Armas da vida

31 Capítulo 31


Acordo em um quarto de paredes brancas com vários papeis presos nas paredes. Minha mochila está perto de mim. Meus pulsos estão presos no espaldar da cama. Abro completamente os olhos e Trevor está sentado em uma cadeira. Ele olha para mim e diz se levantando:

– Sabe nunca imaginei na coragem que teria de tirar sua vida para ver Brian vivendo...

– Não quero o ver vivendo, só não quero mais me ver vivendo.

– Eu te dei ótimas opções mais não me ouviu, e agora terei que fazer você pagar pela sua linhagem...

– Eu ainda sou da sua linhagem se lembra?

Ele sorriu e disse:

– Por isso que será minha e não deles.

Eu ri e disse sorrindo:

– Você é um garoto repugnante, eu preferia ter uma parte do corpo arrancada todos os dias e depois essa parte se regenerar do que considerar que eu serei sua.

Ele passou a mão nos meus cabelos que estavam soltos e disse:

– Alex não deve ter tido tempo para te explicar sobre as linhagens e tempo é o que não nos falta. Drew são fortes, inteligentes, loiros com olhos vermelhos. Prier tem visões do passado, presente e futuro, são ruivos e as mulheres são muito atraentes, já o homens são corajosos. Você é a mistura quase perfeita dessas linhagens, na verdade é a mistura perfeita. E como deve ter visto hoje quando ficou a beira da morte viu que o seu destino está ligado a mim.

Decidi mentir e fazer ele acreditar que estava certo:

– Como você soube?

– Alex me contou quando estava preste a morrer em minhas mãos.

Alex era inteligente, ele ficou agindo assim para me dar tempo. Ele me salvou e deveria fazer algo por ele. Eu disse:

– Me deixa conversar com Brian?

Ele olhou em um relógio no pulso esquerdo e disse:

– Ele está ocupado agora. Algumas das enfermeiras queriam um marido forte e da policia, então dei a chance que elas tanto queriam.

– E por que você está aqui?

– Estou conhecendo minha primeira esposa.

– Não era a segunda?

Ele tossiu e disse:

– Não me casei com a irmã do Alex, ela era uma garota bonita, sua mãe foi só mais uma. Não me negaria aos prazeres da carne com só uma mulher.

– Você que fez Alex mudar...

Ele sorriu e disse em quanto mexia em uma mecha do meu cabelo:

– Sabe, ele e sua irmã eram puros, já eu e minha irmã vimos que a vida poderia ser mais divertida e legal. Eu consegui convencer Alex, mas minha irmã não conseguiu convencer a irmã dele. A irmã de Alex matou minha irmã e se matou para não ter que pagar pelo que fez.

– Eu não pretendo ter o mesmo caminho que ela. Ser sua esposa de dia enquanto de noite mata seus desejos carnais com qualquer garota que aparecer disponível pelo seu caminho...

Ele pareceu não se importar com os meus comentários e continuou a mexer no meu cabelo. Puxei minha cabeça com força para o lado oposto dele e o meu cabelo deslizou em suas mãos, mas não todo o cabelo. Ele puxou o meu cabelo me fazendo ficar com o corpo um pouco erguido. Ele cheirou meu cabelo e disse:

– Seu cabelo tem o cheiro de um Trier, mas acho que com o tempo resolvo esse problema.

Quando ele saiu de lá me concentrei em me soltar. Ele me prendera com a mesma algema que Kyle me prendeu. Mas eu me lembrava de ter brincado com algemas parecidas com essas quando pequena. Só tinha que me lembrar como me soltar. Tinha um relógio na parede oposta da cama. Eu sabia que deveria ser de madrugada, por que na brecha da cortina conseguia ver que tudo estava escuro. Não consigo encostar nas amarras que me mantem presa. Não tenho como me soltar. Relaxo e fico olhando para os ponteiros do relógio se movendo. Alguém entrou, mas não parei de olhar para o relógio. Então ele falou:

– Sabe eu não te odeio.

Olhei para Brian e disse:

– Saia daqui, não quero falar com você.

– Mas eu quero falar com você.

Fico em silencio. Fecho os olhos e finjo não ouvir ele, mas ouço tudo:

– Quando você me disse aquilo tudo, eu sabia que você ia fazer uma besteira e segui seu conselho e segui em frente. Trevor me arranjou uma esposa bonita e eu já tenho minha casa e tudo. Lucy eu não entendo por que não trabalha com Trevor, ele é um ótimo patrão.

Uma lágrima escorreu dos meus olhos. Respiro fundo, por que não quero chorar perto dele. Digo gaguejando:

– Saia daqui.

Eu ouço ele suspirar e abrir e fechar a porta. Abro meus olhos, e minha visão está embaçada. Ele não está mais lá. Começo a chorar. Não queria nada daquilo para mim, e não sabia o que fazer. Chorar não serve para nada a não ser limpar os olhos, lembro de ler isto em um livro. Agora eu sabia o significado do choro. Ele nos ajudava a colocar todos os sentimentos para fora

Devo ter pego no sono por que quando acordei vi Trevor sentando em uma cadeira olhando para mim. Ele se levantou e disse:

– Seu ato “corajoso” me trouxe muitos problemas. Vou lhe mandar de volta para o centro de treinamento para trabalhar lá. Sua função é carimbar papeis, algo bem difícil para um Trier...

O interrompi:

– Trevor lembre que também tenho sua linhagem correndo pelas minhas veias e eu não vou trabalhar. Pode fazer o que quiser comigo. Não existe mais nenhum motivo para eu viver.

Ele me observou e fico sem uma reação. Ele me olhava sério, como se não esperasse ouvir o que eu disse. Ele então saiu de lá.

Decidi que estava na hora de me soltar. Com muito esforço consegui soltar a mão esquerda. Não ia soltar a outra e fugir, pois não sabia aonde estava e seria algo estupido. Decido olhar o corte. Foi um corte profundo, mas não tinha muitas marcas. A largura da cicatriz era pequena pois a lamina era bem fina e o comprimento não era grande. Para minha sorte a cicatriz era quase que impossível de ver. Me acorrento de novo e volto a dormir.