Notas iniciais
POV da Evangeline.

Crianças patéticas.
Eram todas tão normais que chegavam a machucar os olhos. Andando pra lá e pra cá, saindo de seus carros com grandes malas que, supostamente, tinham o suficiente para sobreviver as mudanças climáticas constantes da cidade. Suspeitava que o clima mudava junto com o humor de Afrit, mas nunca comentei isso em voz alta. Se despediam dos pais e desamassavam pedaços de papeis que continham o número de seus quartos. Torciam para terem um parceiro legal a cada passo que davam em direção ao prédio dos dormitórios. Fediam a insegurança humana. Patético.
Observava tudo de minhagrande janela no prédio central, onde ficavam salas de aula e as da administração. O dormitório dos professores ficava no terraço.
Minha respiração fazia o vidro embaçar. Cansei daquilo e fechei as cortinas vermelhas com um rápido puxão.
Dei cinco passos a atingi a cadeira da minha mesa de trabalho. Em breve os quatro alunos problemáticos estariam ali para me ver. Pegou as fichas. Dois meninos e duas meninas.
Joseph Wildum Silva, 16 anos. Que merda de nome é Wildum? Olhos castanhos sombrios me encaravam através da foto. Ele parecia o tipo que pula de moitas a noite, empunhando uma faca e pedindo por dinheiro. Os cabelos eram brancos, mas com certeza não por causa da idade.
Christopher Grimm, 16 anos. Grimm? Meus olhos se arregalaram. Grimm é ruim, muito ruim. Ele tinha olhos azuis e cabelos castanho claro. Sorria para foto, um sorriso de menino dedicado que sempre tira as melhores notas, o que não condizia com o nome.
Decidi avaliar o garoto mais tarde. Agora ia me concentrar em não tirar conclusões receptadas.
Satrina Ilyrium, 15 anos. Gostei do nome. A foto era bonita. Uma menina com cabelos pretos e pele clara, olhos verdes e a boca vermelha. Ela me lembrava uma versão cansada da cigana Esmeralda do Corcunda de Notridame, o filme sobre o homem deformado, mas com "bom coração". Bom coração ou não, ele acaba ficando na friendzone no fim do filme por que Esmeralda escolheu o mais bonito. Típico.
Lauren Leinariel, 14 anos. Nova, muito nova pra escola. Primeiro ano? O que uma menina de 14 anos poderia ter feito para ser acusada de... corri meus dedos por sua ficha até parar na palavra "assalto a mão armada". Ela foi pega roubando? Olhei novamente para sua foto. O cabelo era vermelho tingido e estava preso em um rabo de cavalo, com um laço gigante atras. Os olhos escuros eram meigos, mas parecia ter algo errado com eles, não consegui identificar o que era. A única maquiagem que tinha era um leve lápis nos olhos. No seu pescoço pode ver uma gargantilha com as iniciais "L.L." cercado por corações. Parecia o tipo fofo que usa vestidos rosas e saltita por ai, não o tipo que rouba com uma arma.
Eram tempos estranhos. Humanos nunca parecem ser o que são e a situação só piorou ao longo dos séculos.
Larguei os papeis na mesa e me espreguicei na cadeira de couro preta. Seria um dia longo aquele.
A grande pergunta era:

Será que alguém aqui se encaixa na Ordem?

Notas finais
o próximo cap. vai ser narrado pelo Christopher.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.