Armistice
9 Amar
Amar
Amar
Era de tarde, um sol ardente cobria todo aquele oceano quase sem fim. No navio de Bonney tudo estava silencioso e tranqüilo. Após direcionar o navio, não se via mais ninguém circulando, Bonney e os outros tripulantes iam resolver e planejar coisas em outros cômodos. Ace normalmente passava o dia em repouso, enfurnado no escuro quarto de Bonney. Isso não o agradava, preferia estar lá apenas de noite, na companhia de sua amada.
Ace foi para a proa do navio, aquele sol não era recomendável para alguém com suspeitas de febre, mas ele precisava disso. Todo aquele calor o fazia se sentir "mais vivo", melhor até para pensar.
Ace realmente gostaria de ficar com Bonney por mais tempo, queria passar semanas com ela, dormir sentindo seu perfume, apreciar seu belíssimo sorriso nos momentos em que ela "baixava a guarda". Ele já estava acostumado até mesmo com suas patadas de extremo mau humor. As festas e banquetes com a tripulação, tudo o divertia, mas ele sabia que não podia ficar.
Em sua mente ele tentava se convencer "Está tudo bem, são apenas dois dias", mas a informação obtida sobre o Barba Negra estava martelando na sua cabeça junto com um pensamento constante, quase inevitável: "Ele está em alguma Ilha próxima... Mas e se eu perder sua rota neste tempo?".
Não vendo ninguém ao redor, Ace decidiu fazer um teste. Ele se concentrou e tentou disparar seu Hiken para poder saber se estava ou não melhor. Concentrou as chamas, disparou e pouco depois disso as chamas se espalharam sem atingir nem metade da distância normal.
Um pouco frustrado, ele voltou a se sentar e pensou "Bonney realmente está certa, meu corpo ainda não está pronto para uma luta, preciso desse descanso". No piso de madeira Ace percebia um som de passos de salto alto caminhando e aproximando-se. Ace se virou para olhar e era Bonney vindo em sua direção dizendo:
– Parece entediado. – Ela passou pela frente de Ace para se sentar entre suas pernas.
– Tive dias muito agitados e ficar parado assim, depois de um tempo, chega a ser estranho. – Afirmou Ace enquanto apoiava seu queixo nos ombros dela. – Bonney, você sabe que nossa relação tem de ser um segredo, não?
Ace levantou sua sobrancelha esquerda, ele parecia sério. Bonney puxou uma das mãos de Ace para abraçá-la pela cintura e começou a rir.
– Claro que sei, idiota! Se fosse de outra forma iriam aumentar o valor da minha cabeça alegando que tenho relação com o Shirohige. Não quero que ele aumente por isso, eu determino o valor de minha própria recompensa. — Dizia Bonney orgulhosa. Ace suspirou puxando-a para mais perto.
– Se alguém desconfiar do meu segredo e vier atrás de você... Não haverá nem julgamento. – Disse Ace parecendo preocupado. Ele sabia que caso a marinha conseguisse descobrir algo, mesmo sendo quase impossível, caçaria qualquer mulher que pudesse ter se envolvido com ele. Assim como foi com sua mãe.
– Pare de falar assim! Eu sei me proteger e também já tenho meus próprios problemas com o Governo, mais um ou menos um pouco importa... Não preciso da sua preocupação! – Disse Bonney de forma ríspida mexendo na pulseira que ela havia dado.
Após um breve silêncio, Bonney já parecia ter se acalmado e Ace estava mais tranquilo.
– Você nem sabe o quanto sou forte. – Disse Bonney sorrindo para Ace. Ele sentia-se orgulhoso, Bonney realmente era independente e uma grande capitã. Ela beliscava as pernas de Ace tentando fazê-lo sorrir.
– Já sei – disse ela enquanto o soltava — Que tal me contar uma história? Já se passaram três anos desde que você veio para o mar, agora você deve ter milhões de histórias para me contar. – Bonney sorria aconchegando-se no abraço de Ace, ele a apertava sutilmente.
– O que você conhece do Novo Mundo? – Os olhos de Bonney brilhavam, naquele momento, ela pareceu aquela garota que so era grossa e chorona do South Blue, Ace lançou um sorriso – Quando me uni ao Barba Branca, passei a navegar naqueles lados do mundo...
Ace contava as peculiaridades do Novo Mundo, Bonney parecia cada vez mais surpresa com o que ouvia. Ela estava fascinada com as histórias do novo mundo. Devem ter passado horas ali na proa, agora aquele oceano já havia tomado outro aspecto, parecia calmo e profundamente escuro.
– Depois de matar o Teach, voltarei para lá e ficarei te esperando. – Dizia ele enquanto abraçava Bonney – Quando você chegar irei pedir para o "pai" fazer uma grande festa e você vai conhecer todos meus nakamas.
– Ah claro, Ace. – disse Bonney com um tom irônico – Você acha que eu simplesmente embarcaria no Moby Dick? Estaria morta! Nós somos piratas, não posso ir lá e simplesmente bater um papo com o Barba Branca.
– Bonney você é minha convidada, vai recusar um banquete? – Ace bagunçava os cabelos dela. – E você é minha mulher, será bem vinda la, certo?
– Você é um idiota sabia? – Dizia ela enquanto se levantava e arrumando os cabelos – Mas irei pensar em sua proposta, prometo ao menos encontrá-lo no Novo mundo...
– Capitã Bonney! – veio um dos homens gritando para ela – Estamos nos aproximando de uma ilha!
– Vamos ancorar aqui no mar, desceremos lá amanhã pela manhã! Está anoitecendo e não quero correr o risco de entrarmos numa ilha desconhecida e perigosa com animais pela noite. – Ordenou Bonney.
Tudo foi feito como ordenado. Bonney tinha o respeito de todos os homens da tripulação, Ace admirava isso. O navio estava parado próximo à ilha. Anoitecia lentamente e o jantar já estava sendo preparado.
A noite continuava tranquila, durante o jantar as enormes travessas de comida eram servidas. Ace e Bonney comiam compulsivamente, ele ainda fazia intervalos para cochilar, a tripulação nem se incomodava mais com isso.
Após o jantar Ace voltou para a proa do navio, ele sempre gostou de observar o mar. Bonney vinha logo em seguida, ele a esperava.
– O que quer? — disse ela enquanto aproximava-se.
– Está vendo isso? É um Vivre Card – disse ele mostrando um papel e rasgando um pedaço para ela.
Bonney recebeu o papel em branco e disse:
– Mas que porcaria é essa?
– Esse papel vai te guiar para onde eu estiver. Quero que você me encontre no Novo Mundo. – Ace segurou a mão de Bonney e sob ela colocou o Vivre Card, o papel movia-se em direção a ele. Ela ficou surpresa e lhe abraçou.
– Obrigada Ace.
– Você me ama, Bonney?
– Que pergunta idiota é essa? – Bonney fechou o papel em uma mão e guardou no bolso – Vamos para o quarto.
Ace a acompanhou, ele estava quieto. Bonney se preparava para deitar e Ace estava sentado na cama.
– Nunca soube o que era amar ou ser amada Ace... Até você aparecer. – Disse ela indo deitar-se – Se isso que sinto por voce é o tal amor, então é você quem eu amo e o único que amarei em todo esse mundo. – Bonney sorriu deitando-se sob o peitoral de Ace – E sendo a dona de seu amor, irei obrigá-lo a nunca mais me abandonar.
Ace abraçou Bonney, talvez nada mais precisasse ser dito. Ele queria apenas amá-la durante esse curto e precioso descanso.
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