Notas iniciais
Genteee!!!!! Ai meu santo Poseidon! Que saudades que eu estava de vocês! Então... eu estou viva!!! Uhul! Consegui sobreviver ao meu surto de falta de criatividade e tempo! (e a preguiça, mas é um mero detalhe) Mesmo que ja tenha passado, Feliz Natal!! Eis aqui o meu presentinho para vocês! Espero que gostem, realmente ;)

– Annie, perfeita! O microfone está bom? – ajeitei o microfone no pedestal. Estava numa altura boa e não havia problemas com mau contato do fio.

– Travis, tem como você aumentar o retorno? – pedi, elevando a voz. Da cabine de som, ele gesticulou com os dedos. Testei algumas vezes, o som estava melhor e o volume também. – Obrigada!

– Vamos passar mais uma vez antes de vocês irem se arrumar. Preparando! Cinco, seis, sete, oito...

A banda começou a tocar os primeiros acordes.

O show de abertura estava meticulosamente arrumado. O cenário organizado, como todos os utensílios que usaríamos no número. Seria algo impactante para o inicio da noite.

Terminei abaixando voz, sussurrando contra o microfone sensualmente. Sally aplaudiu e nos dispensou.

Antes de eu, Thalia e Silena chegarmos ao clube, passamos rapidamente em um restaurante almoçar. As duas, extasiadas em empolgação, discutiam o que fariam no meu cabelo e maquiagem. Sem medirem a altura da voz, muitas pessoas nos encaravam fulminantes, querendo continuar seus almoços em paz e silêncio.

– Garotas, abaixem o som, por favor – pedi. Fizeram um gesto de desprezo com as mãos. Revirei os olhos e espetei um pedaço de batata cozida, levando até a boca.

– Precisamos fazer algo bem provocante. Para massacrar o Percy e aquelazinha.

– Thalia, eu estive pensando... não quero nada muito radical. Não quero pisar no coitado. Sinceramente, acho que estou sendo muito precipitada tirando essas conclusões... – pronto, a insegurança está de volta!

– Mas você não quer que a Calypso se insinue pra ele, não é? – indagou Silena, arqueando uma das perfeitas sobrancelhas. Senti a raiva borbulhar pelo meu sangue, o coração bombeando o sentimento para todos os cantos e células de meu corpo.

– Obvio que não – rosnei.

– Então... Estamos falando do Percy, não espere que ele vá entender de cara o porquê da Calypso ter voltado quando vocês estavam quase juntos.

– Você quer conquistá-lo? – assenti – Mostrando a Annabeth de vozeirão escondida dentro dessa garota de fora? – repeti o gesto – Massacrar a Calypso e a vaca da prima dela, mostrando que não se intimida fácil e que o Percy já é seu, mesmo que ele não tenha assumido em público? – novamente assenti, rindo – Então garota! Vamos mostrar o seu lado sedutor. Coisa que, tenho certeza, a outra não tem. Fala sério, ela só sabe empinar aquela bunda reta! — nós três rimos, ignorando os olhos tortos que nossos vizinhos de mesa nos lançaram.

Desci do palco e peguei minha toalha de rosto que estava em cima de uma das mesas, sorrindo ao me lembrar do comentário de Silena.

Eu não queria fazer ciúme, eu apenas queria mostrar que posso ser a estrela sedutora não apenas do Glam, mas da vida dele também.

Soltei o cabelo do rabo de cavalo. Os fios estavam molhados de suor perto raiz. Precisaria tomar um banho antes de começar a me arrumar. Passei a toalha pela barriga exposta pelo top e em seguida a joguei por cima do ombro, começando a me abaixar para tirar a sandália de doze centímetros do pé.

A luz entrou pela porta repentina aberta da boate e me endireitei. Rachel, Calypso e Percy passaram por ela, as duas mulheres gargalhavam altamente, enquanto Percy não tinha nenhuma expressão. Os três ficaram estáticos e me encararam, os lábios de Percy um pouco separados, a respiração um pouco falha. Permanecemos só nós quatro ali, mas nem eu muito menos Percy prestávamos atenção no que as outras duas faziam.

A troca de olhares e a felicidade mútua cresciam à medida que as batidas de meu coração ficavam mais fortes. Instintivamente, sequei uma das mãos suadas no shorts de tactel, apertando os dedos contra o tecido; levei as mãos no cabelo, brincando com eles um pouco encabulada. Percy riu com o meu gesto, sabendo que essa era uma das minhas manias: brincar com o cabelo e jogá-lo de um lado para o outro como se fosse uma modelo da Victoria’s Secret.

Abri um sorriso cúmplice, só os dois entendendo a brincadeira.

Lentamente, dei meia volta e subi as escadas do palco, encarando bem os degraus, torcendo para que a tremedeira não me atrapalhasse naquela simples tarefa. Brincava torcendo as mãos, com braços e cabeça baixa. Usei a visão periférica, desacelerando os passos, o vi conversando com Leo — que lançava em alguns momentos suas cantadas engraçadas em cima de Calypso — Percy mexeu no cabelo e virou o rosto para minha direção. Parei subitamente de andar e continuei usando a visão de lado, com a respiração entrecortada. Ele alongou os braços e os dobrou atrás do pescoço. Eu já notara que aquela era uma de suas manias “balançar, alongar e dobrar”. Levantei a cabeça e logo entrei na coxia.

Segui para meu canto no camarim e me joguei contra a cadeira da minha penteadeira (um presente de Sally para suas meninas). Larguei a toalha em cima do tampo de madeira, sorrindo e alongando os braços para cima da cabeça, do mesmo modo que Percy (só que na versão feminina).

– Ele chegou, só pode! – Thalia e Silena riram, postando-se protetoramente atrás do meu assento acolchoado.

– Aposta quanto que ela vai morrer antes do início, quando o Percy vier desejar boa sorte? Vai ficar vermelhinha de vergonha, porque tenho certeza que ele vai beijá-la! — Silena opinou, encarando Thalia, como se eu nem estivesse ali no meio da conversa. — Pelo menos na bochecha vai, para não dar muita bandeira – Silena se aproximou e apertou minhas bochechas com os indicadores e polegares.

– Me amem menos, por favor! — não seguramos o riso.

Piper chegou por trás delas e deu um tapinha nas minhas costas:

– Vamos, é melhor você tomar um banho. Cabelo suado no primeiro dia é foda!

Assenti e terminei de tirar a sandália dos pés – já que eu tinha ficado muito ocupada em observando o comportamento de Percy — e corri até o banheiro vazio, pegando no meio do caminho minha toalha e roupão.

**

O som já estava alto, o piso tremia abaixo de meus pés, tão alta que era a batida.

Arrumei a alça do meu vestido cheio de franjas, inspirado no charme das melindrosas da década de 1920. Pela primeira vez, eu havia escovado meu cabelo, os cachos deram lugar a mechas lisas e ainda mais compridas. Finalizei o batom vermelho, mexendo os lábios para fixá-lo.

Todas as garotas se aqueciam ou treinavam, eu, um pouco mais relaxada, continuei sentada em frente a minha penteadeira, escovando ainda mais o cabelo, ou reforçando os olhos maquiados para que ficassem perfeitos.

Com os fones de ouvido no máximo, ensaiava minhas falas tentando entrar ainda mais no clima sedutor da muúica. Desliguei o som quando eleentrou no camarim.

– Sete minutos, garotas – e começou os tão normais pedidos de ajuda com figurino para ele.

Permaneci quieta no meu canto, tentando dar um gelo, mas era impossível não sorrir ao cruzar meu olhar com o dele.

Levantei-me e fui à porta do camarim para ver se estava muito cheio.

Estava.

Uma mão incrivelmente familiar pousou nas minhas costas. A voz rouca dançou por meu ouvido, provocando um arrepio confortável.

– Boa sorte, loira – ri baixo, virando-me para encará-lo.

– Valeu! – tentei mostrar a mais completa segurança entre as letras ditas, mas a cada gesticular de lábios e língua, era possível perceber um pequeno lapso de medo e insegurança.

– Ei, acalme-se! Vai dar tudo certo – senti minhas bochechas enrubescerem por não conseguir esconder o estúpido nervosismo que fechava minha garganta em um grande bolo. Abri um sorriso de canto forçado, encarando os mares verde-esmeralda cristalino em seus olhos. O coração bombeou ainda mais forte contra minha pele por conta da ligação rápida, prestes a explodir. Ele passou os braços em volta da minha cintura, prendendo-me contra o peito largo e o cheiro inebriante de perfume masculino, em um abraço reconfortante que transmitia confiança. – Senti sua falta no café da manhã. Saiu? – assenti – Nem me avisou por um mísero bilhete! – continuou com voz de falsa indignação, tentando quebrar o gelo que a estreia causava em mim – Imaginei que estava no shopping com Thalia e Silena, fui para lá convidá-las para um almoço, mas quem eu encontrei foi Rachel e Calypso. Fui obrigado a almoçar com elas.

Forçei uma risada falsa, tão falsa que ele percebeu – mesmo que Percy tenha rido do mesmo modo junto de mim, senti-me um pouco suja por não esconder meu desagrado com as duas.

Tomei coragem, torcendo para o que eu tinha quase certeza ser investidas ser mesmo algum flerte, e passei os braços pelo pescoço dele. A mistura de nossos perfumes se tornou tão envolvente e embriagante quanto seu cheiro de loção pós-barba pouco depois de acordar.

Com a maior cara de inocência e pureza – o.k., nem tanta pureza assim – abri um sorriso doce, forçando minha cabeça a se inclinar alguns graus.

– O que deu em você...? – perguntou franzindo o cenho, demonstrando interesse na pergunta. Dei de ombros e mordi rapidamente o lábio inferior.

– Porque? – ele não respondeu. Apenas sustentou meu olhar, incentivando-me a continuar – Continuo sendo eu mesmo, mas... – com minha boca perto de seu ouvido, falei rouca e grave: — com um lado mais interessante a mostra. – pisquei os olhos diversas vezes, abrindo o sorriso meigo novamente.

Abriu um sorriso de canto maroto, mostrando a covinha que ficava ainda mais perfeita sem a barba por fazer — que por acaso, eu também adorava. Aproximou seu rosto do meu, lábios tão próximos... sedentes de contato.

– Estou morrendo de dó de destruir esse seu batom impecável, mas... – com a proximidade grande, comecei a esquecer rapidamente a musica que eu cantaria dali a alguns instantes, direcionando todos os meus pensamentos aquelas palavras. Seus lábios roçaram nos meus, um simples gesto, mas incrivelmente excitante.

– Annie! Dois minutos! — a voz de Thalia invadiu o camarim, Percy permitiu-se soltar um rosnado baixo de frustração e se afastou.

– Vai lá e ilumine a noite. – fechou a porta ao passar.

– Vamos Annie... – Thalia parou na minha frente, começou a sorrir assim que compreendeu a situação.

– Cale a boca! – confirmei rindo.

**

Escondi-me na coxia traseira do palco. As cortinas encontravam-se abertas, expondo o palco escuro, iluminado apenas por três pequenos holofotes que criavam um incrível efeito com a luz negra projetada na cortina de tiras de papal prateados e brilhantes que escondia o estrado suspenso — que, geralmente, era usado pelo zelador para consertar cortinas e holofotes danificados — e o local onde encontrava-me (estalando os ossos dos dedos das mãos em puro nervosismo).

A ansiedade trazia meu coração à boca, fazendo-me ver estrelas e sentir um pouco de enjoo. A velocidade das batidas cardíacas não ajudavam em nada, apenas em me fazer suar como uma porca. Senti minhas mãos ficarem escorregadias e meus pés nadavre dentro do salto alto.

O palco foi iluminado pelas luzes coloridas fixas no teto, que varriam toda a extensão do tablado com seus fortes focos de iluminação. A luminária vermelha piscou repetidamente em um ponto fixo ao lado da escada decorada por onde desceria dali a alguns instantes. O sinal um pouco óbvio demais de Travis me alertou de que podia ligar o microfone. Na completa penumbra atrás da cortina prateada, procurei pelo botão Liga/Desliga no instrumento. A mínima fonte de luz verde anunciou que o aparelho estava pronto para uso. Ergui o polegar direito para as garotas, que esperavam ansiosamente nas coxias. Lancei o mesmo sinal para o baixista da nova banda do clube. Ele dedilho algumas poucas notas que permitiram a entrada das garotas numa perfeita encenação de cabaré. Quando percebi que elas estavam quase em seus lugares de início — postes de pole-dance, penteadeiras colocadas especialmente para encenações, divãs e outros — contei cinco segundos, junto com o baixo mais importante batuque do baterista contra o prato do instrumento e deixei que o show começasse.

Oh! (http://www.youtube.com/watch?v=oHlhOgQ36m8) (O show a seguir foi baseado nesse vídeo clipe — inclusive a Annie cantando, sua roupa e as dançarinas -, aconselho assistirem antes de continuar.)


Os dedos do guitarristas percorreram as cordas, soltando os verdadeiros sons correspondentes a musica escolhida por Sally.

Afastei a cortina para passar, andando do modo mais sensual que pude até a frente do palco, abusando da gingada natural do meu quadril enquanto soltava as vogais da letra da música. Vez ou outra entrando no clima de atuação com as meninas — que fingiam estar se arrumando para o início do "cabaré" — abotoavam sandálias, reaplicavam maquiagem, ajeitavam seus cabelos. Cheguei finalmente junto a banda, posicionei o microfone no pedestal e continuei.

You got me down on the floor
So what'd you bring me down here for?

Dancei em frente ao microfone, joguei o cabelo completamente liso e comprido de um lado para outro, exagerando nos movimentos corporais para que a roupa ao estilo melindrosa causasse o efeito a qual fora designada.

Prossegui com a canção, declamando cada palavra tentando mostrar tudo o que sentia naquele momento por meio das sílabas (alegria, tanto por estar ali, quanto por ver Sally sorrindo feliz em um canto. E também pelo olhar vidrado de Percy).

If I was a man I'd make my move
If I was a blade I'd shave you smooth
If I was a judge I'd break the law
And if I was from Paris
If I was from Paris

Chegando no refrão, as garotas já estavam na parte coreografada, com suas plumas gigantes que escondiam metade de seus corpos. Algumas permaneciam pelo chão, abrindo fabulosos spacattos e esticando as pernas próximas as cabeças, exibindo seus sensacionais saltos altos.

I would say
Oooh la la la la lala

Seguindo para a próxima estrofe, desenrosquei o microfone do pedestal enquanto cantava a primeira frase. Tentando parecer durona, mas ao mesmo tempo feminina e sedutora, lancei para detrás das cortinas o suporte. Desfilei pelo curto caminho entre a área da banda e o palco, com uma das mãos colando o micro nos lábios avermelhados e a outra presa contra minha cintura.

You got me up on your swing
So when you gonna shake that thing?

Desci lentamente a escada decorada com luzes em excesso, procedendo a música, movimentando-me entre as mesas lotadas por causa da estréia (realmente, notícias voavam em Nova York).

Finalizando o segundo refrão, o tão esperado solo de guitarra iniciou. Os poles foram finalmente tomados e eu segui em direção ao bar. Com a ajuda de Nico, subi na bancada. Remexi o corpo, dançando com todos os garotos do clube, menos um.

O olhar de Percy era o de mais pura admiração. E eu, bem... Eu não pude não olhá-lo da mesma forma. Para aquela noite em especial, Sally determinara que todos os homens deveriam trabalhar apenas com a calça social do uniforme, exibindo seus corpos másculos, jovens e bem trabalhados. O cabelo desarrumado e o sorriso sacana que não desgrudava de seus lábios incrivelmente convidativos favorecia ainda mais o homem.

Eu não sabia o que dificultava a minha respiração; a euforia do momento, ou o sorriso hipnotizante de Percy.

Nico, sem dúvida, era o mais animado para participar do número. Envolvia-me com os braços e fingia altos flertes, eu apenas prosseguia com as "investidas". Em determinado momento, ao ser deitada contra o corpo de Nico, encontrei o olhar verde-esmeralda de Percy. Um calafrio percorreu minha coluna e agradeci por estar apoiada contra o peito de meu amigo. De braços cruzados, o peitoral de Percy parecia inflar, o que era de tirar o fôlego. A imagem de seu lábio inferior preso entre os dentes brancos e alinhados não me ajudava em nada em manter a sanidade.

Passei ao seu lado, pronta para voltar para meu lugar no meio do palco. De repente, seus braços fortes e aconchegantes fecharam-se firmemente em torno de minha cintura e seu rosto mergulhou na curva de meu pescoço, onde foi depositado um beijo, ocorrendo também próximo ao lóbulo de minha orelha. Não segurei o gemido de lamentação, como se quisesse dizer "Infelizmente, tenho que ir, mas não quero que pare!". Rezei mentalmente, agradecendo pelo microfone estar longe de minha boca ou garganta. Seria muito constrangedor se o som lamuriado que soltei fosse ampliado por todo o ambiente.

Percy me largou e permitiu que continuasse o show. Um pouco zonza por ser pega desprevenida, manti a compostura enquanto caminhava rapidamente até o palco. Deuses, ele dera um jeito de me enlouquecer até durante uma apresentação! E fora um simples beijinho no pescoço! Não quero nem imaginar como eu ficaria se fosse algo mais profundo... ou quero?

Balancei minimamente a cabeça, afastando os pensamentos impróprios para o momento que invadiram minha mente. Ergui o queixo e abri um sorriso, lembrando-me da frase que Piper vivia falando antes de entramos no palco "Lembrem-se: queixo erguido, sorriso nos lábios!"

Ao cruzar com Calypso, não lutei contra o sorriso vitorioso que crescia e alongava os músculos de meu rosto. Vê-la sentada ali assistindo ao meu espetáculo não era nada deprimente. Menos ainda quando ela era a desagradável ex do homem que eu estava lutando para conquistar (embora Thalia dissesse que ele já havia sido conquistado desde quando esbarrei acidentalmente nele no clube).

Por fim, subi as escadas que descera dois minutos antes, voltando então, a cantar.

If I was a man I'd make my move
If I was a blade I'd shave you smooth
If I was a judge I'd break the law
And if I was from Paris
If I was from Paris

Agachei na boca do palco, com as meninas realizando seus papéis logo atrás. Proferia as palavras agachada e balançando os cabelos, torcendo para que minhas expressões saíssem tão sedutoras quanto as de Silena ou Hazel.

I would say
Oooh la la la la lala

Então, sentei nos pés e articulei as ultimas palavras, balançando os ombros para que as franjas da roupa pregada em torno do busto balançassem. Vasculheis pelos olhos esmeraldas no recinto, e quando o encontrei, batendo palmas e gritando todo eufórico, pisquei abrindo a boca, oque o fez abrir ainda mais o sorriso maroto.

Ele piscou de volta.

Levantei-me e saí do palco, junto com as outras meninas, sem nenhuma menção de agradecimento(ordem de Sally).

Na coxia, desliguei o microfone e o guardei. Todas riam em grande alegria, dizendo como tinha sido, realmente, o máximo!

Sem passar um minuto do término do número, Percy entrou pela porta do camarim, olhando diretamente para mim. Thalia me lançou um sorriso malicioso, arqueando as sobrancelhas e riu. Limitei-me a revirar os olhos.

Comecei a andar até ele, mas quando ouvi um assovio “fiu fiu” — que tinha certeza que tinha vindo de Thalia — mostrei o dedo médio para ela, escondendo o punho em minhas costas.

Antes que ele falasse qualquer coisa, agarrei sua mão e o puxei para o banheiro. Precisávamos de privacidade.

Tranquei a porta e ela soltou um leve estalido.

– Caramba, moça... Explique-me oque foi aquilo! — exclamou Percy, abraçando minha cintura, tão baixo que chegava a ser até quadril. Apoiou-se na pia e me puxou de encontro a seu corpo. Lancei meus braços em seu pescoço e me aconcheguei mais em seu peito nu.

– Aquilo? Bom... Simplesmente foi a verdadeira Annabeth!

– A verdadeira? E, diga-me, será que posso conhecer essa outra Annabeth em um jantar, hoje à noite?

– Deixe-me checar minha agenda... — fiz a falsa cara de quem está pensando. Ele riu — Acho que estou livre hoje!

– Não ficará incomodada se paparazzis aparecerem para importuná-la?

– Eu já acostumei com isso querido! — nós dois rimos depois de eu ter feito cara e gesto de desprezo com a mãos.

– O.k. Então, está combinado. Vamos sair depois do expediente, isso é... se algum restaurante ainda estiver aberto, porque do jeito que você enlouqueceu esse público, é difícil que vão embora cedo! — ri com sua cara tristonha.

– Você pode me preparar uma deliciosa macarronada em casa! — ele aceitou a ideia.

– Vou para de te roubar das garotas. Até o próximo número — ele aproximou seu rosto do meu — E pode ir ao bar durante a musica quando bem quiser! — abri um sorriso, que logo foi fechado por seus lábios em um beijo terno.

Seus lábios tinham um gosto exótico. Eles seguiam a aparência de surfista do dono, trazendo um gosto salgado, como quando mergulhamos no mar e sentimos os cristais entrando em contato com sua pele. Mas, ao mesmo tempo, conseguia lembrar cristais de açúcar. Uma mistura agridoce deliciosa.

As duas especiarias sempre me fazem lembrar de uma tarde de neve e os flocos branquinhos caindo do céu em direção a minha língua estendida especialmente para pegá-los... Mas, pela primeira vez, seus pensamentos não foram redirecionados ao pensar em sal e açúcar. Sua mente estava bem focada em beijar Percy.

A língua dele explorava minha boca em todos os cantos, seguindo os pontos de uma rosa dos ventos. Levei as mãos até seus cabelos bagunçados, emaranhando os dedos entre os fios sedosos. Ele mordeu meu lábio inferior, sugando-o em seguida.

Suas mãos apertavam minha cintura, desciam pelo quadril, acariciavam minhas coxas e percorriam minha coluna. Ele me ergueu a partir da coxa. Seus dedos apertavam minha carne, trazendo-me para cima, deixando nossos narizes tocando um no outro, as testas se encostando. Eu estava no paraíso, aquele era omeu refúgio, como eu era o dele.

Meu pulmão clamava por ar, mas pensar em me separar dele por alguns breves instantes para capturar lufadas de oxigênio era aterrorizante.

Subitamente, comecei a levar os movimentos para um caminho mais lento. Ele seguiu meus passos e desgrudou sua boca da minha. Suas mão esquerda vagou do meu quadril para minha face, deixei que ele a acariciasse.

Encarei seu olhar, cinza no verde. Sua íris apresentava um tom mais escuro agora, provavelmente por conta do beijo. Derreti-me contra seus olhos, eu estava completamente presa àquele sentimento forte. Eu o amava. E, em seu olhar, percebi que havia algo ali também. E pela maneira como ele me acarinhava e analisava, tive certeza de que era tão forte quanto o que eu sentia. Era recíproco.

Meu ego e amor inflou. Senti-me como se tivesse sete metros de altura, andando alegremente com os anjos e deuses entre as nuvens.

– Te vejo depois — beijou-me ternamente.

Ele se afastou, abriu a porta e saiu. Dois segundos mais tarde, Silena e Thalia apareceram na porta, com seus sorrisos mais indecentes nos lábios. Dessa vez mostrei os dois dedos médios, e o trio caiu na gargalhada. Elas me puxaram para fora do banheiro, alegando que só faltava eu — do grupo todo! — trocar de roupa.

Notas finais
Bem, foi isso! Espero que tenham gostado do presente! E, lembrem-se, poupem-me de outros tempos sombrios de depressão de autor e me digam oque realmente acharam! Quero ver aquelas leitoras que me mandaram mensagem privada "quando você vai postar de novo?" COMENTANDO! Me mandam mensagem dizendo que adoram a fic e nunca dão o sinal da vida... Quero ver agora! Mostrem-se leitores fiéis e que gostem de expressar opiniões! Tenham um ótimo Ano Novo! Beijos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.