Arrasou, Viado!
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Vocês mesmo!
Se vocês forem retardadas que nem eu e tiverem ideias ridiculamente engraçadas e um senso de humor incompreendido, não escrevam e nem poste na madrugada, ou o resultado vai ser mais ou menos esse:
Londres era farta em bares voltados ao público LGBT, e James Potter sabia melhor que todos disso.
Ele próprio era frequentador assíduo desse tipo de ambiente.
Desde que Lily Evans o havia deixado após os acontecimentos do sétimo ano em que Voldemort havia sido derrotado e ela conhecera um bruxo escocês, sua vida não tinha lá muito sentido.
Ele sempre fora popular, festeiro, bonito... Desapegado.
E agora sentia os impactos. Assistia os resultados. Pagava o preço.
Moony e Padfoot haviam se casado e arranjado uma casinha bacana em Bristol, perto de Molly Prewett que havia se casado com Arthur Weasley, e eles agora tinham família e eram vizinhos.
É claro que ambos lhe escreviam todos os dias.
Wormtail, por sua vez, continuava desaparecido, e muitos supunham que ele estivesse morto, o que seria na realidade bem plausível, visto que ele nunca fora muito competente como magista, nem como ser humano.
Pensando nisso, James riu, e foi entrando na conhecida Balada Poção Rosa.
É claro que um homem másculo como ele, discreto e bem apessoado, chamava a atenção em um bar gay bruxo.
Desde que descobrira a sua pansexualidade, ele havia se aberto por completo a novas experiências, e embora preferisse os bares trouxas da grande cidade de Londres, naquela noite, ele sentiu que era ali que deveria estar.
Então ele foi entrando no salão, que tinha o formato de um grande caldeirão e tinha luzes cor-de-rosa néon espalhadas magicamente por todo o ambiente.
Era quente, e fumaça rosa emanava do teto, especialmente no centro do recinto, a frente do palco que sempre recebia atrações amadoras que estavam fazendo sucesso entre os bruxos gays do Reino Unido, já que era lá que se concentrava a pista de dança.
Ele foi se apossando, apanhando a carteira para se certificar de que não havia levado somente dinheiro trouxa, como fizera da última vez, e tomou o seu lugar no banco diante do bartender, com as vistas embaçando-se sob os óculos com o calor do local, que o fazia parecer ainda mais com o interior de uma poção, de fato.
O garçom, lourinho e assanhado, sorriu para ele travessamente quando o viu se achegar, e James deu um meio-sorriso em resposta.
Estranhamente, naquele dia ele estava se sentindo pouco inclinado a fazer sexo casual descompromissado ou mesmo beijar alguém, fosse porque ninguém ali lhe enchia os olhos, apesar da vastidão de opções, fosse porque ele simplesmente estava tranquilo.
Conhecia bem o garçom, ele diversas vezes lhe dera drinks grátis na esperança de arrumar uma boa noite de sexo, o que, é claro, era educadamente declinado pelo funcionário do Gringotts.
— Vou querer Firewhiskey, como de praxe — pediu ele, demonstrando pouco interesse na investida do rapaz, mas sem querer ser grosseiro.
Pigarreou e desviou o olhar para evitar a feição de decepção que brotara no rosto do moçoilo, que não deveria ser muito mais jovem do que ele.
Em pouco tempo, sua bebida estava na mesa e ele a tomava, sem se preocupar com as pessoas que o olhavam e piscavam para ele tentando capturar a sua atenção – estava acostumado com esse tipo de atitude das pessoas.
Afinal, constantemente lhe diziam que ele era um homão da porra, do tipo que não se deve jogar fora.
Uma figura de roupas sóbrias foi se aproximando e se assentou ao seu lado, com uma cortina de cabelos oleosos levemente cacheados, mais curtos do que ele reconheceria dos tempos da escola.
Tardou a identificar quem era o ser humano em questão, e precisou limpar as lentes embaçadas na camisa para acreditar que via o que estava vendo.
Sorriu, de surpresa, ao notar que quem estava do seu lado era ninguém mais, ninguém menos que Severus Snape, o garoto a quem costumava perturbar nos tempos de escola.
— Ora! — disse saudoso, em tom descontraído. — Se não é o próprio Ranhoso... Muito mudado por sinal.
Ele correu os olhos pelo Slytherin, erguendo as sobrancelhas.
Ele já não era tão magro.
Tinha um peitoral mais firme, embora não se equiparasse ao seu porte físico atlético, usava um suéter preto com uma camisa de gola branca para fora e calça social com sapato fechado.
A fumaça se alastrou em maior quantidade neste momento, coisa que acontecia muito e fazia parte da mágica do local, e Severus não reconheceu-o pela voz, mas exaltou-se ao ver o corpo definido com quem conversava – a cabeça estava coberta por névoa rosa.
— Há muito não me chamam por esse apelido... — ignorou a grosseria, pouco abalado – nem mesmo se lembrava do que havia ocorrido em sua adolescência. — E você é...?
Analisou novamente o peitoral marcado pela camisa, e não era de se jogar fora, ele pensou.
A névoa foi se dissipando e o rosto de James se revelou.
Ele quase caiu da cadeira, chocado.
— Potter! — ele disse, levemente constrangido de repente, e foi se levantando. — O que você faz aqui?
— O mesmo que você. — Ele deu de ombros. — Só passando o tempo depois de um dia duro no trabalho.
Snape ergueu a sobrancelha e, assumindo uma postura condescendente, preparou-se para projetar alguma ofensa, mas uma pessoa nova entrou no palco e a boate inteira explodiu-se em aplausos, fazendo com que ele e Potter se virassem.
— E agora que já estamos com a casa cheia... — anunciou Madame Winfrey, a dona do local. — Chegou o momento que todos estavam esperando... — disse, e houveram mais aplausos e ovulação por parte da plateia repentinamente entusiasmada. — Meninos, reflexores por favor.
Atrás de todos, num andaime, seis bruxos fortes se equilibravam e ajeitavam na mira da Sra. Winfrey um objeto curioso, muito grande e pesado.
Severus soube o que significava, e era preciso se afastar.
Aquele era o momento do feitiço, que tornava a Balada Poção Rosa tão especial para todos.
Quem estivesse próximo a alguém, começaria a bailar descontroladamente em par com quem quer que fosse, e normalmente essas danças terminavam em beijos – era quase parte da magia do lugar.
Procurou correr para longe, e mais névoa dissipou-se, mais espessa, por todo o recinto cobrindo-lhe as vistas no mesmo momento em que Potter, também sabendo o que aquilo significava, buscava fazer o mesmo que ele – correr, para longe.
Eles se esbarraram e Snape caiu por cima dele, bem na hora em que Madame Winfrey gritou, com a voz magicamente ampliada:
— Tarantallegra!
O lampejo roxo ofuscante cortou a fumaceira rosa no ar, bateu no reflexor de feitiços e imediatamente todos começaram a dançar, sem controle de seu corpo.
Potter ergueu-se, movido pelo feitiço, de um salto, e retirou Snape do chão conforme a fumaça começava a se dissipar, enxergando-o.
Eles queriam parar, mas não conseguiam, possuídos pelo feitiço e pela música que era apresentada ao vivo – não sabia-se se pela cantora original ou por alguma cover drag queen.
ARRASOU VIADO — JOJO MARONTINNI
"Eu vou dar uma empinada,
Vou tombar na sua cara,
Ih, arrasou, viado!
Arrasou, viado, ih!"
A música tinha um ritmo engraçado, uma pegada mais italiana, dança de salão e ao mesmo tempo algo moderno e agitado, provavelmente pela letra e as batidas ao fundo.
Os braços fortes de James envolveram a cintura de Snape, e ele dançou junto dele, rodopiando com o corpo colado ao do antigo rival, enquanto eles sacudiam-se pelo salão iluminado.
Junto à névoa cor-de-rosa, mais um elemento surgiu e começou a propagar-se no ar em diversas partículas, que Severus, como especialista em química, identificou como poções que eram respingadas de verdadeiros caldeirões ao alto, programadas para evaporar e infiltrarem-se pela respiração junto com a fumaça que possuía cheiro de hortifruti.
Arregalou os olhos, incapaz de cessar a dança com Potter.
— Potter, tampe o nariz! Que dia é hoje? — perguntou ele.
— Sexta-feira, oras — James lhe respondeu enquanto sapateavam colados um ao outro, sem entender que tipo de pergunta idiota era aquela.
— Dia do beijo, rápido! Prenda a respiração, ou seremos forçados a nos beijar! — ele disse, alarmado, e tapou a boca com a mão.
— O quê?!
— Gás do beijo, vá rápido! — disse impaciente com uma nota de histeria em sua voz.
— Mas isso é absurdo, é quase incitação a estupro, é um assédio, é... — Não conseguiu terminar.
Ele acabou respirando uma das moléculas enfeitiçadas e, hipnotizado, afastou a mão de Severus do rosto e o beijou, calorosamente.
Snape manteve os olhos bem abertos, arregalados, e quando finalmente conseguiu desvencilhar os próprios lábios do de Potter, disse, arfante:
— James, mas o que é isso?! — falou, indignado.
— Acho que foi o gás do beijo, desculpe — ele disse e abaixou os olhos, constrangido.
Snape, incapaz de parar de sapatear ou afastar-se dele, sentiu um formigamento na perna. Seria uma possível ereção?
Não vinha dele, e sim do seu parceiro de dança.
— Faça de novo — disse Sev firme, corajoso de repente.
— Como? — foi James que não entendeu.
Girando os olhos com impaciência, o Slytherin aspirou fundo o ar contaminado, absorvendo as propriedades mágicas, e selou os lábios nos de James, beijando-o com lascívia incontível.
Ele também aspirou o conteúdo, e correspondeu, enfeitiçado.
O tempo passou, os feitiços cessaram, mas o beijo perdurou com toques indiscretos e pausas ofegantes.
Quando a noite chegou ao fim, James aparatou dali, levando Severus para sua casa.
Aquilo, com certeza, não era coação de nenhuma arte mágica e nem efeitos da bebida, que eles consumiram em excesso ao fim da dança entre um beijo e o outro.
Era tesão contido, vontade reprimida desde os tempos de Hogwarts.
Afinal, secretamente, Severus havia sido seu insight. O "gay awaken" em sua mente.
Seu sonho de pansexual, seu sonho de moleque, havia sido realizado.
Juntos, eles haviam arrasado, viado.
Notas finais
(Feita para divulgar a nova música da Jojo Toddynho).
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