duas primeiras cidades foram mortos e servidos como alimento para os monstros mais insaciáveis. A população da terceira cidade foi escravizada e levada para Torris para servir à população pérfida que lá residia agora. A Torris também pertencia outras seis aldeias que foram também devoradas e escravizadas. A primeira cidade foi dada para governar a Atlante, a segunda a Baba Yaga e a terceira ao general minotauro Cud.

Na primeira cidade se instalaram os magos, as hags, velhas feias possuidoras de grande magia e devoradoras de carne humana e os espectros. Na segunda começaram a residir: as harpias, as górgonas e as ondinas. E na terceira os vampiros, os lobisomens, os ogros, trasgos e trolls. E as aldeias ficaram com os amanojakus, pequenas criaturas que conseguem criar sentimentos malignos nas pessoas, as controlando. A cidade de Torris serviu como morada de todos, aí havia cada uma dessas raças, bem como algumas outras como os goblins, um gigante, onis e sátiros.

E é claro havia outras criaturas que não eram inteiramente racionais, animais mágicos, podemos assim dizer, como as quimeras; abadas criaturas parecida com os unicórnios, só que tendo corpos de burros e cabeça de urso com dois chifres um maior na testa e outro menor no focinho, sendo o menor mágico; emela-ntoukas, que são rinocerontes gigantes, gárgulas e javalis gigantes.

O antigo baronete morto possuía uma única cidade e mais cinco aldeias, que logo foram também dizimadas. Contudo o novo conde de Torris não podia manter seus monstros somente dentro de suas cidades. Lobisomens, vampiros, espectros e os outros começaram a invadir as cidades próximas, e isso chamou a atenção de seus devidos senhores. A vizinhança do condado de Torris pertencia ao conde de Mandrévon, e a vizinhança da cidade do baronete de Turvis, era do visconde de Matra.

O visconde de Matra foi logo subjugado, as suas três cidades e suas quatro aldeias, e seu governo foi dado ao minotauro Cud. Contudo enfrentar o conde de Mandrévon era sem dúvida mais difícil, afinal seu condado era mais poderoso que o condado de Torris. E logo o velho conde de Mandrévon mandou uma carta à cidade de Baba Yaga. Denunciando os crimes que numerosos aconteciam. A velha bruxa mandava seus soldados para capturar crianças nas redondezas, para comê-las.

Cara castelã Baba Yaga

É com muito pesar que eu, o conde de Mandrévon lhe comunico através deste veredicto uma ação de desonra por parte de vossa cidade. Muitos dos meus habitantes reclamam que cidadãos de vossa cidade invadem suas casas, os roubam, e, o mais pérfido que encontrei dentre os erros que cometem, sequestram crianças para serem mortas e devoradas. Todavia, com súbito espanto eu lhe digo que seus concidadãos, sob a descrição de meus súditos, são criaturas sombrias e pútridas de espírito, que há muito tempo não vejo nessas terras, como lobisomens, vampiros, espectros, ogros e ondinas. Com muita ansiedade exijo uma resposta vossa!

Atenciosamente Tulipo Gentil, conde de Mandrévon.

Baba Yaga se desesperou com a carta, afinal o rei Serpe poderia já desconfiar do plano para dominação e enviar seus soldados até lá, chamar aliados e a vantagem da surpresa iria por água a baixo. Contudo o conde de Torris simplesmente riu e viu como seu trabalho agora havia se facilitado e mandou uma carta a Tulipo o convidando para um chá onde os acontecimentos seriam explicados. O bruxo precisava de um nome para que não fosse descoberto e assinou a carta com o nome de Praika Kinig, o conde de Torris.

O conde de Mandrévon apareceu para o chá na data marcada, três dias depois do envio da carta, no castelo de Baba Yaga. Tulipo veio junto de uma tropa de seus soldados, uns trinta no total, e mais alguns empregados. Bateram a porta do castelo, e a própria Baba Yaga que abriu as portas. O velho conde e seus soldados se assustaram e mesmo alguns sacaram suas espadas, bem... Qualquer um se assustaria com uma velha gorda de uns três metros de altura, com um cabelo longo branco, dentes pontiagudos de ferro, garras compridas e afiadas, e é claro o grande nariz azul.

— Entrem, por favor! –disse a bruxa sorrindo sombriamente – O conde de Torris os espera.

O conde de Mandrévon entrou junto de seus trinta soldados, olhou pelo canto dos olhos temeroso para a velha bruxa que sorria diretamente para ele. Praika os esperava em uma sala, vestia uma roupa pomposa, camisa e calça vermelhas, e uma capa negra, bordados com ouro. Seus cabelos negros estavam despenteados. Sob a mesa duas xícaras, um bule e uma bandeja com biscoitos.

— Conde Tulipo, eu creio que seus soldados não sejam necessários aqui dentro, ficaria um clima tenso durante o chá e poderia até mesmo causar alguma indigestão. — disse Praika se levantando.

— Sim, acho que tem razão, mas prefiro manter cinco soldados comigo, como guarda pessoal — replicou o conde, escolhendo cinco dos seus melhores, e os outros dispensando com um aceno.

— Bem se o senhor pode, eu também posso — disse Praika estalando os dedos, nisto Baba Yaga, Atalante, Bust, Aix, uma generala górgona, e Nive, uma meia sereia, filha de uma sereia com um humano, e uma das melhores alunas da escola de magia de Baba Yaga, possuía o cabelo raspado, e muitos piercings, também uma das generalas. — Cinco soldados meus também.

Tulipo viu que tinha feito um péssimo negócio, Baba Yaga sozinha mátria todos os soldados dele, junto daqueles monstros então ele não tinha chance. Ele sabia que iria morrer, só tinha duas formas de escapar, ou sendo muito educado e bajulador, permitindo que Praika o liberte para futuramente ser atacado, ou se render e virar uma marionete dele. De fato toda ilha de Streb estava correndo perigo.

Os outros 25 soldados foram levados para uma sala mais ao fundo, onde Cud e seus soldados o esperavam, para se divertirem. Em menos de cinco minutos eles já estavam mortos. Somente um oni caiu nesta batalha.

— Conde Tulipo, qual é mesmo o motivo para vós estar aqui? — perguntou Praika com evidente falsidade, só para ver os olhos pavorosos do conde.

— Ataques as minhas cidades e meus cidadãos dizem serem das suas cidades os atacantes, vim aqui unir forças com você para detê-los — disse o conde inventando algo de última hora.

— Ora como posso aceitar isso? — disse Praika sorrindo — Se aceitasse isso teria que matar Baba Yaga minha generala e professora, afinal ela que está comendo suas crianças.

— O quê?? — perguntou o conde se levantando e colocando a mão no punho da espada, olhou de relance para Baba Yaga que sorria sordidamente para ele. Somente agora o conde vira: o cinto que cingia a cintura de Yaga, pendurado com cinco cabeças de crianças, de suas crianças. — Eu não vou permitir isso, é um ultraje ao nosso rei, ultraje à ilha de Streb, um ultraje à vida!

— Creio que o senhor escolheu o lado errado Tulipo — disse Praika se levantando e indo para trás de seus soldados.

— Soldados! Soldados! — gritou o conde exasperado já com a espada sacada, ele deu um passo para trás e acabou derrubando a cadeira. Os seus cinco guarda costas já estavam posicionados com lanças apontadas para os cinco generais de Praika.

As portas se abriram e os olhos do conde mostraram seu alivio ao pensar que ia entrar seus soldados, contudo o que apareceu foi um pajem que veio junto do conde. De repente o pajem cai no chão revelando um sátiro atrás dele com uma espada agora ensanguentada. Logo em seguida, o minotauro Cud entrou e jogou no chão as 25 cabeças dos soldados do conde no chão que saíram rolando e pararam aos pés do conde, apavorado. O minotauro e o sátiro deram meia volta e saíram fechando a porta.

Os soldados do conte avançaram, Yaga levantou as mãos e eles pararam, ela pronunciou algumas palavras e eles começaram a agonizar de dor e a se contorcer lentamente. Atalante também falou algo incompreensível e as lanças se transformaram em serpentes robustas e asquerosas, enrolaram se nos braças dos soldados e foram os devorando lentamente, membro por membro.

O conde deu um passo para trás, pisou em uma das cabeças e caiu, tentou se arrastar para a porta, contuso Aix segurou suas pernas e o puxou de volta. Lágrimas escorriam de sua face enrugada e contorcida pelo medo que a morte causa. O conde virou a espada, rapidamente, e cortou a cabeça de Aix que fez uma careta, seus olhos não davam para ver, pois ficavam encobertos para não petrificarem todos.

A cabeça escorregou lentamente para o lado e caiu se juntando a dos soldados, as cobras que eram seus cabelos ainda serpentearam por um bom tempo.

— Eu sou um dos maiores esgrimista do reino — disse o conde se levantando.

— Eu sei Tulipo — disse Praika indiferente com tudo, mas talvez até com dó do velho conde — meu pai, Dolos, me contou sobre você, inclusive que eram amigos, mas sacrifícios precisam ser feitos...

O conde arregalou os olhos, estava estupefato, seu braço foi abaixando e a espada caiu.

— Eu bem que tinha reconhecido seu rosto... — disse como rendimento. Praika andou até ele, levantou a mão, pronunciou as palavras mágicas e a vida se esvaziou do corpo dele, sua boca se abriu e uma fumaça azulada saiu de lá, sua energia vital, e se dirigiu até Praika que a respirou profundamente.

O corpo sem vida do conde caiu com um ruído. Sua queda anunciava a queda do reino de Streb.

Logo depois caiu o barão Gord Max, depois o marquês Leôncio, depois o duque Defágio. Sobraram o outro duque, outro marquês, outro conde, três viscondes, três barões e dois baronetes. E claro o rei Serpe. Ai a guerra foi declarada, Serpe caiu, e esse foi o primeiro reino conquistado por Praika. Contudo o que nos interessa é o reino de Mubilpe, um dos últimos a cair, mais ao sul...