Armas da vida

33 Capítulo 33


Depois de um bom período de tempo Trevor volta com Brian para a sala que eu estava. Brian falou:

– Bem Lucy, soube que aceitou a proposta do Trevor. Vou te levar de volta para o quarto que estava.

Me levanto com um pouco de dificuldade e ele me guia pelos corredores até o antigo quarto. Não tem ninguém lá. Ele fala:

– Sua mochila está no armário. Vou ficar deitado se precisar de mim. Só temos que sair daqui a pouco.

Assenti com a cabeça. Pego a mochila e vou até o banheiro. Tranco a porta e fui direto para o chuveiro. Não demorei quase nada no banho. Ao sair peguei a primeira roupa que eu vi. Tirei todas as roupas e peguei as coisas escondidas na mochila. Coloquei tudo em cima da mesa. Olhei todas as coisas. Era tudo que eu necessitava. Guardei tudo na mochila e sai do banheiro. Brian estava sem blusa, só de jeans deitado olhando para o teto. Era repugnante ter que saber que teria que dividir cama com uma pessoa que me odeia por tentar salvar ele, e mais ainda de saber que ele concordou em tentar me matar. Guardo a mochila no armário. Meu cabelo estava molhado, mas nem ligo em fazer alguma coisa. Me direciono até ele, mas sem olhar para ele. Digo olhando para a parede:

– É agora que iremos?

Ele demora um tempo para responder, mas diz:

– Sim, pode olhar para mim?

– Não, você me traiu e está sem blusa.

Viro de costas e me direciona até a porta. Depois de um tempo ele estica o braço e abre a porta. Ele sai andando pelos corredores e eu o sigo. Ele então fala:

– Eu não te trai, só segui seu conselho...

– Desde quando meu conselho dizia para você tentar me matar?

Ele fica em silencio até chegamos na sala de treinamento. Os garotos estavam normais. Dessa vez Liam entra na sala muito sério e diz:

– Peguem as armas e vamos atirar.

Não prestei atenção em nenhum tiro que eles deram. Quando chegou minha vez simplesmente atirei os cinco tiros direto e que acertaram o centro do alvo. Depois decidiram que seria legal se treinarmos atirar facas. Quando era pequena prendi no fundo da casa uma grande e grossa placa de madeira e ficava atirando facas. Com o tempo minha mira ficou boa e conseguia fincar a faca até o cabo na madeira. Deram uma faca para cada um e pelo o que eu pude ver, eles nunca atiraram uma faca na vida, pois ela não fincava na madeira, e nem batia corretamente. Brian atirou a faca que bateu com a ponta, mas não fincou. Peguei a faca e joguei com muita força. A faca fincou até o cabo no meio do alvo. Brian olhou surpreso para mim. Mantive a minha expressão séria. Notei que todos me olhavam surpresos e decidi comentar alguma coisa para desfazer aquele clima pesado:

– Eu gosto de fazer coisas novas.

– Deveríamos tentar algo novo Anastasia.

Do que adianta você ameaçar atirar na cabeça de alguém se esse alguém não aprende a lição? Liam então se aproximou e continuou:

– Nenhuma garota faz corretamente o que você fazia comigo.

– Se está tentando me convencer a deitar com você pode esperar sentado pois vai demorar.

Ele sorri e tenta me beijar. Não tinha tempo para imprevistos. Dou um soco no seu nariz. Ele deu um grito e cobriu seu rosto coberto de sangue. Olhei para ele e disse com frieza na voz:

– Liam querido, não espere muita caridade vindo de mim. Não quero me apegar a ninguém principalmente a você. Preferiria morrer antes disso.

– Anastasia eu só quero que não percamos a nossa relação, eu sei que você só ficou com o Brian para me causar ciúmes e que só pintou o cabelo, pois não suportava ouvir meus comentários sobre a Lucy...

– Pode ir parando. – Respirei fundo e sorri- Não quero nada com você. Na verdade eu quero. Distância.

Me direcionei até a mesa e peguei uma das facas. Passei a mão na lamina afiada. Joguei com força em uma das madeiras e quebrei o cabo da faca. A faca estava cravada com muita força na madeira, bem no centro dela onde estava pousada uma mosca. Virei-me para Brian e disse:

– Espero que seja feliz em seu relacionamento.

Eu não poderia perder a aposta com Trevor. Sorrio e saio de lá e por sorte Liam já tinha saído antes. Brian vem logo atrás de mim, mas não me impede de seguir meu caminho somente fala:

– Você precisa comer algo.

Vamos até o refeitório e pegamos sanduíches. Não comemos nada lá. Nos direcionamos até o dormitório. Me sento na cama e como o sanduíche mesmo não sentindo fome. Brian então diz:

– Anastasia vem cá.

Fico sentada sem fazer nada além de olhar fixamente para a parede. Ele então diz:

– Sabe que eu não fiz nada com o proposito de te fazer algum mal.

– Brian, eu me perdoo pelo que eu fiz com você. Eu aceito suas desculpas, mas não quero ter mais nada com você.

– Anastasia, por favor, não faça isso comigo...

– Você já escolheu seu destino e não é comigo ao seu lado. Bem que minha mãe me alertou em não confiar em ninguém.

– Você falou para eu ter uma vida e eu fiz isso.

– Bem, eu não pedi para tentar me matar, eu só pedi para você ser feliz. Eu não sabia que tentar me matar te alegrava.

Ele respirou fundo e deu uma mordida no sanduíche e depois disse:

– Anastasia eu não desejo mal a ninguém só fiz o que parecia correto na hora e me arrependo desse ato.

Decidi não alongar a discussão e concordei com um gesto rápido e voltei a comer o sanduíche. Depois que terminamos Brian falou:

– Venha aqui se sentar do meu lado. Faz tempo que não olho nos fundos dos seus olhos.

– E vai demorar até conseguir ver de novo.

Desci da cama e peguei minha mochila e subi novamente na cama. Tinha que criar uma forma de sair de lá. Conseguir limpar minha ficha com Trevor era praticamente impossível, já que ele não queria simplesmente perder a última chance de vingança contra os Prier. Não adiantaria eu mostrar que tenho sangue da linhagem Drew pois Trevor estava somente interessado em vingança. Trevor era inteligente, não conseguiria simplesmente convencer ele de me libertar. A melhor opção era fugir, mas como? Estava sem saídas. Deitei na cama e fiquei olhando fixamente o teto. A minha liberdade seria a minha própria prisão...