Armações Do Destino.
2 Capítulo 2
Olhei pra ele. Ele estava paralisado olhando pra um lugar. Segui pra onde ele estava olhando. Tinha um casal sorindo e brincando, pus minha mão no seu braço.
- Aaron, vai querer o qual?
- O mesmo que você. Vou te esperar lá fora.
Fui pra fila pra pagar, e o casal ficou atrás de mim. A moça era ruiva de farmácia, olhos verdes, relativamente magra e bonita. O rapaz tinha um cabelo moicano, alargadores medianos na orelha, moreno, tinha uma barba por fazer, muito bonito. Paguei e sai.
- Toma seu refri.-
- Obrigado.
Quando começamos a andar pra voltar à praia, o casal sai da loja. A ruiva fica olhando pra Aaron e depois pra mim. Com cara de inaceitavel ela puxou o cara do alargador e saiu. Aaron voltou mais calado do que o normal, nem o refrigerante ele abriu.
- Aahm... Aaron está tudo bem?
Ele fez que sim com a cabeca, depois de um tempo ele sumiu. Quando estavamos indo embora assim que a Mary desgrudou do Pete, eu fui logo perguntando:
- O que seu amigo tem?
- ih... Nem se preocupe, logo passa.
- Pete, quem é a ruiva?
Ele olha pra mim, meio surpreso.
- Peter...?
Ele olha para o lado, e Mary ainda estava terminando de arrumar as coisas dela.
- Mary, vamos ali comprar um sorvete. Você espera a gente aqui?
Ela acenou. E fomos andando.
- A ruiva, é Marissa. Ex-namorada dele, isso está muito recente. No dia em que chamei pra voces assistirem o show ela apareceu.
Oh My God. Esquecemos do show!
- Pete me desculpe. Nós esquecemos de ir ver vocês tocarem. Nos íamos mesmo. Até tínhamos comprado uma blusa do AC/DC pra compor o look.
Ele ri um pouco e depois diz:
- Tudo bem, haverá outras oportunidades. Mas voltando ao assunto, — ele diz serio agora — Marissa, terminou com ele logo depois do show alegando que ele já não tinha mais tempo pra ela, e que o amor que ela sentia não era o mesmo. — ele faz uma pausa e suspira — depois disso ele ficou desolado, ela era o mundo dele, o ar que ele respirava. E ver ela aqui foi um baque.
- É mesmo, ainda mais acompanhada de outro rapaz.
Pete me olha surpreso.
- Como?
- Ué ele não te contou? Ela estava de namorado novo. Aos beijos e sorrisinhos.
- Não, ele não falou nada. — Pete estava muito sério — Vamos pra casa.
Chegamos moídos e quebrados. A Mary foi tomar banho primeiro porque tinha que faz sei lá o que, e que tinha que ser a primeira. Assim que ela saiu, eu tomei um longo banho, e aproveitei pra pensar nos acontecimentos do dia. Desci e só encontrei o Aaron na sala. Aparentemente recuperado do incidente Marissa de mais cedo.
- Eles saíram pra pedir uma pizza. Peter não tinha o número e resolveu ir lá.
Foi então que a ficha caiu. Nossa como eu não percebi isso? Eles passaram o dia todo grudados, saíram pra pedir uma pizza e nem chamou eu e Aaron pra irmos juntos. Então eu dei uma olhada na geladeira e tinha alguns temperos e verduras. No congelador salsichas e algumas carnes. No armário achei o pão que estava na mesa do café.
- Pelo jeito a pizza vai demorar, vou fazer um hot dog.
Em meia hora estava tudo pronto. E eis que Aaron surge na cozinha.
- huuuum, nossa que cheiro maravilhoso.
- Já está pronto. Sirva-se.
Estavamos morrendo de fome, e estava gostoso apesar de não ter muita coisa pra incrementar. Então sem mais nem menos, Pete e Mary aparecem com a tal pizza, depois de umas duas horas.
- huuum que cheiro bom. — diz Pete, então ele olha para o balcão — Mas eu trouxe pizza e vocês já comeram?
-claro Peter, já estávamos desnutridos de tanta fome, e se fossemos esperar, já teríamos morrido — digo sorrindo.
Ele dá uma gargalhada. — Desculpe pela demora.
Mordisquei uma fatia de pizza e subi pro quarto, atrás de mim veio Mary.
- E então?
Ela me olhou confusa.
- Você e Pete...
- Ah tá, bom... Ele e bem legal, vamos ver no que dá.
E disse numa forma que não ia dar continuidade no assunto tão cedo.
- O Pete me contou sobre o incidente do Aaron de hoje. Poxa que chato né?
- Muito. Bom, já vou dormir.
Troquei de roupa, fechei os olhos e apaguei. Acordei com o sol nos olhos de novo. Quando desci, dessa vez os eles não foram à praia sem nós. Pete estava de bermudão e sem camisa, seu corpo era escultural. Aaron também estava de bermuda só que de camisa.
- Vamos sair depois do almoco. Hoje eu não pretendo ir a praia, mas se vocês quiserem ir, fiquem à vontade.
Eu e Mary resolvemos ir um pouquinho, mas depois de algumas horas resolvemos voltar. O almoco estava pronto, quando chegamos. Estava com tanta fome que nem perguntei o que era, mas estava delicioso. No caminho de volta pra casa foi quase igual à vinda. Musicas cantorias e conversas. A diferenca era que a Mary ficou no banco da frente colada em Pete e eu no de trás com Aaron. O retorno foi bem tranquilo quase não tinha carros nas estradas.
Descemos do carro.
- Obrigado Pete, foi um fim de semana maravilhoso.
- Por nada gata — diz ele piscando o olho. — Marcaremos outros evento desse.
E se foram. Quando chegamos no nosso apê, ainda estávamos cansadas.
- Aaah, que cansaço!
- Nem me fale, estava morrendo de saudade da minha humilde caminha — diz Mary.
Deitei na cama e só me levantei no outro dia. E pela cara inchada de Mary, aconteceu o mesmo. Fomos estudar, sem ânimo nenhum. Nas duas semanas seguintes, Peter não deu nenhum sinal de vida, Mary às vezes chegava muito tarde e não falava nada, e quanto ao Aaron, eu nem o vi mais. Na terceira semana desde que voltamos de Eagle Beach, numa sexta-feira Mary olha pra mim, um pouco preocupada e diz:
- Jack... Haaam... Tenho uma coisa pra te contar.
Fico apenas olhando, na espera pelo que ela ia me dizer.
- Bom... Eu e o Pete... É... Nós meio que estamos juntos.
- Puxa que bom. Então era por isso que quase não te vi nas ultimas semanas.
- Está tudo bem? Sério?
- Claro que está. E porque não estaria?
- Bom, você tinha uma queda por ele. Entao...
Dou uma gargalhada.
- Mary isso já tem uns... sete anos. E depois vocês sao livres pra fazerem suas próprias escolhas.
- poxa amiga, — diz com um sorriso que ia de orelha a orelha. — fico aliviada, achei que ainda sentia algo.
Dou um sorriso e continuo olhando pra ela. Até que ela quebra o silêncio.
- Vamos passar o fim de semana em Eagle bech. Temos que aproveitar pois segunda é feriado.
Ela saiu de casa muito cedo, e como de costume me acordou com a barulhera dela na cozinha. Mas continuei na cama. À tarde, resolvi ir ao zoo. Logo na entrada esbarro em alguém.
- oi... descul... Aaron?
- Oi Jackie. Ja faz um tempo que não a vejo.
- É mesmo.
- Se importa se eu te acompanhar, pelo seu tour?
- não, pode vir.
O Passeio foi incrível, o Aaron foi muito simpático. Fez ate piadinhas. Passamos a maior parte do passeio parte dos felinos. Quando eu era crianca uma vez pedi pra minha mãe me dar um filhote de leão, ela disse que isso estava fora de cogitação, então comecei a chorar. Fiquei triste por uma semana, logo depois pedi furão, mas isso já é outra historia. Quando chegamos ao aquário o inesperado aconteceu:
- Ham... Jackie, já que a Mary e o Peter não estão. Chegou um parque de diversão na cidade e bom, queria saber se quer ir ao parque comigo.
Fiquei pasma.
- Ahm... Seria legal. Estou sozinha e não programei nada pra mais tarde.
- Então te pego as sete — de repente o BIP começa a apitar — tenho que ir, desculpe. A gente se vê mais tarde.
E ele sai correndo. Assim que ele sai, vou correndo pra casa, o que devia vestir? Bom e só o Aaron né? Né? Futuquei, minhas roupas, mas não achava nada, ate que achei uma camisa de linha coral, modelo mullet. Coloquei uma calca jeans escura, resolvi deixar o cabelo solto e esvoassante. As sete em ponto ouco uma buzina. Pego minha bolsa e desço.
- Pontual?- digo rindo.
Pego o capacete que ele me oferece e saímos. O parque estava cheio, claro era sabado. Aaron comprou os ingressos e fomos enfrentar as filas dos brinquedos. Primeiro fomos à montanha russa, ficamos meia hora na fila. Depois fomos ao carrinho que bate, barca e na roda gigante. Por ultimo, antes de ir embora, Aaron encarou o tiro ao alvo. Ele tem uma mira muito boa, e ganhei um ursinho medio todo branquinho com uma gravatinha xadrez.
- Que lindo! Obrigada, — digo sorrindo — ele é uma gracinha.
- Por nada. – Diz rindo.
Entao olho pra ele. Aaron tem um sorriso lindo. O som da sua risada é deliciosa, um pouco grossa e alta. Seus dentes são perfeitos.
- Então, vamos embora?- diz Aaron.
Subimos na moto e eu o envolvi novamente com meus braços magros. Assim que chegamos, eu desço da moto e tropeço nos meus pés, e caio no colo dele, meu rosto a centimetros do dele. Seus olhos estavam grudados nos meus. Um mar de misterio. Logo tento me recompor.
- haaam... Obrigado, foi bem divertido.
- Eu é que agradeço, pela compania.
- Bom até mais, durma bem.
- Até mais, você também.
Fico olhando ele se distanciar, e percebo que não me sinto assim, feliz e radiante, há muito tempo. Foi uma noite incrível.
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