Arrebatador
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Okay, para ser sincera, eu não tenho muita confiança para One-Shots, mas... Esses dias a inspiração para isso tem brotado (e me abandonado na necessidade de escrever minhas fanfic's em andamento, mas isso não vem ao caso).
Anyway, espero que gostem ^^
Arrebatador. Acordei com essa palavra na cabeça. Por algum motivo, foi o primeiro pensamento que me saudou pela manhã naquele dia frio. Frio de usar casaco, mesmo, o que me fazia relutar em deixar meus confortáveis lençóis de lado para começar a rotina necessária.
Arrebatador. A palavra insistiu enquanto eu acordava a mente com um banho quente. "Mas o que seria algo arrebatador?" questionei, ao mesmo tempo perguntando-me o motivo de ter aquele pensamento martelando. O café preto forte que era meu combustível também foi acompanhado pela repetição e, quando tomei nas mãos a caneta com que escreveria minha poesia de cada dia, a tinta lentamente desenhou, vez por outra, as letras dessa palavra. Emburrei. Mas que diabos era aquilo? Vesti o casaco pesado e fui às ruas, que costumavam ser meu refúgio contra a falta de inspiração. O que não era o caso, na verdade. Eu claramente tinha um turbilhão de ideias geniais naquela manhã, só não tinha paz para cravá-las ao papel. E o frio do inverno gelado era um ótimo contraste ao calor interior que eu experimentava com o caos em meu peito.
Uma mera palavra. Acontecia de vez em quando. Fazia-me ficar acordado por horas, até ser capaz de encaixá-la em algum verso bom o bastante para me satisfazer, e então eu era preenchido de alívio. Mas "arrebatador" soava diferente. Mais impossível, se é que entende o que quero dizer. Um tanto irreal. Por que? Não tenho ideia.
Meus pés me levaram a uma cafeteria. Sim, até meu corpo clama pelo líquido quente, mesmo que eu o tenha consumido há apenas alguns minutos. O sininho soou com a abertura da porta e o ambiente aquecido por uma lareira me pareceu um tanto "vintage". Isso mesmo, aquela palavra do português antigo que a gente pega emprestado para explicar a moda retrógrada. Meu francês belíssimo não poderia encontrar palavra mais apropriada, mas ainda não se encaixava em "arrebatador". E, com a cabeça nas núvens (tempestuosas, isso sim), acabei ditraidamente aceitando a sugestão de um Mocha. Exato, aquele café com calda de chocolate, espuma e leite. Ao meu ver, um tanto poluído. No entanto, tarde de mais, uma vez que a xícara foi colocada diante de mim. Meu humor não melhorou com isso.
Mas, se quer saber, eu nem cheguei a sentir o sabor, desde o primeiro gole. A xícara estava em meus lábios quando meus olhos pousaram sobre a porta que se abria, deixando entrar uma figura que era... Arrebatadora. Sim, a apalavra cabia perfeitamente naqueles cabelos curtos que emolduravam olhos escuros expressivos, quase grandes de mais para sua aparência oriental. As curvas de seu corpo, delicadas e sensuais ao mesmo tempo, os lábios bem contornados por uma cor leve sorriam um sorriso pequeno, com ar de graça. Não graça de piada. Graça. Como uma dama, metida naquele vestido, com o sobretudo pousado no braço.
Meu caos interno podia ter se acalmado diante daquela visão, mas a verdade é que ele apenas se transformou em um caos mais pasmo, mais estarrecido. Ela caminhou suas curvas até o balcão, inocentemente fazendo seu pedido, sem saber do par de olhos admirados que a seguiam, e então sentou-se muito serenamente à mesa à minha frente. Tirou de sua bolsa papéis dobrados e pôs-se a ler, tamborilando com os dedos na mesa. Partituras. Então ela também era artista. Se bem que pensei que a maior obra de arte era seu próprio rosto.
Quando seu pedido chegou, e eu percebi a xícara idêntica a minha, carregada de Mocha, aquilo de alguma forma me fez repentinamente apreciar minha própria bebida. Ela passou dois dedos pela asa da xícara, e a trouxe até os lábios, desviando o olhar das partituras e... focando-os em mim.
Eu senti um calor arrebatador (de novo, a palavra se encaixava), enquanto dicretamente ela acenava para mim com um sorriso. Retribuí, de alguma forma capaz de manter o controle, aliviado por ela não ter rejeitado o estranho que a encarava da outra mesa. Vulgo eu.
Se bem me coubesse, eu teria levantado ali mesmo, caminhado até sua mesa e falado a ela sobre sua beleza da forma mais polida possível. Mas, para ser sincero, minha habilidade com as palavras limitavam-se ao papel, onde eu era capaz de registrar minha alma, meu sangue.
Cacei a caneta no bolso do meu casaco, e a apoiei sobre o caderninho já aberto na mesa. E, ali, escrevi a única poesia daquele dia, sobre uma mulher arrebatadora. Ao fim, despejei na garganta o último gole de Mocha, como uma injeção de coragem, e pus-me de pé. Não senti o caminho até sua mesa, nem o momento em que depositei o papel diante dela, com um esforço para sorrir, e só me dei conta quando já encarava novamente o asfalto cinza do lado de fora, com o coração lentamente desacelerando.
Pensei, enquando observava o frio fazer visível a minha respiração, que gostaria de tê-la apreciado um pouco mais, e lamentei os passos que me carregavam para longe da cafeteria. Até ouvir o som próximo de leves pisadas. O sorriso dela vinha até mim, seu ar gracioso era capaz de me esquecer o frio gélido daquela manhã, minha poesia sendo carinhosamente carregada em sua mão.
Ela parou diante de mim, e nós fitamos um ao outro por alguns instantes. Eu com meu caos pasmo, ela com seus olhos escuros. E sua voz soou… arrebatadora:
“Sei que acabamos de sair de uma cafeteria, mas… O que acha que tomar um café comigo?”
Notas finais
Então, o que acharam??
Por favorzinho, deixa aí um "hello" pra eu saber que você passou por aqui ^^
E, se quiser animar essa autora aqui, conta tudo o que achou, as críticas, os sentimentos e qualquer erro.
Obrigada pela leitura! ❤
~Jaa ne! ^^
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