Arthur: Parabéns Pelos 10 Anos de Hiato
11 CAPÍTULO 10: FELIZ ANO NOVO
Notas iniciais
A luz do dia 1º de janeiro de 2026 entrou pelas janelas do loft com uma suavidade que Arthur nunca havia associado ao Ano Novo. Geralmente, o primeiro dia do ano era sinônimo de silêncio melancólico, de promessas vazias feitas sob o efeito do álcool e da sensação de que nada realmente mudaria. Mas, enquanto ele abria os olhos e sentia o peso reconfortante do corpo de Helena abraçado ao seu sob o lençol de linho, ele soube que o mundo havia girado em um eixo diferente.
O silêncio do apartamento era preenchido apenas pelo som rítmico da respiração dela e pelo zumbido distante de alguns retardatários que ainda caminhavam pela areia da praia lá embaixo. Arthur ficou imóvel por um longo tempo, apenas observando o rastro de luz solar que incidia sobre o ombro de Helena. Ele se sentia leve, como se os dez anos de hiato tivessem sido uma carga de chumbo que finalmente fora derretida.
Ele não era mais o "autor de uma única história". Ele não era mais o "escritor virgem". Ele era um homem que havia atravessado o seu próprio Portal das Sombras e encontrado, do outro lado, algo muito mais épico do que qualquer dragão ou reino fictício: a conexão humana real, sem filtros, sem edições.
Helena se mexeu, soltando um suspiro sonolento antes de abrir os olhos e encontrar os dele. O sorriso que ela lhe deu não era o de uma crítica literária ou de uma musa desafiadora; era o sorriso de alguém que compartilhava um segredo profundo.
— Bom dia, Escritor — sussurrou ela, a voz ainda rouca de sono. — Como é a sensação de acordar em um mundo onde a sua história está completa?
Arthur a puxou para mais perto, beijando o topo de sua cabeça.
— É estranho. Parece que eu passei dez anos prendendo a respiração e finalmente soltei o ar. Mas agora tenho um problema novo.
— Qual? — ela perguntou, apoiando o queixo no peito dele.
— O Capítulo 90 foi postado, o desafio foi cumprido... e o dia 1º de janeiro chegou. Você disse que iria embora hoje.
O olhar de Helena suavizou. Ela traçou círculos imaginários no peito de Arthur, parecendo ponderar sobre as próprias palavras.
— Eu disse que iria embora se você falhasse. Mas você não apenas terminou a história, Arthur... você a reescreveu. E eu sou uma editora que sabe reconhecer um potencial de franquia quando vê um.
— O que isso significa em termos práticos? — ele perguntou, com o coração voltando a acelerar.
— Significa que meu voo para São Paulo sai às 16h, mas eu deixei o check-in em aberto. E significa que eu tenho uma proposta para o seu "Pós-Fim". Existe uma agência literária interessada em talentos que sabem como manter o público engajado por uma década. E eu conheço a dona dessa agência... porque sou eu.
Arthur riu, uma risada genuína e livre.
— Você não cansa de ter planos B, C e D para mim, não é?
— Um bom autor precisa de uma boa estrutura — ela piscou. — Agora, levante-se. Temos um ano novo para conquistar e muitas páginas em branco pela frente
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