Conto-lhes a historia de um rei. Não um simples rei ou homem qualquer. É a historia do rei da unidade Avonadiv. Cujos feitos ecoaram por milhares verões, por milhares de passos. E até hoje ouvimos falar dele. Não por sua nobreza e atos nobres, mas por sua perdição. Por sua sede de passar por cima da morte. Por desafiar a última das anciãs de Avonadiv. E principalmente, por não ter vencido nenhuma dessas batalhas.

Não será por causa disso que sua história não é digna de ser traçada nas paredes do palácio. Eu sou o contador, meu trabalho é escrever histórias nas paredes de Avonadiv. Não há uma casa cuja história de feitos grandes e nobres não foram escritas por mim. Já escrevi sobre as anciãs, sobre as carpideiras, e muitos reis que receberam o fardo pesado do poder. E, acredite, nenhum rei chegou tão longe como Otsuj. Nenhum rei fora tão enigmático, tão extremo a ponto de destruir toda uma civilização. E é a história dele que lhes conto. A história dele e de seus feitos. Sentem-se na calçada do palácio e contemplem a destruição de nossa antiga civilização.

Quando cheguei aqui, andei por algum tempo pelas ruas, sentindo cada sopro de história que entrava em minha pele. Sentia as dores dos entes órfãos. As festas de coroação. Os dias alegres outros nem tanto. E isso me alimentava e me preparava a escrever o que escreverei aqui hoje.

Não sou desta unidade, a unidade de onde venho é muito distante daqui. Fui oficialmente convocado para estas terras para contar-lhes uma história. História essa que nem eu mesmo sei qual. Essas paredes me contarão, pedacinho por pedacinho. Personagem por personagem… lágrima por lágrima. Sentirei as dores. Sorrirei os momentos felizes. E vou compartilhar cada uma dessas coisas com vocês. E com as futuras gerações que vierem.

Mas… sinto que me será doloroso escrever tão arraigada e penosa história. Mas darei o melhor de meus pincéis. Saberei ouvir cada palavra que esta parede me contará. Saberei descrever as batalhas, traçar as manchas de sangue derramadas no concreto desse palácio. E que isso não me destrua como uma vez acontecera com o velho contador de Erbonadiv… A história o consumiu tanto que seu corpo fizera parte das paredes do palácio onde escrevia. Não se sabia distinguir o que era seus fluidos ou o que eram as tintas escritas. Era a história de uma jovem mulher que tivera a alma alimentada por muitas outras e isso a transformara em nada…

Enfim, mas não é essa história que vim contar. Como sempre… Iniciemos pelo começo. De quando tudo ainda não tinha a forma final. De quando o herói ainda não tinha as facetas de herói. Assim começarei a escrever.

*****

Eram verões prósperos para Avonadiv, considerada uma das unidades mais bem realizadas. Nesta era, havia o rei Ocité, que, apesar do nome, seus atos eram suspeitos e corruptos. Mesmo cometendo inúmeros crimes, ainda assim, conseguia fazer a unidade prosperar. Não havia miséria em Avonadiv, tudo estava na mais devida ordem. Até que os crimes de Ocité começaram a incomodar os Anciões. Os anciões eram uma espécie de Conselho que possuía poder acima do rei. Eram eles quem escolhiam o rei de cada era. Segundo se dizia, eles eram homens muito velhos, descendentes das Anciãs do passado. Ninguém os via além dos ministros e do rei.

Ao mesmo tempo que demonstravam poder e opulência, causava medo nos cidadãos, aos mais simples aos mais nobres, por tamanho poder que tinham em mãos. E eles sabem usar bem esse poder. Desde destronar um rei até causar um desastre natural na unidade em que se encontram. E eram a esses mesmos anciãos que Ocité estava incomodando.

Não custou muito tempo para que reunissem todos os dez ministros e condenar o rei ao destrono. Esse ato não era algo muito bom para uma unidade, pois encontrar um jovem com bons precedentes para assumir o trono não era fácil. Alguns quando são convocados preferem a morte que tamanha responsabilidade. Houve verão que quatro jovens indicados pelos anciões suicidaram ao receberem o chamado.

Não era muito simples assumir o trono de uma unidade. Havia rituais a serem cumpridos que não era qualquer um capaz de passar por eles. Alguns atos que o rei deveria de ter para governar. Sem pensar na pesada roupa e coroa que ele deveria usar para lembrar-se do peso que carrega sobre os ombros.

Sigamos para um vilarejo de Avonadiv, onde vivia o jovem Justo com sua família. O vilarejo era pobre em infraestrutura, mas o povo que nele vivia era acolhedor e de uma cultura invejável. Justo era filho único órfão de pai. Este que quando era vivo era bem conhecido pelos nobres de Avonadiv. Entre eles o primeiro ministro Otseno, que possuía uma dívida com o falecido pai de Justo.

Talvez por destino ou por intervenção de Otseno, a escolha para destronar Ocité fora exatamente o jovem Justo. Otseno assim que recebera a notícia se prontificou dele mesmo ir buscar o rapaz para assumir o trono e prepará-lo de como deveria se comportar diante os anciãos.

Alísia, mãe de Justo, recebera o ministro com uma alegria comovente, como se ele trouxesse consigo também as boas lembranças do marido.

– Nunca imaginei que o veria novamente! Meu velho amigo e fiel conselheiro!

– Alísia, minha querida, como está?

– Como vê, estou com boa saúde e levando a vida como deve ser levada.

Otseno olhou a amiga por alguns instantes e entendeu bem as palavras que acabara de pronunciar. Sentiu nelas a saudade que aquela mulher tinha do marido. Soltou um largo sorriso e continuou.

– E o rapaz? Onde está?

– Está no campo com os outros. O que você quer dele?

– Depende se vocês seguiram meu conselho.

– Como que não! Justo, foi o nome que lhe demos.

– Que ótimo!

– Não estou entendendo.

– Lembre-se do que lhes falei sobre a minha dívida com vocês?

– Sim, claro, e para ser sincera, por mim a dívida já é considerada paga.

– Não da minha parte, Alísia.

Sentou-se em uma das cadeiras em volta da mesa da cozinha.

– Que falta de respeito de minha parte! Não lhe ofereci nada.

– E não precisa, agradeço.

Olhou-a por alguns segundos.

– Acredito que, mesmo sozinha, você fez um bom trabalho. Deve ter se tornado um ótimo rapaz.

– Você sabe como são os jovens, tão inusitados, cheio de energias. Acredite que ele está apaixonado?

– Mais outra notícia boa! E é correspondido?

– Assim, assim… Mas ele é louco por ela. Não sai do lado da menina por um segundo se quer.

– Isso me alegra. Porque ajudará muito na minha missão.

– É verdade, você disse que veio aqui para…

– Sente-se aqui, querida. Não sei se você está ciente dos falatórios referentes ao rei…

– Não se diz outra coisa… é verdade?

– Infelizmente sim. E minha vinda tem haver com esse fato e com seu filho.

– Não estou entendendo.

– Não se preocupe, não é isso que você está temendo. Aliás, é algo muito melhor.

– Diz homem! O que é?

– Seu filho foi escolhido para…

A mulher levantou de súbito, deu as costas a Otseno para que este não visse as lágrimas que começaram a lhe cair.

– Vai ser bom para ele… Ele terá apenas que seguir a lei e viver sua vida como o nome dele prescreve. Alísia, querida, você tem que tornar isso mais fácil para ele.

– Eu sei, eu sei… mas… e se ele fizer como os outros?

– Não irá fazer, pelo que conheci de seu marido, a dignidade está no sangue dele. Vai honrar o nome do pai e o povo de Avonadiv.

– E preciso preparar alguma coisa em especial para ele?

– Sim. Sim. Ele tem que ser iniciado, é você quem irá fazer isso.

– Eu conheço os passos…

– Minha querida… Confie em mim… Estarei sempre ao lado dele no que precisar. Se depender de mim, nenhum mal irá se aproximar de Justo.

Disse essas ultimas palavras posando suas mãos sobre as de Alivia.

Nesse mesmo instante Justo entra na cozinha. Se surpreende com a presença daquele estranho homem de vestimentas nobres e pesadas.

– Meu filho.

– Minha mãe.

– Quero que conheça Otseno, um dos ministros do rei.

O rapaz, ciente de sua posição, ajoelhou-se em respeito ao homem diante de si.

– Meu jovem, sou eu quem devo me posicionar assim diante de você.

Justo ficou estupefato com as palavras proferidas pelo estranho. Olhou para a mãe sem nada entender, esta soltou um sorriso meigo e seguiu para beijar-lhe a teste.

– Este homem foi um grande amigo de seu pai e grande amigo nosso após a sua morte. E ele veio lhe buscar.

– Me buscar? E-eu não estou entendendo, mãe. O que foi que eu fiz?

Otseno soltou uma risada alta.

– Não, nada rapaz. Aliás, foi seu pai quem fez.

– E eu vou pagar por algum crime de meu pai?

Otseno riu mais alto ainda.

– Seu filho tem um ótimo senso de humor. Qualidade importantíssima para um rei.

– Mas eu não sou rei.

– Não ainda. Você foi escolhido, rapaz. Você será o nosso novo rei.

– Eu? Novo rei?

O rapaz não tinha olhos para quem olhar, tampouco palavras para expressar a confusão que sua mente se encontrou naquele momento.

– Alísia, vou até o mercado, vou deixar-los a sós. Você sabe o que fazer e como fazer em relação a tudo isso, não é?

– Sim… sim… sei…

Assim que Otseno saiu da casa, Alísia ajoelhou-se diante o filho, que se encontrava sentado em uma das cadeiras ainda processando as palavras que ouvira do estranho.

– Me diga que tudo isso não passa de uma brincadeira ou alguma confusão.

– Meu filho… seu pai sempre desejou que isso lhe acontecesse… foi o último desejo dele… Se você não for fazer isso por você, faça pelo menos por ele.

– E a senhora?

– Por mim também… Eu quero muito saber que você estará bem lá… Meu filho…

– Minha mãe…

– Você está ciente o que lhe acontecer, sim?

– Ouvi histórias. Muitas histórias...

– Esqueça as histórias e me ouça. É muito importante que você me escute. Me olhe nos olhos e ouça.

Justo encarou a mãe com uns olhos assustados. Alísia sabia que naquele momento estaria perdendo o filho. Assim que ele mudar de nome, vestir aquela capa e aquela coroa e sentar-se no trono, deixará de ser seu filho. E isso lhe doía profundamente. Mas precisava ser forte e encarar o filho e tudo que está por vir.

– Você conhece a lei. Conhece as consequências de transgredí-la. Mesmo que tudo mude, meu bem, ainda assim serei sua mãe, vou amá-lo da mesma forma.

– Se eu não quiser ir.

– Não existe querer meu filho. E me prometa, que mais dolorosa seja a passagem, não tire sua vida, por você e por mim.

– Não faria algo assim.

– Que bom, querido…

– O que acontecerá com o Ocité e sua família?

Alísia preferiu o silêncio.

– Sou obrigado a isso também?

– É o ritual, meu querido. É preciso passar por isso para que se torne o novo rei.

– Não tenho coragem, mãe.

– Meu filho amado…

– E como será agora?

– Terei que lavá-lo. Tirar de seu corpo tudo que hoje você é e tem. Para quando assumir o trono, você seja um novo homem. O nosso rei.

– Minha mãe?

– Sim, filho.

– E Suara? Como conseguirei me lavar de um amor tão grande?

– Não se preocupe, querido, é necessário que um rei assume o poder com uma mulher ao seu lado, e acredito que ela irá querer ir contigo… Sinto que ela apesar de não mostrar muito, lhe ama tanto quanto você a ama.

O silencio tomou lugar por alguns minutos. Justo foi até à janela, como se buscasse lá fora a bela moça por quem tinha enorme apreço. Precisava dizer alguma coisa a Suara, ainda que um adeus, ou um até logo. Não tinha tanta certeza de seus sentimentos por ele. E só de imaginar que estaria longe da moça lhe doía a alma ao infinito. Amava aquela mulher mais que qualquer coisa. Mais que a própria mãe. Quantas vezes estranhou com sua mãe por causa de Suara. Alísia não suportava ver o filho em lágrimas por causa da frieza daquela menina. Ela não compreendia os motivos de Suara brincar tanto com os sentimentos do rapaz. Muito menos compreendia o que seu filho vira em tão sem graça garota. Chegava a crer que ele estava sob alguma espécie de feitiço.

O tempo passava e aos poucos Alísia aceitava a condição amorosa do filho. Quando podia tentava prender a garota contra a parede para tirar-lhe qualquer coisa que aliviasse seus medos em relação ao filho e ela. Mas sempre ficava no mesmo lugar incógnito.

– Meu filho, precisamos começar.

– Minha mãe…

– Sim?

– Queria encontrar-me com Suara, antes de qualquer coisa.

– Não temos muito tempo, querido.

– Prometo não me demorar. É importante que eu a veja e ouvir dela o que realmente poderá ser de nós… Volto o mais rápido que meus pés suportarem.

– Sim… Compreendo, querido… compreendo.

Justo pulou a janela e sequiu correndo até a casa de Suara, com a mente borbulhando perguntas, medos e desesperos. Temia e muito a resposta de Suara. Ele não queria casar-se com uma completa estranha, nem mesmo, deixar Suara sozinha naquele universo, que sabia ele, não fazia gosto dela. O quanto rápido ele ter certeza de seu destino com a jovem rapariga mais ciente ele aceitaria o seu novo destino diante Avonadiv.

Antes mesmo de chegar à casa da jovem, ela vinha correndo em sua direção numa euforia estranhamente sensual. Assim que aproximou-se dele, abraçou-o bem forte.

– É verdade?! É verdade?!

– Você já está sabendo? Como…?

– Um homem da cidade está espalhando em todo lugar que o novo rei escolhido é daqui. E disse seu nome! É verdade? Você é o novo rei?

– Sim…

Olhou para o chão, como se aquilo não fosse tão bom como estava parecendo ser para Suara.

– Mas… Depende somente de você para que eu aceite ou não tão pesado fardo.

– Você está louco? Você irá aceitar sim, senhor. Você não tem escolha. E, outra coisa, que história é essa que depende de mim?

– Eu não vou deixá-la aqui sozinha. Mesmo que você não me ame o quanto eu te amo, não conseguirei seguir minha vida sem você…

– Louco… o que você está dizendo?

Era um contraste assustador os sentimentos ali envolvidos. Enquanto Justo chegava ser melodramático em seus sentimentos. Suara estava iluminada de uma alegria encantadora.

– Vim saber de você se aceitaria ir comigo à cidade ocupar o trono. Ser minha esposa e rainha… Não saberei viver nesse novo mundo sem seu auxilio. Por favor… isso depende somente de sua resposta… Se você disser que não preferirei a morte do que viver longe de você.

– Meu querido… Não precisava disso tudo… Não deixaria jamais você ir sozinho a lugar nenhum. Claro que irei contigo! Quando fiquei sabendo já sabia que iria com você.

– Suara… não sabe o quanto me sinto feliz em aceitar tão pesado destino… ao seu lado acredito que tudo será mais leve e suave para mim…

– Seu bobo… sempre dramático. E quando partiremos?

– Você parece com mais pressa do que eu.

– Ah, Justo, você sabe que eu não nasci para morrer aqui! Estava tudo escrito que nos tornaríamos únicos e que partiríamos juntos para longe desse lugar. Ah, imagine, aquelas roupas! Comida farta! A nobreza inteira se curvando diante a gente…

Justo se deliciava com a alegria de Suara. Tudo aquilo lhe tornava mais aceitável. Distanciar-se da mãe lhe doía e muito. Mais doía menos que se imaginar longe de Suara.

– Quando partiremos? Hoje? amanhã?

– Não sei. Tenho que me lavar primeiro. Não sei se você tem que passar pelas mesmas coisas que eu…

– Até parece que não sei. Claro! Substituirei a atual rainha, ela precisa ser lavada assim como o Rei… fico com pena dos filhos deles…

– Nunca matei uma mosca…

– Meu rei… não sofra com isso agora. Vá pra casa se se lave. Eu tomarei as minhas providências e você não pense em nada.

E pela primeira vez, Suara dera-lhe um beijo nos lábios. Pela primeira vez ela demonstrara algum tipo de afeição claramente. Pela primeira vez, sim, pela primeira vez, Suara dissera que o amava no sigero gesto de um beijo.

À noitinha, após o banho com ervas e sangue da própria ferida que Otseno lhe fizera nas palmas da mão, Justo mergulhou por algumas horas no rio Avonadiv, o mesmo que corta toda a unidade Avonadiv, sob a lua Nova que despontava no iluminado céu. Recebeu as roupas que Otseno comprara no mercado. E, como mandava a tradição, partiu sem despedir-se da Alívia, sua mãe.

Seguiu Otseno sem olhar para trás ao encontro de Suara. Esta já estava ao lado de fora de casa a espera de Justo. Enquanto tudo não fosse concretizado na cidade, eles não podiam se tocar. Otseno posicionou-se diante os dois e disse.

– A partir de hoje, Justo não será mais seu nome. Por lei e pela grandeza de seu novo status, seu nome esconderá o verdadeiro significado para que seus atos não sejam subjugados pela pavavra que lhe forma o caráter. Que sua justiça e lealdade ao seu povo não seja lembradas pelo nome que lhe foi dado, mas por suas escolhas e consciência. A partir de agora lhe chamarão de Otsuj, o justo.

Suara soltara uma risadinha. De modo que Otseno a olhasse com desaprovação.

– Meu rapaz, seu pai me foi fiel em todos momentos que necessitei. Devo a vida a ele, e agora em diante, serei seu fiel servidor. Como prometi à sua mãe, no que precisar irei protegê-lo e guiá-lo no mais correto caminho. Estou ciente de que não lhe entrego um fardo doce e suave. Mas a mais pesada posição que qualquer homem de Avonadiv pode possuir. Não é desejo de ninguém assumir tamanha empreitada. Mas garanto-lhe, meu filho, o que para muitos foi ou é considerado uma prisão, para você farei o possível para que se torne a mais aconchegante missão. Basta apenas seguir meus conselhos, não confiar em qualquer outro além de mim e ser justo nas suas escolhas que seu reino será longo e abençoado. E você, mocinha, será fiel a seu rei, estará ao seu lado em todos os momentos de sua vida, dos mais obscuros aos mais felizes. Se vocês seguirem tudo isso que lhes falei, teremos um reinado mais longo e mais próspero que Avonadiv teve.

Otseno após aconselhar o jovem quase rei, abraçou-o com tanto fervor, que Otsuj sentiu-se abraçado pelo falecido pai e se deixou abraçar aquele que talvez seria sua única lembrança de casa além de sua amada Suara.

E partiram em direção à cidade. Em direção ao novo destino que os espera.