Arseni
2 Capítulo 2 - Começo
Notas iniciais
O meu cabelo, que estava quase na cintura, estava agora acima da orelha. Já pensei em corta-lo antes, mas nunca tão baixo assim. Eles estavam mais escuros agora, quase pretos.
Eu nunca tive um rosto muito delicado. Marc dizia que eram marcantes. Uma forma gentil de não me ofender. Isso nunca foi importante, e agora seria de grande ajuda.
– Seu nome, por favor? – Um senhor de meia idade estava sentado na mesa, a minha frente, coberto por pilhas de papeis. Se tudo correu bem, a minha ficha estaria entre eles.
– Marcelo. – Tossi e forcei a voz. Entregando a identidade falsa. – Marcelo Bulgari Alcântara
Marcelo conhecia as pessoas certas. Isso eu não podia negar. Seu amigo que me ajudou a trocar as fotos conhecia um cara especializado em documentos falsos.
E uma conhecida, que também foi Marcelo que me apresentou há algum tempo, sabe tudo sobre maquiagem e tinha os equipamentos certos para me colocar no rosto de um homem. Com uma barba rala e costeletas curtas, grudadas com uma cola especial.
Mal pude me reconhecer....
Valeu cada centavo.
O senhor já procurava a ficha há um bom tempo. A atrás de mim, as pessoas já estavam impacientes. Um calafrio percorreu minha espinha. Se ele não achasse minha ficha iam começar a fazer perguntas....
– Aqui. – Ele puxou a ficha e a carimbou. Apontou para um corredor. – Marcelo, siga nessa direção e pegue seus equipamentos. Você receberá as instruções necessárias.
Suspirei de alívio, ele mal olhou na minha cara.
Eu já carregava uma mochila que teria facilmente o dobro do meu peso, ao longo do corredor tinham pequenas sacolas que eu ia pegando, cada uma com algo que seria estritamente necessário. Disseram.
A porta dos fundos dava para um ônibus caindo aos pedaços.
Daqui em diante não teria mais volta, estaria por conta própria. Eu irei sofrer as consequências, sendo boas ou ruins.
Da segunda vez que pediram minha identificação, ele me olhou mais detalhadamente. Por um segundo pensei que tivesse notado algo fora do lugar. Mas só estava me desprezando, com pena que um garoto com traços femininos estivesse ali.
Ele tinha razão em sentir pena. Soube disse assim que entrei no ônibus. A maioria ali eram grandes e musculosos, pareciam monstros. Alguns eram menos corpulentos, mais a altura compensava. Eu me achava alta. Achava.
Eram bons em passar mensagens só com o olhar. Eu entendi perfeitamente os: “Vou te comer vivo”, “Te mato usando só uma das mãos”, “vai ser o primeiro a chorar”. Apesar de tudo eu mantive minha expressão fria até o fim da viagem. Eles não me amedrontariam.
Eu não teria entrado nessa se não soubesse no que estava me metendo.
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