Arrhythmia
1 Prólogo
Um suspiro irritado escapou pelos meus lábios assim que o visor do meu celular se acendeu, menos de cinco minutos tinham se passado desde a última vez que eu checara o aparelho. Coloquei alguns dólares sobre a mesa de madeira escura, depois de terminar meu segundo cappuccino, e saí da cafeteria.Parei em frente ao prédio de mármore cinzento, respirando fundo o ar poluído. Uma mistura de cigarros e vodca barata que parecia estar impregnado em todo lugar. Ignorei o fato, e subi direto para o último andar.Desde o início das aulas na faculdade, eu morava em um minúsculo apartamento com Sam, um estudante de biologia marinha que precisava de um companheiro para dividir as altas despesas do aluguel.
Puxei as chaves de dentro do bolso do short jeans e destranquei a porta, largando a bolsa em cima do sofá marrom, e tirando as sapatilhas desconfortáveis. Reparei melhor no cômodo, franzindo o cenho confusa. O lugar cheirava a essência de lavanda, e tudo parecia muito arrumado e limpo.— Sam. — chamei.Segundos depois, Sam saiu do corredor. Seus olhos castanhos se fixaram em mim, e ele sorriu de um jeito exagerado.— O que aconteceu com você? — perguntei, vendo ele tentar arrumar os fios loiros platinados.Sam mordeu os lábios, parecendo inseguro, antes de perguntar:— Lembra do meu irmão mais novo, Riley?— Lembro. — respondi, me recordando do pequeno menino na foto antiga que ficava guardada dentro da carteira dele. Na época, Riley não deveria ter mais do que cinco anos, e morava com a mãe em Londres.— Ele pediu transferência para Dartmouth. — disse Sam, com uma notável alegria. — E provavelmente já deve estar dentro do avião.— E onde ele vai ficar? — arqueei a sobrancelha, esperando pela resposta.— Bom... — ele pigarreou, desviando os olhos para o teto. — Aqui.Perdi alguns segundos, processando a maldita resposta dele.— Não sei se você notou, mas, esse apartamento é do tamanho de um ovo. — eu disse, tentando não perder a paciência e surtar. — Seu irmão vai dormir dentro da máquina de lavar?— É só até ele achar outro lugar. — Sam disse, unindo as mãos na frente do corpo, quase implorando. — Eu prometo.— Tudo bem. — revirei os olhos, passando pelo loiro, que sorriu e bateu palmas como uma garotinha contente. Chutei a única porta fechada do corredor, entrando no meu quarto.Recolhi as peças de roupas largadas em cima da cama de solteiro, começando a arrumar a minha bagunça matinal. Em seguida, guardei tudo no armário embutido de madeira e liguei o notebook velho que eu deixava em cima da escrivaninha.Antes que eu conseguisse terminar de digitar a senha do meu Facebook, a porta do quarto se irrompeu, revelando uma cabeleira loira.— Eu não vou ajudar no almoço. — resmunguei, antes que ele dissesse qualquer coisa.— Eu sei. — Sam revirou os olhos. — Quando Riley chegar, preciso que você vá comigo até o aeroporto.— Nem pensar!— Mas, Nikki, você sabe o quanto eu detesto sair sozinho. — ele reclamou, quase entrando no cômodo.— O parente é seu, Sam. — respondi, checando a minha caixa de mensagens. — Supere a sua frescura, e vá buscá-lo.
Notas finais
Críticas construtivas e sugestões são sempre bem vindas, e não saiam sem comentar.Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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