Armas da vida

8 Capítulo 8


Acordei me sentindo cansada. Não dormi bem a noite toda. Troquei-me rapidamente e fomos tomar café da manhã. Minha cara estava de uma pessoa cansada. Julie estava falante ao meu lado, como normalmente era. Carol e Jack estavam um do lado do outro e Jin estava do meu outro lado. Na hora que fomos para o treino Brian disse para mim:

– Lucy você dormiu está noite?

– Mais ou menos, por quê?

– Você normalmente está bem disposta, mas hoje nem está com os olhos abertos. Faremos assim comesse treinando com o saco de pancada e depois veremos se acorda.

Não estava com disposição de fazer qualquer coisa, mas fiz o que ele mandou. Decidi que eu tinha que socar o saco de pancadas como se tivesse socando meus problemas. Pensei na noticia que meus pais iriam morrer: chutei o saco de pancadas e soquei-o varias vezes com força. Ainda estava com sono. Lembrei-me de eu ter que ver meu irmão morrendo sem poder fazer absolutamente nada: soquei e chutei o saco de pancadas até minhas mãos e pés doerem, mesmo assim ainda estava triste com tudo que tinha e que estava acontecendo. Brian se aproximou de mim e disse:

– Lucy, você está bem?

Essa pergunta foi difícil de eu responder. Fisicamente eu estava bem, mas eu não me sentia bem por dentro com essa grande confusão que estava ocorrendo na minha vida. Decidi mentir:

– Sim.

– Queria que você corre-se um pouco.

Concordei com a cabeça. Fui em direção à pista de corrida e comecei a correr. Não conseguia entender o que o sonho queria dizer. Era muito estranho. Por que meu irmão me chamaria de fraca? Aquilo tudo não parava de me atormentar. Não sabia o que fazer. Decidi esquecer um pouco estes problemas e me concentrar na minha tarefa. Eu não conseguia correr rápido, mas conseguia correr por mais tempo. Decidi tentar dar algumas voltas. Jin começou a correr do meu lado, no mesmo ritmo que eu. Ele disse:

– Você é muito lerda.

– Não, eu só corro no meu ritmo.

– Eu andando sou mais rápido que você.

– Quem mandou ter pernas longas?

– Mesmo assim sou melhor que você.

– Aposto que dou mais voltas que você. Quem cansar primeiro para e espera o outro parar. Não vale andar.

– Beleza.

Ele corria muito rápido, mas depois de algumas voltas já estava cansado. Eu era mais resistente então conseguia dar mais voltas. Depois de um tempo ele parou. Eu continuei correndo e ele gritou:

– Você não disse que andar não valia?

– Eu não estou andando.

– Mas parece!

– Eu estou correndo e ganhando de você. Terá que engolir estas suas palavras de que estou andando.

– Vou pensar no seu caso.

Depois de um tempo parei e falei:

– Quantas voltas?

– 10.

– 15.

– Você é fascinada pelo número cinco não é?

– Acho que esse deve ser meu número da sorte.

Decidi ir de volta para o saco de pancadas. Já estava mais acordada. Comecei pensando em como eu simplesmente não teria mais meus pais e a possibilidade de meu irmão não ter morrido: Soquei e chutei o saco de pancadas tão forte que rasguei algumas partes dele. Brian chegou do meu lado e disse:

– Lucy, já esta bom pare.

– Não... — falei com um pouco de duvida na voz, então repeti- Não.

– Lucy eu estou mandando você parar.

– E eu estou querendo ver até onde este saco de pancadas aguenta. – Queria que ele me deixasse, mas não foi o que ele fez.

– Lucy pare ou vou ter que lhe forçar a parar.

Parei por um segundo e olhei nos olhos dele e disse com raiva:

– Eu sou forçada a vir aqui e ficar durante meses para saber a porcaria de profissão que terei e ainda devo satisfação para alguém? Deixe-me em paz.

Voltei a socar o saco de pancadas e ele agarrou meu braço. Virei-me e chutei seu estomago e puxei meu braço e consegui solta-lo e soquei ele. Ele caiu e eu disse:

– Sei que seu trabalho é esse, mas tome cuidado com que faz.

Ele disse com o nariz sangrando:

– Lucy venha comigo agora.

Ele tentou se levantar, mas chutei seu rosto. Ele caiu de costas. Seu rosto começou a sangrar mais, então Susie chegou do meu lado e disse:

– Lucy se acalme.

Virei-me e soquei o rosto dela e ela caiu para trás. Eu então disse:

– Por que acham que estou nervosa? Eu estou completamente calma, vocês que devem estar nervosos.

Então Brian se levantou sem eu ver e me agarrou tentando me tirar da sala, mas eu o chutei onde eu tinha chutado antes. Ele não me largou e eu respirei fundo. Tentei parecer calma. Quando ele me largou agarrei o pulso dele e olhei no fundo dos seus olhos verdes brilhantes:

– Foi um prazer te conhecer.

O soquei até ele cair no chão e coloquei meu pé direito entre os espaços de suas costelas e comecei a colocar peso. De repente a porta se abriu e apareceram algumas pessoas. Eles disseram:

– Senhorita Lucy queira nos acompanhar.

Olhei para trás e disse:

– Só por curiosidade e se eu me negar?

– Nós lhe levaremos a força.

Tirei o pé de cima do Brian e comecei a me aproximar deles. Kyle estava com eles e se aproximou de mim. Rapidamente o soquei e chutei-o. Ele tentou me socar, mas desviei, mas quando ele chutou acabei perdendo o equilíbrio. Mas consegui recuperar o equilíbrio e fui para cima dele. Os rapazes foram em minha direção e eu comecei a socar o Kyle, que perdeu o equilíbrio e caiu no chão, então comecei a chutar ele, mas os rapazes conseguiram me agarrar e me tirar dali. Então gritei:

– Vocês só conseguem isso? Imagina se eu tivesse uma faca, iria rir muito de ver vocês morrendo!

Eles me arrastarem por alguns corredores, mas eu sempre socava ou chutava eles. Então eles entraram em uma sala vazia. Tentaram por um tempo me colocar lá dentro, mas ia contra eles. Então Kyle entrou e me puxou para dentro e fecharam a porta. Olhei para ele e vi que tinha cortado seu rosto e eu disse com raiva:

– Por que estou aqui?

– Para você se acalmar. Lucy o que deu em você?

– Sabia que vocês deveriam cuidar da vida de vocês em vez de quererem cuidar das dos outros?

Kyle se aproximou de mim, mas o soquei e o chutei. Ele era mais forte que o Brian por isso não caia facilmente. Ele com rapidez chegou perto de mim e agarrou uma das minhas pernas, me derrubando no chão. Mas antes de cair eu me agarrei aos seus ombros e soquei seu rosto. Ele tentou se proteger, mas não conseguia. Ele então largou minhas pernas e me empurrou com força e me derrubou e agarrou meus braços. Mas eu o chutava. Ele tirou do bolso da calça uma coisa que ele prendeu em um dos meus braços. Com dificuldades me arrastou até a porta e prendeu a outra ponta na porta. Não conseguia me aproximar dele. Ele disse se aproximando de mim:

– Lucy se você se acalmar “eles” deixarão você sair.

– Quem são eles?

– Lucy se acalme.

– Eu estou calma. Solte-me e me deixe sair.

– Lucy só posso te soltar quando você se acalmar. Olha, vou pegar uma cadeira para mim, quer que eu pegue uma cadeira para você?

Concordei com a cabeça. Ele chegou com duas cadeiras de metal dobráveis. Eu não ia me sentar na cadeira iria bater com ela em uma parede de vidro que tinha, mas não teria como bater acorrentada, por isso peguei a cadeira e me sentei. Respirei fundo e vi que Kyle tinha uma chave que se fosse a certa tiraria a corrente. Então eu disse mais por curiosidade do que por pena:

– O Brian está bem?

Ele pegou um rádio que tinha em seu casaco e falou algumas coisas que não entendi e disse depois de um tempo:

– Ele está vindo aqui. Mas ainda vai ter que pegar um gelo para mim e para ele. Levante-se, por favor, vou mudar sua posição para eles conseguirem abrir a porta.

Minha chance. Tinha que parecer calma. Levantei-me e ele pegou a cadeira dele e a minha e levou ao local que nós ficaríamos. Teria que ser rápida. Correr não era minha especialidade, mas era só o derrubar. Ele pegou a chave e abriu a corrente. O empurrei com força e corri em direção à cadeira, mas ele me agarrou antes de conseguir tocar nela. Ele tentou me puxou para perto de uma barra de metal, mas eu não o deixei, o chutando com força, mas ele conseguiu me acorrentar à barra de metal. Sentei-me com raiva na cadeira. Ele então pegou o rádio e falou algumas coisas, mas eu não estava prestando atenção. Eu estava perto do espelho, mas não o suficiente para conseguir quebrar ele. Então ele disse:

– Lucy me de a sua mão livre.

– Para o que?

– Vou ser honesto com você. “Eles” estão lhe achando muito imprevisível. Para a segurança de nossos guardas me de a sua mão.

– Prometa que ficarei bem.

– Prometo Lucy, mas tente se comportar.

Entreguei minha mão e ele prendeu com outra corrente e soltou a corrente que estava presa a minha mão e a barra de metal. Então a porta se abriu e entrou Brian e outros rapazes, todos com hematomas e cortes. Deveria ter feito isso. Brian se aproximou de mim e disse:

– Deveria saber que não tinha juízo. – Ele começou a rir e chegou bem perto do meu ouvido e disse baixinho- Lucy eu gosto de você desde que te vi pela primeira vez. – Depois falou alto- Vamos embora, mas antes Lucy me de o seu outro braço.

– Não basta já estar acorrentada ao Kyle? – Levantei meu braço para mostrar que estava falando a verdade.

– Não você é bem imprevisível, por segurança me de o braço.

Ele piscou para mim. Não estava a entendendo mais nada, mas o entreguei o braço. Meus braços doíam por ter que ser acorrentada a cada segundo. Eles se levantaram e começamos a andar. Observei que Kyle e Brian não estavam nervosos, mas os outros guardas estavam. Coloquei na minha cabeça que ficaria bem. Então os guardas viraram à direita, mas Brian e Kyle seguiram em frente. Kyle pegou a chave das correntes e soltou do braço dele ao meu. Ainda estava presa ao Brian. Então Kyle disse:

– Meu gelo.

– Toma lembra-se do que dizer?

– Sim.

Ele pegou um canivete e cortou o braço como se tivesse sido unhas. Correu em direção aos guardas e Brian começou a correr e me arrastar pela corrente. Tentei ficar na sua velocidade. Ele virou um corredor abriu uma porta a direita. Ele me puxou para dentro e a trancou. Ele respirou fundo e disse:

– Lucy, sou eu.

– Eu sei que é você Brian.

– Não Lucy. Sou seu irmão.

– Andou mexendo no meu histórico. Piada de mau gosto mas bem criativa.

– Lucy é sério. Não tenho como te provar. Você tem que dormir e sonhar, mas a minha morte foi falsa. Nossos pais fizeram parecer verdade. Eu tinha que me infiltrar aqui e o único jeito era sendo outra pessoa. Tome isso agora.

Era um frasco pequeno com o remédio que minha mãe fazia. O tomei inteiro e ele disse:

– Esse dia será apagado da memoria de todos, menos da sua, pois eles acreditam que eu apaguei como a de todos os outros jovens. Lucy vamos embora. Eles fizeram já estar noite. Você ira para os seus amigos e nunca falará sobre isso. O que ia acontecer era que o Kyle e os guardas iriam fazer as pessoas dormirem com um spray incluindo você. Eles acreditarão que foi só um sonho. Não posso deixar fazer isso com você. Eu e Kyle fomos te salvar. Não esperava que estivesse tão irritada a ponto de me bater, mas sendo você uma garota imprevisível não posso esperar algo de você.

– Por que não se defendeu?

– Tinha que lhe fazer se meter em uma encrenca para te fazer vir aqui. Ia só fazer você bater em uma pessoa sem querer, mas amei o que você fez. Foi muito mais criativo e realista.

– Brian, quer dizer que você é meu irmão, mas como?

– Eu comecei a trabalhar aqui com a policia, ninguém sabe que existimos, e “eles” fazem você fingir que morre então você não existe. Basicamente sou um fantasma. Tenho outra identidade e sou diferente.

– Nossos pais serão mortos.

– Esse é um dos detalhes que temos que aguentar.

– Como você aguenta isso? Você é louco. Como pode pensar que nós não teremos eles?

– Eles sabiam que isso ia acontecer, não podemos fazer nada.

– Me deixa ir embora.

– Lucy, não pode sair daqui até dar 08h30min P.M.

– Que horas são?

– 08h27min P.M.

– Eu vou embora Brian.

Tentei abrir a maçaneta, mas ele ainda estava acorrentado a mim. Não daria para puxa-lo pelo corredor e eu não sabia para aonde ir. Ele então disse:

– Lucy sei que é difícil, mas sou eu. Preste atenção, não pode agir diferente comigo. Terá que agir como se nada existisse. Só sou eu Brian, seu instrutor.

– Mas eu vi você morrer.

– Você ainda não notou? Eu não tocava o chão, era um holograma como muitos que estão aqui.

– Por isso a mamãe perguntou se eu tinha te tocado...

– Lucy temos pouco tempo. Você terá que fingir que desmaiou por causa do spray. Eu vou te levar para o quarto. – Ele tirou a algema e me pegou nos braços e falou em quanto me levava- Os guardas acreditam que eu e o Kyle te levamos para a maquina. Ele se cortou para parecer que você o tinha aranhado e eu disse para ele ir cuidar do ferimento que eu a levaria para a maquina. Estamos nos aproximando, não fale nada, por favor.

Eu ouvia passos e algumas pessoas falando. Então um guarda disse:

– E a nossa lutadora capotou. Nossa ela é uma gata, não esperávamos uma garota tão bonita este ano.

– Ei tirem o olho dela- A voz era do Kyle.

– Por quê? Você gosta dela por acaso?

– Sim por quê? Vai fazer alguma por causa disso?

– Sim. Ela é linda e qualquer um aqui a merecia, não só você.

– Ei dá para os dois calarem a boca. – o Brian estava com a voz brava. Ele me levantou e me colou na cama e se aproximou do meu ouvido e disse- Lucy eu te amo.

Então ele beijou minha bochecha. E o guarda falou:

– Você a beijou?

– Por quê? Queria que fosse você?

– Sim e não. Você sabe que não podemos fazer isso.

– Está bem. Não farei mais.

– Mas eu devia ter feito isso. Ela lutou comigo, eu gosto dela. – pela voz do Kyle parecia abatido.

– Vamos precisamos sair antes que acordem.