Arruinada
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Acordei cansada, parecia que pesava 150kg. Ontem fui dormir tarde assistindo filmes com meus pais. “Tenho escola, preciso levantar” penso e faço o maior esforço do mundo e finalmente levanto. Fico alguns segundos sentada em minha cama. Estou exausta. Levanto e vou escovar os dentes e me trocar.
- Kath, está na hora de ir para escola.
Ouço minha mãe gritar lá de baixo. Droga, não tomei meu café da manhã. Pego minha mochila e desço em disparada ao carro, onde minha mãe já estava para buzinar.
- Demorou em, Mocinha?
- Desculpe mãe. Não tive nem tempo de tomar café ou dar tchau para o papai, mas quando a senhora voltar diga a ele que eu o amo.
Eu sorri, é costume dizer eu te amo todos os dias aos meus pais. Eles são ótimos para mim e nunca vou agradecer o suficiente. Moro na Califórnia com meus pais, não tenho irmãos e nunca vi nenhum familiar a não ser minha avó materna, e o nome dela é Grace. Não me importo com isso. Tenho uma melhor amiga na escola o nome dela é Kayle. Mas a chamo sempre de Kay. Não sou de fazer amigos, afinal não tenho muita experiência. Tenho 11 anos. Mas ás vezes sinto como se tivesse 15. Ou mais, minha própria mente me assusta.
- Ás 16h30 venho te buscar aqui no mesmo lugar ok?
- Ok mãe.
- Já sabe né? Se eu não estiver aqui até 16h40 você dá um jeito de ir para a casa, andando de metrô, carona com alguém conhecido etc.
- Sim, eu sei mãe.
Ela diz isso todo santo dia. Sempre pergunto ás minhas amigas se a mãe delas dizem isso, mas elas sempre negam. Porque minha mãe diz isso para mim? Aceno para ela e vejo o carro dela indo embora.
- Ei Kath!
- Oi Kay! – Dei um abraço nela e fomos andando em direção ao pátio onde devemos esperar as professoras irem buscar os alunos como todos os dias.
- Estou morta de fome, ontem fui dormir tarde e não deu tempo de tomar café da manhã hoje.
- A dona Lilly brigou com você?
- Não, hoje ela estava mais calma que o normal. – Disse quando imagens do meu pai vieram a minha mente, não sei porque.
Lilly é minha mãe. Kay a adora, vice-versa. Ouvi o sinal da escola quando a professora estava descendo, logo previ que esse seria mais um dia chato. Cheguei em minha sala e me sentei, e Kay sentou-se atrás de mim. A professora começou a explicar o que iríamos fazer aquele dia e logo começou a aula.
......................
- Até amanhã Kath! Vamos marcar de dormir lá em casa esse fim de semana.
- Ok, vejo você amanhã.
Sorri e fui lá fora quando percebi que o carro da minha mãe não estava lá. Tudo bem, ás vezes ela se atrasa. Sentei em um banco que há do outro lado da rua. 16h35. Cadê minha mãe? Procuro meu celular na bolsa quando percebo que o deixei na cabeceira da minha cama e esqueci de pegar. Minha mãe só me deixa trazer o celular para a escola se eu o desligar quando eu estiver dentro. Quando chegar em casa pretendo dormir. Avistei de longe Savannah vindo em minha direção. Savannah é uma amiga minha, eu a adoro.
- Cadê a Dona Lilly?
- Não sei, esqueci o celular hoje Sav.
- Quer uma carona? Minha mãe está ali conversando com a mãe da Rose para ela dormir na minha casa hoje. — Ela disse sorrindo
- Ah, você não se incomodaria?
- Não! Relaxe. Minha mãe te adora, vamos?
Levantei e coloquei minha mochila nas costas. Preciso ir para casa, onde será que minha mãe está? Será que ela esqueceu da hora? Entrei no carro da mãe da Savannah ela só me cumprimentou, ainda bem. Não estava para conversas hoje.
FLASHBACK
- Mãe.
- Diga meu amor.
- Hoje na minha escola falaram que um dia você vai morrer.
Nunca tinha pensado nessa possibilidade. Odeio pensar em coisas do tipo, obscuras. Odeio pensar que um dia terei que depender de mim mesma.
- Kath, você não precisa pensar sobre isso. Pode ser que demore.
- Pode ser?
Disse enterrando meus dedos na areia.
- Ninguém sabe o futuro Kath.
Ela disse procurando meu pai no mar.
FLASHBACK OFF.
Ela parou o carro.
- Quer que eu te leve até lá dentro?
- Não, estou bem. Obrigada. – Eu disse, falaria o nome da mãe da Savannah se eu lembrasse.
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