Arret - A Ordem dos Templários

6 Capitulo V - Ato de Bondade


“Ato de Bondade”

O terceiro dia amanhece na floresta. Cada um com suas funções já designadas, eles seguem em busca do máximo de alimento para armazena-lo e somente entregá-lo no dia seguinte. Desta vez, Lucian é quem fica no acampamento com um carrinho cheio de alimentos e o outro quase vazio, enquanto Bartolomeu, Iris, Irelia e Alissa caçam em conjunto para acelerar o rendimento.
Eles voltam na parte da tarde com muito alimento, caças, pescas e mais um pouco de frutas. Foi um dia que correu perfeitamente bem, nenhum encontro repentino com feras míticas ou com outro time que poderia tentar saquear os alimentos. No acampamento tudo ocorre da mesma maneira, sem tentativas de saques e sem perigo de predadores por perto. O primeiro dia perfeito naquela floresta.
A noite chega e a única coisa que resta é proteger os dois carinhos que agora estavam cheios a ponto de não caber uma única maçã dentro deles. O time senta em volta da fogueira e começa a conversar.

— Parece que chegamos ao fim do teste. — Diz Lucian aliviado.
— Só temos que proteger os carrinhos mais uma noite e acabou. — Iris concorda, exausta.
— É, mas não vamos relaxar agora, este deve ser o tempo mais perigoso. — Irelia alerta todos.
— Amanhã acordamos, desmanchamos o acampamento e seguimos em direção a ponte para entregar os alimentos. Não conseguimos nada mítico para dobrar os pontos, mas conseguimos dois carrinhos, então acho que vale o mesmo. — Alissa.
— Fazem vários dias que estamos trabalhando juntos e reparei que nós ainda não nos conhecemos muito bem. — Diz Irelia mudando de assunto.
— Sabemos somente os nomes uns dos outros. — Iris.
— Tenho uma ideia então... — Diz Bartolomeu.
— Qual? — Irelia se interessa.
— Alguém aqui já jogou “Eu nunca”? — Ele insiste.
— Eu... Nunca... — Iris responde vagarosamente e ri.
— Funciona assim... Algum de nós diz que nunca fez algo e os outros ficam segurando copos cheios. Se alguma vez tiverem feito o que foi dito eles bebem, sem respirar. — Bartolomeu explica animado.
— Sim, mas seria estranho, não temos nada pra beber e não podemos apostar comendo as coisas dos carrinhos. — Zomba Lucian.
— Verdade. Deixa pra lá. — Concorda Alissa.
— Vamos apenas nos apresentar, contar nossas historias de vida, porque queremos passar no teste, sei lá... Coisas deste tipo. — Encoraja Irelia.
— Certo. Você começa. — Retruca Bartolomeu.
— Porque eu? — Irelia reclama.
— Porque a ideia foi sua. — Ele ri.
— Está bem... — Irelia solta um longo pigarro. — Meu nome é Irelia Montez, tenho 20 anos, vim do vilarejo das Orquídeas Azuis e estou fazendo o teste pela terceira vez. Fui reprovada nas outras duas porque não tinha encontrado um time igual a vocês. A primeira vez foi um teste individual e acabei não conseguindo fazer tudo a tempo e na segunda fui eliminada, pois outro membro me desmaiou... Como perceberam não luto muito bem. Quero me tornar uma templária porque é um sonho que desejo realizar, sempre fui grande admiradora do que os templários fazem para a humanidade... É isso. — Finaliza Irelia um pouco envergonhada.
— Você não tem 20 anos! — Retruca Bartolomeu.
— Bart! Não se fala isso para uma mulher. — Iris reclama com ele.
— É sério, olha só pra esta face... Ela deve ter mais de 30 fácil, fácil. — Ele insiste.
— Bartolomeu! — Irelia reclama, segurando o sorriso. Todos começam a rir e Lucian segue com a brincadeira.
— Eu sou Lucian, não sei meu sobrenome, tenho 15 anos, sou aqui mesmo de Gladium, como todos vocês sabem. Eu fui deixado no convento depois de me resgatarem de uma das cidades atacadas pela guerra e fui criado pela Madre Rosana como se fosse um filho, além do Padre Beneth e os outros funcionários de lá. Eles queriam que eu me tornasse um ferreiro ou pintor, escultor, qualquer profissão que ajudasse a cidade e ficasse longe de riscos. Mas a realidade dos plebeus é triste. Por vários dias eu via a madre e outras pessoas sofrendo pra conseguir alimento para todas as crianças do convento, vivíamos lutando contra a pobreza. Um dia, decidi que mudaria aquilo. Comecei a tomar alimentos de alguns comércios que preferiam jogar tudo no lixo ao invés de nos doar, mas um dos comerciantes era muito influente e conseguiu uns capangas para me dar uma surra. O Senhor Leônidas passava pelo local na hora e me defendeu. Ele tinha uma habilidade incrível e lutava com muita coragem e garra. Aquilo me inspirou, e decidi me tornar um templário para fazer o mesmo. Lutar por essa cidade contra todo tipo de inimigo, até que todos vivam felizes, sem pobreza e sem diferenças.
— E você ainda fala abertamente como se não fosse nada? Roubar para levar aos mais pobres é uma bela atitude, mas ainda assim é roubo! — Reclama Alissa.
— Alguma atitude precisava ser tomada. — Retruca Lucian rapidamente.
— Você era só uma criança, não deveria ter agido por impulso. Alguém na ordem iria fazer algo. — Alissa responde.
— Nós não existimos para alguns na cidade! — Lucian
— Tudo bem gente... Minha vez! — Bartolomeu interrompe a discussão, tomando a frente dos dois.
— Acalmem-se... Ainda somos um time. — Irelia reclama.

Quando a discussão termina, Bartolomeu começa a contar sua história.

— Sou Bartolomeu Prattes, tenho 16 anos, vivo na parte mais afastada de Gladium, mas ainda assim faz parte da cidade. Estou fazendo o teste pela primeira vez e meu sonho é me tornar o próximo presidente da Ordem.
— Sério? — Pergunta Alissa rindo alto.
— Sonho muito ambicioso. — Irelia com ar de riso.
— Verdade Bart. — Concorda Iris segurando o riso.
— Por favor, não riam, somente assim eu poderia fazer a diferença. — Bartolomeu fala um pouco desanimado.
— Conte a verdade pra elas. — Lucian reclama, olhando fixamente para as chamas que ardiam na fogueira.
— Melhor não. — Bartolomeu.
— Que verdade? — Iris abandona o sorriso.
— Eu não gosto de lembrar isso. — Insiste Bartolomeu.
— Que verdade Bart? Tem algo que podemos te ajudar? — Alissa fica séria vendo o rosto aflito dos dois.
— Anos atrás eu e meu irmão Raôni estávamos na entrada da cidade. Eu com 6 anos e ele com 13, vimos os templários chegarem da batalha. Era lindo, todos em seus cavalos, com aquelas armaduras bonitas e escudos brilhantes, até que um nobre nos disse para sair dali, não era lugar para gente suja como nós. Um templário viu, desceu de seu cavalo, brigou com o rapaz e perguntou sobre nossos pais. Meu irmão contou que eles estavam doentes por conta da praga que devastava muitos vilarejos. O templário nos deu umas moedas de ouro e disse para cuidarmos bem dos nossos pais e que meu irmão deveria se inscrever nos testes da ordem.
Eu e meu irmão fomos correndo até chegarmos em nossa casa. Quando abrimos a porta, meu pai chorava aos pés da cama e nos contou que a mamãe havia morrido. Entregamos as moedas para ele que se ajoelhou e chorou junto a nós. Naquele dia eu e meu irmão decidimos que a única maneira de conseguir ajudar os doentes do nosso vilarejo era se nos tornássemos templários também.
Raôni se inscreveu para os testes e mesmo sem ter a idade necessária, eu treinava com ele todos os dias, com madeiras e cabos de vassoura como se não houvesse outro dia. Durante um ano inteiro, ele melhorou suas habilidades cada vez mais e o pessoal do vilarejo depositava toda esperança nele. E foi aí que meu irmão começou a adoecer também. Meu pai piorou com o tempo e veio a falecer. Eu já não tinha mais vontade de treinar, somente cuidava do meu irmão que era tudo que me restava, então eu me lembrei das moedas de ouro e vim correndo até a porta do curandeiro achando que ele poderia nos ajudar.
Ele aceitou as moedas e tentou de todas as maneiras curar Raôni, mas me explicou que com os recursos que tínhamos, era impossível. Então boatos de que os nobres possuíam a cura começaram a aparecer. Eu fiz de tudo para algum deles me ajudar, mas percebi que tudo que desejavam era que morrêssemos logo.
Um dia meu irmão piorou muito e pediu que cuidasse do nosso povo, que acabasse com esta divisão que existe em Gladium... Que a cidade deveria cuidar de todos, sem diferença de raça, crença ou dinheiro. Depois disso, ele acabou sucumbindo pela praga também.
Sem pais ou qualquer outra pessoa que pudesse me ajudar. Eu me entreguei a dor. Aceitei que a morte era o melhor á aqueles que nasciam sem um título de nobreza nesta cidade. Foi então que conheci um garoto que lutava contra isso, roubando dos comércios e trazendo para nós que não podíamos comprar. Comida, remédios, roupas, tudo! Não havia limite para o garoto maluco do convento... Ficamos muito amigos com o passar do tempo e juramos passar no teste da Ordem e acabar com isso. Treinei cada dia depois deste, cada vez melhorando porque eu não aceito ser reprovado. Eu serei sem dúvidas o próximo presidente da ordem e concertarei esta cidade. — Termina Bartolomeu com os olhos lacrimejando.

Iris se levanta e o abraça, os outros consolam o amigo e Lucian diz:

— Vamos parar por hoje pessoal? A noite está avançando e isso foi muito intenso. Iris e Alissa poderão nos contar outro dia, não é mesmo? — Lucian tentava quebrar o clima triste.
— Eu concordo, vamos dormir. Amanhã é dia de continuar o teste. — Alissa.
— Podem ir eu começo a vigia. — Sugere Lucian.

Lucian começa a noite fazendo a vigia dos alimentos, Alissa assume depois de duas horas, depois Iris, Irelia e Bartolomeu, até que a manhã chega.
Alissa se levanta e percebe que Bartolomeu está dormindo e que os dois carrinhos de alimento não estavam ali.

— ACORDEM, NÓS FOMOS ROUBADOS! — Grita Alissa assustada.

Todos se levantam rapidamente e começam a procurar os carrinhos e então confirmam. Eles realmente foram roubados.

— Bart você dormiu? — Pergunta Iris.
— Porra... E agora? — Diz Bartolomeu socando um tronco próximo.
— Vamos procurar. — Lucian.
— Temos até o pôr do sol para chegarmos à ponte, isso são menos de dez horas. — Lembra Irelia.
— Isso se quem roubou já não foi pra lá. — Responde Alissa muito irritada.

Lucian vê uma coisa que lhe parecia familiar. Próximo ao tronco onde Bartolomeu dormiu existia uma flecha, mas não tinha penas atrás, parecia lança muito pequena. Bartolomeu sente uma forte dor no pescoço e então chama alguém para conferir se tinha algo errado.

— Alguém olha aqui na minha nuca? Estou com dores. — Diz ele levando a mão ao local.
— Bart tem um dardo aqui! Você foi atingido por um dardo de zarabatana. — Explica Iris retirando o pequeno dardo da nunca de Bartolomeu.
— Então foi isso. Por isso você não percebeu que dormiu... Você foi envenenado! — Irelia explica.
— DRIADES! Elas nos roubaram! — Diz Iris.
— Por que acha isso? — Pergunta Irelia.
— Ouvi muitas historias na minha vida e sempre diziam que dríades costumavam roubar caçadores. — Explica Iris.
— Sabemos onde elas estão. Venham rápido. — Diz Alissa correndo.
Todos saem correndo seguindo Alissa. Depois de quase uma hora eles diminuem a velocidade e pedem silêncio.
— O que foi? — Pergunta Bartolomeu.
— Foi aqui que vimos uma da última vez, porém tem um grifo que vive na montanha á frente. — Explica Alissa.
— Agora só temos que procurá-los sem fazer barulho. — Sussurra Lucian.

Eles começam a procurar pelo local e Lucian encontra pequenas pegadas que se dirigem a uma cachoeira. Lá o rastro some.
Com muito cuidado os outros seguem Lucian, sempre atentos, pois o grifo espreita por ali.
— Uma cachoeira... Perdi o rastro. — Diz Lucian frustrado.
— Será que atravessaram? — Iris.
— Não sei, elas são muito pequenas pra nadar tão bem.

Neste momento eles escutam um rugido vindo detrás da cachoeira. Era uma fenda, existia uma caverna por trás da cortina de água. Eles entram e veem um longo caminho escuro com uma luz ao final do corredor de pedras. Era um lugar fechado, úmido e cheirava a lodo, porém era grande, medindo mais de dois metros de altura. Eles seguem até o fim do longo corredor e chegam a uma parte alta como se estivessem no topo de uma escada de pedras, e na parte mais baixa havia muitas dríades organizando e empilhando alimentos.

— Olha... São elas. — Lucian cochichando.
— Sim e os carrinhos estão ali. Está vendo? — Irelia.
— Eu vi o carrinho. — Diz Iris afobada.
— Vamos descer e pegar. — Bartolomeu levantando-se.
— Não, elas são muitas. — Alissa responde puxando-o.
— Mas são pequenas, podemos vencer. — Insiste Bartolomeu.
— Tem algo errado... Dríades não fazem isso. — Diz Iris.
— Fazem sim... Olha lá. — Bartolomeu responde caçoando.
— Bart até nessas horas. — Lucian rindo do amigo.

Um ciclope aparece caminhando no fundo junto às dríades e com seu tacape ele esmaga uma das pequeninas.
— GRAAMMAGIII!!! — Grita ele furioso, parecendo reclamar de algo.
As pequenas dríades entram em desespero e começam a trazer um rolo de folhas, parece que havia algo embalado lá dentro. O grande ciclope puxa uma corda que amarrava as folhas e o filhote de grifo cai de lá, ao tentar voar o ciclope o pega pelas asas e joga no chão. Um estalo muito forte acontece e Iris abaixa a cabeça para não ver o que aconteceria depois. O ciclope levanta seu tacape e quando vai matar o filhote de grifo Lucian o acerta com um soco.

— Não consigo ficar assistindo isso! — Lucian se posicionando, depois de acertar o grande ciclope.
— Graças a Deus! — Exclama Alissa.
— Como o Lucian desceu e eu não vi? — Pergunta Iris.
— Não só ele, o Bartolomeu também. — Aponta Irelia na direção deles.
Bartolomeu usa sua lança para acertar o ciclope que cai ajoelhado. — Eu sabia que você ia fazer isso. — Diz Bartolomeu para Lucian.
— Não podia deixar. — Lucian responde.
— Eu sei. Por isso vim te defender. — Responde Bartolomeu coçando a cabeça.

Dríades começam a correr desesperadas por toda parte e o ciclope se levanta. Era alto, com toda certeza ele media mais de três metros. Ele encara Lucian e Bartolomeu e grita:
— GRUATAAAHHH!!! — Apontando para os dois. Ordenando algo para as dríades.
Mas elas não reagem e então ele grita novamente. Sua voz era alta e estrondosa. As meninas descem e se juntam a Lucian e Bartolomeu.
— Vamos lutar com o time completo desta vez. — Irelia.
— Seu desgraçado... Escravizando dríades! — Reclama Iris.

Todos avançam e começam a atacar o ciclope, as dríades se escondem com medo, afinal elas não haviam obedecido à ordem dele. Lucian e Bartolomeu tentam atacá-lo, mas o ciclope era muito forte e parecia não se importar muito com os danos.

— Cuidado ele é forte. — Alissa.
— Não sejam atingidos. — Iris.
Os ataques frustrados eram defendidos pelo ciclope sem esforço, que contra-atacava muito rapidamente. Era um risco enorme ser atingido. Então Irelia pede para Iris e Alissa começarem a distraí-lo. Ele avança na direção das duas. Bartolomeu segura Lucian e diz:
— Os joelhos... Vamos tentar derrubá-lo.
— Espere as duas distraírem ele. — Lucian.
O ciclope avança em direção as duas acertando um golpe no chão que levanta muita poeira e Lucian e Bartolomeu o acertam nas juntas atrás dos joelhos. Ele cai próximo ao filhote de grifo que começa a gritar desesperado. O ciclope então o ataca. Iris se coloca na frente do golpe e é atingida em cheio e acaba desmaiando.
Neste momento uma das dríades pula na direção do ciclope e com sua pequena lança fura seu único olho gritando.
— GREEENAAAANNN!
Bartolomeu corre para socorrer Iris, quando Lucian percebe a abertura na guarda do ciclope que se balança de dor. Ele sobe em seus ombros e crava a espada no crânio do ciclope que cai morto no chão.
As dríades começam a levantar suas lanças acima da cabeça e todas se agrupam em volta de Iris que estava no chão.
— Elas vão nos atacar. — Bartolomeu ofegante.
— Que venham. — Lucian ainda mais cansado.

Eram mais de vinte dríades, ainda que pequenas, eram muito guerreiras e sabiam fazer o uso de armas como a zarabatana que desmaiou Bartolomeu. As dríades cercam o time até que uma delas se aproxima de Lucian e começa a apontar para si mesma dizendo.
— Ninkra — Com a mão em direção ao seu peito. Depois ela aponta para Lucian e fica esperando uma resposta.
— Ninkra — Ela repete o mesmo gesto.
Alissa se aproxima de Lucian com cautela, aponta para o peito dele e diz:
— Lu... Ci... An... — Alto e com uma longa pausa. A dríade se vira para as outras, levanta sua lança e Grita:
— GRUUCHAAN! GRUUCHAAN! GRUUCHAAN!

Era um agradecimento, gritando o nome de seu salvador, que com a ajuda dos outros libertou elas do ciclope. As outras dríades começam a repetir o brado de Ninkra e rapidamente começam a usar ervas para curar os ferimentos de todos, principalmente de Iris que estava desacordada e até mesmo do pequeno grifo.
— Vamos esperar um pouco Lucian, até que a Iris acorde. — Irelia.
— Sim eu estou preocupado também. — Lucian.
— Minhas pernas estão moles. — Alissa.

Bartolomeu e as dríades ficaram cuidando de Iris até que ela acordou, enquanto Alissa foi organizar os carrinhos que as dríades haviam devolvido. As dríades não paravam de paparicá-los, queriam que eles comessem todo tipo de comida que elas tinham armazenado. Até que Irelia se da conta de que muitas horas haviam passado.
— O teste! Já deve estar perto do pôr do sol! — Irelia desesperada.
— Rápido vamos! — Alissa.
— Você consegue vir sozinha Iris? — Pergunta Bartolomeu.
— Sim, mas vamos devagar.

Eles agradecem as dríades por devolverem os carrinhos, enchem eles novamente, mas agora com uma cabeça de ciclope que multiplica seus pontos. Bartolomeu vai com Iris apoiada em seus ombros e Lucian pega o filhote de grifo e o leva no colo. Ao sair de trás da cachoeira eles percebem que falta pouco tempo e saem em disparada em direção á ponte.
As dríades ficaram da ponta da cachoeira agradecendo e gritando.

— GRUCHAN, GRUCHAN, GRUCHAN...

O time segue novamente até chegar á ponte. Era uma ponte longa e estreita.
Alissa para de correr repentinamente e todos param para ajuda-la.

— Está tudo bem Alissa? — Pergunta Iris.
— Só me sinto estranha... Conheço este lugar. — Ela responde um pouco tonta.
— Vamos com calma, é só mais um de seus dejá-vus malucos. — Irelia ajudando Alissa a recobrar a consciência.
A ponte balançava muito e do outro lado era possível ver onde o Sr. Salomon e o Capitão Alexander estavam. Eles decidem passar aos poucos, mas só era possível um de cada vez, atrasando ainda mais o termino do teste.
— Vão vocês primeiro, levem um dos carrinhos. — Sugere Lucian.
— Teremos que ir um por vez ou a ponte cairá. — Iris.
— Sim, um de cada vez com cuidado! — Diz Irelia.

Alissa segue pela ponte levando o primeiro carrinho com ela, a ponte balançava muito, algumas coisas até mesmo chegaram a cair do carrinho, mas ela chega ao outro lado com êxito. Depois, Bartolomeu leva o segundo carrinho, com um pouco de dificuldade ele chega ao fim e se junta com Alissa.
Neste momento um grito ensurdecedor surge atrás de Lucian. Ao virar-se ele vê dois olhos castanhos e grandes o encarando. Era a mãe do grifo que ele segurava no colo. Bartolomeu e Alissa ficam assustados do outro lado da ponte. Lucian olha pra Irelia e diz:
— Eu vou colocar o filhote no chão e se ela me atacar vocês passam pela ponte. Certo?
— Coloque-o no chão logo. — Irelia tentava manter a calma.

O grifo estava pronto para atacá-lo, quando Iris começa a cantarolar algo. Ela se aproxima devagar e a mãe grifo começa a se acalmar. Lucian coloca o Filhote no chão, que vai andando em direção a sua mãe. Ela o pega com o bico, coloca nas costas e voa levantando muita poeira ao redor. Irelia cai de joelhos, dizendo:
— Acho que você tem que atravessar primeiro, minhas pernas estão tremendo.
— E como acha que estão as minhas? — Responde Lucian com sorriso de alivio.
— Não podemos perder tempo. Vão! — Iris apressa os dois.

Lucian segue em direção aos outros, ele chega ao outro lado e sinaliza para Iris atravessar. O céu começa a ficar alaranjado, o pôr do sol já estava em sua metade. Depois de Iris, Irelia começa a atravessar e a ponte começa a estalar e balançar muito mais que antes, estava quase quebrando, até que ela começa a correr.
— Não corra! Vai quebrar! — Lucian grita para ela.
— Irelia! — Grita Alissa assustada.
A ponte não resiste e cede. Irelia fica presa nas cordas e com o impacto contra a beirada da montanha ela desmaia, podendo despencar de mais de 20 metros de altura. Lucian e Bartolomeu se olham e respiram fundo:
— Por favor... Levem os carrinhos. — Diz Lucian.
— Não, mas e você? — Discorda Alissa.
— Eu vou ficar Alissa... Vou tentar trazer a Irelia destas cordas. — Insiste.
— Eu ajudarei o Lucian. Não podemos deixá-la morrer. — Concorda Bartolomeu.
— Não Bart, assim não... Eu prefiro ficar também. — Iris responde.
— Vão... O teste é individual, pelo menos vocês serão aprovadas. — Bartolomeu pede á Iris.
— Então vai você e a Iris, eu fico pra ajudar o Lucian. — Diz Alissa para Bartolomeu.
— Vai Bart... Mude esta cidade, realize seu sonho. Por seu irmão e por todos do convento! — Concorda Lucian.
Bartolomeu derruba uma lágrima, respira fundo e olha para os avaliadores. Ele e Iris pegam os carrinhos e seguem o teste.
Alissa e Lucian começam a puxar a corda devagar para Irelia não se desenrolar e cair.
— Te vejo no próximo teste? — Alissa pergunta para Lucian.
— Alissa... Me desculpe por ontem. Acho que comecei mal, eu fui muito ignorante com você... — Lucian se desculpa.
— Não fale disso agora Lucian... Temos muito tempo para nos desculparmos. — Alissa sorri sutilmente, quase chorando.
Depois de alguns minutos quando Irelia estava quase ao alcance deles ela se desenrola e começa a cair. Lucian ao tentar pegá-la se desequilibra e fica na ponta do desfiladeiro. Alissa pega em sua mão, mas não está conseguindo forças para puxar os dois ao mesmo tempo e começa a escorregar, quando sente uma pessoa puxá-la.
— Quem sai junto chega junto! — Diz Bartolomeu ajudando Alissa a puxar os dois.
— Nosso time não vai desmanchar assim. — Responde Iris ajudando.
Eles conseguem puxar todos novamente e quando olham para o céu o sol já se pôs. Eles avançam desanimados e chegam frente aos avaliadores. Bartolomeu puxando um dos carrinhos, Alissa com Irelia sobre os ombros e Lucian com o outro carrinho.
O senhor Salomon começa a se pronunciar:
— Vocês sabem que já estão reprovados não é mesmo?
— Sim senhor. — Bartolomeu frustrado.
— Mas mesmo assim entreguem seus carrinhos, vamos ver como teriam se saído.
Ele pesa e avalia o carregamento. Depois de alguns minutos ele diz:
— É a primeira vez que alguém tem a proeza de chegar ao fim do teste com dois carrinhos, além da cabeça de ciclope lá dentro, e eu vi o que você fez ao grifo. — Diz Salomon apontando para Iris.
— O senhor viu daqui de cima? — Ela pergunta.
— Sim, tudo... Capitã Irelia... Relatório por favor. — Diz Salomon.

Irelia imediatamente acorda, sai dos ombros de Alissa e fica ao lado do Sr. Salomon dizendo:

— Aprovados senhor... Todos eles deixariam de ser aprovados para salvar um membro que não conseguiu concluir o teste. Se existe um ato de bondade, este é um deles sem dúvida. — Diz Irelia em perfeitas condições.
— Calma aí, eu não entendi nada. — Interrompe Bartolomeu.
— Irelia é uma templária garotos, cada time tinha um infiltrado, para avaliar vocês. — Explica Salomon.
— Então é por isso que você sabia de tanta coisa. — Alissa animada.
— Como não desconfiei?! — Iris.
— Vocês foram aprovados... O teste da floresta acabou, meus parabéns. — Finaliza Irelia.

Todos começam a pular e festejar. O teste da Floresta de Sangue acaba ali para aquele time. Após comemorarem eles entram em suas carroças, exaustos, e começam a se dirigir ao forte dos templários.
— Eu nem consigo imaginar isso. — Alissa.
— Eu também não... Quem imaginaria? — Bartolomeu.
— Por isso ela não lutava! — Iris.
— E vocês ouviram direito? Capitã... Ela é muito mais forte do que pensei! — Alissa.
— Parabéns! E vamos nessa! — Lucian.

O time segue até o forte dos Templários, lá eles retiram as armaduras e armas, as devolvem ao depósito, depois se dirigem ao refeitório.
Após o jantar um templário passa o relatório de missão.

— Fim do teste. Vocês agora são um grupo de 16 candidatos, sendo 9 Homens e 7 Mulheres. Pela manhã vocês devem se reunir no pátio novamente. Haverá um pronunciamento para vocês. Meus parabéns. — Ele encerra acenando á todos.

Eles se dirigem aos quartos... Daquele grande grupo de jovens sonhadores que conversavam e riam no primeiro dia, restaram apenas dezesseis.
Os testes ficaram cada vez mais difíceis, batalhas se tornaram cada vez mais frequentes e os templários infiltrados retornaram aos seus postos.
Agora o teste da Ordem dos Templários se aproxima do fim, levando o sonho de alguns e aumentando a esperança de outros.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.