Art Is A Bang!
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Notas iniciais
Mitsue: Lembro que nós ganhamos essa batalha e ele ficou rindo da minha cara. Mas foi depois desse dia que tudo ficou perfeito.
“- Ohayo, Mit-chan! – gritou Deidara da janela.
— Aaaaaah, seu baka! O que está fazendo aqui? – gritou ela, cobrindo a fina camisola com o cobertor.
— Vim te chamar para um passeio.
— Às 5 da manhã?
— É uma ótima hora!
— Ainda está escuro! Como conseguiu entrar aqui?
— Voando.
— Ah.
— Não vai me convidar para entrar?
— Tá, espere aí na cama.
— Obrigado. – disse ele, pulando a janela aberta e sentando-se na cama. Mitsue levantou, pegou sua roupa e entrou no banheiro, deixando o cobertor na porta. – Não demore muito.
Ela lavou o rosto e se trocou, vestindo a usual blusa vermelha de uma só manga, o colete de Jounin, o short preto e colocando o hitaiate da Pedra na testa. A garota se olhou no espelho, passando a mão no cabelo ruivo e arrumando-o rapidamente. Ela saiu do banheiro e encontrou o loiro sentado no mesmo lugar, brincando com uma bolinha de argila.
— Já terminou?
— Sim.
Os dois pularam a janela rindo e subiram no pássaro de argila que os esperava do lado de fora. Mitsue ainda não conseguia entender como uma coisa enorme como aquela passara despercebida no Distrito Ishikawa. O pássaro levantou voo e se encaminhava para uma alta colina empedrada nos arredores da Vila Oculta.
O vento batia no rosto de Mitsue e bagunçava seu cabelo. Se ela não estivesse tão acostumada a voar com Deidara teria medo de cair. Eles pousaram ali e se sentaram em uma pedra qualquer, Mitsue deitou a cabeça no ombro dele.
— Isso é lindo, un? – disse o loiro.
Os dois olharam para o sol que nascia atrás de uma colina, banhando tudo em um tom dourado.
— É, é incrível. – disse Mitsue. – E então, por que me trouxe aqui?
— Porque... Bem... Eu queria deixar claro umas coisas, nós nos conhecemos desde crianças, e você se dá melhor com palavras... – disse ele, corando fortemente.
— Fale de uma vez, baka! – riu ela.
— QuernamorarcomigoMitsue? – disse ele, fechando os olhos. A garota de surpreendeu e começou a rir.
— O que? Tudo por causa disso? É claro que sim! – falou, pulando em cima dele e o beijando ferozmente.”
Mitsue: Lembro que eu achava que esse era o dia mais feliz da minha vida. E devia ser. Não era preciso muita coisa para me deixar alegre.
Mitsue: Tudo corria perfeitamente bem depois disso. Nós nos víamos todos os dias, tínhamos uma vida simples e feliz. Mas tudo iria acabar. É, iria acabar. Porque nada é perfeito. Era uma noite comum para toda a vila. Menos para nós dois. O Tsuchikage nos havia avisado que um ninja da Vila da Cachoeira estava planejando levar o corpo de um integrante do clã Bakurei para tentar entender sua genética. Eles têm uma Kekkei Genkai poderosa que despertava muita curiosidade nos inimigos. Se não sabe, todos nesse clã nascem com bocas nas mãos. Talvez os shinobis da Cachoeira achassem que se conseguissem fazer um transplante de células poderiam ganhar mais poder. Era uma experiência arriscada, e na minha opinião inútil, mas eu não podia fazer nada. Como não era nada certo do que aconteceria, o Tsuchikage nos pediu que ficássemos de olho em tudo para o caso de o ataque realmente acontecer. E foi o que fizemos. Mas não saiu como o planejado porque a pista era uma armadilha. Não era apenas um ninja, e sim um exército inteiro. E naquela noite tudo acabou para mim. Talvez se não tivéssemos obedecido às ordens, teríamos morrido também. Seria melhor do que conviver com essa dor. No meio da noite os inimigos bombardearam o distrito Bakurei, eles tinham um grande arsenal de bombas explosivas. É. Tudo acabou naquela noite.
“ – O que está acontecendo? – perguntou Deidara, vendo alguma coisa ser lançada perto de onde eles estavam.
— O que... – disse Mitsue, ao perceber o que era e puxou o loiro para trás nas pedras onde estavam escondidos. Nesse exato momento a bomba explodiu com uma força enorme, mas sem fazer barulho algum. Eles trocaram um olhar e correram na direção do ocorrido.
Chegando lá viram o tamanho da destruição. Ruínas estavam no lugar onde antes existiam casas. Tudo estava no chão e a fumaça subia aos céus. As pessoas do distrito ao lado saiam desesperadas para fora de casa e Mitsue viu seus pais correndo com kunais na mão, ainda de pijamas. Então ela se virou para Deidara e viu sua expressão de choque em seu rosto. Uma lágrima rolava por sua bochecha e seu olhar estava fixo nos pedaços de madeira queimada, onde um dia fora sua casa. Ele sabia que seus pais estavam ali em algum lugar.
— Sinto muito. – sussurrou Mitsue, abraçando-o.
— Agora não. Vamos sair daqui. – disse ele, olhando duro para ela.
— Não podemos ir. Temos que lutar.
— Eu não tenho mais nada para fazer aqui. Você vem comigo ou não?
— Não posso. Minha família ainda está ali, não está vendo? Não posso simplesmente ir embora com você!
— Tudo bem. – disse ele, se virando para ir embora.
— Não vá. Por favor. Não agora. – falou ela, olhando para o chão. Ela sabia que ele não estava brincando. Podia ver a determinação em seus olhos e aquilo a assustava.
— O que eu posso fazer? Tudo acabou, Mitsue. Minha família inteira está morta.
— E se eu for com você, a minha com certeza vai morrer! Como pode ir e me deixar?
— Tá bom. Eu vou te ajudar. Mas assim que isso acabar, eu irei. Você tem até lá para se decidir.
— Sim. Vamos. – disse, saltando para onde o líder inimigo e outro homem mais novo conversavam.
Ela se abaixou atrás de um arbusto, observando o mais velho falar. O outro levava consigo um corpo inerte e parecia mostrar ao líder. Mitsue conseguiu distinguir o pai de Deidara e o ódio fervilhou dentro dela.
— Este está bom, Hisuke-sama?
— Sim, este irá servir. A última bomba fez um estrago enorme, o que tinham na cabeça? Poderiam destruir tudo e não deixar nenhum corpo intacto. – disse o mais velho.
— Não era para fazer um estrago tão grande, desculpe Hisuke-sama. Perai, o distrito ao lado é do clã Ishikawa? Ouvi dizer que são bem poderosos com sua natureza Katon. Simplesmente brilhantes.
— Tem razão. Eles são bem famosos no País das Fontes Termais. Diz uma lenda local que um Ishikawa estava viajando e se instalou ali. Como recompensa à família que o acolheu, ele aqueceu as termas da família, que ficaram quentes até hoje.
— Podíamos levar um deles também, não? – o coração de Mitsue bateu mais rápido. Ela não permitiria, não permitiria que fizessem uma coisa assim.
E nesse momento ela atacou.
O homem se defendeu com uma kunai.
— Quem você acha que é, pirralha? – gritou ele.
— Que bom que perguntou. Sou Ishikawa Mitsue. – disse ela sarcástica.
— Ishikawa... Mitsue? Você?
— É, isso mesmo.
Ela partiu para cima dele, desferindo golpes sem fim com sua espada em brasas, o homem não conseguia acompanhar. A cada investida ele gritava de dor com as queimaduras. O outro permanecia parado ali, observando com um semblante assustado. Então Mitsue se afastou, fazendo uma sequência de selos no ar.
— Katon: Moeru Hinotama! – gritou ela e o fogo saiu de sua mão envolvendo Gakiro em uma bola. Ele gritava exasperado mas então a fumaça atingiu seus pulmões e seus gritos foram abafados. Mitsue liberou o jutsu e o corpo dele caiu flácido no chão, sua pele com queimaduras por toda parte. (Moeru Hinotama: bola de fogo ardente)
— Você vai ser o próximo? – disse ela se dirigindo ao homem mais jovem.
— Não, Ishikawa-sama! Por favor!
— Então saia daqui, agora. E se encostar um dedo em alguém do clã Ishikawa, eu o irei perseguir dia e noite até o achar. E pode ter certeza de que o encontrarei.
— Hai! Muito obrigado, Ishikawa-sama!
Ela correu para onde os outros homens estavam e matou um a um. A raiva incontrolável dentro de si não permitia que ela visse quem era. Enquanto isso, Deidara lutava com outros cinco shinobis perto dali.
Então ela viu sua irmãzinha perto de alguns escombros. E uma parede em chamas caindo. A garota impeliu suas pernas a correrem como nunca, não havia jeito de Hakumi escapar sozinha.
— Hakumi! – gritou. Mitsue a empurrou a tempo de que a parede desabasse no chão, mas um pedaço da madeira prendeu sua perna fazendo-a cair. Ela gritou de dor. – Chikusho!
A ruiva tentou levantar a parede e ignorar a dor, sem muito sucesso. Suas forças haviam se esgotado repentinamente. Podia sentir o joelho virado em um ângulo estranho e o osso saindo para fora da pele. Ela conseguiu enxergar Deidara voando até ela desesperado.
— Mitsue! – gritou ele, pousando com o grande pássaro branco.
O loiro suspendeu a parede e a levantou sem muito esforço, ela agradeceu aliviada.
— Precisamos sair daqui. – disse Deidara. – Mais um exército está chegando e eles estão planejando destruir tudo!
— Não podemos sair! Eu preciso tirar meus pais daqui!
— Não há tempo! Se ficarmos, vamos morrer!
— E se formos meus pais irão morrer!
— Você não pode fazer nada e eu não vou te deixar aqui, é suicídio Mitsue!
— Eu faço o que eu quiser!
— Não se o que quer fazer coloca sua vida em risco!
— Você não vai me impedir de ficar aqui, Deidara.
— Vou sim, un. Temos que ir agora, eu vou acabar com eles. – o loiro pegou-a nos braços e a colocou no pássaro com pressa, subindo logo em seguida. – Vamos!
— Ao menos me deixe aqui! Se meus pais vão morrer de qualquer maneira, eu quero ficar!
— Você não pode! Mitsue, você não está raciocinando bem! Você vai morrer se ficar aqui!
— Eu não me importo, e estou raciocinando perfeitamente!
— Não seja ridícula!
Eles alçaram voo e o garoto enfiou a mão no bolso, criando uma lagarta de argila branca e jogando-a ao chão. Suas mãos se moviam rapidamente em uma sequência de selos.
— Deidara!
— Você não vai morrer à toa, Mitsue! Katsu! – gritou ele e a bomba explodiu, devastando tudo ao redor. Os ninjas inimigos desabaram sem saber o que tinha acontecido e logo não havia mais nada no lugar onde antes fora os distritos dos dois clãs mais poderosos de Iwagakure.”
A garota percebeu as finas lágrimas que corriam por suas bochechas e a mão de Konan afagando suas costas.
Mitsue: Nós tivemos uma briga feia depois disso. Ele fugiu da vila porque quis, mas algum tempo depois eu também fui embora. Simplesmente não conseguia viver olhando aquele lugar horrível todos os dias, com as lembranças daquela noite assombrando meus pesadelos e todos achando que eu tinha culpa naquilo. Não era um fardo muito agradável. Desde então eu fugi e me tornei uma matadora de aluguel. Não me orgulho disso, mas foi o único jeito. Quando tudo e todos ao seu redor estão contra você, não é fácil encontrar uma maneira de se salvar.
Ela ficou em silêncio, soluçando baixinho. Nunca fora capaz de contar a ninguém sobre o que acontecera.
Konan: Sinto muito. Eu não esperava que alguém tão jovem pudesse ter passado por tudo isso. Quantos anos você tem, Mitsue?
Mitsue: Naquela época tinha uns 16. Tenho 20.
Konan: E Deidara?
Mitsue: 21.
Konan: Vocês são realmente muito jovens. Não deviam estar aqui. Ainda tem uma longa vida pela frente, eu espero. Não deviam desperdiça-la fazendo o mal. Sinto muito mesmo.
Mitsue: Obrigada.
Konan: Coma um pouco, querida. Você ainda nem tocou na comida. Não pode ficar com o estômago vazio.
Mitsue: Não estou com fome. Quero ficar sozinha.
Ela se levantou e saiu da cozinha, entrando em um corredor qualquer. Podia ouvir o chamado de Konan atrás de si mas não queria voltar. A solidão era o que a fazia bem. Mitsue correu até sentir que estava perdida. Então se enfiou em um canto escuro e começou a chorar novamente. Não havia jeito. Aquele sempre seria seu ponto fraco.
Notas finais
Não sei quando vai sair o proximo pq minhas provas vão começar (de novo) kk bjos
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