Notas iniciais
Oi pessoal, como estão? Eu sei, eu sei... Eu sou cruel, mas era realmente necessário. Anyway, bom capítulo.

Ludwig estava calmo, ou melhor, tentava parecer calmo.

Naquela noite de quarta feira, apesar de estar sentado no sofá com a TV ligada, o alemão não parava de tamborilar os dedos na perna. Ludwig estava vestindo uma camisa social pêssego e uma calça marrom, o cabelo fora arrrumado milimétricamente com gel e todos diriam que ele iria sair para trabalhar se não fosse pela falta da gravata.

“Está atrasado”

Era a 5ª vez que ele olhava para o relógio em 10 minutos.

“Se bem que nós não combinamos um horário específico” “urg!”

Ludwig nunca deixava de combinar um horário. Odiava esperar.

“O que pode ter acontecido? Ele me disse que estaria aqui assim que acabasse seu expediente” “Será que o café fecha mais tarde hoje? Já são oito horas!”

E continuou a tamborilar os dedos no joelho e a bufar .

XXX

Enquanto isso na cozinha, Gilbert e Roderich estavam discutindo mais uma vez.

–Gilbert! Eu já te disse milhões de vezes, é pra UNTAR as formas, não para fazer REBOQUE com a manteiga!

Roderich e Gilbert estavam na cozinha fazendo os últimos preparativos para o jantar, no inicio Ludwig se prontificou em ajuda-los, mas depois quase derrubar a panela de molho duas vezes, ambos concordaram que seria melhor mantê-lo afastado da cozinha por enquanto.

Neste exato momento, o alemão e o austríaco estavam untando as forminhas pequenas para fazer um petit-gateau para a sobremesa, só que infelizmente Gilbert era completamente incapaz de untar em usar pelo menos o triplo de manteiga

–Mas assim eles não vão grudar! – Se justificava – É uma camada extra de proteção!

–Assim ninguém vai comer! – Retrucava Roderich cada vez mais irritado – E você está gastando o dobro de manteiga! Gilbert me deixe terminar o resto e vá olhar a panela, você consegue fazer isso?

Gilbert soltou um muxoxo e foi lavar a mão suja na pia. Assim que terminou deu uma espiada no estado do molho de tomate. Quando abriu a tampa da panela um delicioso vapor saiu de lá de dentro. O albino lambeu os lábios.

–Está pronto jovem-mestre!

Roderich que ainda estava ocupado tirando o excesso de manteiga das formas se virou e sorriu um pouco.

–Muito bem! Agora desligue o fogo, peque a panela e jogue delicadamente sobre o macarrão. Cuidado para não sujar a roupa!

Gilbert concordou com a cabeça rapidamente e fez exatamente o que lhe foi dito. Assim que colocou a panela (agora vazia) de molho na pia, ambos ouviram a campainha tocar.

XXX

Feliciano estava na porta as 8:15 da noite.

O italiano havia pedido que fizesse o caminho até a casa de Ludwig sozinho pois assim teria tempo de tomar um banho e se trocar antes do jantar. No caminho da casa do alemão, Feliciano comprou uma garrafa de vinho para levar de presente por pura educação, e só depois de passar quase vinte minutos na fila do supermercado é que conseguiu subir a rua da casa de Ludwig.

O italiano tocou campainha levemente e menos de um minuto depois Ludwig apareceu na porta com um olhar preocupado, Feliciano apenas sorriu

–Ve~~ Olá! – E abraçou o alemão, que instintivamente se contraiu – Como vai?

Ludwig o olhou com um olhar reprovador por causa do abraço e por causa do atraso, mas assim que viu as roupas e acima de tudo o vinho, o alemão imediatamente entendeu o motivo

–Então... – Começou Ludwig um pouco sem jeito – Você... Tomou banho antes de vir?

–Sim! Não estou muito atrasado, estou? – Feliciano sorriu tímido e estendeu o braço exibindo sacola de vinho – Aqui. Comprei para o jantar! Não sabia se seu irmão e seu...

–Cunhado... – Respondeu Ludwig depois de pensar um pouco ainda meio incerto, porque afinal, eles não eram casados nem nada.

–Sim! Cunhado! Bebiam, mas trouxe do mesmo jeito... Se vocês não beberem eu bebo

E deu um risinho.

Ludwig o convidou para entrar e tomou a sacola de suas mãos para coloca-la em cima da mesa. Feliciano por sua vez achou a casa demasiado sóbria e séria, mas mesmo assim organizada e bonita, os móveis eram simples mas bem conservados, e o chão estava tão limpo que o italiano tinha té medo de pisa-lo.

Neste momento, enquanto o italiano analisava seu reflexo através do piso de madeira lustrado, uma figura distinta apareceu saindo da cozinha usando luvas e com uma panela de macarrão fumegante na mão.

O homem era albino e tinha os olhos vermelhos, ele estava vestido com uma calça jeans, uma blusa de botão preta de manga curta e um avental (ridículo) de pintinhos em cima, por algum motivo Feliciano o achou familiar, mas não sabia bem se já o tivera visto... Ludwig chamou sua atenção.

–Feliciano, aquele é o meu irmão, Gilbert. – Disse Ludwig em um tom baixo, como se estivesse comentando sobre uma especie muito rara de ave.

Gilbert se virou de imediato ao ouvir seu nome e estacou.

–OH! Esse é o tão famoso Feliciano? – E deixando a panela bem no centro da mesa ao lado da garrafa de vinho, Gilbert sorriu e veio na direção da dupla ainda tirando as luvas.

–Famoso? Ve~~ — Feliciano perguntou olhando discretamente para Ludwig, este se limitou á enrubescer e a massagear as têmporas. Gilbert continuou.

–Muuuito famoso. Kesesesesesese. Meu irmãozinho não para de falar de você. – E continuou afinando a voz – Hoje o Feliciano isso, o Feliciano aquilo...

Gilbert dizia isso enquanto fazia as caretas mais bizarras que o italiano já vira na vida, ao mesmo tempo mexia as luvas de um lado para o outro como se imitasse uma donzela apaixonada.

–BRUDER! – Ludwig levantou sua voz que juravam, podia ser ouvida de todo o quarteirão. – Por que você não vai ajudar o Roderich na cozinha? Assim ele pode ser juntar á nós em breve... NÉ?

Gilbert podia adorar irritar o irmão, mas não era burro. Ele sabia perfeitamente que quando seu irmão usava esse tom era bom ele ir embora depressa, então tratou logo de desconversar.

–Verdade! Tenho que ir mesmo! Mas não se preocupe o INCRÍVEL Gilbert Bellshimidt estará de volta em breve! Keseseseseseses

Feliciano deu uma risadinha e respondeu no mesmo tom de brincadeira

–E eu, Feliciano Vargas estarei esperando.

XXX

Assim que entrou na cozinha, uma ficha caiu bem em cima da cabeça de Gilbert, ou melhor, caiu um caça níquéis inteiro.

“Feliciano... Vergas?” “Não é possivel”

Roderich estava agachado de frente para o forno esperando os petit-gateaus crescerem, quando Gilbert entrou sorridente este virou a cabeça bem á tempo de ver sua expressão mudar aos poucos de alegre-sorridente para preocupado-incrédulo.

“Ele etá pálido... Mais pálido que o normal”

–Gilbert... Você está bem? Aconteceu alguma coisa?

–N-não... é só que...

“não pode ser, não pode ser, não pode ser, não pode ser...”

–Roderich, você lembra que na época do orfanato, durante as aulas de teatro, o Ludwig andava com um menininho baixinho... – Gilbert gesticulava com a mão como se demonstrasse a altura do garoto — Como era o nome dele mesmo?

O austríaco se assustou com a pergunta, porque Gilbert só o chamava de Roderich em situações especiais... E aquela pergunta repentina sobre o orfanato...

–Eu não me lembro direito... Era alguma coisa Vargas... Fabrício... Felipe...

–Feliciano – Interrompeu Gilbert – Feliciano Vargas?

–...Isso! – Sorriu Roderich – Isso mesmo! Era Feliciano Vargas!

–Pois então. –Disse o albino chegando um pouco mais perto e abaixando um pouco o tem de voz – Ele está sentado na sala neste exato momento.

Roderich arregalou os olhos e perdeu o equilíbrio caindo de bunda no chão.

– O que...- Balbuciou — O que você disse?

XXX

Naquela noite chovia muito no sul da Alemanha, mas nem mesmo isso pôde afastar o carro que subia á toda velocidade rua acima na direção do hospital geral.

Mal o veículo parou, um homem de pouco mais de 50 anos, olhos azuis muito claros e cabelos loiro comprido, juntamente com e um adolescente de 13 anos albino saltaram dele, ambos estavam molhados e um pouco tontos, mas mesmo assim mantinham o olhar determinado.

Depois de perguntarem pelo médico na recepção, ambos foram conduzidos por um corredor mais estreito que dava para uma porta branca. A secretária bateu duas vezes e chamou:

–Dr. Muller? – A mulher era bastante pequena se comparada ao homem, mas mesmo assim continuava maior que o adolescente. Ela tinha os cabelos compridos presos em um coque no alto da cabeça e os olhos de um castanho muito escuro.

De tenro da sala uma voz baixa pediu que eles entrasse, recepcionista abriu a porta e os deixou passar, logo a dupla se encontrava dentro de um consultório minusculo e extremamente limpo.

O Dr. Muller também era um homem de estatura mediana e cabelos grisalhos e ralos, ele usava óculos de aros muito grossos e parecia ter pelo menos 90 anos. A dupla de recém-chegados se acomodou nas cadeirinhas.

–Vou direto ao ponto – Disse o doutor assim que o homem mais alto ameaçou abrir a boca – A criança está bem. – Dois suspiros de alívio foram ouvidos – Porém, — Retomou o doutor – Perdeu a memória.

O albino e o loiro voltaram a abrir a boca, mas ficaram balbuciando como dois peixes, o homem foi o primeiro a recuperar a fala.

–E o que fazemos, Dr? Eu não conheço os meninos direito, não sei como posso ajudar... – Seu tom apesar de autoritário era bastante preocupado.

–Escute Sr... Bellshimidt... O que o senhor é do meu paciente?

–Avô.

–Pois bem, por agora o melhor seria deixar que ele se lembre sozinho... No estado em que a criança se encontra, depois do acidente que sofreu, é normal que haja alguma confusão, o ideal é não bombardea-lo de informação, isso pode confundir suas lembranças e nos piores casos, causar alucinações e perdas de consciência.

O albino deu um longo suspiro

–Dr... E se ele... Não recuperar a memória?

–Sr. Gilbert, posso chama-lo assim?

–Só Gilbert – Respondeu o menino

–Pois bem, Gilbert. Geralmente os pacientes recuperam TODA a memória em no máximo 2 anos, mas em alguns casos as lembranças são tão traumáticas que o cérebro prefere simplesmente esquece-las. Tenho pacientes que depois de perderem a memória pararam de fumar, ou então se esqueceram de uma experiencia relacionada á algum assalto ou algo assim. É quase uma defesa inconsciente...

Gilbert arregalou os olhos e parecia realmente incrédulo, o doutor percebendo a expressão do garoto fez uma ressalva.

–Mas são casos raros... Isso não quer dizer que vá acontecer com o Ludwig...

–E se acontecer? – Gilbert estava preocupado, pois se lembrava de como foi difícil para ambos, especialmente para seu irmão conviver com a morte brutal dos pais.

–Se acontecer... – O Dr. Muller deu um longo suspiro – Então deixem com o está. O melhor é deixar que ele se lembre sozinho, mas se ele não conseguir, á não ser que seja um caso de vida ou morte... deixem-no esquecer...

Gilbert trincava os dentes. Estava preocupado e ao mesmo tempo com medo por seu irmão, não queria que ele esquecesse de tudo, lhe parecia horrível viver sem um pedaço da vida, mas se aquilo lhe causava dor o doutor estava certo, não queria que Ludwig sofresse novamente.

–Doutor – Disse o Otho Bellshimidt – Já podemos ver o Ludwig?

–Acho que podem – Sorriu um pouco o doutor – Venham comigo.

Gilbert e Otho se levantaram com prontidão, já o doutor demorou bons dois minutos para conseguir sair da cadeira. Quando estavam todo de pé, o anfitrião os guiou para fora do consultório e ambos atravessaram o hospital até a área de tratamento.

Antes de entrarem, Dr. Muller segurou o braço de Otho que já estava praticamente puxando a maçaneta.

–Vão com calma... Tudo o que ele precisa agora é de descanso e sossego, qualquer que for o trauma que ele tenha tido – e olhou para Gilbert – façam com que ele se recupere, dei-no uma vida feliz...

Gilbert e Otho concordaram com a cabeça e assim que o médico se afastou, a maçaneta foi puxada.

Ainda chovia muito lá fora.

Notas finais
Eu não tinha certeza sobre que nome eu usaria para o Germania, porque acreditem, achei MUITOS diferentes... (até Legolas, eu juro pra vocês, sem zoeira...) Otho foi o mais normal.