Armas da vida
1 Capítulo 1
Mesmo eu já tendo 18 anos continuava sem saber o que deveria fazer. Tudo o que queria era que aquilo não tivesse que existir. Nenhuma pessoa tem permissão de falar como são feitos os testes, mas a única coisa que sei é que “eles” sabem tudo sobre nós. Minha mãe estava cozinhando o jantar. Meu irmão estava para chegar do trabalho dele. Ainda me lembro de quando ele chegou depois do dia que escolheu sua profissão, em que ele escolheu ser engenheiro. Ele não tinha mais o brilho dos olhos, como todas as pessoas que passam pelo teste. Criei coragem e disse:
– O que ocorre nos testes?
Minha mãe continuou a mexer na panela. Ela não queria responder minha pergunta e eu sabia disso mesmo assim repeti-a.
– Mãe, quando fazemos os testes para as profissões o que ocorre?
– Você que não deve fazer essa pergunta.
– Eu sei, mas...
– Se sabe por que perguntou? Aprenda a pensar antes de dizer Lucy.
Antes de eu poder responder algo meu irmão e meu pai chegarão. Meu pai estava tentando sorrir, mas meu irmão estava sério. Notei que eles deveriam ter brigado, de novo. Meu pai foi à cozinha e meu irmão subiu para o nosso quarto. Decidi segui-lo, e ao chegar ao 1° andar o vi entrar no quarto, sem se importar com nada. Mesmo sabendo que não deveria fui até o nosso quarto e abri a porta. Ao abrir o vi mexendo em algumas coisas e fui andando a sua direção. Foi então que ele pegou um canivete e apontou a lamina em cima de seu coração. Rapidamente corri em sua direção, mas já tinha feito. Ao chegar perto sussurrei:
– O que você fez?
– Lucy, só fiz o necessário. Grite, e diga o que ocorreu. Diga aos nossos pais que os amava...
Foi então que notei que não tinha me desesperado. Então gritei. Meus pais subiram rápidos e quando viram o que ocorreu somente disseram:
– Lucy você tocou seu irmão?
– Não mãe, por que isso?
– Lucy vá agora tomar um banho. Queime essas roupas e se perguntarem o que ocorreu diga que estava dormindo.
– Mas mãe para que isso?
– Filha eu e sua mãe estamos tentando lhe proteger. Vá agora fazer o que lhe mandamos.
Não ousei perguntei, mas nada. Simplesmente fui fazer o que me mandarão. No outro dia na escola todos não paravam de olhar para mim. A sensação de todos lhe olharem era insuportável, pois sabia que me olhavam de forma negativa, ou pelo menos achava. Na hora do almoço uma menina se sentou ao meu lado e disse:
– Olha eu sei que perdeu o irmão, mas não quero falar sobre ele. Meu nome é Carol.
– O meu é...
– Eu sei seu nome. Meu pai o leu no jornal de manhã. Porque você está sentada aqui sozinha?
– Nunca quiseram minha companhia. Não posso culpa-los. Eu falo a verdade e tenho um ponto de vista bem diferente...
– Se importa se eu chamar mais algumas pessoas para sentarem aqui com a gente?
Fiz que sim com a cabeça. Carol chamou dois meninos e uma menina, simplesmente acenando. Nunca acostumei com esse tipo de comunicação. Rapidamente a mesa estava cheia. Então um garoto moreno falou:
– Ah, então você é a irmã do menino que morreu?
– Jin! Isso não é coisa de se dizer! Desculpe, eu sou Julie e esse é o Jack e o mal educado é o Jin.
Jack era alto, moreno com olhos verdes. Julie era baixinha, cabelos cacheados e loiros e Jin era alto com os olhos escuros quase pretos. Foi então que Carol disse:
– Já que todos nos conhecemos vamos tentar parecer humanos para a Lucy. Vocês souberam que os testes para trabalhos vão ocorrer mais cedo este ano? Em vez de ocorrer no final do ano quando todos já teriam 18, vão ocorrer depois de amanhã?
Aquela frase me fez simplesmente parar de comer e expressar um rosto serio. Isso explicaria por que meu irmão estava bravo, mas por que ele se mataria? Quem ia fazer o teste era eu. Aquilo era muito estranho. De repente algo mole bate contra meu rosto. Um bolinho. E as risadas dos garotos sovam em meus ouvidos. Então Julie disse:
– Alô, terra chamando Lucy! Você voou bem alto agora.
E quando me dei conta estava rindo, entrando na sala de aula.
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