Ars Olins, estado de guerra

11 Capítulo 5.5° — Bicho véio do meu nojo


Notas iniciais
Bebam água. Pelo menos dois litros por dia. Ah, e não esqueça de botar o lixo para fora. Já tomou banho? Tem certeza porquê... esse cheirinho aí... Não olhe debaixo da sua cama!

Valdir — Humano



A questão filosófica do resultado entre o confronto da lança capaz de destruir a tudo contra o escudo indestrutível era antiga e a vitória de um ou outro e empates foram concedidos como resposta ao longo de sua existência.

Atualmente isso pôde ser testado por meio do software de todo o pesado maquinário das superpotências e o de segurança digital de empresas trilionárias. As super I.As eram máquinas capazes de decodificar códigos imensos, maiores do que quase todos os computadores seria sequer capaz de abrigar, instantaneamente, além de produzi-los igualmente rápido, e em caso de tentativa de hackear apenas uma delas poderia ser capaz de parar a outra em um ciclo de destruição e recriação do sistema de segurança. O único método de pôr um vencedor é adicionando outra super I.A a equação.

Mas elas custam absurdamente alto, seu preço de fabricação exige cerca de um trilhão, por causa da necessidade de super computadores, e sua operação requer um gasto de por volta de um milhão e trezentos mil em eletricidade semanal…. Embora as novas baterias nucleares tenham tornado isso absurdamente mais barato, mas não cheguei a ouvir o quanto. E

Teve as costas empurradas a frente, a comida na colher voou para cima da mesa e os óculos foram a borda do nariz. Havia sido trombado por um dos sujeitos que cruzava o corredor existente entre as mesas da cafeteria. Encarou as costas amplas do homem que seguiu sem olhar para trás até os assentos mais ao meio do cômodo. Bicho veio do meu nojo esses soldados que se acham melhor que o pessoal de T.I. Voltou a comer o purê de batatas, com salada vinagrete e peixe. Quase sempre a droga de um fruto do mar…! Morar em montanha de frente ao oceano e trabalhar numa empresa estadual são uma combinação desagradavel. Uma espinha furou-lhe a bochecha, Valdir tossiu e então levou a mão a boca para tirá-la de lá. Tomar no cu! Custa deixar os funcionários trazerem a própria comida? Ah se eu tivesse prestado atenção na merda do contrato… se Ozymandias fosse uma democracia ia ver só o textão que eu ia postar!

O restante do dia envolveu analisar o desempenho das inteligências artificiais através do fluxo de dados que produziam para a tarefa de catalogar o que o radar capta e checar se alguma tentativa de atravessar a rede havia ocorrido. Não que alguém realmente ache que uma máquina dessa magnitude vai dar pau. Mas ´´é sempre bom monitorar`` meus ovos! Que raiva de olhar para essa tela e tomar nota de cada passáro, inseto e pedra que deu para ser carregado pelo vento logo na frente da porra dessa montanha desgraçada! Respirou fundo e continuou a checagem, indo dos números às imagens das câmeras e vez ou outra consultando o catálogo de espécies que passavam por ali naquela época do ano. Nada fora do comum. Qualquer dia desse eu vou só fingir que olhei, dar meu ´´ok`` e meter o pé para o meu quartinho pra jogar ´´Mentiras do 3,14``. Bocejou após quatro horas de dados inúteis e pôs-se de pé. Hora da minha dose quente de cafeína.

Saiu do escritório e andou pelo corredor com uma parede espelhada que dava ao exterior, naquele ponto do edifício era possível ver o coliseu de luta de mechas(robôs) amadores do outro lado, em Ozymandias, não o interior das montanhas. Também três pirâmides residenciais, a terceira quase sumindo no horizonte, e as pontes que conctevam as duas mais próximas ao restante.

Uma mão caiu sobre o ombro de Valdir. Ele teve os ombros a subirem imediatamente e um arrepio a percorré-lo a partir do ponto de contato. O rosto virou para a esquerda.

— Valdir, não é? Tão lhe chamando na sala do fiscal — um dos soldados que representavam o segundo nível de segurança daquela base militar.

Valdir piscou duas vezes, a boca pendeu aberta.

Mas eu nem comecei a enrolar no trabalho ainda!

— T-tá — respondeu.

Chegou no escritório uma viagem de elevador e três minutos mais tarde. Ficava em um ponto onde o corredor tornava-se oval, um chafariz pequeno ocupava o centro e na borda esquerda ficavam máquinas de café. Na direita a porta dupla que levava diretamente a entidade mais temida do complexo, o fiscal. Valdir a atravessou. Havia uma mesa de madeira próxima ao fundo do cômodo, gavetas pendiam as laterais da sala e uma mulher o fitava do outro lado do móvel principal. A coloração do recinto era marrom escura nas extremidades inferiores das paredes e um tom quase bege na parte superior. O ar frio fedia a cacau. Sobre a mesa pairavam várias xícaras vazias, emboras sujas por um líquido escuro.

Hum? Qual é a da ruiva?

— Estava pensando em não levar suas obrigações a sério, Valdir?

O homem fincou-se imovél.

Quem é você, um CH-men? É Jana Cinza agora pra tá lendo mente dos outros? Eu, hein, tá amarrado!

— E-eu não! — respondeu, suor o descendo a face.

As íris dela eram douradas e estavam fixas nas dele. Valdir encarou o solo, um leve tremor o percorreu. Vou ser demitido para caralho. Sabia que não devia ter gastado tanto em jogos! Parou de tremer. Espera, isso é o fim dos frutos do mar! Respirou fundo. Até que não é tão ruim com o seguro desemprego e tal. Voltou a olhar a mulher. Eu não tenho mais medo, está me ouvindo? Eu não tenho mais medo.

— Entende que posso matá-lo?

?

Semicerrou os olhos. Maôi?

Isso é uma pegadinha? Vai pular um malandro gritando ´´yeah! Yeah!``? Eu devia acenar para o Silvo Santo?

— Quê..?

— Não é uma brincadeira, sua função aqui é pequena e eu tenho autoridade para decidir eliminar alguém que represente uma ameaça.

Valdir balançou a cabeça devagar.

— Tem não...

A expressão dela continha um sorriso curto e um tom relaxado. É de dar arrepios.

— Então eu vou indo… — virou-se rumo a saída e agarrou a maçaneta. Girou. Nada. Mais uma vez. Rapidamente, com força e praguejando enquanto os dedos começavam a doer. Acertou a porta violentamente com o ombro, empurrou e xingou mais um tanto.

A mão da mulher o tocou o ombro e Valdir pôde ver sua vida passando a frente de seus olhos. A pele empalideceu e as pernas babearam. O punho dela apertou-lhe a carne.

— Viveu uma boa vida?

A bexiga estava a ponto de soltar tudo que prendia.

— M-moça, p-por favor — disse, fungou e soluçou enquanto ranho e lágrimas o escapavam. — E-eu tenho família…!

— Sua mãe ficará bem, para ela você terá morrido como herói em um naufrágio… ou algo do gênero. A mandarei suas cinzas e um vale compras.

Ah, droga, lá se foi minha carta na manga!

Xixi o manchou as calças, a visão foi completamente turvada pelas lágrimas e um choro o deixou a boca. Ela o girou de frente pra si, acertando as costas de Valdir ruidosamente contra a porta, pressionando-lhe o ombro com força.

— Pronto?

Valdir fechou os olhos vigorosamente.

Eu não quero morrer…!
Teve o nariz suavemente apertado.

— Eu estava brincando. Não vou te matar.

Eu não quero morrer…! Eu não quero morr… espera.

Abriu um dos olhos.

? Fungou.

As pernas tremeram e falharam. Ela o segurou pelos ombros antes que caísse.

— Num vai…?

— Não. Era uma piada.

Ele piscou três vezes. Ficou de pé por si mesmo. A expressão no rosto da mulher era a mesma de desde o início, relaxada e com um curto pender acima do canto da boca.

Mas que vadia! Que porra de bincadeira é essa, caralho?! Tá com Batati Batata enfiado no rabo, é?!

Ela puxou um lenço do bolso da calça e começou a limpar o rosto de Valdir. O homem continuava a lacrimejar.

— Te chamei apenas para pedir que reinicie as inteligências artificiais como parte de um novo protocolo de segurança anual — a mulher pendurou o pano na gola da camisa de Valdir. —Hmmm… você parece pálido — os olhos dela foram a baixo. — E há grande marca de umidade nas suas calças. Minha pequena pegadinha passou dos limites?

O que você acha!? Fungou e mais água o escapou dos glóbulos oculares.

— Depois de reiniciar os sistemas, venha até a minha sala e irei te levar em um restaurante caro como pedido de desculpas — a mulher esfregou uma lágrima para fora do rosto dele com o polegar. — Uma churrascaria deve ser do seu agrado.

. Acenou positivamente, ainda trêmulo. Ela abriu a porta e Valdir se arrastou para o quarto, então ao banheiro. Depois reiniciou o sistema como pedido, tornou ao aposento, colocou o terno que comprara fazia um ano e havia reservado como roupa para sair. Encontrou a va… não, eu não devia guardar rancor… mas, porra, que ódio dessa vadia! Se não fosse a oportunidade de deixar essa base militar em Seth, eu nunca que ia querer olhar naquela cara de novo!

Mais tarde naquele dia, a notícia de que o armamento militar de Seth explodiu a montanha vizinha, Tote, passou no canal de notícias que Valdir observava em meio ao mastigar de uma costeleta de porco.

Ele se engasgou e tossiu fragmentos de carne, vinagrete e farofa no chão do restaurante.

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.