Armas da vida
16 Capítulo 16
Não consegui dormi desde que Neo, Charles e Liam saíram de lá. Fiquei encostada na cama olhando as pessoas se trocarem e Julie e Carol quando me viram me deram um abraço e disse:
– Quer que nós peguemos algo para você comer?
– Não precisa se preocupar comigo.
Elas se foram e fique sozinha deitada sobre minha cama. Olhei no relógio; 06h45min e 7 segundos A.M. Kyle bateu na porta e entrou logo falando:
– Desculpe o atraso. Você dormiu essa noite?
– Acordei mais cedo do que o desejado.
Ele se aproximou de mim. Ele era bem alto, passava da altura da minha cama. Ele esticou os braços e pegou minha cintura. Agarrei seu pescoço e ele disse.
– Vou te colocar nessa cama e ir pegar sua cadeira de rodas.
Fiz que sim com a cabeça e ele saiu de lá. Senti algo duro no meu bolso. Coloquei a mão nele e achei uns comprimidos para dor que uma enfermeira deveria ter posto no meu bolso. Eu nunca senti dor. Eu reclamo de dor, mas não é dor em si, é só uma irritação ou algo que está incomodando. Achava que dor não existia até que meu irmão se cortou na floresta. Kyle voltou com uma cadeira de rodas e me olhou rindo. Ele falou tentando parar de rir:
– Acho melhor trocar de blusa. Não fica nem um pouco logico essa roupa. Eu vou pegar a mochila para você e quando você se trocar me chame.
Ele me entregou a minha mochila e saiu de lá. Abri-a. Não queria colocar nada muito justo. Peguei a camiseta mais folgada que tinha e a coloquei. A blusa era um pouco maior que eu, mas pouca coisa. Eu falei tentando parecer feliz:
– Pronto Kyle.
Para a minha surpresa ele não respondeu. Não ia gritar de novo. A cadeira de rodas estava alguns metros da cama. Ele a tinha encostado na parede. Com muito cuidado sai da cama e fiquei no chão. Estiquei meus braços e o apoiei no chão me erguendo. Comecei a andar com as mãos até chegar do lado da cadeira de rodas. Colocar-me na aquela cadeira de rodas seria quase impossível. Eu decidi que iria até a porta para tentar chama-lo de lá. Comecei a andar com as mãos em direção à porta. Aquilo me irritava demais. Minhas mãos queriam parar, mas eu sabia que se parasse não conseguiria continuar. Estava do lado da porta e tentei alcançar a maçaneta. Faltava um pouco para eu tocar nela. Tinha que arranjar um jeito de abri à porta. Tinha uma cama do lado da porta. Andei um pouco até a cama e peguei o lençol. Fui em direção da porta e prendi o lençol na porta. Puxei-me para ter altura e consegui abri a porta. Cai com tudo no chão, mas isso não importava. Andei até chegar ao corredor. Estava com as mãos irritando, mas já estava acostumando. Não achei Kyle em lugar algum. Não seria logico chama-lo. Comecei a andar com as mãos até a sala de treinamento. Ao chegar lá vi Kyle e Brian conversando. Aquilo me irritou. Quando eu entrei me virei e vi a expressão de susto de Kyle. Brian não parecia nem um pouco surpreendido, como se ele esperasse esse ato vindo de mim. Kyle correu em minha direção e me pegou nos braços assustado. Ele começou a falar desesperado:
– Porque não me chamou?
– Eu chamei só que você não me ouviu.
Ele entrou no quarto e me colocou na cadeira de rodas. Ele começou a andar pelos corredores. Eu perguntei:
– Aonde vamos?
– Vou pegar umas coisinhas para você.
Ele deixou a cadeira de rodas em um corredor e entrou em uma sala. Contei às vezes que eu tinha feito besteira naqueles dias. Pelos meus cálculos devo ter feito de 10 a 15 besteiras. Kyle saiu da sala com uma caixa fechada. Aquilo me deixava curiosa para saber o que tinha dentro, mas ele fazia questão de eu não ver o que era. Ele começou a empurrar a cadeira de rodas. Eu perguntei querendo poder ver sua reação:
– Por que você me largou na aquele quarto e foi embora ficar conversando com o Brian sabendo que eu estou impossibilitada?
– Eu não te larguei...
Eu o interrompi.
– Logico que não. Só me deixou em um quarto sem ninguém com as duas pernas engessada e sentada em uma cama sem ninguém para me ajudar, e é claro que isso não é larga uma pessoa!
– Lucy vou deixar essas coisas lá no centro de treinamento e o Brian vai te levar para comer algo.
Ele deixou a cadeira de rodas na frente da porta. Ele olhou para mim e piscou. Algo daquilo era familiar. Brian saiu da sala e simplesmente virou a cadeira de rodas para o lado oposto ao refeitório e começou a andar. Falei com duvida:
– O refeitório é para lá.
– Eu sei. Não somos permitidos de comer lá. Você vai comer em um lugar diferente.
Apareceu um rapaz ao lado do Brian. O rapaz era bem forte. Falei querendo rir, mas me segurando:
– Por que tem esse rapaz do nosso lado? Se bem que esse rapaz parece mais um tronco.
– Esse é o Liam. Acham que me deixar sozinho com você é perigoso, isso também é um motivo para você ir tomar seu café da manhã no refeitório especial.
Eu sabia quem era o Liam. Era um dos garotos que estava no quarto hoje de manhã. Me mantive calma e falei do jeito mais natural possível:
– Olá Liam.
Estiquei meu braço para cumprimenta-lo e ele continuou andando sem olhar para mim, prestando atenção no Brian. Brian disse em um tom sério:
– Lucy você deve se comportar. Liam não vai cair na sua lábia.
Ele entrou em uma sala. Dentro da sala só tinha rapazes. Agarrei a blusa do Brian e olhei para ele. Ele manteve uma expressão de que não se importava com aquilo. Ele andou até uma mesa bem distante da porta. Eu não gostava de ficar longe da porta com o Brian perto de mim desde os últimos acontecimentos. Ele falou sorrindo:
– Vou pegar algo para você comer. Quer ir junto?
– Com você? Prefiro ficar aqui.
– Você que sabe.
Ele deu de ombros. Parecia estar com raiva. Ele saiu sem olhar para mim. Decidi tentar conversar com o Liam:
– Oi Liam.
Ele sorriu. Já era um começo. Não tinha muitas coisas para pergunta-lo. Decidi tentar parecer amigável:
– Já comeu alguma coisa?
Ele fez que não com a cabeça. Olhei no relógio: 07h05min A.M. Falei:
– Você pode ir comer, tento não morrer ou me machucar nesses minutos.
Ele finalmente falou:
– Bem que eu queria, mas ainda não posso sair de perto de você e nem deixar Brian sozinho com você.
Aquilo já era um começo. Falei entusiasmada:
– Mas você verá como vou te ajudar.
Brian chegou com uma bandeja com: Um pouco de ovos, um pedaço de carne, pão, fatias de queijo e um copo de água. Já sabia como arranjar comida para o Liam. Falei sorrindo:
– Obrigado Brian. Pode me fazer mais um favor?
Seu rosto estava em forma de duvida. Não era acostumado com a minha educação, pois até agora estava sem vontade de querer ser legal com ele. Ele falou em um tom que me deixou com náuseas:
– Você não me parece nem um pouco bem...
Sabia o que aconteceu. Modo de ataque. Já tinha aprendido como tira-lo daquele modo. O parando ou me machucando a ponto dele se lembrar de quem sou. Falei tentando faze-lo lembrar de que sou:
– Eu esqueci o que você me pediu no quarto será que você pode ir lá pegar? Mas se quiser eu vou lá e pego.
Comecei a empurrar a cadeira de rodas para trás e ele segurou meu pulso e disse em um tom muito macabro. A última vez que ele falou com aquela voz foi quando meu antigo irmão tinha voltado dos testes. Ele disse:
– Não vai a lugar nenhum.
Ele olhou em volta. Respirou fundo e me largou. Falou normalmente:
– Eu vou lá pegar aquela coisa.
Ele saiu de lá. Notei que estava nervosa. Liam disse:
– Você está bem?
– Só nervosa. Pode comer a minha comida, vi pelo seu rosto que deve fazer um tempo que não come nada. Só quero a água mesmo.
– Você tem que comer.
– Se você soubesse a quantidade de vezes que fiquei sem jantar por ter feito coisas erradas na minha vida não teria feito essa afirmação.
Ele riu e aceitou a comida. Dois garotos se aproximaram da mesa. Eu sabia quem era. Tudo que eu queria era não saber que eram eles. Me apresentei:
– Olá garotos, sou a Lucy.
– Oi Lucy, eu sou o Neo e esse é o Charles.
Charles era um nome que eu preferia não ouvir. Falei:
– Podem se sentar se quiserem.
Os dois se sentaram. Ouvi as portas se abrirem. Olhei para Liam e falei baixinho:
– Leva a bandeja para longe daqui antes que o Brian veja.
Ele se levantou e saiu com a bandeja. Mas antes peguei um pedaço de carne e mastiguei. Brian parou atrás de mim e passou a mão nos meus cabelos. Olhei para cima mesmo sabendo que era ele. Ele sorria e disse com a voz alegre que não ouvia a anos:
– Vou te levar para o treinamento agora. – Ele olhou para os rapazes e disse- Não precisa vir Liam eu levo ela.
Ele me levou embora de lá. Ele me falou com um tom de voz normal:
– Como você está?
– Porque o Kyle me largou naquela sala?
– Por uma aposta.
– Posso saber que aposta?
– Tinha apostado com o Kyle que se ele te colocasse em ambientes normais com uma dificuldade grande conseguiria se safar de lá. Só que Kyle trapaceou. Ele conversou com o Charles e ele iria te tirar de lá, mas como eu previa você conseguiu sair de lá sozinha.
Na hora coloquei a mão na roda e ele parou. Falei com raiva:
– Vocês são ridículos! Como ficam apostando nas pessoas e as largando dentro de uma sala com as duas pernas quebradas?
– Porque eu sabia que você não necessita de ajuda para nada na sua vida e nunca vai precisar.
Fiquei em silencio em quanto ele me levava em direção da sala de treinamento. Ao chegarmos dentro da sala Kyle me entregou dois pesos e disse:
– Faça alguns levantamentos até cansar aí você me chama.
Comecei a fazer os levantamentos. Odiava ter que passar muito tempo sentada sem muita utilidade. Fiquei levantando os pesos olhando para o além sem muita alegria. Decidi observar as pessoas: Jin e Jack estavam fazendo atividades diferentes. Eles mal se olhavam direito só faziam seus exercícios concentrados. Julie e Carol também não conversavam. Cada uma estava conversando com outras pessoas e rindo. Me sentia expulsa desses grupos. Notei que algumas pessoas me olhavam. Olhei imediatamente para o chão fingindo que não observava ninguém. Fiquei mais um tempo repetindo o exercício até que me cansasse. Quando cansei chamei Kyle e perguntei:
– Posso fazer algo interessante?
– Levantar pesos é interessante- ele me olhava como se o que ele falava fosse mesmo interessante. Tentei manter a mesma linha de raciocínio:
– Eu posso fazer outra coisa diferente?
Ele me olhava sério. Não tinha dado muito certo. Ele então falou sorrindo:
– Como o que?
Não esperava por aquela pergunta, eu simplesmente esperava que ele mandasse eu fazer um exercício. Pensei rápido:
– Treinar andar nesta cadeira?
– Nada mal, mas acho que isso não vai lhe ajudar muito em alguma coisa a não ser andar por aí...
Teria que pensar rápido. Falei em um tom de voz baixo:
– Talvez poderia treinar socos.
– Bem. – Ele parou e me olhou por uns instantes e disse- está bem. Na verdade está mais que bem. Está ótimo.
Kyle parecia muito feliz. Eu não deveria estar bem ou as pessoas a minha volta estavam ruins. Eu sorri e levei a cadeira em direção a o saco de pancadas. Eles estava cheio de pontos de costura por ele, e algumas partes com fita adesiva. Fingi que não sabia por que ele estava assim. Comecei a soca-lo com calma. Ainda me lembro quando tentei descontar a raiva nele. Não queria que aquilo acontecesse de novo. Ouvi Brian gritando:
– Pare de acariciar esse saco de pancadas! Soca ele com raiva!
– E se o saco voltar na minha direção?
– Você continua socando ele.
Raiva. Raiva era o que eu estava sentindo. Não queria socar o saco de pancadas, queria socar o Brian. Sabia que a ideia de Brian era ridícula e que acabaria me machucando. Ignorei essas ideias e soquei o saco de pancadas com uma distancia no mínimo, segura. Só socava o saco de pancadas quando ele vinha na minha direção. Fiz isso até minhas mãos doerem. Não tinha muita coisa para fazer quando não podia usar as pernas. Chamei o Kyle, mas quem veio foi o Brian. Ele perguntou sorrindo:
– O que foi?
– Posso fazer outra coisa?
– Além de socar um saco-de-pancadas e levantar pesos? Não que eu saiba que uma pessoa impossibilitada de andar possa fazer.
– Vamos fazer uma competição de queda de braço. Se eu ganhar de todos os garotos você terá que me deixar comer com meus amigos, mas se você ganhar eu irei fazer as coisas que você mandar sem reclamar.
– Beleza, vou chamar os rapazes.
Ele saiu e depois de um tempo ele voltou com uma mesa, uma cadeira e todos os rapazes, mas um dos rapazes trazia mais uma cadeira. Brian disse:
– Detalhe que eu esqueci de mencionar: se você perder terá que participar de uma quebra de braço no refeitório que você come comigo, só não hoje, para você descansar mais.
Respirei fundo e apoiei o braço esquerdo na mesa. Eu tinha que usar aquele braço por que o direito estava ainda dolorido e não queria ir no hospital de novo. Os primeiros rapazes eram os mais fortes. Foi mais difícil que eu achei, mas consegui superar quase todos. Jack era o último garoto. Olhei para seu braço. Estava bem mais definido do que há algum tempo atrás. As veias saltavam do braço dele, nítidas demais. Tinha que me concentra e usar a força dele contra ele. Ele riu e disse:
– Lucy não quero te desapontar mais você vai perder feio, não quero que você fique desapontada então não creia que vai ganhar.
Usei o que ele disse ao meu favor. Coloquei o braço em cima da mesa e agarrei a mão do Jack. A mão dele era áspera para conseguir segurar bem os pesos que ele carregava, mas nem por isso me fazia achar que perderia. Começou e ele já tinha feito muita força. Eu já tinha jogado este jogo com pessoas mais fortes. Concentrei-me e usei a força dele contra ele. A vantagem estava para mim, mas não esperava pelo o que ele fez. Ele deveria ter brincado disso quando pequeno. Ele rapidamente empurrou minha mão com força e a bateu na mesa. Perdi para o Jack e perdi a aposta para o Brian. Falei com raiva ainda segurando a mão de Jack:
– Parabéns... – Queria bater a cara dele na mesa. Odiava perder- Ganhou de uma garota o que não é grande coisa...
– Já vi que tem uma garota que não sabe perder por aqui. – Ele apontou para mim rindo.
– Revanche!
– Nada disso. Você perdeu. Admita!
Comecei a apertar a mão do Jack com o máximo de força que consegui e ele disse:
– Lucy para.
– Revanche.
– Não!
Brian parou atrás do Jack e disse em voz alta:
– Lucy largue a mão dele agora.
Larguei a mão do Jack com raiva. Nunca gostei que mandassem em mim, gosto de ditar minhas próprias regras. Falei com raiva:
– Só perdi para um rapaz de todos esses.
– Fizemos uma aposta e eu ganhei. Não tem outra desculpa.
Me lembrei do acordo. Fiquei quieta. Ele anunciou:
– Está na hora do almoço!
Todos saíram imediatamente e se dirigiram ao refeitório. Brian começou a me levar em direção a onde iriamos comer. Ao chegarmos lá ele foi a mesma mesa que tomamos café da manhã e disse:
– Vou fazer seu prato quer ir comigo?
Fiz que não com a cabeça. Estava com raiva dele por um motivo besta. Liam se aproximou da mesa e sentou em uma cadeira na minha frente. Não me surpreendia ele estar lá. Sorri. Ele sorriu de volta. Ele parecia estar cansado. Falei então:
– Como você está?
– Eu?
– Bem não conheço muita gente daqui e você está na minha frente então deve ser você.
Ele riu e disse sem muita empolgação:
– Não muito bem...
– Por quê?
– Por nada...
– Sério, me diga o porquê!
– Minha namorada terminou comigo...
Não sabia por que, mas comecei a rir histericamente. Ele olhou para mim sem entender. Fiquei envergonhada por aquele ato histérico. Ele então disse tentando mudar de assunto:
– Se tivesse que escolher uma arma para sobreviver qual escolheria?
Pensei na hora na arma que vi, mas sabia que escolheria a arma que ele e seus amigos estavam usando, mas tentei disfarçar. Disse tentando não parecer nervosa:
– Não sei. Não sou muito boa com facas, acho que usaria um tipo de arma diferente.
– Como diferente?
– Tem uma folha de papel e caneta?
– Não...
– Então, minha segunda opção seria um machado.
Ele me olhou sorrindo e disse:
– Sabe usar um machado?
– Sim sempre ajudei meu irmão à corta lenha e acabei pegando o jeito, às vezes meu irmão sai escondido com os amigos e eu fazia o trabalho dele...
– Me deixa ver as suas mãos?
Não gosto que toquem em mim mesmo lutando. Gosto de evitar contando com as pessoas caso tenha que agir contra elas na violência. Mesmo sendo contra coloquei as minhas mãos na mesa. Ele as pegou com cuidado e as olhou. Ele disse um pouco sério:
– Nossa você não deve ter tido uma infância fácil acho que você poderia recomeçar a sua vida agora, já que. – ele parou de falar por um instante e depois falou- você perdeu seu irmão.
Eu ri e disse:
– Você não ia dizer isso. O que você queria dizer?
– Oi Brian.
Ele me ignorou. Não iria me irritar com isso. Brian o olhou com um sorriso irônico no rosto. Os dois ficaram se encarando por um tempo, então disse um pouco nervosa:
– Obrigada Brian.
No meu prato continha: um pão, um pedaço de queijo, um pedaço de frango grelhado, uma folha de alface, um pote com molho e fatias de tomate. Comecei a colocar os ingredientes no pão e o Brian me olhou estranho e perguntou:
– Porque você está colocando isso dentro do pão?
Não sabia o que dizer. Minha família sempre comeu com tudo separado. Mas Liam me salvou dizendo:
– Ela como ela quiser Brian.
Brian o olhou com muita raiva. Fingi que tudo aquilo não tinha acontecido e voltei a comer o meu sanduíche. Os dois se encaravam como se a qualquer momento pudessem meter uma faca um no outro. Tentei acabar com o nervosismo da aquela mesa falando:
– O que farei de exercício depois do almoço?
Brian então disse:
– Não sei, não sou eu que treino você...
Desisti de tentar interagir com eles e fixei meus olhos no sanduíche. Devo ter ficado assim por muito tempo pois o Liam falou rindo:
– Está tentando seduzir o sanduíche?
Eu ri e dei um beijo no sanduíche. Nós rimos menos o Brian que ficou sério. Ele não estava com muito bom humor aquela manhã. Terminei de comer o sanduíche e fui para a sala de treinamento.
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