Artimanha da Discrição

3 ❀ 3. Ira perceptível.


Notas iniciais
Olá, meus amores! (゜▼゜*) Dessa vez, não demorei tanto para postar. Estou impressionada comigo mesma! Não sei o que houve, surto de inspiração, talvez? 「(゚ペ) Enfim! Quero agradecer imensamente pelo feedback de vocês! Os reviews são tão lindos, talvez tenha sido isso que tenha me inspirado tanto a escrever esse capítulo AUSHAUHSA Vocês sabem como deixar uma autora feliz. ♥ Muito obrigada por todo o apoio! Vocês são 10000/10! Acredito que o capítulo tenha ficado muito menor, comparado aos outros. DESCULPA! Até estava pensando em fazer algo com, aproximadamente, 2.500 ou mais palavras, mas creio que não era a hora certa de botar a cena que eu queria. Curiosos? Espero que sim! Pode não parecer, mas teremos alguns mistérios! (ノ´∀`) Ok, não vou mais enrolar vocês AUSHAUSHA Espero que gostem do capítulo, nos vemos nas notas finais! (*´艸`*)

Em apenas uma semana, Natsu Dragneel já havia se tornado um dos garotos mais desejados em toda a escola. O que se esperar de um jovem carismático, engraçado, atlético, com cabelos ruivos sedosos e um sorriso fantástico? Nada além de fama com as garotas e popularidade com os homens. Todos, inclusive os professores, amavam o aluno novo da Fairy Knights High School.

Caminhando pelos corredores dava para se escutar as vozes agudas e histéricas falando de como Natsu era o máximo. Natsu isso, Natsu aquilo...

Para ser sincera, eu estava esgotada de tanto ouvir esse bendito nome.

Era inacreditável. Como raios elas conseguiam o achar atraente? Era apenas um grande pedaço de merda com pernas. E, o mais triste, era que somente eu tinha noção disso. Os outros apenas babavam nos pés do ruivo. Até mesmo Levy, minha melhor amiga — repetindo, minha melhor amiga! — havia se tornado baba ovo do rapaz. Ela sentava na frente dele nas aulas de Biologia, então, tinham conversado muito. O que me causava uma certa ponta de ciúmes e raiva.

Como eles conseguiam gostar daquela... coisa? Natsu era um monstro — pelo menos, na minha visão —, e eu iria odiá-lo eternamente.

— Alô! Terra para Lucy! — Meus pensamentos de como torturar meu primo foram cortados pela a voz fina e feminina de Juvia. — Garota, pare de ficar viajando!

Juvia Loxar, uma bela garota que fazia aulas de Inglês comigo. Também colava de mim nas provas, mas, de alguma forma, havíamos nos tornado amigas íntimas. No entanto, era uma jovem bastante... revoltada, por assim dizer. Dê a perceber por suas madeixas azuis enroladas e seu estilo de roupas.

— Ah, desculpe, estava pensando um pouco — murmurei, deitando minha cabeça na carteira. Ela suspirou, irritada.

— Se você não prestar atenção na aula, como vou colar de ti? — Perguntou retoricamente, soando nervosa. — Lucy, não é assim que funciona.

— Então, por que você mesma não tenta estudar sozinha?

— Já tentei, não deu muito certo. Acabei quebrando um rádio.

Inspirei oxigênio, na tentativa de refrescar meu cérebro e esquecer da existência de Natsu. Voltei minha atenção para o quadro, repleto de conteúdo e exercícios escrito.

“Falta de vontade para copiar...”

— Sobre o que você estava pensando? — Juvia virou-se novamente para me olhar.

— Você sabe.

— Seu primo, de novo? — Acenei que sim com a cabeça. — Tu tem que deixar ele de lado. O esquecer. Você se esquenta demais com coisas pequenas...

Larguei a caneta em cima da mesa e fitei os olhos azuis escuros de Juvia.

— Eu sei, mas eu o odeio desde que era criança, é difícil simplesmente ignorar — respondi.

A azulada ficou em silêncio por alguns instantes, até que voltou a falar:

— E por que você tem tanto ódio dele?

Como eu iria responder à aquilo? Nem eu mesma sabia como. Eram tantos motivos de odiá-lo que era impossível dizer sem listar em tópicos. Natsu praticamente roubava minha mãe de mim. Ele me culpava de tudo quando éramos crianças. Já havia quebrado meu pé e não levara um único castigo. Um filhinho de mamãe de primeira linha.

No fim, resumi todas os pontos negativos em apenas uma frase.

— Natsu fez coisas que não foram de meu agrado.

— Nós não temos rugas para ficar fazendo draminha, Lucy — Juvia reclamou. — Diz logo!

Antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa sobre o assunto, escutei o som do sinal da escola. Suspirei e sorri em seguida, aliviada por não ter que continuar a conversa. No entanto, ao mesmo tempo, queria me jogar pela a janela, pois minha próxima aula seria Biologia, e, bem, não gostava de respirar o mesmo ar que meu primo. Levantei-me da carteira, me despedindo da azulada.

— Esse assunto ainda não acabou, loira — respondeu, dessa vez, sorrindo sorrateiramente.

Saí da sala e caminhava pelos corredores lotados de alunos. Tentava ser o mais rápida possível para alcançar meu armário. Em alguns passos de distância do meu destino, senti algo se apoiar em meus ombros, e vi dedos se enrolarem no fios de meu cabelo. Ergui uma sobrancelha e olhei para a direita.

E lá estava ele. O prodígio. Natsu andava ao meu lado, me abraçando pelos ombros enquanto brincava com minhas madeixas. Por um momento, meu propósito seria pisar em seu pé, morder sua mão e continuar a trilhar o meu caminho até a sala de Biologia, todavia, desisti deste pensamento infantil e estúpido. Continuei andando, como se a sua existência fosse como a de um inseto.

— Bom dia! Tudo bom, meu amor? — Indagou. Senti seu perfume forte invadir minhas narinas.

Ignorei.

— Lucy? Ei, loira! — Dessa vez, ele mexia meus ombros. As pessoas em nossa volta nos encaravam, mas, mesmo assim, eu continuaria a fingir que a realidade era uma mentira. No caso, a realidade seria o Dragneel. Me aproximei do armário e o abri, peguei os livros e cadernos de Biologia e o tranquei novamente, continuando com o meu rumo até a sala.

Cutucou meu nariz. Puxou meu cabelo. Beliscou meu ombro.

— O que você quer, garoto?!

— Finalmente! Estava me ignorando, Lulu? — Perguntou, fazendo um bico falso. Percebi que seu braço ainda estava em volta de meus ombros, então tratei por me afastar do ruivo.

— Eu estava tentando te ignorar, mas é impossível.

Com isso, continuei a caminhar rumo à classe. E, Natsu, insatisfeito, continuou a andar ao meu lado, perto de mim.

Sentia os olhares invejosos de garotas que eu mal sabia os nomes. Compreendia o ódio delas. Por que o novo garoto mais lindo do colégio estava andando com tanta intimidade perto de uma menina normal e sem graça? Bem, elas não sabiam de que éramos familiares e que eu queria Natsu no inferno, diferente delas.

Soltei uma risada, achando cômica toda a atenção desnecessária.

— Do que está rindo? — Ele perguntou. — Você é retardada.

Sorri, novamente, ignorando seus comentários idiotas.

Entrei na sala e dei de cara com uma figura baixa.

— Oi, Lucy! — Levy me cumprimentou. — Ah, bom dia também, Natsu! — O ruivo acenou como resposta. Ainda não conseguia entender a amizade dos dois. Sim, sentavam perto um do outro, poderia ser um ótimo motivo. Mas... como? Levy era tão adorável e Natsu... um grande babaca. Ele passou ao lado da menor, bagunçando seus cabelos. Em seguida, foi conversar com algumas pessoas no fundo da classe que eu mal sabia os nomes.

Encarei a azulada e ela me olhou de volta.

— Eu não consigo entender seus gostos — quebrei o silêncio, ríspida.

Eu que não compreendo seu ódio por ele — respondeu, deixando sua bolsa em cima da carteira. Ambas fitamos o rapaz, que ria animadamente. — Natsu é legal.

Bufei e andei em direção a minha mesa, ignorando o elogio desnecessário. Gray estava com os braços debruçados sobre seus cadernos e sua cabeça deitada, ele roncava baixo. Revirei meus olhos e mexi em seus cabelos negros, na tentativa de acordá-lo — suas madeixas eram macias e sedosas, se eu pudesse, tocaria e afagaria em seus fios de cabelo escuro durante um dia inteiro. Resmungou, irritado.

— Acorde, flor do dia — falei perto de seu ouvido. — As abelhas precisam de seu doce pólen.

O moreno mostrou seu rosto cansado. Me olhava com certa reprovação.

— Se nos casarmos um dia, nunca me acorde desse jeito — murmurou, esfregando seus olhos. Soltei uma risada baixa e dei um soco leve em seu ombro.

Em alguns minutos, o professor havia entrado na sala. Com dificuldade e demora, conseguiu acalmar os alunos e deixá-los quietos.

As aulas de Biologia talvez fossem minhas preferidas. O Sr. Patrick era um ótimo professor e explicava com clareza os conteúdos. E, eu, obviamente, era sua aluna predileta.

— Alunos, como vocês sabem, o feriado do fim de ano está chegando — disse, sorrindo. Em seguida, metade da classe vibrou de animação. — Mas isso não impede vocês de fazerem trabalhos! Portanto, darei para vocês algumas tarefas para serem entregues após o fim de ano. — Um grupo no fundo da sala vaiaram, e Sr. Patrick riu. — Formem duplas. Trabalho valendo dez.

Suspirei, achei que pudesse me livrar dos estudos durante o feriado. Todavia, não era problema para mim — junto com Levy, faríamos um belo trabalho em vinte minutos, merecedor de nota mil. Olhei para o outro lado da classe, e a azulada conversava com Natsu. Ergui a sobrancelha, dizendo com meu olhar "E então? Vamos?".

Ela me olhou de volta e deu um sorriso amarelo. O rosado colocou seu braço em volta de seus ombros e me encarou, sorrindo, cínico. Bufei e mostrei o dedo do meio para os dois.

Ótimo, agora ele estava roubando minha melhor amiga também?

— Algo me diz que você não gosta do aluno novo. — Gray disse.

—Ele roubou minha dupla! — Exclamei, me segurando para não levantar e dar um tapa na cara de Natsu.

— Se você se sentir melhor, posso se sua dupla.

Olhei para ele. Gray era uma boa pessoa. Sim, me usava para conseguir passar de ano, e provavelmente estava fazendo isso naquele exato momento, mas eu não me importava. Era um bom amigo.

Concordei, e ele afagou minha cabeça. Bem, pelo menos, agora, eu tinha uma dupla.

Era ruim saber que, no fim da aula, eu deveria sair correndo para alcançar um ônibus qualquer pra chegar em casa, tudo isso seria mais simples se eu pudesse dirigir meu carro, que, na realidade, estava quebrado. Segundo Gajeel, ele me avisaria quando o veículo estivesse pronto para ser usado novamente. O fato de que ele realmente iria concertar me deixava mais aliviada — mesmo que fosse concertar na base do suborno, mas enfim, esses pequenos detalhes são de pouca importância.

Sai da escola, andando depressa, enquanto segurava minha bolsa para que ela não caísse. Parei na calçada e olhei para os dois lados antes de atravessar — sim, sou uma pessoa politicamente correta —, já que, no fim da aula, os colegiais dirigiam feito loucos, como se acabassem de sair do presídio.

Suspirei, irritada por não poder ser como eles: uma doida na frente do volante que usufrui de sua carteira de motorista.

Quando levantei uma perna para atravessar a rua, um carro parou na minha frente. Uma Mercedes preta. Ergui uma sobrancelha, e a janela do motorista abriu.

— Quer carona, gata? — Natsu estava dirigindo. Usava óculos escuros e seu braço estava apoiado na janela. Soltei uma risada.

— Nem fodendo. — E comecei a caminhar na calçada. Ele me acompanhava com o carro em baixa velocidade.

— Lucy, eu estou te devendo essa —, disse.

— Não me importo. — Respondi, ríspida. — Não quero ser morta hoje.

— Juro que não vou fazer nada de mais, apenas te levarei pra casa. — Fez uma pausa. — Por favor? — O encarei.

Só me havia duas opções, e nenhuma de ambas pareciam aprazível. Primeiramente, ninguém gosta de ônibus. Nestes veículos públicos, as chances de ser contaminada com alguma doença são mais propensas, já que a falta de higiene era abundante. Mas, por outro lado, eu também odiava meu primo, o fato de respirar o mesmo oxigênio que ele me dava náuseas.

No entanto, quem rejeita uma Mercedes?

Pisei forte no chão e bufei. Dei passos longos e firmes enquanto me dirigia até a porta do passageiro, que já estava destrancada. Me sentia completamente irada e fora de si quando optei por aquela escolha, mas meus devaneios de remorso foram omitidos no momento em que inalei a fragrância de couro do banco. O conforto, a beleza, tanto interna quanto externa, e o perfume do veículo me deixara tão deslumbrada que todo o meu rancor por Natsu fora deixado de lado. Sentia-me no céu, e, no momento, estava deitada nas nuvens.

Apesar do meu silêncio incomum diante a situação, o ruivo situava-se indiferente acerca de minhas atitudes. Costumeiramente, iria insultá-lo ao longo do caminho até que chegasse em casa, todavia, já havia se passado mais de cinco minutos no tráfego e nenhuma palavra fora dita.

Analisei o painel do carro, era tudo tão bonito e frágil e dava a impressão de que, ao tocar, iria se partir em duas metades. O rádio tocava um pop hit baixo. Me indagava mentalmente o porquê de meus tios presentearem Natsu com um veículo tão habilitado.

Desviei meu olhar para o motorista. Suas mãos seguravam o volante com cautela e ele estava concentrado olhando para o asfalto. Natsu gostava de carros, desde pequeno tinha a mania de manter uma coleção enorme de diversos modelos em miniatura. Claro, como toda a criança, seu sonho era trabalhar, se tornar rico e comprar uma Ferrari, mas, talvez, uma Mercedes estava de bom tamanho — pelo menos para mim, que não tinha nem um nem o outro.

No entanto, Natsu quebrou o silêncio:

— Você gosta de olhar pra mim, não?

Revirei os olhos e fitei a janela. Bufei em seguida.

— Estava admirando sua feiura.

— Perdão, loira, mas creio que minha mãe trabalhou bem em mim — soltou uma risada após o comentário. — É uma pena que não tenha ocorrido o mesmo contigo.

— Por favor, Natsu. Meus pais me esculpiram em formato de anjo quando nasci — gargalhei. Esperei a resposta, o insulto, que, no fim, não veio. Encarei o ruivo e ele adquiriu uma expressão séria em seu rosto, de alguma forma, seu olhar chegara a tornar-se um tanto triste.

Ergui uma sobrancelha.

— Sério? Nada?

Suspirou.

— Me desculpe. — Murmurou, tão baixo que mal pude ouvir. — Apenas deixe-me te levar para casa.

Estranhei, mas deixei de lado.

Um bipolar, pensei.

Todavia, sua fisionomia melancólica havia me deixado intrigada.

Notas finais
Esse Natsu, menino cheio de mistérios. ((*゜Д゜)ゞ” Espero que tenham gostado do capítulo! Neste, foi mostrado o início de alguns conflitos que estão por vir~ Fiquem na curiosidade! ヾ(゚∀゚ゞ) Muito obrigada por ler! Vejo vocês no próximo capítulo! ♥ Que espero não demorar muito para postar, torçam para a Tia Akira! ᕙ(⇀‸↼ )ᕗ Beijos! (๑・ω-)~♥”