Artimanha da Discrição

1 ❀ 1. Quando menos espero...


Notas iniciais
Olá, galero! ♥ Boa noite!Então, começo dizendo que a sinopse diz que será uma longfic, mas eu não tenho tanta certeza disso! Enfim...Espero que gostem desse primeiro capítulo. Está meio chatinho mas sabem como é, todo o início de fanfic é assim, espero que compreendam! :) ♥Não tenho muito o que dizer, então, aproveitem o capítulo!

E então, um tiro. Em seguida, um grito feminino agudo. Logo, meus tímpanos detectaram sirenes de polícia acordando toda a vizinhança. Mais uma vez, uma normal manhã no Brooklyn, e, com ela, um belo início de Dezembro. Eu havia acordado antes do despertador do meu celular novamente — não sabia se eram meus instintos dizendo “É hora de ir para a escola” ou a agitação matinal do meu bairro.

Peguei meus óculos jogados em cima do criado-mudo ao lado da minha cama e posicionei-os sobre meu rosto. Levantei cautelosamente, me espreguiçando durante o ato.

O que você pensa quando lhe vem “Brooklyn” à cabeça? Primeiramente, o mais óbvio para todo o americano: criminosos rebeldes e roubo em todas as direções. Bem, não iremos negar os fatos, realmente era a verdade. Todos os dias, do meu apartamento ao ponto de ônibus, eu perdia, pelo menos, cinco dólares (De uma maneira sem eufemismo, eu era furtada todos os dias). Morar num lugar assim era bom? Certamente que não. Todavia, de alguma maneira, acabou por se tornar suportável — pelo menos para mim.

Fixei meu olhar na grande janela que dava à escada de incêndio do prédio enquanto vestia roupas quentes. As nuvens cobriam todo o céu azul, e, no meu celular, marcava 16 °C. Definitivamente, não queria ir para a escola. Eu não gostava da ideia de sair debaixo dos cobertores durante um dia tão frio — nunca fui muito fã do inverno (e olhe que ainda era primavera) —, no entanto, teria que enfrentar esses desafios matinais durante mais duas semanas. Já que as férias de Dezembro começariam em breve, isso tudo seria recompensado.

Abri a porta do meu quarto, inalando o doce cheiro de torradas frescas e sentindo o aroma do café invadir minhas narinas. Minha mãe, definitivamente, fazia o melhor café da manhã do mundo.

— Bom dia! — Exclamou, expressando um sorriso amoroso para mim.

— Bom dia, mãe — respondi, sentando em uma cadeira perto de meu pai, que lia o jornal enquanto segurava uma xícara de café.

Layla era a pessoa mais alegre desse mundo, eu não conseguia entender como conseguia ficar tanto tempo sorrindo. Quando pequena, raramente ela brigava comigo — não sei se era pelo o fato de eu ser uma criança comportada ou ela muito calma. Claro, haviam vezes em que uma discussão e um castigo eram indispensáveis: como quando meu primo vinha me visitar e nós brigávamos diariamente. Eu acabava ficando trancada no meu quarto como forma de punição por usar um linguajar não muito adequado contra uma pessoa — principalmente se este era um membro da família.

E, bem, minha mãe preservava a “relação familiar”.

Despejei o líquido negro e quente dentro da minha caneca. Senti o calor esquentar meu nariz que estava à beira de congelar com o frio — exagerada? Eu? Sim ou claro? —, procurei pelo o açúcar para adocicar meu café mas notei que estava longe de meu alcance.

— Pai? — Interrompi sua leitura. — Pode me passar o açúcar?

Ele abaixou as folhas de jornal, mostrando seu rosto. Ele parecia cansado — isso não tinha dúvidas, já que ele trabalhava muito para podermos ter um teto para morar e comida em nossa mesa. Jude sorriu e entregou o pote em minhas mãos.

Suspeito.

Abri o pote e dentro dele havia uma chave. Ergui uma sobrancelha e olhei para frente, onde meus pais me encaravam com sorrisos de orelha à orelha.

— Que merda é essa? — Foi tudo que eu consegui soltar. Que porra era aquilo?

— São as chaves do seu novo carro! — Exclamaram, me abraçando. — Feliz aniversário!

Eles pulavam e minha mãe soltava gritinhos histéricos. Eu continuava um pouco abismada e até chocada, tentando processar o que estava acontecendo.

— Isso é um presente de aniversário super atrasado ou o natal chegou cedo?

Eles riram. E eu finalmente tinha me dado conta de que sim, eu tinha ganhado um carro novo.

Assim, soltei um grito de alegria.

Estava dentro do meu carro novo. Não era um lamborghini, mas fazia eu tremer de felicidade. Finalmente, depois de meses com a minha carteira de motorista feita, eu iria dirigir o meu carro. Não iria ser assaltada durante o metrô; não seria flertada por ¾ dos homens que encontrava pela a rua, e, principalmente, iria causar um certo espanto nos meus colegas e amigos no colégio.

— Espero que tenha gostado do presente — minha mãe exclamou, rindo.

— Tá brincando? Eu amei! Sério mesmo! — Respondi, batendo os dedos no volante, animada.

— Tenha um bom dia, Lucy — Jude disse, do lado de fora do veículo. Colocou a mão em minha cabeça e bagunçou meus cabelos enquanto mantinha um sorriso no rosto.

— Eu amo vocês.

O caminho até a escola era um pouco longe — eu normalmente pegava três ou quatro ônibus para chegar lá. Ou seja, era muito distante. Eu sentia que iria me perder, já que não conhecia muito bem o percurso com o carro, mas, mesmo assim, iria me arriscar.

Apesar do entusiasmo, não conseguia deixar de sentir peso na consciência. Nós não éramos uma família com a condição financeira tão boa como parecia. Meu pai trabalhava em dois turnos e minha mãe era dona de uma floricultura. Eles faziam o máximo de si para poder dar o bom e o melhor para mim. E, agora, de repente, um carro.

E a falta de dinheiro era também um motivo para eu estudar todos os dias por quatro horas seguidas. Almejava terminar a escola e conseguir bolsa em uma faculdade, para não ter a necessidade de pagar meus estudos, e, em seguida, começar imediatamente a trabalhar. Não gostaria de viver dependente de Jude e Layla. Isso tudo faria meus pais pararem de pensar somente em Lucy Heartfilia, e sim em si mesmos.

Sim, eu sou uma filha mais do que perfeita. Palmas para mim.

Atualmente, eu estudava em uma escola pública. Não por conta da falta de dinheiro, e sim opção minha. Desde pequena eu sempre frequentei a mesma escola, e, agora, no ensino médio, seria idiotice eu trocar — aliás, estava no segundo ano. Todos os meus amigos estavam naquela escola e eu já havia me familiarizado com todos por lá (principalmente os professores e coordenadores).

Tentei recordar do mesmo trajeto que eu percorria com o ônibus todos os dias para ao menos chegar perto do colégio, e, felizmente, deu certo.

Não era um colégio tão grande como os de filmes americanos — que normalmente apresentam uma ideia completamente oposta do que é realmente a escola —, contudo, havia tudo o que um colégio deveria conter: alunos, corredores, bullying e livros.

Estacionei o carro com medo de deixá-lo ali com o perigo de ser roubado a qualquer instante. Assim que eu desci do veículo e comecei a caminhar, as pessoas me encaravam.

Como começar? Bem, digamos que eu não sou a pessoa mais... bem, popular da escola. Claro, tinha a minha “panelinha de amigos”, mas nem mesmo por alguns deles eu não era tão reconhecida. Não entendia o motivo de muitas das pessoas nem ao menos olharem na minha cara ou conversassem comigo — isso é, se soubessem meu nome. Eu não considerava isso “bullying” ou “ser anti-social” como muitas pessoas diriam, até mesmo nem me importava.

Fui até meu armário e peguei os livros da primeira aula, que, infelizmente, era biologia — por que eu optei por ter aulas de biologia, mesmo? Não fazia ideia, talvez estivesse drogada ou descontrolada no dia que escolhi as matérias.

Tentava caminhar pelos corredores repletos de alunos, a procura de alguma figura familiar. Quando, de relance, notei que entre todas as pessoas, uma garota pequena com cabelos exageradamente azuis tentava se locomover.

— Levy! — Exclamei, tentando alcançá-la.

— Lucy, bom dia! — Disse após virar e sorrir, agarrando minhas mãos. — Como foi seu fim de semana?

— Acredite ou não, foi melhor do que eu esperava.

Começamos a caminhar uma ao lado da outra. Comparada a mim, Levy era realmente uma garota pequena. Adorável e carismática, mas, mesmo assim, tinha seus problemas. Algumas vezes ela vinha para a escola após uma noite inteira sem dormir, e assim nós matávamos aulas para ficarmos sentadas no fundo da biblioteca, lendo livros ou conversando sobre algo aleatório.

— Sério? O que aconteceu?

— Digamos que eu ganhei um presente maravilhoso de aniversário — respondi quando entramos na sala de aula, que, a propósito, estava vazia.

Normalmente éramos sempre as primeiras a chegar — o que era mais uma desculpa para todos chamarem-nos de nerds certinhas. Sentei na minha carteira perto da janela, enquanto a menor deixou sua bolsa em cima da mesa perto da porta. Sentávamos longe uma da outra, infelizmente.

— Lucy — fez uma pausa —, seu aniversário não foi em Julho?

Soltei uma risada, e ela sentou em cima da minha carteira.

— Sim, mas você conhece meus pais. Gostam de surpreender, mesmo que seja tarde — disse, exaltando felicidade. — Esse ano eles se superaram. Compraram um carro para mim, acredita?

— UM CARRO? — Gritou, levantando. — Puta merda, loira! Parabéns!

Aos poucos, os alunos começaram a entrar na sala. Alguns chegavam em grupos, outros vinham em duplas, mas haviam os que entravam sozinhos. E, depois do sinal tocar, o professor veio em seguida.

Permito-me dizer que poucos eu conhecia e conversava naquela classe além de Levy. Gray Fullbuster, por exemplo. Um rapaz popular entre as mulheres, invejável pelos garotos e odiado por vários estudantes de exatas. Como poderia existir alguém tão burro? Eu não fazia ideia.

Por mais que parecesse estranho, eu era “amiga” desse cara. Como eu me aproximei dele? Tenho notas boas e ele não chega nem ao menos perto da média. Eu diria que foi mais ele que se aproximou.

Para montar um grupo de estudos? Não.

Para pedir dicas de como se tornar um aluno melhor? Nem perto.

O moreno queria literalmente se aproximar para colar de mim durante as provas.

Aconteceu o mesmo com muitos dos estudantes daquela escola. Foi desse jeito que eu montei um “grupo de cola”, que era a tal panelinha que eu comentei antes.

Atrás de mim, Gray brincava com o meu cabelo, enrolando-o entre os dedos e fazendo nós.

— Cara, é muito amarelo — murmurou. — Chega a cegar os olhos.

Virei para trás e dei um tapa na mão dele.

— Cala a boca.

O professor sentou-se e pegou a lista de chamada.

— Ei, Lucy, o que vai fazer no Natal? — Gray indagou, me fitando.

— Não sei. Ficar em casa com meus pais e ver alguns filmes, se eles não trabalharem. — Diminui o tom de voz quando percebi que o professor havia iniciado a marcar a presença dos alunos. — E você?

— Vou para a festa do Jellal — sorriu. — Por que você não vai, também?

Fiquei em silêncio por alguns segundos.

— Porque eu não conheço ele? — fiz uma pausa. — Acho que isso já é um bom motivo.

— Deveria ir, vai ser foda pra caralho. Os pais dele vão viajar, então vai ter bebida liberada.

— Talvez numa próxima? — Falei, após um suspiro baixo.

Ele deu de ombros e começou a desenhar na própria carteira.

— Levy Mcgarden. — O professor exclamou.

— Aqui! — Do outro lado da sala, ela respondeu, sem desgrudar os olhos de seu livro.

— Lucy Heartfilia.

— Presente. — Levantei minha mão.

— Hm... Natsu Dragneel?

E então, congelei. Encarei o professor, pensando que eu tinha ouvido errado.

— Professor, não temos nenhum Natsu Dragneel nesta sala. — Uma voz feminina, porém autoritária disse, no fundo da sala.

Sim, não temos nenhum Natsu Dragneel. O professor estava doido. Talvez tivesse ficado a noite toda corrigindo exercícios e ficou imaginando coisas. Provavelmente ele precisava de óculos? Não, espere, ele já usava óculos. Deveria aumentar o grau das lentes, isso sim.

Definitivamente, não tínhamos um Natsu em nossa sala.

— Jura? Talvez seja o aluno novo. É estranho ele faltar em seu primeiro dia.

Aluno novo?

De repente, uma súbita sensação de mal estar se apoderou de mim. Sentia que iria vomitar a qualquer instante — coloquei a mão sobre a boca, tentando evitar que o pior acontecesse.

Se bem que, nada seria pior do que Natsu Dragneel na mesma escola em que eu frequentava. Na mesma aula biologia que eu fazia todas as manhãs.

— Lucy? Você está bem? — Gray perguntou, colocando a mão em meu ombro.

— Professor, Lucy não está se sentindo muito bem. Posso levá-la para a enfermaria? — A pequena de cabelos azuis pediu, enquanto levantava e erguia sua mão. Não prestei atenção na resposta, mas tinha certeza de que ele havia autorizado, pois senti Levy segurar minha mão e me acompanhar até a porta.

Sentia minhas pernas bambas e minhas mãos tremiam. Ela se sentou comigo em um banco no corredor e tentava me acalmar.

— O que aconteceu?

Fitei os olhos castanhos dela.

— Nada.

— Lucy — me chamou, com a voz séria. — Quem é Natsu?

Desviei meus olhar para o chão.

— Ninguém.

Ficamos em silêncio, até eu pedir para voltar à sala de aula.

O dia, finalmente, tinha acabado. Não sei se ele realmente havia sido demorado ou tinha sido impressão. Talvez eu estivesse muito perturbada com os acontecimentos? Claro ou com certeza?

Eu havia sugerido dar carona para Levy, mas ela não aceitou. Mesmo que eu tivesse insistido, a menor continuava dizendo que, depois de eu quase vomitar no chão da sala de aula, não confiava andar de carro comigo no mesmo dia.

Agora, me encontrava na cafeteria da Familia Strauss — estes que, inclusive, eram amigos dos meus pais. Eu conhecia os filhos do Sr. e Sra. Strauss desde pequena, e ia lá de vez em quando para conversar com Mirajane e Lisanna.

Eu estava sentada num banco em frente ao balcão, enquanto tomava um café, tentando me esquentar — a temperatura havia abaixado desde de manhã, e estava 10°C. Lisanna limpava o balcão sujo de café, enquanto Mirajane atendia um cliente.

Ainda estava muito abismada e assustada com os fatos ocorridos na escola. Natsu não morava mais em Nova York. Aliás, ele nem mesmo estava dentro dos Estados Unidos, como raios estaria na mesma turma de biologia que eu? Talvez aquele não era Natsu, e sim outra pessoa? Não. Quem raios teria o mesmo sobrenome, principalmente se este for “Dragneel”?

Suspirei, aflita.

— Lucy, seu café vai esfriar se você continuar olhando a parede — a voz calma de Lisanna cortou meus devaneios. Ela tinha um sorriso estampado no rosto.

— Ah, desculpa. — Segurei a caneca de café e tomei o líquido quente.

Ela dobrou o pano e colocou debaixo do balcão.

— O que te aflige? — Indagou, debruçando.

Pensei se contaria para ela. Nós éramos amigas de infância, a albina era como uma irmã para mim, então eu meio que deveria contar tudo para ela e desabafar sempre que tivesse a chance.

— Você tem tido notícias sobre o Natsu?

Ela se espantou por um momento.

— Estranho você falar sobre ele, mas... Não. Até onde eu sei, ele foi para a Europa. — Colocou a mão no queixo, ainda em dúvida. — Por que a pergunta?

Não respondi, apenas troquei de assunto, e começamos a falar sobre o colégio.

Estava no fim do dia e ameaçando a escurecer. Me despedi das irmãs Strauss e paguei pelo o café, saindo do estabelecimento. A cafeteria ficava perto do Brooklyn, então não iria demorar para eu chegar em casa.

Entrei no carro e fiquei parada por alguns minutos, apenas ouvindo o som da música que tocava no rádio rádio. Admito, ainda estava perturbada. Quem eu iria enganar? Aquilo era um pesadelo. Como ele reagiria ao me ver? E o que eu diria para ele?

Coloquei a chave na ignição do carro e estava preparada para mudar a marcha.

De repente, a porta do passageiro se abriu. Poderia ser um ladrão. Eu deveria pegar minha bolsa e usar o spray de pimenta em seus olhos antes que fosse tarde demais, no entanto, não pude. Não consegui. Apenas fechei meus olhos e esperei pelo o pior, enquanto me preparava para chorar a qualquer momento e perder o primeiro carro que eu tive na minha vida.

— E aí, amor da minha vida?

A voz maliciosa e rouca me fez abrir os olhos e encarar o homem sentado ao meu lado.

Ele não tinha mudado mesmo depois de muitos anos. Seu cabelo ruivo continuava arrepiado como sempre, seus olhos brilhavam e o suor escorria pelo o maxilar. Suas bochechas rosadas eram cobertas por band aids brancos. Ele arfava, cansado.

— Natsu?!

— Sentiu saudades, priminha?

Merda.

Notas finais
Nossa, você chegou até aqui! Espero que tenha gostado!Novamente, eu não sei ao certo de qual vai ser o tamanho exato da fanfic. Talvez chegue no máximo aos 25/30 capítulos, não sei. Mas, de qualquer forma, coloquei como longfic, mas caso haja mudanças, avisarei a vocês! ♥Muito obrigada por ler. Espero a opinião de vocês nos reviews! Até o próximo capítulo. ♥