Notas iniciais
Meus caros leitores e leitoras, a autora (finalmente) conseguiu colocar um prumo em sua vida! Ela agora conseguiu organizar sua agenda e escrever os capítulos periodicamente. Sabe o que isso quer dizer? CAPITULO NOVO TODA SEMANA! O/ batam palmas para a gloriosa eu! muahahahahahahaa Fiquem com um pouquinho de Spamano

Lovino sabia, as coisas não estavam indo nada bem.

Ele estava nervoso, sim, demasiado nervoso para prestar atenção em qualquer coisa que o espanhol tentava falar.

Estava imensamente agradecido, é claro, pelo ar condicionado, ao menos assim o suor não caia com tanta facilidade.

Mas ele queria ir para casa.

Agora!

O italiano estava se sentindo desconfortável na cadeira, apesar do assento macio ele não via motivos para se sentir á vontade. Seus braços estavam apoiados na mesa de forma descontraída, mas seus ombros estavam tensos, talvez tivesse dor no dia seguinte, mas isso não importava muito agora.

Decidiu desde que se sentara que não olharia nos olhos do homem a sua frente, pois todas as vezes que olhava para o verde intenso dos olhos de Antõnio sentia que se partiria em dois, por isso seu olhar ficava perdido em algum ponto da frase “Porque no te calás?” estampada na blusa do espanhol. Isso não era de fato uma grande vantagem, pois quanto mais Antônio mexia os braços para conversar, mais Lovino percebia a movimentação da blusa por cima do peito do outro, visão não era nenhum pouquinho relaxante.

E então apareceu o seu irmão, Lovino olhou para Feliciano como quem pede socorro, o outro por sua vez lhe lançou um sorriso educado e extremamente falso, (até mesmo para ele) aquele típico sorriso de garçom. Lovino teve vontade de grudar no pescoço do irmão e atira-lo no chão, mas em vez disso apenas serrou os dentes enquanto seus olhos passavam pelo cardápio sem entender uma única palavra.

Notou que Antônio pedira algo, qualquer coisa relacionada á tomates e tortas, e com toda a educação e animação típica lhe perguntou se não queria um igual. Lovino não estava com a capacidade de pensar, por isso concordou, Antônio pediu um suco de limão, enquanto que Feliciano oferecia sugestivamente um de Laranja para Lovino, era como se dissesse nas entrelinhas “é o seu preferido”. O italiano concordou com a cabeça e o garçom foi para a cozinha levando os cardápios.

Neste momento Lovino se achou patético, que tipo de homem fica olhando fixamente para o peito de outro?

“Ok ,vamos deixar disso!” – Gritava a sua consciência em uma tentativa de anima-lo. ”Olhe para os olhos de Antônio, anda!”

E então Lovino com sérios conflitos mentais levantou a cabeça subitamente, o cenho inconscientemente franzido, as bochechar vermelhas e o olhar brilhante de contentamento, por 5 longos segundos o italiano encarou o verde intenso dos olhos de Antônio, e assistiu de primeira mão Antônio passar de “estupidamente animado” para “extremamente constrangido”. E então virou a cabeça subitamente e desviou o olhar para o chão, suas orelhas estavam completamente vermelhas.

XXX

“Tão fofo...”

Essas duas palavras resumiam os pensamentos de Antônio naquele momento.

O espanhol á poucos minutos atrás estava super contente e empolgado falando sobre seu sítio na Espanha, e fazendo perguntas como “você lembra?”, “você viu?”, “você acha?” para o italiano de 5 em 5 minutos, este por sua vez se limitava a concordar com a cabeça e fazer algum gruindo esquisito vez ou outra.

Antônio não estava reclamando, desde pequeno Lovin sempre fora uma criança tímida e bastante introvertida, não era por menos que toda vez que se viam o italiano entrava em uma corrida desenfreada de volta para casa. Mas agora ele crescera, o espanhol pensou que seria diferente, e em algum ponto dentro de si desejava que Lovino lhe desse maais atenção, que sorrisse para si, que o olhasse nos olhos.

Malditos pensamentos, se arrependera de cada um deles, pois quando Lovino realmente o fez Antônio não pode se controlar, ele estava adorável, lindo, queria tirar uma foto daquela expressão e colocar de wallpaper do seu computador. Instantaneamente suas orelhas começaram a ficar muito quentes juntamente com suas bochechas, e sustentar aquele olhar se tornou impossível, por isso, seus olhos verde oliva começaram a procurar qualquer coisa sem importância no chão do Café.

Antônio achou que derreteria na cadeira.

O Espanhol dizia para sim mesmo “ Você precisa pensar!” Mas seu coração estava tão acelerado que a única coisa que vinha na sua mente era a imagem de sua mão direita indo até o queixo de Lovino, enquanto o puxava para mais perto e beijava seus lábios róseos. Foi aquela expressão que o conquistara há vários anos atrás na fazenda de tomates, e sabia que não aguentaria ficar sem fazer nada por muito mais tempo. Sua mão direita formigava enquanto a esquerda apertava a barra de sua blusa, seu cérebro gritava, “beije-o! “beije-o! É agora ou nunca!”

E como se mais nada importasse naquele café, nem Francis, nem os garçons, nem os turistas, nem qualquer outra coisa, Antônio simplesmente levou a mão direita até o queixo de Lovino o puxando para frente e dando um beijo em seus lábios.

Para sua surpresa, apesar da inicial resistência do italiano aos poucos sentiu os lábios se abrirem, como se permitisse a passagem, ele estava correspondendo! Sim! Estava correspondendo! Antônio jurou que jogaria na loteria naquele mesmo dia.

Mas como tudo o que é bom dura pouco, Lovino finalmente acordou do transe e com um empurrão afastou Antônio de perto de si.

XXX

Feliciano saia da cozinha com a bandeja e pedidos arrumados perfeitamente , a rosa no copo de champanhe despertava a atenção dos outros clientes que muitas vezes viravam para ver qual mesa teria pedido aquilo.

E talvez não fosse a rosa e sim o sorriso verdadeiro, alegre e sincero em seu rosto.

Porém o italiano não teve tempo de mostra-lo ao seu irmão, nem o sorriso e nem os pedidos.

Tudo aconteceu muito depressa para que Feliciano absorvesse em sua mente, de repente ele viu Lovino levantando e correndo para a porta, seus punhos estavam cerrados e as bochechas muito vermelhas. Em seguida Antônio também se levantou, mas em vez de seguir o outro, este foi até o Feliciano e pegou a rosa de dentro do copo.

–Agradeça ao cozinheiro por mim – Disse enquanto piscava o olho para cozinha e seguia correndo, abriu a porta do café e continuou a correr até sua silhueta sumir das janelas..

O italiano ficou parado uns bons 10 segundos tentando entender o que acontecera.

XXX

Feliciano havia acabado de entrar na cozinha novamente, e assim que empurrou a porta com o cotovelo encontrou Francis e seu assistente Matthew conversando em um canto aos cochichos animadamente.

Discretamente Feliciano deixou a bandeja intocada na bancada para embrulho e se aproximou da dupla.

–...o que ele pensa que fez, estava na cara que daria errado. – Cochichava Matthew.

–... é típico do Tônio fazer um negocio desses... – Respondia Francis rolando os olhos.

–Ele precisava ir com calma...

–Eu disse isso, eu juro que disse... – Justificava Francis

–Disse o que? – Se intrometeu Feliciano

Não era de seu costume se intrometer em assuntos alheios, mas pelo rumo da conversa e pela reação inesperada de seu irmão, o italiano sentia que havia perdido alguma coisa muito importante e que precisava saber.

Com a interrupção de Feliciano, Francis se virou na hora com pulinho e um sorriso nervoso, Matthew não deu o pulinho, mas se arrepiou todo e se escondeu atrás do cozinheiro.

–Você é irmão do menino com o Tônio, certo? – Começou Francis só para confirmar

–...Sim... – Feliciano cruzou os braços um tanto confuso, sua cabeça se inclinou um pouco e o peso mudou de uma perna para a outra.

Mas o italiano não teve tempo de perguntar o porquê daquela pergunta esquisita, pois em menos de cinco segundos estava sendo arrastado para o meio da rodinha onde Francis falava aos cochichos sobre Lovino, Antônio e o beijo.

XXX

Lovino corria desesperadamente pelas ruas venezianas.

Ele queria ir para casa, mas seu cérebro não se lembrava do caminho que deveria tomar, por isso apenas correu sem rumo passando por hordas de turistas que iam e vinham, seu coração estava acelerado e sua mão direita apertava fortemente a blusa em uma tentativa vã de se controlar.

“Preciso me acalmar”

“Preciso correr”

Até que por causa do calor, do suor, e principalmente por causa da confusão na sua cabeça, Lovino encostou em uma casa aleatória e parou. Sua respiração estava acelerada e ele tinha certeza que ninguém saberia onde ele estava, nem ele próprio sabia.

Naquela rua não havia turistas, na verdade haviam pouquíssimas pessoas, estas em sua maior parte idosas que andavam vagamente, ao que pareciam aram moradores ou então só estavam de passagem, mas era melhor assim, porque ninguém repararia nele e assim poderia pensar direito.

O beijo.

Aquilo era a ultima coisa que pensou que fosse acontecer, na verdade, já havia considerado no inicio essa possibilidade, mas a descartara tão rápido quanto imaginara.

“Afinal, ele nunca se interessaria por mim, ele só quer saber de tomates”

Era o que costumava pensar em sua cama entes de dormir, agora porém, estava claro que se enganara, Antônio estava realmente interessado nele e o pior, Lovino correspondeu.

Ele precisava pensar.

“Se Antônio esta interessado em mim, o que devo fazer?”

XXX

Antônio havia corrido muito, estava suado e cansado, mas por milagre não perdera o italiano.

Ele o vira correr no meio da multidão com a cabeça baixa e os punhos cerrados, não dizia um palavra, apenas se esquivava das pessoas que apareciam na sua frente, pra falar a verdade, duvidava muito que soubesse por onde estava indo.

Até que enfim parara em uma rua mais afastada e silenciosa, Antônio não se aproximou de imediato, pelo contrario, se escondeu a uma distância que sabia que Lovino não conseguiria ve-lo.

Parecia um deja-vu de alguma forma.

Quando Antônio tentava se aproximar, Lovino corria e tentava fugir, o espanhol sempre deixou que ele fosse, naquela época pensava que Lovino fugia por não gostar de si, isso sempre lhe fazia sofrer muito. Mas dessa vez sabia que não era verdade, ele correspondia aos seus sentimentos... então não o deixaria fugir.

Antônio o seguira até a Itália, o encontrara, marcara um encontro, o beijara e este lhe correspondera, agora não iria deixa-lo ir embora antes de um bom motivo.

Antes de saber o porquê de Lovino sempre fugir.

Notas finais
kisses