Armas da vida
5 Capítulo 5
Ao chegarmos ao prédio notei como ele era estranho: Era coberto de janelas transparentes, e entre elas tinham paredes de cimento escrito varias palavras. Essas paredes foram escritas quando nosso governo cancelou o convívio com o mundo e nos prendeu aqui. Eram formas de protestos. A primeira coisa que fizeram foi este centro de testes. Muitos pais de famílias foram chamados para está obra, mas não tinham chance de negar se não, não teriam como alimentar sua família. E como forma de protesto escreveram nas paredes com cimento ainda fresco. O governo já pensou em tirar as palavras das paredes, mas eles nunca acharam importância para fazer isto.
Antes de entrar peguei o isqueiro no bolso da minha mochila e a carta. Respirei fundo e a queimei a carta e depois entrei no prédio. Ele era grande com paredes brancas com o chão azul, cheio de pessoas passando de um lado para o outro. Então uma mulher loira de vestido rosa se aproximou de nos é disse:
– Olá queira, por favor, me seguir.
Notei que seus pés não tocavam o chão. Ela era um holograma. Ela nos guiou até uma sala que estava escrito na porta “sala de testes de aptidão”. Ao entrar lá vi varias maquinas de exercícios e um placa que dizia “o máximo de uma pessoa é inexistente, tudo está na mente”. Então o holograma disse:
– Sejam bem vindos. Esses meses vocês treinaram até o seu limite, mesmo que alguns de vocês tenham boas ou más qualidades, farão todos os exercícios sem exceção. Sempre que precisarem de ajuda apertaram aquele botão na parede (ela apontou para ele sem tirar os olhos de nós). “Nós” queríamos estar aqui para poder velos, mas não tivemos disponibilidade em nosso tempo, mas vão nos ver com o passar do tempo. Espero que gostem do tempo que estarão aqui. Agora vocês vão ver os quartos.
Ela nos guiou até um corredor com duas portas, uma de cada lado e disse:
– O quarto a direita é o masculino, e a esquerda será o feminino. Terão 7 minutos e 43 segundos para trocarem de roupa e irem em direção à sala de teste de aptidão.
Ao entrar no quarto notei varias beliches encostadas a parede. Escolhi uma cama do lado da porta que dava para o banheiro, na parte de cima. Julie colocou sua mochila na parte de baixo e Carol pegou uma cama de baixo da beliche. Carol disse:
– Não achou que seria fácil se livrar de nós?
– Com certeza não, mas tentar não mata né?
Todos rimos e trocamos de roupa. Minha mãe nunca deixou eu tirar as lentes de contato pois a sociedade nunca aceitaria isso e me matariam. Ela me disse que foi muito difícil não terem me matado por ser ruiva. Queria tirar elas, mas não podiam ver minha cor de olhos, queria não ter que manter meu cabelo sempre preso em um coque bem apertado para parecer moreno (ela colocava café no meu cabelo para ficar escuro), queria ser eu mesma. Mas como?
Fomos à sala de teste de aptidão e a holograma apareceu e disse:
– Agora todos vocês faram uma corrida. Darão 20 voltas na sala, 10 correndo e 10 andando. Comecem.
Após dizer isso ela desapareceu e algumas pessoas começaram a correr e outras a andar. Jin e Jack estavam correndo e Julie e Carol estavam andando. Eu decidi ir pelo logico e comecei a correr, assim quando tivesse dado as 10 voltas eu estaria cansada e andar seria mais fácil. Mas nunca fui boa e não conseguia correr muito rápido chegando à velocidade das outras pessoas. Então senti duas mãos agarrando os meus braços e me erguendo. Olhei para trás e vi Jin e Jack. Comecei a rir e digo:
– Isso não é trapaça?
– Depende de quem veja- disse o Jack
– Eu sei correr sozinha
– Tem certeza disso?- perguntou o Jin
– Sim eu tenho!
Então eles me colocaram no chão e saíram correndo e rindo. Então Carol e Julie chegam ao meu lado e começamos a correr. Então Carol diz:
– Lucy eu acho que você está começando a gostar de nós.
– Sabe, também acho isso.
– Mas eu acho que um garoto está gostando de você- disse a Julie
– Eu? Devem ter me confundido com outra pessoa. Nunca fui bonita, ninguém nunca gostou de mim.
– Lucy você é linda, todos os garotos te notam quando você chega, mas uma pessoa te nota mais. – Carol falou apontando para alguns garotos. Seu olhar era malicioso.
– Devem me olhar e pensar: “que garota estranha”.
Nós rimos e continuamos o exercício. Depois que terminamos os exercícios a holograma apareceu e disse:
– Agora vocês irão em direção aos dormitórios, e daqui 08min virão aqui e eu lhe guiarei até o refeitório.
Todos nós fomos em direção aos dormitórios e fizemos o que a holograma disse. Não entendia por que ela não nos mostrava tudo logo, assim pouparíamos de ter que ver tudo tão lentamente. Depois de nos arrumamos fomos até a sala de teste de aptidão e a holograma apareceu e disse:
– Agora mostrarei a vocês o refeitório. Todos os dias aquele relógio tocara às 06h32min P.M. Vocês irão a seus dormitórios se arrumaram e às 06h40min P.M irão até o refeitório. Quando o relógio do refeitório der às 07h30min P.M vocês poderão ficar no refeitório, dormitórios ou na sala de testes de aptidão, mas quando der 08h30min P.M deveram se dirigir ao dormitório e apagar as luzes. Amanhã às 06h30min A.M deverão estar em direção ao refeitório, e às 07h30min A.M deveram vir à sala de teste de aptidão, todos os dias. Agora irei guiar vocês ao refeitório.
Quando chegamos ao refeitório tinha algumas pessoas andando com bandejas, algumas pessoas também estavam sentadas conversando. Julie e Carol me puxaram correndo e rindo em direção à fila. Julie disse:
– Carol, você não vai acreditar no que eu ouvi!
– O que?
– Ele vira aqui!
– Serio? Não brinca, mas por que ele vai vir aqui?
– Isso eu não sei, mas será um máximo!
– Do que vocês estão falando?
– Ah Lucy você sabe que nós temos nosso presidente certo?- disse a Carol.
– Logico... — disse revirando os olhos.
– Então ele tem um filho, o nome dele é Felipe. Ele tem 23 anos e como sabe se votarem nele daqui alguns meses ele será nosso novo presidente. — disse a Julie.
– Bem e por que é ótimo que ele vai vir aqui?
– Ele vai fazer uma palestra para os jovens, que somos nós... Então teremos uma chance de falar com ele! – Disse a Carol
Pegamos uma bandeja e começamos a colocar comida em nossos pratos. Depois sentamos em uma mesa. No meu prato continha um pão, um pedaço de frango, tomate, alface e manteiga. Abri o pão e passei manteiga dentro e o fechei. Cortei um pedaço de cada coisa e cortei o pão em um pedaço e comi. De repente Jin falou:
– Não assim não dá. Para! Você não vai comer isso de garfo e faca vai?
– Eu?
– Sim.
– Vou, por quê?
– Você tirou a graça do sanduíche. Coloque isso dentro do pão- disse ele apontando para o meu prato.
Eu fiquei olhando para ele sem entender e ele disse:
– Deixe eu faço isso- e meteu a mão no meu prato e começou a colocar os condimentos no pão. Então eu disse:
– Ei! Deixe o coitado do meu pão em paz- E agarrei o pulso dele e comecei a desmontar o que ele montava- qual o problema de comer assim?
– TUDO! 1° você nunca vai se sujar comendo assim. 2° qual seria a graça de cortar tudo? Arranque um pedaço do sanduíche com os dentes!- Ele gesticulava em quanto falava.
– Vai Lucy, você vai poder se sentir um pouco humana- Acrescentou a Julie rindo.
– Está bem! Seus preconceituosos. — falei rindo
Então coloquei os condimentos dentro do pão. Eu peguei os talheres para cortar o pão e o Jin os agarrou e apontou para a própria boca e abriu e fechou varias vezes. Então fiz uma careta e agarrei o pão. A aparência não era das melhores, mas mesmo assim fiz o que pediram. Então eu disse de boca cheia:
– Felizes?
– Muito- Disse Carol rindo.
Quando acabamos de comer eu decidir ir ao dormitório, mas estava lotado, e não conhecia as outras meninas então fui à sala de testes de aptidão. Só tinha alguns garotos carregando vários pesos. Fui em direção a uma escada para saltos e me sentei no assento mais alto. Fiquei observando as pessoas. Nada daquilo me parecia certo, mas o que seria? Minha mãe sempre me ensinou que o certo é o que fazemos e sentimos que as pessoas em volta e nós mesmo estão felizes. Mas as pessoas na minha volta estavam felizes, mas e eu? Nunca me ensinaram o devo fazer se não estou feliz. Quando deu 08h27min P.M decidir ir atrás das meninas. Ao chegar ao refeitório Julie pegou em meu braço e deu meia volta e me guiou até o dormitório. Então eu disse:
– O que foi?
Então apareceu Jin ao meu lado. Então Julie disse:
– Carol precisa de um tempinho com o Jack.
– Mas faltam 3 minutos para às 08h30min.
– Eles já são bem grandinhos, vão saber o que fazer- Disse o Jin- Vamos à sala de treinamento?
– Claro- dissemos em conjunto.
Ao chegarmos lá Jin disse:
– Ei Lucy que tal um mano-a-mano? Você me ganhou lá fora por que não estava preparado.
– Tem certeza?- perguntei- Não quero machucar você.
– HÁ, HÁ, HÁ me faça rir.
– Acabei de fazer- disse rindo- Então quais serão as regras?
– Nada de golpe baixo. Acho que só isso, está certo Julie?
– Sim e nada de briguinha falsa, quero ver sangue!
Então fomos em direção a uma parte com tatames. Julie sentou perto de uns pesos e Jin disse:
– Não espere ganhar isso. Julie você anuncia quando começar.
– JÁ!
Na hora que ela disse já Jin pulou em cima de mim, mas eu desviei. Ele lutava igual ao meu irmão, mas era mais forte. Nunca gostei de bater em ninguém, mas tinha minhas estratégias. Ele tentou me agarrar, mas ao tentar apoiei minha mão em suas costas e pulei por elas. Ele falou:
– Está tentando brincar comigo?
– Talvez.
Então corri em sua direção e dei uma rasteira. Ele caiu no chão e sentei em seus joelhos e disse:
– Desiste?
– E perder para você? Não!
Ele esticou as pernas para cima e cai em sua barriga. Então comecei a apertar suas costelas. Ele começou a rir e eu disse:
– Desiste?
– Isso é golpe baixo!
Ele então me empurrou para o lado e passou por cima de mim e disse:
– Desiste?
Só tinha uma chance. Agarrei sua perna e disse:
– Você sai de cima de mim ou eu torço sua perna.
– Você não consegue, eu tiro minha per...
Comecei a torcer a perna dele. Jin começou a gritar e eu disse:
– Desista!
– Nunca!
Então torci a perna dele mais forte e disse:
– Desista.
Então Jack e Carol chegaram e Jack disse rindo:
– O que é isso? Apanhando de uma garota?
– Dá para me ajudar aqui?- disse o Jin
– Claro.
Então Jack começou a tentar largar a perna do Jin. Mas quando mais ele puxava a perna do Jin mais forte eu torcia. Então eu disse:
– Se você puxar a perna dele de novo você será o próximo. Jin desista eu posso ficar aqui à noite.
– Desisto.
Então parei de torcer a perna dele e a larguei, então disse:
– Agora sai de cima de mim.
– Não, isso não fazia parte do acordo.
Então eu comecei a sair por cima dos braços dele. Então Jin me agarrou e me puxou para o lado. Então Carol disse:
– É bom irmos para os dormitórios antes que nos deixem do lado de fora.
Fomos para lá rindo. Ao entramos trocamos de roupa e fomos deitar. Então Julie perguntou:
– O que você e o Jack estavam fazendo?
– Nada...
– Nem vem com essa, com certeza tinha algo a mais- Eu disse.
– Lucy e Julie, nos não tivemos nada!
– Conta outra. — disse a Julie fazendo uma careta
– Querem saber o que aconteceu? Eu e ele conversamos sobre a vida, sobre como será aqui nesses meses. Felizes?
– Não, e como foi o beijo?- Disse a Julie fazendo biquinho
Ela nos olhou com um olhar envergonhado e disse:
– Está bem eu falo. Estávamos falando da vida e ele me disse que sente algo especial por mim. Eu falei que também sinto, mas eu não amo ele. Ele me beijou e eu simplesmente sorri. Então falei para irmos atrás de vocês. Nada mais.
– Você beijou o Jack, quer dizer ele te beijou! Você não esta feliz com isso? Você se entre olham há meses. — Disse a Julie
– Eu não estava preparada para isso. Quando ele me beijou eu não queria que tivesse ocorrido. Agora eu não sei o que fazer amanhã.
– Carol se você não gostou conversa com ele. — eu disse a ela. Ela me olhou com um olhar triste.
– Mas não quero ferir os sentimentos dele.
– Vamos fazer assim, durma e amanhã faremos algo sobre isso.
Ela fez que sim com a cabeça e se deitou. Eu fiz o mesmo. Naquela noite eu sonhei que eu e Jin estávamos um do lado do outro e ele disse:
– Lucy eu sinto algo por você, mas eu não sei você sente o mesmo, mas só existe um jeito de descobrir.
Ele se aproximou de mim e me beijou. De repente eu vejo meu irmão de longe. Ele se aproxima e diz:
– Lucy, isso é um sonho. Você deve curtir ele.
Então eu estalei os dedos. Jin desapareceu e eu estava em casa. Meu irmão se aproximou de mim e disse:
– Lucy sabe, nunca fomos irmão de sangue. Sua mãe me adotou. Você pode lembrar-se das coisas que esta escondida em seu cérebro, é só ir atrás dela. Lucy eu não morri. Eu...
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