As Aparências Enganam - Short Fic
6 A Caça às Calcinhas
Notas iniciais
Bjus, meninas. Vejo vcs amanhã... hehe
Depois que tudo ficou esclarecido entre mim e Edward, nós passamos a fazer tudo juntos. Ele estava sempre me ajudando a encobrir o fato de que eu era uma garota. Sempre que tínhamos uma chance nós trocávamos beijos roubados, ou ficávamos de mãos dadas sob a mesa. Era estranhamente excitante.
Agora eu podia dormir nos meus pijamas normais, sem precisar dormir de moletom. Apenas trancávamos a porta e passávamos horas conversando ou deitados um ao lado do outro... Ou dando uns amassos, claro.
Hoje à noite, foi a ultima opção.
Eu já havia ido tomar banho. Edward ficara vigiando do lado de fora do banheiro caso viesse alguém. Quando voltamos ao quarto, eu despi o moletom. Por baixo eu usava um short e uma camisa de alcinhas.
– Você está muito gostosa nesse pijama, Zack. – Edward falou. Ele havia se acostumado a me chamar de Zack e, querendo ou não, ele não ia poder ficar me chamando de Bella na frente dos outros, por isso decidimos que era melhor assim.
– Não seja besta, Edward. – Eu falei, sentindo meu rosto esquentar.
– Estou falando sério. Semana passada eu achava que eu só ia te ver vestida de mulher na passeata do orgulho gay. – Ele falou, aproximando-se. Com essa eu ri alto.
Joguei meus braços em seu pescoço e deixei que ele me beijasse. Suas mãos deslizaram pela minha coluna, me deixando completamente arrepiada. Uma de suas mãos se entrelaçou aos meus cabelos enquanto a outra me apertava ainda mais em seus braços.
Edward começou a me empurrar devagar para a minha cama e eu deixei. Ele me deitou devagar e deitou-se sobre mim em seguida. Acariciei o seu braço forte, em seguida as suas costas. Enrolei meus dedos em seus cabelos macios.
Eu era virgem, só pra constar, mas acho que isso é bem óbvio. E eu gostava muito de Edward, mas não sabia se eu estava pronta para isso. Quero dizer, nós nos conhecíamos há apenas uma semana e alguns dias.
Mas Edward me beijando daquele jeito, me tocando daquele jeito... Eu estava começando a pensar: Por que não?
Uma de suas mãos foi se movendo devagar para a minha barriga e entrando na minha blusa. Ela foi parar no meu sutiã, apertando o meu seio. Edward parou de me beijar e me olhou nos olhos. Mordi o lábio, indecisa.
Ele então começou a beijar o meu pescoço, o que definitivamente foi um golpe baixíssimo da parte dele. Sua mão escorregou para dentro do meu sutiã e ele prendeu meu mamilo entre seus dedos.
Gemi baixinho, ouvindo Edward suspirar na minha orelha. Podia sentir algo duro na minha perna, me tentando. Já havia tomado a minha decisão quando ouvimos batidas na porta. Edward levantou-se imediatamente, de olhos arregalados.
– O que eu faço? – Ele sussurrou, tentando esconder o volume mais do que óbvio em sua calça.
– Entre debaixo das cobertas. – Sussurrei de volta.
Ouvimos outra batida na porta. Edward se jogou na cama, cobrindo-se com o edredom e ficou me olhando. Vesti o meu conjunto de moletom preto e dei um tempo, para que pensassem que estávamos dormindo. Então bateram outra vez.
– Abram seus manés. Somos nós! – Era a voz de Emmet. Revirei os olhos para Edward.
– Emmet? – Perguntei, fazendo uma voz sonolenta e desarrumando o meu cabelo, embora isso não fosse preciso, já que Edward já havia feito aquele serviço.
– Claro, idiota. Deixe a gente entrar. – Emmet falou, delicado como sempre.
Fui até a porta e a abri.
– Por que vocês trancam a porta? – Emmet entrou sem ser convidado, com Jasper a tiracolo.
– Para o caso de alguém inconveniente tentar invadir nosso quarto no meio da noite. – Eu falei, cruzando os braços, irritada.
– É a noite da Caça às Calcinhas! – Emmet falou como se fosse óbvio. Deu uma pancada em Edward, que fingiu estar acordando. – Levanta, seu bundão! Esqueceu-se da noite da Caça às Calcinhas, mané?
– Hmm... – Edward fez, numa interpretação meio exagerada, se quiser a minha opinião. Sentou-se na cama, com o edredom ainda sobre os quadris e os olhos meio fechados. – Acho que esqueci mesmo.
– O que é a noite da Caça às Calcinhas? – Eu perguntei.
– Todos os anos os calouros se juntam para ir até a ala feminina e roubar as calcinhas delas. Fazemos a contagem e vemos quem bate o recorde. – Emmet contou. Olhei para Edward, incrédula, mas ele apenas confirmou com a cabeça.
– E as garotas sabem disso? – Eu perguntei, revoltada.
– Claro que sabem! Por isso elas escondem as calcinhas nos lugares mais difíceis em que podem pensar. – Edward falou. Revirei os olhos, sem crer que estava mesmo ouvindo aquilo.
– Anda logo, estamos atrasados. Os outros já saíram faz uns dez minutos. – Emmet falou.
– Vocês acham que nós vamos nessa Caça às Calcinhas? – Eu perguntei.
– Claro que vão! – Emmet disse, agarrando o meu braço e o do Edward e nos arrastando para fora do quarto. Felizmente já estava tudo normal nas partes baixas do Edward, o que foi um alívio.
E foi assim que acabamos na ala feminina, no meio da noite, caçando calcinhas como loucos. Eu desacreditava que euzinha havia me metido nessa roubada. Não que eu já não estivesse em uma... Bom, se eu já estou na merda mesmo...
Atravessamos o lago numa canoa e entramos no prédio feminino, que incrivelmente estava com as portas destrancadas. Desconfiei de que os funcionários já soubessem desse ritual e ajudassem, mas tinha certeza de que o pai de Edward não fazia ideia.
Procuramos por muitos lugares e achamos uma boa quantidade de calcinhas, mas os outros garotos (não só Emmet, Edward e Jasper, mas todos os garotos do primeiro ano) estavam achando que havia muito poucas.
– Eu acho que elas devem ter escondido em algum lugar que nós não pensamos em procurar ainda. – Um garoto moreno comentou.
– Nós procuramos por toda a parte. – Emmet argumentou.
– Deve estar faltando algum lugar. – Edward franziu a testa, pensando. Eu não acreditava que ele estava realmente se empenhando nessa tarefa idiota. Resolvi então ajudar.
– Tem um lugar em que não procuramos ainda. – Eu falei. Todos olharam para mim, prestando atenção. – Nas gavetas delas.
Um coro de “Ohhh!” veio de todos os garotos. Edward sorriu para mim, parecendo orgulhoso.
– Vamos nessa! – Emmet incitou.
Todos os garotos esgueiraram-se escada acima para o dormitório das garotas. Incrivelmente, todos os quartos estavam vazios, o que queria dizer que elas realmente sabiam de tudo. Isso estava mais me parecendo uma corrida entre garotos e garotas para ver quem era o mais esperto. E eu aparentemente estava ajudando os idiotas a ganharem.
Como eu havia previsto, todas as gavetas estavam cheias de calcinhas. Pegamos todas que pudemos achar, colocamos na sacola preta que carregávamos e então partimos de volta para a sala comum dos garotos. Então começamos a contagem.
– Mil e noventa! – Jasper finalizou.
– Wow! – Emmet exclamou. Todos os garotos fizeram exclamações de espanto e felicidade.
– O que foi? – Perguntei, sem entender.
– Nós batemos todos os recordes. – Edward falou espantado.
– E tudo graças ao meu amigão Zack. Toca aqui, parceiro! – Emmet falou feliz, levantando a mão para um high five. Todos os garotos exclamaram em concordância, me oferecendo as mãos para serem apertadas ou me dando tapinhas nas costas. Naquela noite, eu fui o herói (ou heroína) entre os garotos.
Quem diria!
Depois de toda aquela comoção, eu estava exausta.
Quando Edward e eu chegamos ao quarto, nenhum de nós disse se quer uma palavra. Apenas nos jogamos na cama e dormimos quase imediatamente.
O dia seguinte era sábado, por isso ficamos na cama até tarde. Acordei com Edward ao meu lado, acariciando o meu rosto.
– Bom dia. – Ele disse me dando um beijo no rosto.
– Bom dia. – Eu falei, abraçando-o, sonolenta.
– O que você quer fazer hoje? – Ele perguntou.
– Não sei, só sei que estou morrendo de fome. – Falei, sentindo meu estomago se contorcer.
– Não estão servindo mais o café. Podemos ir até a cidade e tomar café lá. – Edward sugeriu.
– Bom plano. – Exclamei.
Peguei a gaze que usava para envolver os seios e comecei a enrolar novamente.
– Espera... Por que não passamos o dia juntos... Como namorados? – Edward perguntou.
– Namorados? – Perguntei, surpresa, parando com a mão levantada.
– É. Você é minha namorada, não é? – Ele perguntou, erguendo uma sobrancelha.
– Sou sim. – Sorri. Então pensei no que ele estava dizendo. – Mas nós não podemos fazer isso. Todos iam pensar que somos gays.
– Não se você estivesse vestida de garota. – Edward insinuou.
– Mas então saberiam que eu era uma garota e me expulsariam da escola. Ou achariam que eu sou um travesti. – Repliquei. Edward riu.
– Podíamos ir até a cidade vizinha. Ninguém saberá quem nós somos. Vamos ser apenas um casal normal. – Ele disse, vindo me abraçar.
– Um casal normal? Nós? – Ideia tentadora.
– É. – Ele confirmou, beijando o meu ombro.
– Estou dentro! – Falei.
– Ótimo. Pegaremos a sua moto e sairemos como se fossemos até a cidade. Seguimos até a cidade seguinte e você troca de roupa no posto de gasolina. – Edward falou convicto.
– Você é tão inteligente. Meu herói! – Falei, rindo e o beijei.
Depois disso, vesti as minhas roupas de garoto de sempre. Peguei uma bolsa e coloquei nela um vestido azul que há muito eu tinha, mas só usara uma vez, numa festa que minha mãe dera em casa. Coloquei também uma sandália com um saltinho baixo e meu nécessaire com maquiagem.
Edward sempre me via vestida de garoto. Agora eu queria que ele me visse como uma garota de verdade.
Saímos do dormitório como quem não quer nada e fomos até o esconderijo da moto. Estávamos empurrando-a pela floresta até os limites da propriedade por um caminho escondido e passamos perto de umas mesas de piquenique. Foi aí que Jasper, Emmet, Rosalie e Alice nos viram.
– Hey, Ed! – Alice gritou, vindo até nós, no que foi seguida pelos outros.
– Oi Alie. – Edward respondeu constrangido.
– O que vocês estão fazendo? – Emmet quis saber.
– Vamos dar uma volta de moto pela cidade. Zack dormiu demais e não tomou café da manhã. – Edward contou.
– Legal. – Alice falou.
– Nos vemos mais tarde, então. – Eu disse, querendo fugir logo deles.
– Até mais. – Emmet respondeu.
Então saímos andando devagar, sem tentar parecer muito suspeitos. Edward olhou para trás como quem não quer nada.
– Você acha que eles desconfiam? – Ele quis saber.
– Não, acho que não. – Falei duvidosamente.
– Eles não pensariam que eu sou gay, não é? – Edward questionou.
– Acho que não. Eles te conhecem a vida toda. – Eu disse.
– É, você está certa. – Ele concordou, parecendo mais aliviado.
~~
*Emmet, Rosalie, Jasper e Alice observaram enquanto Edward e Zack se afastavam.
– Então... Quer dizer que o Edward e o Zack estão... – Rose começou.
– Definitivamente sim. – Emmet respondeu.
– Hmm... — Fez Jasper.
– Sabe, acho que no fundo eu sempre soube que o Edward era gay. Quero dizer, olha o cabelo do cara! – Emmet disse.
– Com certeza. – Jasper concordou.
Alice apenas suspirou, desgostosa por ser a única ali com um cérebro.
Fale com o autor