Armas e Rosas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa leitura
Era a aula mais chata, na minha opinião. Eu olhava pela janela quando vi algo insignificante. Um homem e uma mulher, ela estava ensopada de sangue, ela iria morrer. Ele pegou sua faca e ameaçava matá-la. Sem pensar, tirei a arma da bolsa e gritei um "Janela!" para minha professora. Eu tinha que salvar uma vida.
Sim, eu tinha uma arma. Nas escolas era ensinada a guerra. Para os mais inteligentes e ligados na tecnologia havia aulas de como usar a tecnologia nas guerras. Eu? Eu fazia treinamento. No ano passado, coloquei meu nome na lista, mas tive um desempenho tão bom que fui convocada. Em meu grupo estava Marlene, minha melhor amiga Bia, Felipe e Lynn.
Enquanto corria em direção a porta, Lynn aparece correndo falando algo.
- Sabia que você não ia deixar. Vou pegar curativos e preparar a cabana, ok?
Cabana, era uma pequena casinha onde cuidávamos dos feridos.
- Ok — respondo com um suspiro. Quando olho, ela já apareceu. Passo correndo e dou de cara com Edward, eu tenho uma quedinha por ele e ele me encara quando me vê.
- Desculpa! — Grito e viro sem ver a reação dele.
Chego lá e vejo o homem. Ele me encara e sorri. Logo depois diz algo que me surpreende.
- Sophie. — e lança um sorriso perigoso. Pega uma faca e avança em minha direção. Sou levada ao chão, ele passa a faca pela minha boca fazendo um pequeno corte. Acerto um soco no seu nariz deformado. Ele se levanta e me chuta. Num movimento rápido me levanto e dou um chute em seu rosto. Ele tira uma arma de seu bolso e aponta para mim.
- Que pena. A heroína da história vai sair machucada. Se você acha que isso é um conto de fadas, está enganada. Nesse mundo não há histórias realmente felizes.
Então uma bala acerta seu peito, fazendo o homem morrer. Olho para trás e lá está ele. Sussurro um "Edward". Um sorriso surge em meu rosto e olho para direita e logo em seguida para a esquerda.
- Bom, obrigada.
- De nada. Tenho aula, não posso perder aula.
- Então por que veio?
- Porque você iria morrer.
Ele se vira e corre. Ele até que corre bem.
Coloco um curativo no nariz da moça. E ela grita quando eu toco em seu braço. Peço para ela se acalmar e faço o curativo. Me viro para Lynn e ela cuida da minha feridinha.
- Nunca achei que você ficaria bem com um corte na boca.
- Pare de zombar de mim! — Digo rindo.
Chego na sala de aula e todos olham para mim. Eu suspiro e começo a falar.
- Professora, me desculpe! Não me leve para a coordenação. Aquela moça iria morrer! — Aumento meu tom e a professora abre a boca e logo em seguida para para me ouvir — Talvez ela morra. De dor. Eu estava vendo ele machucar ela. Eram rebeldes do sul.
As pessoas confundem os rebeldes. Há rebeldes do sul e do sudeste. Enquanto os do sudeste querem acabar com as guerras, tirar a presidenta Marie do poder e assumi-lo para construir um mundo melhor e de paz, os do sul querem guerra e destruição, se assumirem o poder o país será pior do que já é.
A professora sussurra um "Para" e eu a escuto.
- Era um rebelde do sul. Ele iria tirar a vida dela. Foi um ato de coragem e como você é treinada para isso.. não vou te punir. Tome cuidado. Eles te conhecem.
O sinal bate e eu estou no meu armário. Bem de frente com a sala de Edward. Ele passa e dá uma batida de leve nas minhas costas.
- Você é muito corajosa.
- Obrigada, eu iria morrer.
- Me dê dinheiro e eu ficarei recompensando.
- Prefiro te recompensar por minha gratidão eterna.
Um silêncio perturbador permanece por alguns segundo e uma pergunta surge na minha cabeça.
- Como conseguiu uma arma?
- Lynn me emprestou. Talvez eu entre esse ano.. sabe, para o treinamento.
- Claro. Tenho que ir, mais uma vez, obrigada.
Me viro e começo a andar e ele grita.
- Você está muito bonita com a boca cortada!
Começo a rir e coloco o dedo no local, olho para meu dedo e vejo sangue. Uma marca de uma vida salva.
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