Armas da vida

4 Capítulo 4


Encontrei Carol, Julie, Jin e Jack segurando uma mochila de costa cada um. Eu estava com meu cabelo ruivo preso em um rabo de cavalo, com uma camiseta cinza, que cobria meus ombros e uma jeans um pouco velha que já estava desbotando. Eu usava lentes de contato, pois quando nasci teve um grande acontecimento. Meu tipo de olho é bem raro, a cor deles é vermelho, e a lente faz meus olhos ficarem perto de verde bem escuro. Não fui em direção a eles, decidi ficar longe das pessoas. Ainda não conseguia me sentir inclusa em algum grupo. Sentei-me no chão, apoiando as costas em um prédio. Mesmo tendo dormido bastante me sentia cansada, como se não dormisse á dias. Foi então que Jack me viu lá e falou algo para o grupo e eles vieram em minha direção. Sei que eram meus amigos, mas os tinha conhecido ontem. Nunca fui muito amigável, sempre me mantive longe de todos. A única coisa que eu ainda confiava era um simples caderno antigo que eu escrevia nele tudo que acontecia. Instintivamente me levantei e andei contra eles, tentando me afastar das pessoas como minha mãe disse. Nunca fui boa em esportes, mas eu era boa de briga. Sempre fui diferente, meu único amigo humano, era meu irmão, e frequentemente ouvia as pessoas falando mal de mim. Meu irmão me ensinou a lutar, para eu parar de “sofrer”. Nunca lutei com ninguém, pois ignorava qualquer coisa sobre mim, como minha mãe dizia para fazer. Jin segurou o meu braço e instintivamente o torci e o chutei entre seu joelho. Eu o deixei imobilizado e então notei o que eu tinha feito e o larguei imediatamente. Então eu falei:

– Desculpe, eu não queria ter feito isso.

Eu esperava que ele não aceitasse, mas ele simplesmente riu. Quando todos chegaram ele disse:

– Poxa vida. Essa menina é cheia de supressas.

Todos começaram a rir. Foi então que notei que seu braço estava vermelho onde eu segurei e seu rosto também estava vermelho. Suas mãos estavam agitadas. Tinha usado força de mais.

Todos os jovens foram para um ponto de ônibus local para irmos para os testes. Todos estavam rindo e felizes por poderem fazer isso, menos eu. Meu rosto era sério e não sorria mesmo quando tentavam me fazer rir. Então Carol disse:

– Lucy por que esta tão séria? Parece ate que está indo para seu próprio funeral.

Todos riram, mas eu me sentia assim. Então disse:

– É que estou um pouco nervosa.

– Um pouco? Acho que isso não expressa nem o mínimo de sua ansiedade.

– Quando você torceu meu braço expressava muito nervosismos.

Eu parei de ouvir eles quando avistei uma carta voando perto de onde eu torci o braço de Jin. E vi que o ônibus estava indo em direção ao ponto. Larguei a mochila e andei em direção à carta. Não olhei para trás, mas ouvia eles me chamando. Peguei o papel, mas vi que tinha um chiclete preso nele. Tirei o chiclete e coloquei o papel no meu bolso e fui pegar minha mochila e entrar no ônibus. Jin, Jack, Julie e Carol estavam na minha frente e então esperei eles subirem. Quando entrei notei que o ônibus estava lotado e vi no fundo Jin, Jack, Carol e Julie. Ao lado de Carol tinha um lugar, mas eu não fui lá e em vez disso fiquei em pé me segurando em uma barra de metal. Tirei o papel do bolso e vi que estava em um envelope que dizia: Para Lucy a garota mais corajosa que eu poderia ter tido.

“ Querida Lucy, eu e seu pai te amamos muito e esperamos que consiga passar bem nos testes. Não esqueça do seu remédio. Nós queríamos poder ter lhe dado esta carta mas não tivemos tempo para isso. Lembre-se que sempre seremos sua família mesmo que passe por dificuldades. Querida não sabemos se lhe veremos de novo, pois sabe do problema que estamos sofrendo por isso acho que essa será nossa única e última carta. O que vou lhe pedir é difícil, mas antes de chegar no prédio dos testes pegue na sua mochila no bolso da frente um isqueiro e queime esta carta. Sei que será difícil, mas não pode ficar com essa carta, mas sempre terá nós nas suas lembranças, se lutar para mantê-las. Se “eles” nos matarem não vão contar para ninguém. Quando voltar e nós estivemos mortos procure pela casa uma caixa escrito na tampa “para Lucy”. Essa caixa terá algumas coisas para você. Filha eu te amo muito, não só eu como seu pai e como Cullen também te amou. Seja forte.

Com amor Katherine e Jason.”

Tive que segurar as lágrimas e a barra de metal com muita força para não cair. Mesmo tentando não chorar uma lágrima escorreu dos meus olhos, que rapidamente foi limpa. Amassei a carta e coloquei no meu bolso. Tive que me controlar. Então senti uma mão no meu ombro e vi que era a Julie. Ela disse:

– Lucy você está bem?

Decidi não mentir para ela. Fiz que não com a cabeça. Ela me abraçou e cochichou no meu ouvido:

– Eu também não.

Na hora soltei uma risada e ela disse:

– Sei que não quer, mas vai lá sentar com a gente. Pode não querer ir lá por te atacado o Jin, mas todos nós queríamos ter feito isso.

Nós rimos e fomos sentar lá. Naquele momento senti que ainda estava com a minha família, que meu irmão estava vivo e que não teria que ficar meses fazendo teste para ser manipulada.