Notas iniciais
Égnia escolheu doze conselheiros, mas apenas um elfo, Robert não foi bem recebido entre eles, e nem bem aceito entre seu povo, pois ele era o mais pobre de toda sua raça.
—Então você partirá mesmo? – Diz Robert com lagrimas nos olhos.
—Eu tenho que ir se não a humanidade perderá sua beleza, seja forte, pois muitos precisarão de você, vamos já está começando! – Diz Égnia
Enquanto ela falava para o povo, ele ao seu lado lembrava daquela noite.
Estava frio, seus dentes rangiam, mal conseguia tocar sua flauta, mas ainda sim continuava, pois se não a tocasse ficariam sem comer aquela noite, assim como muitas outras vezes, o som de sua flauta já não estava muito bom e por causa do tempo e da neve, as pessoas não saiam de casa, seu chapéu estava praticamente vazio, com uma ou duas moedas de prata, ele então desiste de tocar e começa a se recolher, se não comessem naquela noite provavelmente não aguentariam a seguinte. Quando foi guardar o chapéu um estranho encapuzado passa e joga um saquinho. – O elfo flautista clama – Espere! quem é você? Você nem ao menos ouviu a minha música – O estranho nada diz e some em meio a neve. Ao abrir o saco, ele conta algumas moedas de ouro, não são muitas, mas é o bastante para uma refeição farta, seu sorriso abre de orelha a orelha, parece que seu corpo esquentou na mesma hora, Robert sai pulando em direção ao comerciante que sempre o espera, mas dessa vez estava quase fechando – Eu cheguei, espere! Desculpe pelo atraso. – O comerciante reabre as portas e dá as boas-vindas ao musico.
—Ó, achei que você não vinha hoje, com o foi seu dia? As pessoas não saem muito de casa nesse clima. – Pergunta o vendedor.
—Radiante, por favor me de tudo que essas moedas podem comprar! – Exclama Robert com um sorriso enorme em seu rosto.
O vendedor assustado o questiona – Você tem certeza? Não é sempre que você consegue tanto dinheiro.
Robert o retribui com o mais belo e radiante sorriso – Eles merecem! Saindo da mercearia, ele entra em alguns becos, e ao final do mais escuro e assustador adentra uma portinhola quase que no chão, onde até gnomos teriam dificuldade para passar. Lá dentro um quarto não muito grande, a luz é acesa e – Ei pessoal, tio Robert chegou! – crianças pulam em direção a ele, que as recebe de braços abertos.
—Hoje ninguém precisará dividir, tem comida pra todos – Em um grito que daria pra ouvir por todo quarteirão, e assim que o emite ele desmaia. Robert acorda horas depois do lado de fora da portinhola com as crianças a seu redor e uma mão estendida a sua frente, a mais bela moça que já havia visto, então uma voz linda e serena sai de sua boca.
—Eu gostaria de ouvir sua música agora.
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