As 13 Músicas
15 Epílogo 2 (Dark Side) - So Far Away
Notas iniciais
Sasuke’s pov on
Memorial Sakura Haruno — Suna (Japão)
Quando eu comecei a ver toda aquela gente sentia-me desconfortável, não tenho vergonha em falar com pessoas, o problema maior era falar sobre ela. Gostaria de ter feito esse memorial antes, na verdade, eu queria que estivesse ao meu lado. Não acredito o quão tolo e imaturo fui naquela época, como eu pude ser egoísta e ter feito uma proposta tão indecente e cruel, Sakura me amava de uma forma tão intensa e bonita que após ver todos os vídeos tive a certeza de que fiz o coração dela sangrar, eu lamentarei pela minha vida inteira pelo mal que eu ajudei a te causar. Eu consegui ser pior do que a Kim, eu fui a última gota que fez o copo transbordar. Às vezes eu imagino o quanto poderíamos ter sido felizes juntos se não fosse pela minha estupidez, poderíamos ter começado uma vida modesta nos EUA, teríamos filhos, eu seria advogado e você uma ótima professora, talvez com alguns contatos o talento dela seria valorizado em vida: a escrita.
Após dez minutos eu me dirigi ao pequeno palco montado a frente do memorial, a estátua de bronze não representa a beleza e o colorido que você foi na vida das pessoas. Encarar seu rosto, embora seja de metal frio é como se estivesse aqui outra vez. Olhar a data de sua morte é difícil de acreditar que uma década se passou e muito depressa. Agora era a hora de encarar todos presentes: amigos, familiares, jornalistas, fãs e curiosos.
— Primeiramente venho agradecer aos presentes por ter disponibilizado algum tempo do seu dia para homenagear essa jovem mulher, amiga e brilhante escritora – não permitiria que minha voz falhasse ao pronunciar seu nome – Sakura Haruno foi uma pessoa como nós. Ela tinha sonhos, cometia falhas e acertos. As únicas diferenças eram sua sensibilidade e generosidade. Ela nunca quis preocupar as pessoas ao seu redor por estar sofrendo e preocupou-se com as pessoas que amava até o último dia de sua vida – apertava minhas mãos tentando segurar o nervosismo – Sakura me ensinou muitas coisas em vida e muitas mais após a morte. Graças a ela eu tive a coragem para recomeçar de forma modesta, quebrar tradições idiotas e seguir minha vida no caminho certo, não o fácil e tudo o que conquistei foi com esforço, valorizando as pessoas independentemente de sua origem e usando suas palavras como motivação. Só pude infelizmente prestar uma homenagem digna dez anos depois – olhei para Ren e a Senhora Haruno na cadeira de rodas – Eu lamento por ter sido um motivo – respirei fundo – Queria voltar no tempo, mas, como não posso realizar isso o mínimo que posso fazer é enquanto eu viver você não será esquecida. Obrigado.
Eu desci do palco e outros amigos discursavam. Todos ali sentiam uma parcela de culpa pelo o que havia acontecido. Isso era nítido no olhar deles, por mais que falassem coisas divertidas e engraçadas, incluindo colocar aquela música viral da Rebecca Black em homenagem aos “Annoying Friday” da época do ensino médio, nenhum de nós somos mais os mesmos de antes. Depois dos amigos seria a vez da família, a mãe de Sakura, Mebuki não poderia falar infelizmente por causa do AVC (acidente vascular cerebral) que havia sofrido no ano passado, então Ren representaria a família Haruno e isso me deixava um pouco nervoso, pois desde a morte de Sakura ele nunca deu uma palavra a respeito dela, respondia apenas o necessário quando mencionou sobre a saúde da mãe e quando eu fiz o convite para o memorial, eu não sabia o que esperar dele.
— Minha irmã sempre foi uma pessoa gentil – ele estava tão diferente do “pirralhinho” das fotos que ela me enviava, Ren é mais alto do que eu – Se hoje sou o que sou agradeço a ela que tomava conta de mim, me dava sempre o pedaço maior de comida e dizia que não sentia fome só para me ver crescer e ficar mais forte, o que pode ser percebido hoje – riu sem humor — Ela se sacrificou por nossa família diversas vezes e ainda fez um seguro de vida o qual deixou minha família amparada por algum tempo. Eu continuei a estudar como você queria e me tornei jornalista e principalmente uma pessoa melhor – enxugou as lágrimas – Sei que todos aqui possuem uma parcela de culpa, mas, acredito que precisamos fazer algo por ela além dessa homenagem merecida é claro – bebericou a água da garrafa plástica e pigarreou antes de prosseguir – Após o choque de ver os vídeos, encontrar o corpo dela sem vida e enterrá-la precisamos guardar as coisas dela, algumas doamos e outras ainda estão guardadas em caixas que minha mãe não permitiu que nos desfizéssemos. Nós achamos seus diários, rascunhos manuscritos de seus livros e as senhas do seu laptop e da sua conta na “nuvem” – olhou para todos – Além de sofrimento, eu encontrei sua arte e por um bom tempo não pude fazer nada a respeito. Até com a ajuda do professor Yamato eu ter feito meu projeto final da faculdade exaltando sua obra que chamou atenção não só da banca acadêmica, chamou a atenção dos alunos e dos jornalistas formados que vieram prestigiar o evento – deu um sorriso olhando para o céu – O livro “Doa no ushironi” mais conhecido como “Behind the door” em seis anos foi traduzido para mais de trinta idiomas e atualmente se transformou numa série de televisão americana. Eu gostaria de ter minha irmã aqui para ver todo o potencial o qual tinha a oferecer a realizar-se – pegou a tesoura para cortar a fita – Antes de cortar essa fita vermelha para inaugurar esse memorial gostaria de chamar novamente ao palco Sasuke Uchiha – ele olhou para mim e todos fizeram o mesmo, eu estava aflito com aquela situação, mesmo assim tomei coragem e subi ali novamente – Quero que faça as honras de cortar a fita junto comigo – ele me pegou de surpresa.
— Por quê? – perguntei baixo – Ela era sua irmã e eu não sou digno disso.
— Eu te perdoo – pôs a mão em meu ombro – Eu demorei demais para fazer isso, pensava que não te perdoaria nunca pelo que fez a ela, mas, ao ouvir você falar me fez perceber o quanto se puniu por todos esses anos e não vale a pena – aproximou a tesoura da fita – Eu sonhei com ela noite passada e foi por esse motivo que eu aceitei vir aqui com a minha mãe. Então vamos cortar essa fita e ficar em paz.
— T-tudo bem – segurei a mão dele e juntos cortamos a fita – Obrigado.
Eu ouvi sons de aplausos e conforme o tempo passou fui me despedindo das pessoas que se retiraram do local. Passei algumas horas olhando para a estátua, admirando-a e lembrando dos nossos momentos bons e ruins.
— Eu espero que onde você estiver possa algum dia me perdoar – deixei uma rosa vermelha e rumei até meu carro – Aishiteru Sakura.
“Em memória de Sakura Haruno, uma pessoa única” — *28-03-1996 — †13-07-2020
“How do I live without the ones I love?
Time still turns the pages of the book it's burned
Place and time always on my mind
I have so much to say but you're so far away”
“Como eu posso viver sem aqueles que eu amo?
O tempo ainda vira as páginas do livro queimado
Lugar e tempo sempre na minha mente
Eu tenho tanto a dizer, mas você está tão longe”
(Avenged Sevenfold)
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