As 13 Inimiga

4 Ato IV - Depoimento do Belloni.


As inimiga é a última que morre.

Sede das inimiga, local desconhecido (Santo André), 20:52

“Aquele cabelo SEMPRE foi horrível, nós fizemos um favor tirando o mal pela raiz”

Risos histéricos.

Santo André, casa do Belloni, 20:53.

Era apenas mais um dia de filmagens, o quinto dia daquela semana que eu filmava religiosamente pretendendo fazer um final épico para a vigésima temporada, uma das mais importantes que gravamos até agora. A última memória que tenho antes de me meter nessa maratona viciosa é de chegar um pacote no correio, enviado pela May, com letras grandes escritas em néon.

Abri o pacote e achei o que parecia uma câmera coberta de uma substância viscosa vermelha, com alguns dentes ao redor. Não achei nada estranho, pensando que se tratava de uma brincadeira baseada em um dos jogos que jogamos juntos. A minha primeira reação foi retirar os dentes do pacote e adicioná-los ao meu colar de dentes roubados. Percebi, porém, que estes tinham letras esculpidas, que juntas formavam as palavras PERIGO INIMIGA. Adorei a ideia, vestindo-o imediatamente.

Após dias de filmagem, finalmente chegou o esperado momento de passar os vídeos para o computador e encerrar a série dignamente. Estava muito empolgado com o meu trabalho. Abri uma breja para comemorar e assisti um por um na câmera, acompanhados de um maço de cigarros eight.

Fumei como uma cabra no cio, uma verdadeira chaminé de pernas. Era tanta fumaça que o meu irmão mais novo acabou tendo uma intoxicação pulmonar, e passando a noite no hospital aquele dia. Não achei estranho, afinal isso sempre acontece com ele. Depois de passa-los todos, parti para o processo de edição, mas no mesmo momento em que abri o editor várias pop-ups começaram a abrir simultaneamente. Em alguns só se conseguia ouvir uma risada, em outros, apareciam imagens rápidas de rostos de mulheres sombreadas. Mais uma vez, não estranhei, apenas xingando o meu computador por estar tão cheio de spam.

Foi quando percebi um tremor vindo da mesa: era a câmera! Estava tremendo tanto que parecia estar tendo uma convulsão! Corri pra pegar meus livros de farmácia e analisar os sintomas, mas era tarde demais, a mesa estava coberta por uma substancia gelatinosa que logo se espalhou por todo o quarto, corroendo todos os meus livros. Tentei limpar com um pano, mas comecei a perder o ar e quando me dei conta, o colar de dentes estava ficando cada vez mais apertado. Eu não sabia o que fazer primeiro, então corri acender um dos últimos cigarros no meu maço. Só me lembro de contemplar a substância chegando perto de mim antes de acordar na cama de um hospital, com 40 pontos no pescoço e marcas grotescas de dentes cravados.

“AAAAH, ESSAS INIMIGA QUEREM ACABAR COM A MINHA VIDA”