O vento era tão forte que quase era possível enxergá-lo tentando derrubar a entidade. Talvez arriscar-se a subir aqueles galhos tão altos, invadir um território fora do alcance de mortais atiçava a fúria daquelas rajadas cortantes que atravessavam sua forma não física.

Se atreveu a brevemente manter-se sólida, como qualquer ser, sentiu a natureza chocando-se contra seu rosto delicado, mas ao mesmo tempo forte, suas pálpebras escondiam aqueles olhos cinzentos e ameaçadores, as pontas de suas orelhas pontudas congelavam descobertas por seus cabelos albos e curtos que balançavam violentamente contra o vento. Sentir algo tão natural, tão vivo a fazia rir, sorrir como quem nunca havia enfrentado a morte. Sentia-se mortal, comum, viva.

Com uma investida do vento mais intensa, seu corpo fora derrubado daqueles gigante galho. As árvores do céu eram tão grandes que seus troncos eram largos como um coliseu, seus galhos pareciam sequoias crescendo no tronco principal, sua altura justificava o nome. Toda a floresta do céu arranhava as nuvens, machucando o grandioso infinito.

A entidade ria enquanto caía, com seus olhos fechados, com todos seus sentidos mais aguçados, prestava atenção em todas as sensações que a natureza proporcionava para seu corpo. Sua a queda parecia sem fim, mas não era. Uma parada brusca, repentina roubou seu fôlego.

-Hmpft! Amane, desista. Isso nunca dará certo.
Amane abriu seus olhos, estava suspensa sobre a grama, que se afastava da entidade com medo de sua aura repleta de sombras, deixando o solo marcado com sua silhueta.

-Argh! Mas dessa vez eu cheguei muito perto... — Amane se levantou fitando o dorcéu que aquelas enormes folhas formavam, cobrindo o sol de meio-dia, deixando a floresta escura como a noite. — Da próxima vez, Sean, você sobe comigo.

O elfo riu segurando o rosto da entidade, o único ser que destemia o espírito.

Seus olhos azuis como o céu brilhavam com o reflexo dos cristais que cravavam o chão como lápides de luz esverdeada. Seu rosto jovial sempre sorria, emanando uma aura alegre, sua barba curta e escura estava desgrenhada e coberta de grama, seu cabelo confuso que dizia-se castanho, porém uma grande parte verde clorofila em seu meio gritava suas origens élficas, assim como suas orelhas levemente pontudas. O mestiço vestia um casaco verde musgo com pequenos detalhes marrons em seus botões de madeira feitos a mão sobre um colete marrom, sua camisa branca estava suja com terra e folhas. Sua calça e seus sapatos negros estavam cobertos por lama.
Mesmo vestindo-se de forma tão alinhada, Sean nunca fugia de sua natureza aventureira. Realmente, o reino de Magália tinha sorte de tal príncipe.

-Vá sonhando... Agora tenho que voltar para casa... Marinne deve estar preocupada comigo. — Disse o mestiço descendo sua mão pelo braço da entidade até alcançar sua mão segurando-a carinhosamente.

Amane revirou os olhos. O casamento arranjado de Sean a irritava, saber que uma princesa qualquer o roubara de seus braços frígidos e mortos fazia cada parte de sua alma arder em raiva. Mas, o príncipe nunca demonstrava tristeza ou raiva, apenas aceitava com um grande sorriso, sem transparecer o que realmente sentia para seu povo. Era como um pilar em que seu reino se apoiava, ainda mais com a morte próxima de seu pai, o rei. Sempre com um grande sorriso desenhado em seus lábios ele governava com positividade, sabedoria e orgulho.

-Oh! Mas já está escuro! Acho que você terá dormir na minha casa, alteza! — Amane encostou seus lábios levemente com os do mestiço em um beijo.

-Ainda são meio dia... Estamos na floresta do céu esqueceu? E para falar a verdade, estou bem tentado a te acompanhar por mais tempo mas... Se eu chegar tarde, bem... Eu perco a cabeça.
A entidade assentiu com relutância:

-Sim... — Ela suspirou — Bem, vamos por um atalho?

-Só concordarei pois você já teve decepções o suficiente por hoje.

Amane segurou nos ombros de Sean que fechara os olhos sabendo do que viria pela frente. Uma luz branca cobriu os dois iluminando toda a floresta e ofuscando a luz dos cristais que lá cresciam, em um piscar de olhos o som dos animais sumiu, apenas com o som de chamas estalando.

A luz se dissipou deixando os dois em uma grande sala. O assoalho rangia sobre os pés de quem andava pelo cômodo, as paredes de pedra robusta era coberta por pinturas de nobres e tochas para a iluminação. Uma grande mesa circular de carvalho ficava no centro do ambiente. Os pés da mesa pareciam esculpidos por artistas distintos, haviam tantas cadeiras que poderia acolher todos os mortos confortavelmente. No meio do móvel colossal, um grande mapa de toda a área se projetava de cristais com o relevo perfeitamente representado. Talheres e louças finas descansavam sobre a mesa colocados estratégicamente. A grande lareira que se abria na parede queimava um fogo calmo, as chamas estalavam em um padrão reconfortante, mesmo com tanto espaço para queimar o fogo parecia comportado em sua casa.

Um cheiro acolhedor tomava o cômodo, uma mistura de lenha sendo queimada e comida caseira.

-Finalmente, Sean.

Marinne entrou no quarto, seu vestido era impecável. Era branco com mangas longas, o corpete a apertava deixando sua postura perfeitamente alinhada, os bordados em azul claro feitos provavelmente por mágica iluminavam mais ainda o ambiente. A princesa usava um chapéu com abas longas sobre seu cabelo ruivo que batia em sua cintura. Seu rosto estava fechado de raiva, mesmo sua maquiagem perfeitamente aplicada não escondia sua expressão de ódio, seus olhos verdes perfuravam Amane com rigor.

A nobre parecia uma estátua ali colocada para decorar a sala, ainda mais com sua pele extremamente pálida.
Estava ali em pé na frente de uma grande porta de madeira escura como quem esperava por companhia, seus braços estavam cruzados em reprovação, deixando sua aura ainda mais ameaçadora.

-Me desculpe, querida. Estava ocupado com toda a burocracia entre os reinos... — Sean disse indo na direção de sua esposa. — Amane representa o reino de Nicor.

-Você estava negociando com um espírito da morte? Nicor?! Você sabe o que criaturas como ela fazem?! — A mulher falava com tanto ódio nas palavras que cada sílaba parecia regada de veneno.

Sean suspirou e passou a mão nos cabelos ruivos da princesa.

-Amor, Amane não tem culpa de suas origens. Sim, ela é uma entidade de Nicor. Mas não julgue-a por isso... De qualquer forma preciso pensar em nossas alianças.

Os nobres se beijaram, ali na frente de Amane. Era tão doloroso quanto a morte ver seu único amor destinado a viver com alguém que não ama, nunca amou ou amará.

-Sean fala bastante sobre você. — Amane chegou mais perto da princesa afastando seu amante. — Veio do Norte, hum? Covarde como os outros... Sinto isso.

-Amane...

-Não farei nada com ela, Sean. Só espero que te da próxima vez não tenhamos má companhia. Encontro você mais tarde, boas areias.

Amane se virou e atravessou as paredes


Na vila mais próxima aos muros pequenas casas de madeira se estendiam pela rua estreita de pedras.
Penduradas nas janelas bandeiras roxas com desenhos de espinhos verdes-musgo tremulavam, o povo parecia sempre orgulhosos de seu reino. Os camponeses abriam espaço para a entidade, que flutuava com uma expressão de indiferença. Todos tremiam de medo escondendo-se atrás de fardos de feno.

Era engraçado como a morte assusta os mortais. É algo inevitável que anda por aí, assim como ela, Amane.

Amane observava calmamente todo o temor que causava e ainda aproveitava a visão da vila que se organizava humildemente ao redor dos muros que separavam a população do castelo, ao mesmo tempo que era isolada do mundo por outros muros.

Uma figura se aproximou da entidade. Seu rosto era marcado por rugas fortes, seu sobretudo branco com uma grande rosa bordada cruzando-se com uma aliança dourada indicava seu poder sobre os camponeses. O status religioso como mestre de cerimônias era muito respeitado.

-Como se atreve a quebrar as barreiras divinas?! Espírito maligno! Considere-se banida da casa dos deuses! — O mestre gritou apontado seu dedo ossudo para o demônio, por assim dizer. — Não ceifará nenhuma alma inocente aleat...

-Está bem! Eu já entendi que todos tem medo de alguém, no caso eu, "causar um grande e desnecessário genocídio porque eu sou um demônio!" — Amane disse passando pelo fiel negando seu poder sobre ela — Já fui expulsa duas vezes do mesmo lugar, que insistência de vocês! Acho que, só por que não me querem aqui, minha estadia se estenderá por mais alguns éons... — Ela riu — Brincadeira. Estou só de passagem... Vejo vocês mais tarde. Em seus leitos de morte, talvez...

Coberta por uma luz branca, Amane desapareceu. Os aldeões em choque buscaram refúgio na fé, clamavam por explicações de seu líder religioso, que em choque suava de medo.



A princesa caminhava de um lado para o outro em seus aposentos, Sean a observava sem sequer uma emoção desenhada em sua face.

-Pelos deuses, Sean! Não creio de tal adultério! Tuas vestes estão sujas por rolar na grama com aquele demônio em forma de mulher! Que planos podres aquele ser tem para nós? Enfeitiçar-te e matar a todos?! — Marinne questionava-se nervosa — Diga-me... Conte a verdade para mim. Farei questão de quebrar tal feitiço, nem que eu mesma o faça.

O elfo segurou o ombro de sua esposa acalmando-a, passou sua mão por seu rosto e sorriu.

-Nenhum feitiço tomou parte de minhas decisões até agora, mesmo se fosse, você nunca seria capaz de quebrá-lo, pois é fraca. Marinne, eu não te amo. Ao contrário de você, Amane é dona de meu amor e meu cuidado, e me conquistou justamente. Suas teorias sem fundamento me provam o quão vazia suas ideias são.. Você sabe o porquê estamos juntos. — Sean fitou a janela de seu quarto, soltando seu rosto. — Me desculpe, sou incapaz de amá-la.

As palavras francas saiam dos lábios de Sean sem um pingo de maldade,mas a verdade assombrava o coração de Marinne como tinha de ser.

-Saiba que aprendi a te amar Sean, mesmo sendo platonicamente. Nossa união é a única esperança para meu reino, logo, mesmo forçado, honro nosso casamento. Com o tempo, vi todos os motivos para amar a você... És um nobre responsável, faz tudo para proteger, honrar e garantir a prosperidade de seu povo. Como consegue relacionar-se com um ser tão sombrio e maligno?
Sean passou seus dedos no cabelo retirando folhas que ainda se prendiam aos seus fios esverdeados.

-Não julgue-a precipitadamente, Amane é um espirito do fins dos tempos, eu sei, mas não considere-a uma assassina em massa, ela só faz seu trabalho. Além disso ela é muito querida por Nicor. Serei honesto, Marinne. Não sou fiel a você, mas sou fiel ao meu povo... Nosso povo. Nossa união é apenas uma salvação para o reino Norte, que é tão fraco que não possui nenhuma aliança, ou não possuía até nos casarmos, unificando nossas nações. —

Sean fechou seu punho e encarou a aliança de ouro que coroava seu dedo anelar — Mesmo assim... Ainda não entendo o que passava na cabeça de meu pai. Unificar-nos com o Norte não traria nenhuma vantagem a não ser, claro o forte poder político que foi dado precipitadamente para a igrja... Mas tirando isso... Seu povo é só mais um fardo para Magália.

Marinne fora atingida brutalmente com a verdade, seus joelhos falharam derrubando-a. Suas lágrimas caíam no tapete de pele borrando sua maquiagem. Sean ajoelhou-se ao lado da mulher derrotada.

Ele escondia a verdade de muitos para evitar reações tão falhas, mas sabia que Marinne vivia em um mundo muito além do real. A princesa imaginava-se em uma fábula que era contada aos jovens camponeses dormirem, mas não era assim. Para o bem de seu povo, Sean tinha de garantir a sobriedade de sua futura líder, mesmo que coloque a felicidade da mesma em jogo.

-Levante-se, temos o encontro dos Cardeais. Recepcionarei os convidados até que você possa se recompor.

O elfo saiu pela porta deixando lá aquela figura desolada, sozinha para afogar-se em suas próprias lágrimas.

Os cavaleiros suavam dentro de suas armaduras, roseiras saiam das juntas de suas roupas de metal e subiam em suas lanças. Se mantiam de pé como estátuas na porta principal do castelo. A extrutura de madeira era protegida pelos guardas com suas vidas, além de duas outras grades de aço e uma barreira mágica.
Sean desceu as escadas enquanto abotoava suas abotoadouras de seu longo casaco, os botões de cobre levemente amassados dificultava o trabalho. Os bordados em preto que eram costurados como uma obra de arte sobre o tecido verde escuro, brilhavam sob a iluminação do grande candelabro que se pendia sobre a sala.

O salão principal era regido por duas escadas que abraçavam o cômodo, um carpete roxo cobria o chão e as escadarias como um manto. Esculturas e pinturas caríssimas ostentavam a riqueza do rei, o que irritava o príncipe, mas não deixava transparecer. Chegou até a frente dos guardas e suspirou, acenou com a cabeça indicando para abrirem as portas que com um grange rugido se abriram.

Dezenas de nobres e burgueses influentes entraram pelas portas, seus vestidos bufantes e ternos dos mais caros tecidos tomaram conta do saguão. O cheiro de seus perfumes caríssimos se misturavam de forma desagradável, aquelas perucas altas e desnecessárias se equilibravam nas cabeças dos convidados que andavam pelo salão sem rumo abraçando-se e cumprimentado-se sorrindo.

O anfitrião cumprimentava um duque que nunca vira na vida até que uma silhueta familiar se aproximou. Esguio, seu casaco ferrugem pendia em seu ombro, seu colete cinza exibia com orgulho botões de pura prata. Aquele rosto unicamente comum se destacava entre os outros, aqueles cabelos grisalhos penteados para trás se escondiam debaixo de uma cartola cômica.

-Houdi¹! Não vai cumprimentar seu amigo? — A voz grave, consequência da fumaça que o humano inalava diariamente, soou arrastada e bêbada.

-Houdi. Não pensei que te encontraria aqui, Ell. — Sean apertou a mão de Ell se controlando para não quebrá-la de raiva.

-Estava torcendo para que as minas tivessem caído sobre mim finalmente, não é Sean? Ah! Os anões sabem cuidar das minhas queridas minas. — Ell tossiu e passou a mão em seu rosto enrugado olhando ao redor. — Não vejo seu pai. O bêbado se perdeu em alguma taverna? Hmpf! Espero que vossa alteza se comporte melhor quando se tornar majestade.

Ele rangeu os dentes tentando não puxar a arma que se escondia por baixo de seu casaco. Segurou no ombro do humano, olhando para cima encarando seus olhos negros.

-Meu pai está bem longe de Magália, antes fosse... Seria insuportável aturar aquela mente dissolvida pelo álcool. Agora... Quando a coroa estiver comigo, confie nas minhas palavras. Tudo será diferente. Inclusive as nossas alianças políticas, militares e, principalmente, econômica.

-Isso... Isso foi uma ameaça?!

-Uma promessa. — Sean se virou segurando seu riso.

Suportar mais tempo com aquele humano oportunista era uma tortura. A criatura repugnante se aproveitava de anões ingênuos para escavar e coletar recursos em suas minas. Só deste jeito um humano ganharia algum status. O pior era saber que parte de seu sangue pertencia a tal ser, não se imaginava se referindo ao homem como avô.
Perdido em pensamentos negativos, Sean esbarrou em sua esposa, que aparecera se o conhecimento do príncipe. Ainda usava o mesmo vestido azul claro, mas sua saia original estava escondida por baixo de uma saia bufante.

-Desculpe-me Mari... Querida. Estava em outro mundo.

-Entendo. — Ela respirou profundamente e fitou os convidados. — Hora do jantar, eu acho. — Ela colocou sua mão sobre o ombro do marido, encarou seus olhos azuis e subiu as escadas.

Estava fria, mas um sorriso falso sobrepunhava seus sentimentos verdadeiros. Do mesanino, ela anunciou o jantar. A voz forte e segura nem parecia ter saído da mesma mulher.

Todos entraram na sala de jantar. Se sentaram organizadamente em volta da mesa, em seus lugares reservados de acordo com sua influência e importância. Os servos corriam entre as cadeiras servindo o jantar. Sean se sentava em frente à lareira, em uma grande cadeira, ao lado uma cadeira maior vazia, destinada a seu pai. E em seguida, Marinne brindava com seu cálice dourado em nome à união de todos.

O príncipe tambolirava os dedos, impaciente, olhava para a cadeira vazia, que era destinada ao rei. Mesmo a majestade sendo o verdadeiro anfitrião, ele não comparecera. Gastou tanto com carruagens levando convites formais a todos os Cardiais. A comida que estava lá podia alimentar o reino inteiro tranquilamente, mas não. Os alimentos eram desperdiçados com pessoas que já comiam do melhor.

-Agora... Os cardiais são um só! Que os pontos de anar... Armaquizismo se caiam entre si. — Um dos convidados gritou bêbado, os outros aplaudiram, rindo.

-Virem os barris!

-Queimem!

-Que o fogo se alastre!

Queimar?! Sean levantou assustado, e fixou-se no mapa holográfico, ele projetava uma vila perto dos vulcões em tempo real. Os grandes montes de magma estavam calmos, forneciam seu solo fértil gentilmente para os moradores sem mesmo ameaçar mostrar toda sua fúria em erupções.

Fogo começou a crescer nas casas e plantações, todos aplaudiram a cena comemorando a desgraça. A alteza segurava a mesa com força, sua boca se abriu em uma face desesperadora e chocada.

-Sean, você está bem? — Marinne disse baixo.

-Quem está comandando isso?

Marinne o encarou com os lábios selados, ele tentava entender o que aquilo tudo significava. O príncipe tinha uma expressão de choque nunca vista antes, ele desviou seu olhar de volta para o mapa, as chamas holográficas continuavam a destruir as casas e as plantações.

Sean enterrou a cabeça nas mãos tentando raciocinar.


A noite em Magália era bem iluminada pelo castelo. Roseiras cresciam pelas paredes do castelo, onde as flores escondendo-se da lua atrás de seus espinhos. Os caminhos de arenito no jardim bem cuidado do castelo brilhava levemente. Estava muito silencioso, apenas com o som de corujas e dos jardineiros que podavam os arbustos.

Seguia com passos leves e rápidos pelo caminho encrustado no chão por pedras de arenito, puxava com força o capuz verde sobre sua cabeça e ombros. Parou em frente a um pequeno riacho, a água refletia a luz noturna, e tremulava levemente com o nadar dos peixes. Dentro da água uma pedra branca chamava atenção mais do que as outras, o nobre esticou a mão para alcançá-la. Ele segurou a pedra com a palma da mão e suspirou pesadamente e fechou o punho com força, transformando a pedra em areia, que caiu dentre seus dedos.

-Chegou cedo.

Ele puxou seu capuz e olhou ao redor. Estava em uma clareira em meio de um bosque com árvores floridas, coloridas pela natureza de rosa. Gotas de orvalho eram atingidas pelos raios lunares na grama que crescia selvagem, consumindo até mesmo as rochas que lá descansavam. Não se acostumava a mudar de lugar tão rapidamente, então continuava a olhar para os lados meio incrédulo. Até que seus olhos que corriam pelo ambiente pararam de repente, ele sorriu, vendo a figura alba que lá sentava sobre o nada observando o céu pontilhado por estrelas.

Aqueles fios brancos até os ombros, cortados de forma irregular e selvagem eram embaraçados ao vento. De pele branca, de fato translúcida, espantava a todos.

As linhas finas, porém definidas de sua face encaravam o além com seus lábios fartos formavam um sorriso sincero.
Amane voltou seu olhar para, Sean com seus olhos cinzentos que reproduzia a luz multicolorida de seu amuleto que descansava sobre seu busto.

Passando a mão no rosto da entidade com carinho, como o de costume. Mesmo o seu sorriso não aliava a o peso das preocupações, que pesou em sua voz:

-Preciso de ajuda.

Notas finais
¹Cumprimento formal