Arrependimento?
1 Capítulo Único - Arrependimento?
Notas iniciais
Eu chorava, mas não sabia se era de felicidade ou tristeza. Eu analisava a marca no peitoral de meu corpo.
A marca que me dizia que eu havia feito um contrato com a Jigoku Shoujo e que por isso eu iria para o inferno após minha morte.
Havia várias pessoas que estavam fazendo da minha vida um... Inferno... E eu decidi manda-los para conhecer esse mesmo sofrimento. Faz quinze anos que tomei essa decisão, hoje me arrependo amargamente. Talvez, se eu não tivesse casado e ouvido as milhares de promessas de amor de minha esposa, eu não estaria arrependido.
"Não importa, quem morrer primeiro vai ter que esperar o outro para irmos juntos para o céu, okay?"
Minha resposta incerta foi um sim, mas eu não poderei ir para o céu com ela. O que foi que eu fiz..?
- Querido, qual o problema? Você está... chorando...? — ela pergunta preocupada e surpresa e me abraça
-Ah, desculpa. Eu lembrei de algumas coisas tristes. Só isso. — explico sem graça e a pego no colo — Vamos dormir, futura mamãe?
— Vamos, papai coruja. — ela diz e rio.
— Sério? — pergunto.
— Muito. — ela diz.
...
- Me desculpe. — com a voz fraca e ouvindo o barulho dos aparelhos ao meu redor, digo para a senhora na minha frente — A nossa promessa que lembramos com os mindinhos, eu não poderei cumprir.
— E por qual razão? — ela pergunta com um olhar cansado e triste.
— A tatuagem em meu peitoral, não é uma tatuagem, é a prova de que fiz um contrato com a Jigoku Shoujo. — ela interrompe minha explicação.
— Ela é real!?
— Sim. — concordo movendo a cabeça com dificuldade — Eu irei para o inferno e você para o céu. — minha filha entra no quarto em que estou e me abraça.
— Pai... — sorrio ao ouvir a voz dela.
— Não tenha ódio de ninguém e nem tente vingança. — digo e puxo o ar pela última vez.
Minha vista escurece e acordo em um lugar assustador.
- Seja bem-vindo ao inferno. – uma voz feminina dá as boas vindas a meu espírito.
— Jigoku Shoujo. — murmuro e suspiro — Sim, obrigado.
Me levanto e começo a vagar lentamente pelo meu novo lar. Vejo pessoas correndo, talvez se divertindo na tentativa de esquecer onde estão, pessoas a toa e as pessoas que estão a tanto tempo ali que nem tem mais consciência de quem são.
Há duas maneiras dela vir me buscar. Contratando a Jigoku Shoujo ou vindo ao inferno quando morrer. Como ela não entende muito sobre isso, simplesmente fiquei quieto e resolvi deixar que depois da morte ela vá para o céu.
Esse pensamento me fez suspirar. Era questão de tempo até eu esquecer dela e esquecer de mim mesmo...
...
Eu não sei quanto tempo se passou, mas eu vi uma senhora em minha frente. Era ela, o que fazias ali? Ela abaixou um pouco o decote da camiseta que usava e mostrou a marca que eu conhecia muito bem.
- O que você fez..? — pergunto inconformado.
— Se não vamos juntos para o céu, vamos ficar juntos no inferno, até esquecermos quem somos. — ela diz e se senta na minha frente — Estou com a pele de velha, mas consigo me movimentar como uma jovem. — ela diz contente.
— Como descobriu a maneira de chegar aqui?
— Nossa filha me explicou tudo. Aquele homem que me queria mesmo sabendo que eu era casada, olha ele ali. — ela diz apontando para um senhor que estava dormindo abraçado as pernas.
Um sorriso surgiu em meus lábios.
- Obrigado por ficar comigo após a morte e no pior lugar imaginável. — murmuro.
— O amor nos faz cometer loucuras. — ela murmura e concordo rindo.
Eu teria meus melhores momentos no pior lugar do mundo. Quanta irônia. O que é quando eu não sei, mas iria aproveitar muito.
Notas finais
Comentário e favoritos são muito bem-vindos.
Obrigada novamente, pode voltar a seguir sua vida. Tchau, vá com cuidado!
Fale com o autor