Arya

1 Acampamento Meio-Sangue


– Bom dia. — disse-lhe Afrodite.

– Bom dia. — a garota respondeu.

– Já vai indo? — disse, reparando nas malas da garota.

– Ah sim. — ela respondeu. — Já estou até atrasada... Quíron deve achar que me aconteceu algo...

A garota deu um abraço na deusa. Aquela não era sua mãe, mas cuidara dela como uma. A garota saiu do Templo de Afrodite. Ninfas dançavam ao som das flautas de bambu dos Sátiros. Minutos depois, se viu descendo no elevador do 'Empire State'. Estava bem vestida, digna da atenção de todos do Salão. Os mortais a viam com um belo vestido curto e branco. Os cabelos caindo em uma cascata negra e cintilante. Malas de viagem e uma postura realmente notável.

Ela não gostava de ser o centro das atenções. Sabia que os mortais a viam diferente, mas ela sabia como estava vestida. Calça jeans, tênis All-Star vermelho, uma blusa preta e cabelos presos em um rabo de cavalo desajeitado.

– Bom dia, senhorita Lancaster. — Disse-lhe um garoto, de mais ou menos sua idade. A garota sabia que seria rude, mas não respondeu. Ela saiu do edifício e a brisa suave da primavera balançou seus cabelos. Pegou um Dracma de ouro e jogou no chão.

– Stêhi. — gritou. — Ô hárma diabolês!

A moeda afundou, e em seu lugar, uma mancha escura surgiu, borbulhando um líquido vermelho, como sangue. E dali, surgiu um táxi. O Táxi da Tormenta Eterna.

– Passagem! Passagem! — Gritaram as três assim que a garota entrou no táxi.

– Uma, para o Acampamento Meio-sangue.

Então, o táxi acelerou e partiu. A garota se segurou para não cair, e lutou contra a vontade de vomitar. Era como se demônios dessem uma festa em seu estômago.

O táxi parou de súbito. A garota desceu, mas, totalmente tonta, caiu de joelhos e se agarrou a uma de suas malas. O táxi partiu novamente. A garota se levantou, tirando a grama da roupa. Recolheu as malas e caminhou até a barreira do Acampamento.

– Olá Thalia. — disse para o pinheiro. — Sinto muito pelo que lhe aconteceu.

As folhas farfalharam. Ela sorriu e atravessou. Automaticamente, o cenário mudou. Uma casa (muito bonita por sinal), Chalés, um Anfiteatro, uma Arena, Arsenal, Estábulo para Pégasos e mais ao longe, um Labirinto.

– Bom dia, senhorita Arya Lancaster. Arya pulou de susto. Ao seu lado, estava parado um Centauro.

– Bom dia, senhor Quíron. — O Centauro sorriu.

– Bem vinda ao Acampamento Meio-sangue!

Quíron soprou a concha, anunciando o jantar. Estava um falatório imenso no refeitório, que logo foi desfeito por Quíron.

– Bom. — disse Dionísio, ou, senhor D. — Bem vindos de volta, moleques. Houveram palmas escassas.

– Este ano teremos uma nova campista, Arya Lancaster.

Ouve alguns murros no ar, sem muita agitação.

– Quem é seu pai ou mãe Olimpiano? — perguntou Dionísio, levando a lata de Diet Coke à boca.

– Bom... Nyx e Morpheu. — Queixos caíram, muxoxos de surpresa surgiram.

– Então, estará alojada no chalé 11, Hermes e... — Ele não completou. Um arco de caça prateado, de um tipo de luz apareceu no ombro direito da garota, e do mesmo jeito, uma lança em chamas no esquerdo.

– Apadrinhada por Ártemis e Ares, não? — os sinais desapareciam agora. — Então, escolha um chalé. A garota encarou as crianças de Ares, e o mesmo com as de Ártemis. Mas Ártemis sempre a havia ajudado à ir para o mundo mortal em sua companhia, mesmo depois do acontecido.

– Chalé de Ártemis. — disse. Assim, o chalé de rompeu em palmas. Uma criança de Ares a encarou até que se sentasse, o que deu à impressão de que ela tinha novos inimigos ali.

Narrado por Arya

"Ártemis estava sentada, fazendo uma fogueira. E eu, pequena deusa de dez anos, comecei a correr pela floresta. Meus cabelos flutuavam, folhas faziam cócegas em meu rosto. Eu sentia alguém me observar, mas pensei que fosse Ártemis correndo atrás de mim como a criança travessa de doze anos que aparentava. Corri mais rápido o possível, já rindo, e entrando na floresta. Mas então bati em alguma coisa. Alguma coisa não. Alguém. Caí no chão, sentada, massageando meu braço dolorido.

– Desculpe. — disse o estranho.

– Não tem problema. — disse, com lágrimas de dor em meus olhos. Ele tinha mais ou menos a minha idade.

– Deixe-me ajudar. — ele me ajudou a me levantar e encarei seus olhos. Vermelhos como sangue. Tentei sair correndo, mas era óbvio que ele era mais forte que eu. E era um pouco tarde. Ele mordeu meu braço. O sangue pingava na neve que cobria a maior parte da floresta. Ao contrário dos Deuses Olimpianos, como Ártemis, meu sangue não era o icor, era sangue, como o dos mortais. A dor era insuportável, e alguma coisa pulsava em mim. Veneno, com certeza. Comecei a chorar, e uma saraivada de flechas das Caçadoras assustou o vampiro. Ele foi embora, e eu desmaiei nos braços de Ártemis."

Então eu acordei, apertando com força a cicatriz no meu pulso.

– O que foi? — disse, Jeanine Syfer, cuja cama era ao lado da minha. — Pesadelo.

– Certeza? Você parecia... Estranha.

– Me desculpe, não quis te acordar.

– Não, tudo bem. Eu já estava acordada... Pensando, sabe?

– Em quê?

– Você já pensou em se juntar às Caçadoras de Ártemis?

– Bom... Uma vez, sim. Eu tinha dez anos.

– Foi quando arranjou a cicatriz? — encarei os olhos azuis de Jeanine.

– Sim.

– Se me permite perguntar... Como arranjou-a? Nunca vi nada parecido.

– Eu... — eu queria contar à Jeanine, mas não conseguia falar. Aquela lembraça sempre me deixava um pouco desnorteada quando vinha em forma de sonho. Meu pai só pode estar fazendo isso para me castigar... Mas o que eu fiz? Mas também, pode não ser culpa dele.

– Se não quiser falar, Arya, tudo bem.

– Obrigada, Jeanine.

De manhã, parecia que eu tinha sido atingida pelo raio mestre de Zeus e me afogado nos oceanos de Poseidon. Eu estava péssima.

Parte do meu café foi dedicado à Ártemis, pela hospitalidade. À Afrodite pela boa criação. E aos meus pais.

E com isso, meu café da manhã se foi quase que inteiramente.

Me sentei com Jeanine, na mesa de Ártemis, e logo Quíron deu os avisos matinais.

– E por último. — anunciou ele. — Teremos a Caça à Bandeira nesta sexta-feira. Quero as equipes formadas até quinta-feira.

– O.k, vai ficar com o Chalé 8, não é? — me perguntou Jeanine.

– Claro que vou! — respondi.

E então, a representante do chalé 6, de Atena, veio até nossa mesa.

– Será que Ártemis gostaria de se aliar à Atena nesta Caçada? — perguntou, sorrindo. Ela era loira, olhos cinzentos tempestuosos e um boné dos Yankees na mão. Karine Willians, sentada à minha frente, era a representante de nosso chalé.

– É claro que sim. — a filha de Atena suspirou, aliviada e foi conversar com amesa de Afrodite.

– Olhe... É um padrão. — disse Jeanine, observando atentamente os representantes de Ares e Atena. — O Chalé de Ares está se aliando aos Deuses, e o de Atena às Deusas. Isso vai ser divertido...

– Você tem algum item mágico? — era Karine, que brincava com um punhado de marshmallows em seu chocolate quente.

– Bom... Minha mãe me presenteou com uma espécie de espada no ano passado. É este medalhão aqui. — retirei o medalhão de dentro da blusa laranja do acampamento.

– Como que funciona?

– Bom... Eu não sei muito bem... Nem sei se é uma espada.

– Pode ser um escudo, ou um arco. — Jeanine deu de ombros.

– Ela me disse que seria o que eu quisesse.

– Como ela te disse isso se ela mora no Tártaro?- disseram, atrás de mim. Reconheci a garota. Clarisse La Rue.

– Acho que nenhuma criança de Ares foi chamada na conversa — murmurei. Ela fechou a cara. Sabia que não sairia sem revidar. Mas dois de seus irmãos a seguraram, levando para longe.

– Ela me disse em uma carta. — sussurrei. Karine apertou meu ombro, como se entendese o que eu sentia.

– No Chalé, vemos o quão importante será. — sorri.

– Vamos ganhar isso. — eu disse. E todas sorrimos.

Voltamos ao Chalé, no nosso horário livre. Apertei o medalhão na mão direita, e em menos de segundos, me vi segurando um arco negro, e na outra mão, uma aljava cheia de flechas, todas negras como a noite.

– Forjadas no Tártaro, com certeza. — disse Karine. — Terá boa mira, Ártemis te apadrinhou.

– Já estive com Ártemis, ela me ensinou a manejar muito bem o arco. — disse.

– Já esteve com Ártemis?

– Já... Mas não quero falar disso.

O Chalé ficou em silêncio por alguns minutos.

– Vamos. Não quero me atrasar para a aula de Quíron. — disse Karine.

– Que aula? — perguntei.

– De Arco e Flecha. — ela sorriu.

Quíron nos apresentou ao chalé 5, de Ares. Eles nos acompanhariam nas aulas de Arco e Flecha e Esgrima.

Clarisse me fuzilou com o olhar. Sei que não era bo confrontar uma filha de Ares, mas era inevitável. Senti o Arco vibrar, a pedra negra clamava para ser usada. Eu sabia que seria perigoso usar o arco contra Clarisse até conseguir controlá-lo, pois as forças contidas no Tártaro eram imensas e perversas. Mas aquele arco foi apenas forjado no Tártaro. Não poderia causar nada perigoso.

– Lembrem-se do que eu disse. — anunciou Quíron. — Mirem e atirem. Alguns de vocês estão usando um arco pela primeira vez na vida, e não quero ninguém machucado.

E então ele me olhou, um pouco severo. Encolhi os ombros. Ele sabia. E eu acho que logo seria impossível esconder dos Campistas.

Estávamos parados em fila indiana, primeiro os novos Campistas e depois os veteranos. E claro que, como eu cheguei na noite anterior, era a primeira. Torci para ter uma pontaria ao menos razoável.

Quíron, ao meu lado, auxiliaria os campistas novatos à atirar. Retirei uma flecha da aljava e coloquei-a no arco, como Quíron havia mostrado. Mirei o alvo. Meus braços estavam rígidos.

– Relaxe, criança. — murmurou Quíron.

– Vou tentar. — respondi.

Soltei a flecha, que cortou o ar com um som afiado e sombrio. Ela cravou-se no alvo. No centro do alvo.

Alguns estavam boquiabertos.

– Bom. — murmurou Quíron. — Isso foi realmente bom.

Senti os olhos raivosos de Clarisse cravados em mim. Me virei e caminhei para o fim da dila de Campistas.

Eu sabia que era, provávelmente, só o começo.

Notas finais
Medalhão de Arya e vestimenta do Acampamento: http://www.polyvore.com/arya/set?id=168623657 ====== Espero que tenham gostado!