Notas iniciais
Antes de iniciarmos a história, deixaria aqui a tradução dos nomes dos personagens. Ao final da página, fica o vocabulário, ok?

Îdhron: Noah (nome aleatório, porém imponente, para o rei)
Sadron: Damon (nome inspirado num personagem meu)
Raunien: Léo
Castiel: Inês (entretanto, foi uma menção ao nome Inara)
Saerwen: Maryana
Beriadhwen: Jaqueline
Venissiel: Camila
Nieriel: Melissa
Tegalad: Lucas
Nimthîriel: Jenifer

Há muito, muito tempo atrás, no local que hoje vem a ser a Inglaterra, havia um reino. Um lugar tão belo que as palavras não podem descrever. Palácios às encostas das montanhas, construídos com os mais formosos materiais que existem, de mármore a ouro e diamantes. Caminhos em meio às árvores, e não simples árvores, mas árvores mágicas, com folhas tão brilhantes quanto o Sol no verão, pálidas como o gelo e nas quais se podia ver o próprio reflexo ao inverno, tão intensamente coloridas à primavera, indo desde o branco até negras folhas, e simplórias, mas igualmente tão belas no outono, época em que nasciam frutos saborosos ao paladar e que com uma simples mordida podia revitalizar até o mais cansado dos seres. As folhas nunca caíam, apenas transformavam-se com a mudança das estações. Gazebos, com folhas caindo de seus telhados, encontravam-se nas beiras desses caminhos. Rios corriam por entre os palácios desta terra há tanto esquecida.

E o seu povo não era menos belo; altos e imponentes elfos, de orelhas pontudas, e com cabelos que alcançavam a cintura. E amavam a natureza; quando o toque de seus pés encostava no solo, a terra se alegrava. E amavam os animais; cuidavam dos bichos como cuidavam de seus próprios filhos, e estes eram seus amigos, fosse um coelho ou um leão, pois todas as espécies viviam no reino.

Îdhron era seu rei. Um elfo alto, que apesar de aparentar ser longevo, ainda assim era forte e imponente, seus longos cabelos brancos caiam-lhe aos ombros. Um monarca justo, que não fazia diferença entre seu povo: para ele todos eram igualmente importantes e amados, seus filhos ou os camponeses de suas terras. Passava os dias sentado em seu trono – feito dos troncos acinzentados das árvores mágicas e suas belas folhas espalhadas por todo o assento –, escutando seus súditos. Îdhron gostava de ouví-los, conhecer as histórias deles e suas famílias. Quando eles se iam, uma folha caía do trono de Îdhron, e assim ele sempre se lembraria da conversa que teve com seu amado vassalo.

Seus filho eram: Raunien, seu primogênito e herdeiro do trono, tinha cabelos negros curtos e uma franja que caía sobre um dos olhos, azuis da cor do oceano; Castiel, a princesa élfica mais bondosa que existiu, com aparência semelhante a de uma índia; Saerwen, a mais bela de todas as negras elfas, e que podia controlar os quatro elementos; Beriadhwen, a elfa de traços orientais e mais destemida entre os irmãos; Venessiel, a doce e mais sentimental de seu povo; Nieriel, a mais imponente elfa, dona de belos cabelos brancos com mechas verdes; Tegalad, o príncipe élfico gêmeo de Nieriel, tinha os cabelos louros e era forte como o pai; e Nimthîriel, a jovem donzela élfica, dona dos olhos mais verdes que uma pedra de jade.

Mas aconteceu que um dia, Sadron, o mais belo dos elfos, quem tinha olhos roxos, cabelos lisos curtos e com a franja caindo-lhe no olho, aquele em que Raunien mais se inspirava e quem admirou por toda a sua vida, corrompeu-se. Sadron era o duque do reino, amigo e conselheiro de Îdhron. Ele fora praticamente criado pelo rei, pois seus pais deixaram as terras pertencentes a ele, indo para o mundo exterior, um lugar mau. Mas desde pequeno, Sadron fora ruim. Ele matou Soron, a Águia Celestial do rei, símbolo dos elfos. E ele cresceu, e cada vez mais, seu coração tornava-se duro, até que um dia ele se revelou. Após uma tentativa frustrada de matar Îdhron, ele foi expulso:

– Pelo poder a mim concedido, Sadron, de hoje em diante, estás expulso de meu reino. Viverás no mundo exterior agora. Levem-no daqui, guardas!

E essas foram as últimas palavras que Sadron ouviu de seu rei. Mas muitos o seguiram e Îdhron nada fez, pois como dizia “liberdade é o direito de todos os seres conscientes”.

E o tempo passou. Longos e longos anos. E o reino de Vanwa Nórë seguiu em frente mesmo após a perda de Sadron. Porém, o que ninguém sabia era que o traidor não desistiria tão fácil.

Os elfos exilados se transformaram em criaturas abomináveis. Suas peles agora eram cinzentas e pálidas, ou escuras como o breu noturno. Os cabelos de todos eram brancos, da cor da neve e seus olhos pretos. E para se alimentarem, eles sugavam o sangue de criaturas vivas. Alguns deles tinham presas que chegavam à altura do queixo. Eles se denominavam como “Elfos da Noite”, ou “Elfos da Escuridão”, pois viviam apenas sob a lua, já que a luz do sol os agredia e queimava.

Era uma noite de lua cheia. Os guardas do reino de Vanwa Nórë estavam vigiando das altas torres nas fronteiras de sua terra, quando, de repente, uma criatura sombria matou um deles. Era mais ágil que qualquer outro elfo e fez várias vítimas, até que uma flecha o derrubou. Quando os guardas sobreviventes chegaram perto do corpo jazido daquele ser maligno, constataram que era um elfo, mas um tipo diferente de tudo que já haviam visto. Enquanto eles estavam distraídos, dezenas de outras criaturas os atacaram, com uma chuva de flechas lavando as torres de vigia. Eram envenenadas, feitas com o mais funesto dos materiais.

Logo, os Elfos da Noite invadiram as torres. Sadron estava junto deles.

– Os Ion Huine estão de volta, Îdhron. Que Ontáre Ithil nos dê força! Ataquem, Edhel Móre!

E assim, o caos se espalhou por Vanwa Nórë. Os Elfos da Escuridão destruíram as árvores em seu caminho e mataram os poucos elfos que os viram nas partes mais remotas do reino.

Venessiel caminhava pelos bosques ao redor do castelo. Raunien a viu e se aproximou:

– O que há com você?

– Não sei, Raunien, mas sinto meu coração pesado.

– A noite está mais escura do que o de costume – era Castiel. – Meu coração também se aperta!

A conversa foi interrompida quando Tegalad se aproximou, na velocidade de uma flecha. Parou e se apoiou nos joelhos, ofegante.

– Tegalad...

– Sadron! Ele está de volta e trouxe um exército. Tomaram as torres de vigia e estão destruindo as árvores na borda da floresta. Logo eles entrarão na área onde vivem os camponeses.

Beriadhwen chegou e ela trazia nas mãos estendidas algo coberto com um pano de seda:

- Eis que trago vossas armas, irmãos. É hora de lutarmos por nosso povo! – Sua voz passava confiança aos irmãos, atônitos pela notícia que receberam de Tegalad.

Saerwen, Nieriel e Nimthîriel vinham logo atrás. Todos pegaram seus arcos e espadas. Nesse momento, as trombetas dos camponeses soaram. E todo o povo de Vanwa Nórë se preparou para batalha. Îdhron, montado em seu cavalo, chegou aos portões de seu palácio, onde os guerreiros o esperavam. Ele foi à frente de seu povo, seguido pelos príncipes e princesas élficas. O exército vinha logo atrás.

Na vila dos camponeses, os Elfos da Noite já tinham incendiado casas e matado os pobres habitantes. Eles profanavam coisas malignas enquanto destruíam tudo em seu caminho. Sadron nada fazia, apenas ficou parado, olhando para o horizonte e esperando que seu adversário chegasse. E assim aconteceu. Ele avistou o rei Îdhron a centenas de metros, se aproximando em seu cavalo. Ordenou:

- Ion Huine, parem! É chegada a hora da verdadeira batalha.

Îdhron e seu exército já tinham alcançado o campo aberto onde os Elfos da Noite estavam. Imponente em seu cavalo, encarava Sadron. E ele respondia a seu antigo senhor.

Ambos os exércitos avançaram. Sadron, Îdhron e seus filhos ficaram imóveis, enquanto os soldados se matavam. Os elfos de Vanwa Nórë estavam em maior número, praticamente tinham o triplo de seus oponentes. Mas estes eram mais fortes e ágeis, e assim, logo estavam ganhando a batalha. Foi quando Îdhron ordenou que seus filhos atacassem. Bastava uma única flecha de seus arcos para que os inimigos caíssem mortos no chão. Eles tinham um brilho interior que enfraquecia os Elfos da Noite, como se o sol estivesse ali presente em meio à noite. Após uma árdua batalha, que durou por cerca de quase uma hora, não restava ninguém em pé no campo, apenas Sadron e a família real.

– Retornem para o palácio. Tenho de terminar isso – dizia Îdhron para os filhos. Eles o obedeceram – Meu coração não permitiu que eu fizesse mal a você, Sadron, mas vejo que errei.

– Ó rei meu, querido e amado, a quem dediquei minha vida, talvez estejas certo. Então que assim seja, nesse momento.

Roch, o cavalo do rei, foi fatalmente ferido na primeira investida que Sadron deu e acabou morrendo. Îdhron chorou; Sadron riu. E a batalha prosseguiu. O senhor de Vanwa Nórë tinha derrotado seu inimigo, depois uma luta cansativa, que custou-lhe seu arco, a mais poderosa arma criada pelos elfos daquele tempo, e seu cavalo. Aquele fora o segundo animal de Îdhron que Sadron matara, ele pensou consigo mesmo e se orgulhou. O rei pressionou a garganta do maligno líder dos Elfos da Noite com sua espada:

– Que a natureza venha a me perdoar por tal ato!

Mas antes que Îdhron pudesse desferir o golpe final em Sadron, este lançou um pequeno dardo no rei, com o mesmo veneno das flechas dos Elfos da Noite. îdhron caiu no chão, enquanto Sadron punha-se de pé e sussurrava coisas nefastas na língua élfica. E a lua foi a última coisa que Sadron viu...

Raunien tinha-lhe cortado a cabeça fora. O príncipe havia chegado por trás de Sadron, enquanto ele estava distraído. Mas era tarde, pois seu pai, Îdhron, já havia deixado este mundo também.

O dia seguinte amanheceu. E durante todo o dia, o céu permaneceu avermelhado e triste.

Assim, Raunien subiu ao trono. E na hora da coroação, suas palavras foram:

– Que Ontáre Ithil nos dê força!

...

Notas finais
Fica aqui o vocabulário:
Arnad: Reino / Huine: Sombras, Escuridão / Vanwa: Reino / Nórë: Terra / Ion: Filho / Ontáre: Mãe / Ithil: Lua / Edhel: Elfo / Móre: Noite, Escuridão / Soron: Águia / Roch: Cavalo
Porém, só ressaltando um ponto: há todo um esquema certo de pronunciação (ao qual, sinceramente, nem eu conheço corretamente).

Caso alguém se interesse pela língua, entrem em contato que eu tento ajudar, passando alguns links interessantes sobre o assunto, ok?

Agradeço aqui e espero que vocês tenham entendido o que realmente se passou nas entrelinhas, rs! Nada é o que parece...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!