As 13 Inimiga

1 Ato I - Depoimento da May.


Inimiga é um prato que se come frio.


Santo André, Casa da May, 18:38.


O sangue escorria em minha boca de tal forma que os dentes caiam e enroscavam na minha garganta. Digeri a maior parte deles; os que sobraram, me deram tanta ânsia que eu vomitei pedaços do meu esôfago. No chão, a arma do crime: uma câmera fotográfica que registrou os meus últimos momentos de beleza.


“Temos que acabar com todas elas! De uma vez por todas!” gritavam, rindo histericamente em coro. “Não vamos deixar sobrar nem um fio de cabelo daquelas vagabundas para contar história!”



Tudo começou quando recebi um pacote pelo correio: eram as minhas novas lentes. Eu pedi pretas, mas elas vieram roxas. Deveria ter começado a desconfiar por aí. Roxo é a cor do sofrimento, e de todos os hematomas que marcaram minha face depois do ocorrido. Pensei em devolvê-las, mas não pude resistir aquele par de grandes olhos.



Corri como um camelo sem pernas atrás de algum dispositivo fotográfico. Milagrosamente, encontrei uma câmera em cima da mesa, com meu nome escrito em letras rosa neon e com uma carta “de: inimigas para: Melody.” Não entendi muito bem o que aquilo significava, mas não me parecia algo perigoso. As lentes eram muito lindas, eu não conseguia pensar em nada além delas. Me tranquei no banheiro, ajeitei o espelho e coloquei as lentes com muito esforço, tentando ignorar aquele ardor crescente e comecei a tirar as fotos.



De repente, uma luz vermelha começou a piscar repetidamente. Ignorei e forcei o botão. BAM. Um soco certeiro saiu de dentro da câmera. Voei uns 2 metros de distância, batendo a cabeça na parede e desmaiando em seguida.


“AAAAH, ESSAS INIMIGA QUEREM ACABAR COM A MINHA VIDA”