Arquivo de Contos - Bigorna da criação
5 O lagarto
Notas iniciais
Não se sabe muito bem a origem destes justiceiros do deserto, o que se sabe, é que eles impedem que o mal venha ao mundo, e fazem isso com muita bravura e bom humor.
—IHAAAAAAAA! É ISSO AI CARVÃO, COM ESSE SÃO 9, MANDA PRO SACO! – Correndo pelo deserto, montado em seu melhor amigo, começa mais um dia de caça aos corpos.
— Parece que será um dia cheio hoje Kle, houve um pequeno conflito entre elfos e humanos novamente, você e carvão dão conta da ala 3? – Diz um dos responsáveis pela coleta.
— Claro que damos conta, agora que estamos nas areias ninguém nos segura! – exclama o garoto.
— Vá com cuidado, houve relatos de jaras por lá, você tem certeza que dá conta? Se vir um jara volte imediatamente, está entendendo?! – Diz o responsável.
— Não se preocupe, vamos Carvão!
— Espere! Ele nem me deu ouvidos...
— Não seja tão duro, é a primeira vez do garoto nas areias, deixe ele se divertir. Diz outro comandante que passará ali perto.
Ele sai todo corajoso em sua caçada, será um belo dia, mas eles devem ser rápidos, já está chegando no horário e não podem perder nem um minuto.
Chegando na ala 3 , Kle vê todos os corpos de longe com uma luneta para traçar a rota mais rápida e fazer a contagem, são diversos corpos tanto humanos quanto élficos e ele sabe que tem que pega-los rápido, principalmente dos humanos, com um grito encorajador ele sai em disparada colocando um a um no saco, feliz que pela primeira vez está nas areias, o garoto e seu lagarto estão todo animados, vai contando um a um e com cada vez mais emoção, parece até um parque de diversões, não demora muito até ele terminar.
— 17, 18, 19, 20, e , opa, eu jurava que eram 21, devo ter contado errado, vamos voltar Carvão, eles vão ver que somos os melhores, ainda bem que você está comigo, não sei o que faria sem você. – Neste mesmo momento uma criatura atrás do garoto emerge, com partes de escorpião e um rosto confuso, apenas querendo sangue, sim é um jara!
— Carvão corra! – Ele monta em seu lagarto escapando da picada, e dispara, seu coração bate cada vez mais forte, mas ele esta confiante como nunca, o jara começa a persegui-lo, está cada vez mais perto, o saco é muito pesado, mas se ele o largar mais jaras irão nascer, ele não sabe o que fazer e em meio a sua confusão a criatura emerge a sua frente! Ele e seu lagarto caem na areia, e a cada passo mais próximo do escorpião, mais seu coração ia parando, até que a cauda da picada vem em sua direção, ele fecha os olhos e...Carvão entra na frente da picada e morde a cabeça do jara ao mesmo tempo quebrando seu pescoço, o garoto abre os olhos e vê a criatura que iria efetuar sua morte, esta caída na areia, mas seu melhor amigo também está, o lagarto começa a dar seus últimos grunhidos.
— Ei cara, espere, você não pode me deixar, eu não sei o que fazer sem você, ainda teremos mais dias nas areias, fizemos uma promessa que seriamos os melhores. – Em lagrimas o garoto tenta amarrar a ferida, ele rasga sua túnica deixando seu braço descoberto que começa a queimar pelo sol, dói muito, mas não mais que a dor que está sentindo por dentro.
—Ei amigão, acorde, carvão! – O lagarto não se meche mais, a pele de seu braço já começa a abrir buracos, e o garoto sozinho começa a chorar e solta um grito desesperador. -CARVÃO!
Os responsáveis pela coleta chegam a procura do garoto, o cobrem e começam a carregar o lagarto.
—Ele morreu te protegendo garoto, é assim que tem que ser, seja grato e viva por ele. – Diz o responsável.
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