Notas iniciais
Olá terráqueos, espero muito que gostem e não esqueçam de comentar!

Há muito tempo eu tinha prometido para mim mesma que não escreveria mais para você ou sobre você, mas essa sempre foi minha atividade favorita. Digo, minha atividade favorita sempre foi escrever, não necessariamente escrever sobre você, mas admito que nossa história me rendeu alguns bons textos. Pelo menos para isso nossa relação deu certo, não é mesmo? O que acontece é que tem tanta coisa ainda que não relatei em palavras, mais especificamente sete coisas. E são bem essas sete coisas que eu vou eliminar da minha mente literária nesse momento, tirar de uma vez o que está preso dentro de mim, e espero que você leia e entenda também, porque aqui vão as sete coisas que eu odeio em você.

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Lembra quando nos conhecemos? Você estava lá em sua roda de amigos, também babacas, ao meu ver na época, no parque da cidade, tocando seu violão e conquistando suspiros de todas as minhas amigas. Sim, todas elas. Se bem que minhas amigas suspiravam tanto por você quanto por seus amigos, o que eu sinceramente nunca entendi, já que eu conseguia ver que todos vocês tinham a palavra “encrenca” estampada na testa.

— Naomi, acorda, estamos indo lá com os garotos — uma das minhas amigas, Sam, me cutucava, tirando-me do meu próprio mundo, já que estava perdida nas palavras de “O Amor É um Cão dos Diabos”. Ela e suas duas outras amigas, as quais eu não considerava muito e só andava com elas por causa de Sam, que era minha única amiga de verdade do grupo, tinham sorrisinhos animados nos rostos de garotas bobas apaixonadas. Eu apenas revirei meus olhos, peguei minha camisa jeans, que eu usava de travesseiro para não ficar com a cabeça doída depois, e levantei, seguindo elas que pareciam que estavam indo até os Ramones e, se fosse esse o caso, o que infelizmente não era, eu entenderia a animação. Mas claro que se fossem os Ramones eu seria a única animada.

Nós quatro fomos na direção do seu grupinho e, quando estávamos mais próximas, a atenção de todos vocês vieram para nós quatro com sorrisos perfeitos estampados nos rostos rebeldes de cada um.

— Hey! — Você cumprimentou, analisando cada uma de nós com aquele seu sorriso de conquistador que sempre me irritou. Por último vi sua atenção cair sobre mim e, provavelmente percebendo minha cara fechada, vi um semblante de dúvida estampado em seu rosto e eu quase ri. Quase. Não iria te dar esse gostinho de me ver rindo de você. Logo seu sorriso aumentou, ainda olhando para mim, e piscou. Sim, isso mesmo, você piscou para mim, numa tentativa barata de conquista que eu já vira em muitos filmes e lera em muitos livros. A diferença na nossa situação era que, nos filmes, as mocinhas caem de amores pelo garoto nesse momento, e eu comecei a sentir repulsa de você por ser apenas mais um conquistador barato.

Obviamente minhas amigas me olharam, chocadas por alguns segundos, mas logo me esqueceram e voltaram a atenção totalmente para vocês, rindo que nem bobas. O que, bem, elas são.

— Desculpem se estamos incomodando, mas vimos vocês tocando e resolvemos nos aproximar, sei lá — uma das garotas, Grace, falou, tentando usar o papel de boa moça meio envergonhada por atrapalhar os garotos cobiçados do parque. Mas é claro que era apenas de faixada, já que de boa moça envergonhada Grace nunca teve nada.

— Sem problema, gata, podem sentar aqui conosco, é sempre bom ter um público tão bonito — um de seus amigos disse e, se me lembro bem, foi o Matthew. Logo todos vocês deram espaço na rodinha para nós nos sentarmos e eu não conseguia acreditar que estava mesmo ali enquanto poderia estar na minha, tranquila, fazendo qualquer outra coisa que não fosse interagir com vocês. Sam, Grace e Ellie sentaram-se animadas, logo engatando uma conversa e jogando o charme delas sem poupar esforço. Eu apenas me encostei na belíssima árvore, não entrando na roda, mas logo atrás, e abri meu livro, agradecendo mentalmente por não ser obrigada pelas garotas que eu chamo de amigas a me “enturmar” também.

Só que era meio óbvio que meu pequeno paraíso seria interrompido mais cedo ou mais tarde, assim como sempre acontece. Logo vi o vulto de alguém sentando-se ao meu lado e, de princípio, não movi um dedo para descobrir quem era, mas logo a pessoa chamou minha atenção para si. Você chamou minha atenção para si.

— Então, Naomi, né? — perguntou-me, fazendo com que eu desviasse os olhos dos belíssimos poemas de Bukowski para encontrar seu par de olhos cinzas. Gostaria de adicionar uma nota aqui dizendo que você foi a primeira pessoa de olhos tão cinzas quanto nuvens de tempestade que eu conheci, e a única até então. E infelizmente você me fez gostar dessa cor incomum de olhos.

— Como sabe? — devolvi com uma pergunta, sem paciência para ser um pouco mais agradável. Em todo o tempo que ficamos juntos, que me recuso a colocar números aqui pois não preciso me lembrar os inúmeros meses gastos nessa relação, deve ter chegado uma hora em que você percebeu que eu odeio ser interrompida com coisas inúteis quando estou lendo. E, bem, naquele momento, você era uma coisa inútil.

— Suas amigas. — Você respondeu simplesmente enquanto possuía um sorriso estampado no rosto. Eu sinceramente nunca entendi como você consegue sorrir tanto. — Sabe, você não é como elas.

— Nossa, o que te levou a chegar nessa conclusão tão genial? — perguntei sarcástica. E você riu. Justo você riu do meu sarcasmo enquanto todo mundo o desprezava.

— Primeiro que elas estão lá se jogando em cima dos caras e você tá aqui, lendo Bukowski — apontou para capa do meu livro enquanto sorria, como sempre. — Segundo que você não se veste ou age que nem elas. — Você fez uma pausa enquanto me analisava — Terceiro é que eu gostei de você e não delas.

Lembra de todo o esforço que tinha feito antes para não rir de você? Naquele momento foi por água abaixo e eu ri, e muito. Ri da sua cantada barata, da sua tentativa de me conquistar. Se você tivesse percebido mesmo que eu era diferente delas, não teria dito isso. Bem, talvez você esperava que pelo menos isso eu tivesse em comum com as outras garotas. Mas, pela feição do seu rosto, vi que eu te decepcionei com isso e eu até pediria desculpas: se eu tivesse mesmo arrependida.

— O que te faz acreditar que vai conseguir alguma coisa comigo falando isso? — perguntei, ainda sem me recuperar inteiramente da minha crise de risos, e eu vi você ficando um pouco envergonhado. Talvez aquela tenha sido a única vez que eu te vi envergonhado.

— Quem disse que to tentando alguma coisa com você, hein? — devolveu com uma pergunta, a mais estúpida possível, já que seus interesses estavam claros.

— Tudo bem então, não está mais aqui quem falou. E se você me der licença, eu tenho coisa melhor para fazer do que jogar conversa fora — disse balançando o livro em minhas mãos e abrindo-o de novo em seguida, voltando para minha leitura.

— Você nem perguntou meu nome.

— Talvez porque eu não esteja interessada, mas só talvez — rebati, sendo honesta. Uma única coisa se passava em minha mente: “Quem esse garoto pensa que é?”

— Alec, meu nome é Alec — e, com isso, você voltou para sua roda de amigos e me deixou em paz. Bem, pelo menos naquele momento, pois eu nunca iria imaginar que mais tarde, no meio da noite, meu celular vibraria com uma mensagem sua.

“Gostei de você, garota do Bukowski”

Aqui vai a primeira coisa que eu odeio em você: suas tentativas inúteis de me conquistar, que, no final deram certo.