Aroma Nostálgico
1 OneShot
Notas iniciais
Sabe aquelas ideias doidas que se tem no meio da noite e te fazem sair da cama só pra não perdê-las? Então, é uma delas.
Comparada às minhas outras fics "por trás das câmeras", eu particularmente acho essa bem ruinzinha... Mas eu queria ler uma CassiAli e ninguém escreve =A=)
A trupe da névoa voltava de mais uma noite de saques. Já em nosso esconderijo, nós, a dupla de líderes, bebiamos numa mesa mais afastada do resto da trupe, que fazia a checagem do roubo da noite.
– Está vendo só? Tudo isso é graças à você.
– Hehe... — Alibaba segurava o copo com as duas mãos, olhando para o líquido dali. Parecia desconfortável.
– É sua segunda noite na nossa trupe, logo vai se acostumar com o ambiente.
– Não é bem o ambiente...
– O que? Vai me dizer que ainda não sabe beber? — passei um braço sobre seus ombros, o sacudindo um pouco — Francamente, você não muda nada! — Ri divertido.
Aquela proximidade me fez sentir o cheiro familiar vindo de Alibaba. Ah... Isso me traz uma lembrança distante...
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Estávamos lá, bebendo como grandes amigos, depois de muito tempo separados. Realmente, foram anos sem ver Alibaba, mas o desgraçado não havia mudado nada se não a altura. Eu, por outro lado, não era mais o mesmo pirralho que ele socou quando foi embora. Eu tinha um objetivo a cumprir aquela noite, mas encontrar Alibaba me fez dar uma súbita mudança em meus planos. Uma melhora, se for pensar bem.
Como alguém vindo da realeza, eu não esperava que ele fosse tão fraco com álcool Sempre achei que os ricos se esbanjavam com vinho e Alibaba já estava bêbado no segundo copo, falando pelos cotovelos com aquele jeitinho bobo que ele sempre teve.
– Hey, está ficando tarde. Não é melhor você voltar? — Simulei preocupação, tinha muito o que preparar graças às informações que ele deixou escapar
– Ah — respondeu, meio pendulando o corpo para os lados– tem razão.
– Parece tonto, quer ajuda pra levantar?
– Uhn — gemeu em resposta.
Levantei de meu assento e pedi que ele me esperasse ali enquanto pagaria pela nossa bebida. Sem que Alibaba percebesse, fui até meus subordinados e lhes disse para saírem e irem atrás de Alibaba quando ele estivesse sozinho. Feito isso, voltei a mesa, e o ajudei a levantar passando um de seus braços sobre meus ombros. Ele mantinha a cabeça abaixa, estava realmente bêbado.
Deixamos o bar pouco antes que ele fechasse e seguimos para as vielas de Balbadd, um caminho que o levaria para de volta para o palácio. Em certo ponto Alibaba mal movia os pés mesmo que estivesse apoiado em mim, também havia cedido a cabeça para frente.
– Cassim... Não me sinto bem...
– Tch, seu fraco, devia ter dito antes que não era acostumado a beber.
– Cala a boca, preciso deitar.
Bufei. Não tinha outra escolha se não cuidar dele até que pudesse voltar pra casa sozinho. Estávamos perto do barraco onde eu morava sozinho, então o levei até lá. Só mais um lugar caindo aos pedaços no meio da favela, sem mobília nenhuma no que seria uma sala. A passagem escondida por uma cortinha de tecido comido por traças dava no quarto — outro lugar vazio. Levei Alibaba até a pilha de panos dura que eu chamava de cama e deixei que se deitasse lá.
– Oh, cara, você tá mesmo mal.
– Me deixa... — Resmungou, em seguida agarrou o "travesseiro" e pôs sobre a testa, escondendo a metade de cima do rosto corado por causa da embriaguez. Continuou segurando o travesseiro ali mesmo.
– Só melhora de uma vez, não quero ser morto por ter sequestrado o príncipe. — Ele não disse mais nada. Dei de ombros e me sentei na beirada da cama.
Alibaba é mesmo um príncipe, eu olho pra ele e vejo alguém que precisa ser cuidado o tempo todo. Realmente, somos totalmente diferentes, até no cheiro que ele impregnou em mim enquanto o ajudava a andar. Aquele cheiro me deixou confuso, comecei a "farejar" mais dele virando o rosto para o Alibaba adormecido.
Um aroma nostálgico... Estranhamente nostálgico.
De alguma forma, passei a aspirar o ar acima de Alibaba, querendo ainda mais daquele perfume e inconscientemente, levei meu rosto ate a curva do pescoço dele.
Ah, agora me lembro. Esse era o cheiro da dona Anise. Um aroma diferente do cheiro das prostitutas por ai. Não era só um perfume, era o cheiro natural do Alibaba. Por isso me senti tal nostalgia. Não queria parar por mais estranha que fosse a cena. Deixei que meus braços cercassem o tronco do Alibaba enquanto continuava a fungar em seu pescoço.
– Cassim... O que está fazendo? — Falava baixo, não exatamente como se me perguntasse, mas num tom cansado.
– Te cheirando, algum problema?
– Uh-un — balançou a cabeça em negação– De alguma forma, eu também estou sentido seu cheiro, então isso não me incomoda. — Esse cara está bêbado. MUITO bêbado.
– Deveria incomodar, eu estou fedendo.
– Não é disso que eu estou falando.
– Do quê, então?
– Não dá pra explicar, mas é uma sensação nostálgica. Eu me lembro que quando eramos menores e dormíamos juntos. Tinha vezes em que eu acordava com você em cima de mim desse jeito. — Toda a fala de Alibaba era em sussurro e assim ele acabava assoprando com o hálito amargo por conta da bebida.– Na época eu achava isso ruim, mas me lembrando agora eu sei que você fazia isso por causa desse seu instinto protetor. — achei ter ouvido ele rir durante a última frase.
Do jeito que ele fala, quase me faz sentir mal. Não sei se tinha realmente a intenção de protegê-lo nem nada, só que era mais macio dormir em cima dele do quê no chão. Melhor eu me afastar antes que isso fique pior.
– Tira esse travesseiro da cara se não vai se sufocar — Saí de cima dele, pegando o travesseiro. Tentei puxar, mas Alibaba o segurava firme. Levantei o suficiente para ver.
Alibaba não esta corado só pela bebida, seus olhos fechados estavam um pouco inchados, como se segurasse lágrimas. Um bebezão, como sempre.
– Ah, cara, não faz isso — Devolvi o travesseiro, logo coçando a nuca. Vê-lo daquela forma me deixou sem jeito. Eu também sentia daquela nostalgia, mas pra ele foi pior. Alibaba sempre foi tão sensível com esse lance de "laços". Sem virar meu rosto pra ele, o ouvi soluçar uma vez– O que que eu faço pra você para de chorar?
Ele levantou os braços, como se pedisse um abraço. Não queria me sentir pior ainda então o fiz. Voltei àquela posição de antes e deixei que me abraçasse o pescoço. Eu estava, outra vez, inalando o perfume nostálgico de seu corpo.
– Melhora logo, cara, você ainda tem que ir embora — Quis me mostrar indiferente embora estivesse com o nariz diretamente sobre a pele do pescoço dele. A esta altura o travesseiro de seu rosto já tinha caído no chão.
– Mm... Cassim...
– O que?
Levantei a cabeça temporariamente e o vi vindo ao meu encontro, o cheiro de álcool cada vez mais perto. Poderia ter evitado se quisesse, mas por algum motivo, eu também queria aquilo.
Eu queria ter Alibaba daquele jeito, mais daquele cheiro grudado em meu corpo, partilhar do gosto de álcool de seu hálito...
– Seu... — Só resmunguei ao fechar os olhos e o deixar fazer.
Só que
Ele não fez.
Apenas encostou a boca na minha e ficamos assim.
Pelo que me lembro da conversa no bar, ele disse que nunca ficou com uma garota antes então talvez não soubesse o que fazer realmente. Ri ainda com os lábios nos dele, eu mesmo completaria aquele beijo. Usando de minha língua, abri passagem entre seus lábios e dentes até encontra a dele imóvel. Senti o abraço no qual era envolvido ser apertado ao tocá-la. Houve um gemido tímido quando comecei a ser correspondido.
– Ca... — Ele tentou falar, mas eu não deixei. Continuei beijando-o, quase sendo estrangulado pelo abraço.
Já estamos demorando muito aqui, seria prejudicial para ambos demorar ainda mais. Cortei o beijo com algum receio e me afastei; ele me soltou naturalmente quando o fiz. Não queria ter parado, não mesmo, mas precisava.
Voltei a estar sentado como antes, só que com o tronco virado para ele. Alibaba ainda estava corado, tinha os olhos ainda lacrimejantes quase totalmente fechados, me encarando de um jeito... como dizer... fofo.
Realmente, esse cara me passa a sensação e vontade de protegê-lo. Uma vontade a qual não posso me entregar ainda.
Uma última vez, passei as costas de uma das mãos levemente pelo rosto dele e então deixei o quarto. Fui à cozinha, buscar um copo com água para derramar na cara dele.
– O que?! — Reclamou assustado, parecia ter acabado de acordar. É bom mesmo que não se lembre.– Cassim? Onde nós estamos?
– Você ficou bêbado e eu te trouxe pra cá. Agora vai embora de uma vez, tá tarde.
– Verdade! Eu preciso voltar pro palácio! — Levantou apressado.– Então, nós vemos outro dia!
– Ah, claro — Acenei.
Alibaba foi embora como se nada tivesse acontecido, e eu acho que é melhor assim. Não quero que ele tenha mais boas memórias sobre mim, principalmente depois que...
A partir dali, meus subordinados trabalhariam. Limitei-me e ir dormir, contorcido naquela cama dura repleta do cheiro dele.
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Já havia o soltado quando terminei de lembrar. Alibaba ainda não se arriscava a beber, ficava encarando e girando o copo em suas mãos.
– Sabe — eu disse, com meu copo na boca e olhando para nada em especial — temos que continuar aquilo alguma hora.
– "Aquilo" o que? — Perguntou confuso, tinha levantando um pouco mais o copo, mas hesitava beber.
– Apenas beba.
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