Notas iniciais
Yoo o/ Um bom humor estranho me atingiu hoje, e não sei porque mas estou com uma disposição rara... Quem sabe não é por causa desse domingo nublado,não?

– Então, é isso – Concluiu Ludwig olhando para Gilbert e Roderich, ambos estavam sentados no sofá da sala enquanto Ludwig permanecia de pé.

–Eu sabia que esse dia chegaria... snif –Começou a choramingar Gilbert – Eu sabia... Venha aqui bruder...

O albino se levantou e antes que o alemão pudesse fazer alguma coisa, Gilbert já passara as mãos em volta do seu corpo em um abraço de urso.

Ludwig estava perplexo.

–Anh... Bruder, eu disse alguma coisa de errado?

Enquanto Gilbert ainda soluçava, Roderich observava toda a cena com um olhar de desgosto, por fim colocou uma mão na testa e rolou os olhos.

“you fool”

–Você não fez... – Recomeçou o outro — ...snif, nada de errado... – E limpou uma lágrima com o indicador — Você ouviu, jovem mestre? – Gilbert se virou para o outro com um sorriso cheio de orgulho– o Lud vai trazer uma garota para casa... Estou tão feliz!

E soltando um pouco o abraço, Gilbert estufou o peio de contentamento e colocou ambos as mãos nos ombros do irmão.

–Saiba que não importa o que aconteça, o bruder vai estar aqui, sim? Se ela terminar com você, fique sabendo que você é um bom menino e...

–ESPERA! –Ludwig fez questão de se livrar do irmão e adotou uma posição de “mãe dando bronca” – Primeiro, “Feli” não é uma garota... – Gilbert estava pronto para interromper, mas Ludwig foi mais rápido e fez sinal para que se calasse – Segundo, ELE não é meu NAMORADO.

–Então... – Começou Gilbert – Vocês são SÓ amigos?- E fez uma cara ao mesmo tempo decepcionada e confusa.

–É claro que sim! — Ludwig esfregou as temporas com as pontas dos dedos enquanto soltava um longo suspiro. – Estou avisando vocês porque vamos ter que limpar a casa e fazer uma comida aceitável para quarta-feira.

–Isso não vai ser problema! – Roderich que até então estava quieto se pronunciou – Modéstia a parte, eu sei conzinhar muito bem...

–OH! Isso é verdade! – Disse Gilbert se recompondo– Ele faz tortas deliciosas!

–Isso é bom – Concordou Ludwig – Então eu e o bruder limpamos enquanto você cozinha.

–Certo. – Concordou o austríaco, indo para a cozinha checar o quanto de comida tinha e o quanto precisaria ser comprada. Ludwig e Gilbert seguiram para a lavanderia e começaram a pegar os panos e os produtos de limpeza.

Apesar do jantar só ser na quarta e de eles terem dois dias para se prepararem, uma caracteristica muito marcante da casa dos Belshimidt era a de fazer as coisas com extrema antecedência.

Sendo assim: A maratona de limpeza já estava iniciada.

XXX

Naquela noite, Ludwig teve um sonho estranho:

Era noite e chovia bastante, na verdade, aquilo se parecia mais com um inicio de furacão do que com chuva de verdade, os ventos era fortes o suficiente para molhar qualquer um que resovesse sair para fora de suas aconchegantes casas, e o frio fazia congelar só de se olhar pela janela. Mesmo assim um pequeno menininho loiro corria pela estrada.

Seus passos eram descompassados e por vezes o garoto cambaleava ou tropeçava em alguma pedra, mas mesmo assim continuava a correr. As pessoas dos carros simplismente passavam, e quase sempre iguinoravam que ele estava ali. Sua presença era insignificante se comparada com o acidente de carro logo ali atrás, um carro e um caminhão. O motorista deste alcoolizado.

Mas mesmo assim o menininho continuava a correr, eram 12km até a cidade mais próxima e ele não desanimava, já estava completamente encharcado, mas não parava.

De sua boca saia um fio de voz, algumas silabas misturadas e incompreenciveis. Ninguem podia ouvi-lo, ninguem podia-ve-lo.

Eis que de repente uma luz vemelha cruza o trânzito, a ambulância passou rasgado o asfalto, e por mais barulhenta que fosse a sua cirene, o menininho nem notou a sua presença, sua mente estava branca, a única certeza que tinha é que precisava correr.

Correr para longe, correr o mais rápido possível.

Então, o garoto foi abruptamente agarrado por trás, ele tentou desesperadamente se soltar.

Correr,correr,correr,correr,correr,correr,correr,correr...

E de repente o mundo á sua volta ficou preto.

XXX

Ludwig acordou em um baque, seus olhos se abrirram de repente e em menos de um segundo lá estava ele sentado na cama, sua camiseta estava completamente enxarcada de suor e sua respiração estava descompassada.

“O que diabos foi isso?”

O coração do alemão estava acelerado, sua boca estava seca, seus olhos estavam dilatados e parecia que quanto mais ar seus pulmões puxavam, de mais ar ele precisava.

Estava verdadeiramente com medo.

Ludwig passou a mão direita nos cabelos da testa enquanto aconchegava na cama, sentia os lençois grudarem nas suas pernas e cintura, por isso os afastou sem nenhuma sutileza. Precisava se acalmar, precisava respirar fundo e se acalmar.

“Preciso tomar água”

Na escuridão do quarto, o alemão procurou seus chinelos e se levantou da cama ainda respirando pesadamente.

Naquele momento Ludwig notou duas coisas:

1: A escuridão e o silêncio de sua casa.

2: Que se incomodava com isso.

Mesmo sabendo que seu irmão e o namorado estavam dormindo á poucos passos dalí, (porque Gilbert havia arrastado o colchão até a sala com a finalidade de dormir pertinho de Roderich), Ludwig não se sentiu confortável, era algo estranho que borbulhava dentro de si, algo como...

“Solidão?” “Por que?”

E dando um ultimo suspiro, o loiro passou a mão na maçaneta e abriu a porta do cómodo indo em direção á cozinha.

Depois de atravessar toda a casa, o alemão finalmente chegou á porta de vidro da cozinha, Ludwig a abriu e acendou o interruptor. A luz o cegou por dois ou três segundos, mas com pequenas piscadelas, logo as coisas se normalizaram. O alemão foi até a pia e pegou um copo limpo no escorredor, depois de enche-lo com a agua do filtro de barro, Ludwig se apoiou no granito e engoliu o copo todo de uma só vez fazendo um sonoro “ahhs” sair de sua garganta.

Quando estava preparando o segundo, o alemão percebeu a porta da cozinha se abrir aos poucos e a figura de se irmão entrar por ela. Gilbert, assim como Ludwig, foi cegado pela luz por alguns instantes, mas depois que conseguiu abrir os olhos e focaliza-los na figura de seu irmão, abriu um sorriso meio torto de sono.

–Perdeu o sono, Lud?

O alemão observou Gilbert caminhar em sua direção e procurar um copo limpo no escorredor, não encontrando, Gilbert por preguiça pegou uma xícara mesmo.

–Um pouco... Tive um pesadelo, entende?

Ludwig sempre foi muito sincero com o seu irmão, pois sabia que por pior que fosse a noticia, nele podia confiar...

–Sério? – O tom de Gilbert era falsamente monótono. – E como era?

O alemão desncostou da pia para que seu irmão pudesse pegar a água do filtro, assim, logo puxou uma cadeira e se sentou.

–Eu não me lembro de muita coisa, está tudo embaralhado...

Gilbert tomou um longo gole de água e Ludwig continuou.

–Chovia muito e fazia muito frio... Eu por algum motivo estava correndo, eu tinha que correr... Sentia isso! – E ambos beberam mais um gole de seus copos, o olhar e a atenção de Gilbert caiam exclusivamente sobre seu irmão. – Eu não me lembro porque, mas eu sentia que chorava... E sentia medo... desespero... Foi muito real! – Um silêncio se instalou na sala, Ludwig desviou o olhar e Gilbert bebeu mais um pouco terminando sua xícara.

–Sabe Lud, esses pesadelos... Desde quando você os tem?

–Eu não me lembro direito, mas eu não costumo te-los com muita frequencia...

Gilbert analisava cada palavra de seu irmão como se fosse um mapa, no fim ele apenas deu um suspiro e estendeu a mão para que Ludwig lhe desse o copo vazio de água.

–Esse pesadelos – Disse enquanto ligava a torneira para enxagua-los – Muitas vezes querem nos dizer alguma coisa, fique atento...E sempre que sonhar com algo assim, me diga.

Ludwig não entendeu exatametente o porquê disso tudo, não exixtia motivo para seu irmão querer saber sobre seus sonhos... Mas mesmo não vendo o rosto de Gilbert, percebeu pelo tom sério que ele não estava brincando.

–Certo – concordou simplesmente.

–Ótimo — Disse Gilbert colocando os copos no escorredor e secando as mãos – Vamos dormir, sim? –E parou na porta como se convidasse Ludwig a segui-lo, este se levantou e arrumou a cadeira, depois passou por seu imrão e murmurou um discreto “boa noite”, Gilbert murmurou de volta enquanto sorria e apagou a luz da cozinha.

A verdade era: Esses pesadelos preocupavam mais Gilbert do que ele deixava transparecer.

Notas finais
Kisses :D