Armas da vida
23 Capítulo 23
Acordei com Brian mexendo nos meus cabelos em quanto conversava com Tyler. Meus cabelos estavam soltos em cima de uma maca. Mexi a cabeça e Brian notou que tinha acordado e disse:
– Vamos ao baile bela adormecida?
– Sim Brian, mas antes vou ao banheiro.
Ele concordou com a cabeça e apontou para uma porta do lado de um armário. Fui ao banheiro. Continuava com o vestido igual, meu cabelo estava bagunçado, mas nada que não desse muito trabalho, o corte perto da minha nuca não estava muito ruim, e meu batom estava borrado. Lavei meu rosto e tirei o batom, e novamente me olhei no espelho. Olhos verdes escuros, boca rosada, cabelos vermelhos jogados por cima do ombro. Estava bonita. Prendi o cabelo em um coque, mas quando me olhei no espelho não me sentia bem. Decidi fazer algo que não fazia a muito tempo, deixar meu cabelo solto. Minha mãe me incentivava a manter o cabelo preso, mas não me sentiria a vontade ficando assim. Sai do banheiro e falei a Tyler:
– Você irá ao baile?
– Não, tenho um encontro com uma garota mais tarde.
Eu e Brian olhamos para Tyler com um olhar malicioso. Começamos a rir quando Tyler começou a tentar mudar de assunto. Brian disse:
– Vou levar você ao seu dormitório para poder ficar com suas amigas.
– Precisa ser agora?
– Sim, tenho que falar com algumas pessoas ainda.
– Tudo bem, não necessita me acompanhar.
– Bem você bateu a cabeça lembra?
– Sim, me lembro.
– Já que sua memoria não está boa, quero te lembrar de algo que você fez hoje de manhã. O que foi aquela dança?
– Dança? Não acredito que perdi de ver a Lucy dançando!
– Meu irmão me disse que a melhor técnica para uma garota é a sedução, e eu coloquei em pratica.
– Seu irmão te ensinou bem. Vamos?
Concordei com a cabeça e Brian pegou minha mão, como se eu precisasse de apoio. Ele me levou até a porta dos dormitórios e disse me entregando a caixa:
– Me empresta essa presilha de cabelo?
– Claro Brian.
Ele prendeu a parte da frente do meu cabelo para trás e disse tentando parecer que eu tinha me machucado:
– Não quero mais que você se machuque com besteiras mocinha. Tome cuidado!
– Eu não tive culpa se tropecei e cai de cara na parede!
– Se não tomar cuidado, vai se machucar feio que nem a última vez!
– A culpa não foi minha se me machuquei fazendo um exercício! Eu não vou gastar meu tempo discutindo com você!
Fui embora e bati a porta. Sabia que ele precisava daquilo para se livrar de mim por um tempo. As meninas me olhavam como se estivessem com medo. Julie se aproximou de mim e me abraçou forte. Ela então disse:
– Quer que eu arrume seu cabelo?
– Não, vou deixa-lo solto hoje.
– Pelo menos deixe eu pentear o seu cabelo.
Concordei com a cabeça para não chatear a Julie. Ela me fez sentar na antiga cama de Carol e se sentou na cama que ela dorme. Ela ficou um tempo passando a escova no meu cabelo mesmo estando sem nenhum tipo de embaraço nele, ou algum tipo de complicação. Ela então tentou fazer uma trança embutida no meu cabelo, mas ele ficava soltando sempre que ela começava. Ela então desistiu e penteou novamente e eu disse:
– Julie é melhor você se arrumar, eu vou ver se consigo fazer mais alguma coisa em mim.
Ela assentiu com a cabeça e eu me direciono ao banheiro. Penteio meu cabelo em quanto olho no espelho, para ter uma pequena noção de onde eu ainda não penteei, e como meu cabelo está. Fico me olhando no espelho por um tempo. Reaplico o batom que me faz lembrar da minha infância. Saio do banheiro para o quarto. Toda vez que eu entrava lá sempre estava uma correria. Eu me direcionei a minha cama e me sentei nela. As garotas estavam correndo e olhando a hora a cada minuto. Aquela cena era hilária. Desci da cama para buscar uma escova para meu cabelo. Voltei para a minha cama e fiquei escovando meu cabelo e balançando as pernas por um tempo. Fiquei olhando para as meninas, e consegui notar que aquela situação estava parecendo quando se joga água em um formigueiro, todas correm procurando um lugar seguro, mas todas sabem que lugar é seguro, e tentam chegar lá o mais rápido possível. Eu era uma intrusa no formigueiro. Susie entrou no quarto e avisou que em 5 minutos voltaria para nos levar para o baile. A correria aumentou rapidamente. Voltei a pentear meu cabelo em quanto às garotas terminavam de se arrumar, tentando ficar bonitas, mesmo sendo algo inútil, como se fosse mudar alguma coisa estar bonita uma noite, sendo que os garotos continuariam vendo elas normalmente. Susie entrou e disse:
– Temos algumas regras neste baile, e alguns avisos. Primeira regra: devem dançar com um espaço de dois palmos abertos. Segunda regra: não podem sair do baile a não ser que esteja acompanhada por algum líder. A terceira e última regra é bem simples e quero que todas cumpram. Não podem, de nenhuma maneira ofender alguma pessoa. Bem vamos para os avisos, lá no baile estará o Felipe, como todas sabem. Bem podem dançar com qualquer rapaz, tanto líder, como rapazes que estão aqui com vocês. Alguma duvida?
A maioria das duvidas foram voltadas ao Felipe. Voltei a escovar o meu cabelo sem me importar muito com a maioria das duvidas. Quando todas as garotas terminaram de fazer suas perguntas Susie disse:
– Bem garotas, eu me esqueci de fazer uma informação. O baile está previsto para acabar as 04h45min A.M e como podem ver está começando as 09h03min P.M e estamos atrasadas, vamos.
Todas as garotas quase que correram em direção a Susie. Fui a última a sair do quarto. Ao sairmos do dormitório os rapazes estavam nos esperando no corredor. Varias garotas ficaram muito entusiasmada e outras ficaram coradas. Ao sairmos do dormitório puxei Julie para meu lado, e ela quase caiu. Falei apertando um pouco os ombros dela para um garoto que eu ouvi falar dela nas aulas:
– Ei rapaz, a Julie me disse que queria falar com um rapaz bonito como você.
Julie riu um pouco e me perguntou baixinho:
– Lucy no que está me metendo?
– Estou lhe arranjando um namorado.
Julie soltou uma risada e concordou com a cabeça. O rapaz sorriu e deixei eles conversando, em quanto um outro garoto disse para mim:
–Pode me ajudar?
– Claro. O que você precisa de ajuda?
Ele me olhou nos olhos e sabia bem o que ele iria falar, e mesmo assim não falei nada até ele pedir:
– Poderia me dar um beijo?
Soltei uma risada e disse:
– Esse favor não posso cumprir, e não tenho ideia de quem poderia fazer isso.
Eu vi o sorriso dele desaparecer de seu rosto, e sabia que não poderia fazer nada. Então todos os jovens fomos à sala de testes. Estava tudo arrumado e diferente, com duas caixas de som, uma mesa com algumas comidas, uma parte do centro da sala sem nenhum tipo de objeto (suspeito que para as pessoas dançarem) e outros detalhes. Todos se espalharam em dupla e rapidamente senti uma mão tocar minhas costas. Antes que agarrasse a mão e torcesse o braço da pessoa, a pessoa tocou meu abdômen. Relaxei, pois sabia que a única pessoa que fazia isso era Brian. Brian me deu um beijo na bochecha e disse:
– Eu estou desejando borrar esse seu batom...
– Isso eu não vou poder deixar.
– Lembra da promessa que você me fez?
– Sim.
– Eu lhe deixo quebrar ela hoje, sabe aproveitar uma coisa que lhe conto depois.
– Ok, mas não farei isso.
Brian ainda abraçado comigo foi andando para perto da porta, onde não tinha ninguém então disse:
– Bem todos vão ter só hoje para poder ter suas personalidades únicas, depois desse dia todos serão modificados, então não é muito legal você continuar seria e negativa.
Minha mão estava apoiada na mão de Brian e passei os meus dedos lentamente na mão dele e disse:
– Já lhe disse uma vez e irei repetir, só vou beijar um rapaz e ainda não vou poder te contar quem é.
Brian passou a mão nas minhas costas e me deu outro beijo na bochecha e então ele disse:
– Nós deveríamos estar dançando, né?
Soltamos uma risada e eu disse:
– Isso é muito mais legal do que estar dançando.
– Eu sei que isso é melhor, mas nós devemos ir para lá dançar.
– Bem, nós não somos todo mundo.
Brian começou a rir e disse:
– Ainda temos que esperar Felipe chegar, então não precisamos sair.
Senti uma felicidade imensa depois de ouvir isso. Brian estava bem parecido com meu antigo irmão, não sei se era pelo modo que ele estava agindo, mas ele parecia com ele novamente. Então Brian disse:
– Queria que você já tivesse passado por esses testes todos.
– Por quê?
– Para lhe pedir em namoro.
Eu corei imediatamente e ele completou:
– Mas eu ainda tenho meus truques...
Comecei a rir e ele disse:
– Mas pelo que vi que você tem muitos pretendentes...
– Tenho?
– Sim, até de mais.
– Bem pode ficar com eles que eu não quero.
– Sim, guardarei cada um deles em uma gaveta cheia de facas.
– Quem vai vir ao baile?
– Todos, normalmente todos os policiais homens vem, na verdade não temos mais nenhuma policial mulher.
Me virei de frente para Brian. Ele apoiou as mãos na minha cintura e apertou de leve. Me aproximei de seu ouvido e disse:
– Você lembra que disse que só ia beijar uma pessoa? Já escolhi quem.
Então dei um beijo no Brian. Ele retribuiu e passou as mãos em minhas costas. Felipe entrou acompanhado de Liam, Neo e Charles que me viram beijando Brian. Brian disse no meu ouvido:
– Se Felipe me ver assim com você vai ficar com inveja, é melhor irmos para lá- Ele apontou para onde estavam todos, e continuou- vou ficar perto do Kyle. Antes que eu esqueça Tyler disse que viria no meio da festa, ele quer uma dança com você.
Brian me largou e pegou na minha mão e fomos para onde todos estavam. Felipe era o rapaz que mais chamava atenção, com seu jeito único de agir. Todos estavam espalhados, e tinha uma música lenta tocando ao fundo. Ainda bem que eu estava de short, por que pude colocar meu batom e três CDS no meu bolso (os CDS estavam guardados em volta de um papel). Me sentei em uma mesa em que estavam: Jin, Jack, Julie, Petrik e Amanda. Me sentei do lado do Jack e da Amanda. Jack então disse:
– Está bonita hoje.
– Você também está muito bonito.
Felipe se aproximou de mim e disse:
– Lucy, gostaria de dançar comigo?
– Me desculpe, mas prometi a primeira, a segunda, a terceira e a quarta dança.
Ele me olhou perplexo e saiu. Me levantei e fui até perto da porta aonde estavam Brian e Kyle. Kyle então disse:
– Gostei muito da dança Lucy.
– Obrigada Kyle. – falei vermelha.
– Então vamos dançar Lucy?
– Agora?
– Pode ser na próxima música então.
– Kyle, por que não chama a Julie para dançar?
– Melhor não...
– Kyle você vive falando dela o dia todo. Eu tenho que dividir um quarto com você, o Charles e o Tyler e nenhum de nós aguentamos mais ouvir falando dela. Vai agora lá chamar ela para dançar ou você não vai nem conseguir levantar amanhã de tanta dor que estará sentindo.
– Eu tenho vergonha.
– Desde quando você tem vergonha? Você ajoelhou no meio de uma loja comigo Kyle.
– Ok, eu vou lá.
Kyle saiu e Brian me puxou para o lado dele. Ele passou o braço por trás das minhas costa e segurou minha mão. Ficamos vendo Kyle falando com a Julie. Quando Julie aceitou e saiu com ele para dançar, vimos um enorme sorriso se formar no rosto de Kyle. Começamos a rir e Brian disse:
– Nunca imaginei que te veria com um vestido, você sempre andava com calças compridas, blusas que cobriam qualquer coisa que encostasse em você. Mas hoje, você está incrível! Mesmo esse vestido indo até seu joelho, mas está perfeita. – Ele me colocou na frente dele e apoiou as mãos dele na minha cintura e continuo- Está usando um vestido de alças, com um decote... Estupendo. – Começamos a rir e ele continuo- E este batom? Nunca pensei que pudesse usar um batom, e você usou logo um preto. E o seu cabelo? Ele está solto, algo que eu nunca imaginei que veria na vida. Lucy, se eu não fosse um líder você teria outros tipos de problemas comigo.
– Brian, eu nunca imaginei que te veria assim (ele estava usando uma blusa branca de manga comprida, uma calça social, com o cabelo preto penteado, que era um grande milagre, por que normalmente estaria todo bagunçado, com um sapato social, e um sorriso... acho que o que mais me chamava a atenção era seu sorriso) com uma roupa social, e ainda mais com seu cabelo arrumado, dá até vontade de bagunçar.
Ficamos rindo e ele disse apertando de leve a minha cintura:
– Você me prometeu a primeira dança, e não vou perdê-la.
Ele largou a minha cintura e pegou na minha mão e me levou até o meio das pessoas e colocou a mão esquerda na minha cintura, e pegou minha mão direita. Coloquei minha mão esquerda em seu ombro e apertei de leve sua mão direita. Ele então disse baixo para somente eu ouvir:
– Odeio este tipo de dança, nunca tem nada legal- ele suspirou e disse- mas acho que podemos inovar um pouco, o que acha?
– Como inovar?
Ele me girou no ar e disse me puxando para perto dele:
– Como em uma luta, só que sem ninguém se machucar.
Uma líder passou e nos separou e disse:
– Dois palmos de distancia!
Quando ela saiu Brian me puxou para perto dele, ficando quase que encostados. Ele continuou:
– Você começa e eu te acompanho. Só que precisamos de uma música mais rápida.
– Pode deixar isso comigo, só me responda, qual banda você prefere: “AC/DC”,” Slash” ou “Guns n’ Rose”?
– “AC/DC” é mais rápido, muitas músicas do “Guns n’ Rose” são devagar, e “Slash” também são rápidas. Agora me deixou em uma encruzilhada.
A música acabou e paramos para aplaudir, e Brian foi comigo de voltou para perto da porta. Ele então disse:
– Acho que seria melhor treinarmos o que vamos fazer aqui.
– Mas aonde?
– Eu sei um lugar grande, com quase nenhum objeto e que tem um som. Vamos?
– Mas não podemos sair da festa...
– A não ser acompanhados por um líder. Que sorte a sua que tem um líder aqui a sua disposição.
Ele começou a me guiar pelos corredores até que chegamos em uma sala. Ele abriu a porta e acendeu as luzes. Era uma sala enorme, que presa na parede tinha varias armas de fogo, encostado perto da porta tinha varias tabuas, e tinha um som do lado da porta, preso na parede. Começamos a ouvir as músicas e eu disse:
– Tem uma música no CD do “Guns n’ Rose” do “Arctic Monkeys” que eu acho que daria certo.
– Qual é a música?
– “Do I Wanna Know”.
– Eu acho que já ouvi, se importar de começar sozinha.
Meu coração deu uma leve acelerada, mas eu disse:
– Não sei, acho que não consigo...
Ele segurou as minhas mãos e olhou nos meus olhos, com um sorriso que me fazia me derreter por dentro (odeio estes sentimentos) e disse:
– Eu acredito que você consiga, é tem uma vantagem, é muito mais elástica que qualquer outra garota daqui, por que treinou desde pequena.
Eu comecei a rir e disse:
– Mas o que faremos?
Ele olhou um pouco para o teto e depois olhou para mim. Em seus lábios tinha um sorriso malicioso (era muito difícil eu me segurar para não beijar seus lábios, mas sabia que não deveria, não naquela momento). Ele disse ainda sorrindo:
– Você começa, mas acho que pode começar já com a técnica de sedução, e no refrão dançamos juntos.
Pensei um pouco e disse:
– Acho que não precisamos ensaiar, se você ainda lembrar dos passos...
– Eu me lembro, só não por inteiro, mas nada que não possa improvisar.
– Então podemos voltar para lá, antes que sintam a nossa falta.
Ele concordou com a cabeça e saímos de lá. No caminho encontramos muitos jovens “namorando” nos corredores. E também encontramos jovens entrando em algumas salas, sem ninguém ver. Brian me puxou para perto dele, me segurando na cintura, e me disse no ouvido em quanto andávamos:
– Você já deve ter notado que aqui tem varias câmeras de segurança, mas eles ainda não notaram. Só não tem câmeras nos banheiros. Charles assiste as gravações e o que é importante ele mostra para "eles". Tome cuidado com o que você faz, por que "eles" te observam de perto, "eles" se interessam em você. Eu tenho um plano para te ajudar. Antes da festa acabar, você vai mudar.
Entramos no baile e Kyle se aproximou e disse:
– Me prometeu a segunda dança.
– Kyle, ela dança depois, eu queria mais uma dança com ela.
Kyle não demostrou reação, e depois de um pequeno período de tempo deu de ombros e saiu. Brian me largou e eu fui até onde tinha um rapaz com um computador conectado a uma caixa de som. Eu falei:
– Oi, pode me fazer um favor?
– Depende, mas acho que para uma moça bonita eu faço.
– Coloca este CD para tocar na música “Do I Wanna Know”?
– Claro, não temos nada a perder.
Eu fui até o meio da pista. Começou a tocar e fiz o que Brian me disse. Sedução não era o que eu mais gostava de fazer, mas já estava lá. Parecia que todos pararam. Não me importava. Brian estava em uma parte que eu conseguia o ver perfeitamente. E quando chegou o refrão fiz uma estrelinha até chegar nele. Ele então me segurou e me jogou no alto, me fazendo dar algumas voltas no ar até que ele me segurasse. Joguei a perna esquerda para cima e coloco em seu ombro esquerdo e ele me segurou pela cintura, me fazendo quase cair no chão. Apoio minhas mãos no chão e faço uma estrelinha para trás. Ele então se aproxima e me dá um beijo perto da boca e saio até uma distancia (sempre seduzindo). Abro ponte e ele apoia as mãos na minha cintura. Saio da ponte e quase que trombamos. Finjo dar um soco, e ele fingi desviar. Ele me solta e dou um passo para trás. Então dou um chute na altura de seus ombros, mas ele segura meu pé e coloca em seu ombro, me fazendo ficar mais perto dele. Ele me faz “cair” e segura na minha cintura. Tiro a perna de seu ombro e ele me joga no alto. Caio em uma escala frontal, ele então segura meus braços e me levanta e ficamos nos encarando por um período curto de tempo. Então faço uma estrelinha para trás e me aproximo de Kyle. E começa o refrão. Abro ponte e então deslizo no chão, ficando com as costas totalmente apoiadas no chão. Empurro o chão com as pernas em um curto espaço e Brian me levanta. Nós nos encaramos por um tempo até que a música acaba. Todos aplaudem e saímos rindo.
Eu ouço então a música “Sweet Child O’ Mine” do “Guns n’ Rose”. Me direciono a Brian e digo:
– Acho que vou conversar com outras pessoas.
– Ok, qualquer coisa estarei por aqui.
Me direciono até uma cadeira e sento-me. Em pouco tempo Liam aparece e diz:
– Eu adoro essa música, por que não dançamos ela?
Começo a rir e completo:
– Por que eu estou um pouco cansada agora, mas vou ficar ouvindo ela daqui.
Ele ficou um pouco triste, mas logo saiu de lá. Amava aquela música por que me lembrava da minha infância, que não foi uma infância fácil. Decido dar uma volta. Vou até um grupo com policiais. Brian, Kyle, Liam, Neo e Charles estão neste grupo conversando. Ao me aproximar decido não ficar com eles. Decido ir ao dormitório. Ao chegar lá não tinha ninguém (ainda bem, não seria nenhum pouco agradável encontrar algum casal lá) e me direciono ao banheiro. Me olho no espelho. Meu batom está um mais fraco, meu cabelo bagunçado, mas ainda dava para dar uma rápida arrumada. Pego uma escova de cabelo que estava em cima da pia e desembaraço meu cabelo. Prendo ele rapidamente em um coque baixo e reaplico o batom. Sorrio, mas só por fora. Estava cansada por dentro. Quando volto ao quarto decido guardas minhas coisas na mochila. Não gasto muito tempo, e tudo já está lá. Também guardo meus doces na mochila. Volto para a festa e fico aliviada por ninguém notar minha rápida saída. Solto meu cabelo e me sento na arquibancada. O grupo de policiais estavam sentado nos primeiros degraus e eu já estava no último. Eles, aos poucos, foram subindo, até que estavam quase que do meu lado. Eu conseguia ouvir a conversa deles, mas não estava interessada. Olhei para todos. Novamente me senti uma intrusa em um formigueiro. Decidi me juntar aos rapazes, não tinha nada a perder. Me sento ao lado de Brian, que me puxa e ficamos abraçados. Eles estão conversando sobre alguma coisa, mas não me interesso em saber o que, e acabo expressando um olhar sério. Brian tocou meu nariz e disse:
– O que foi?
– Nada.
– Tem certeza? Quer ir lá fora conversar?
– Não precisa, estou bem, só estou um pouco pensativa.
– Tem certeza?
– Sim, e qual era aquela coisa que queria me falar?
Ele olhou para o além por um tempo e depois disse:
– Depois te digo.
– Ei Lucy, por que não está dançando com o resto dos jovens.
O garoto que falou isso era alto, loiro com olhos castanhos. Brian falou passando a mão pelo meu cabelo:
– Ela está ocupada agora.
Comecei a rir e disse tentando parecer educada:
– Estou um pouco cansada, mas se quiser eu saio daqui se estiver incomodando.
– Não precisa sair, acho que sua companhia nos deixa mais alegre.
– Então eu fico, mas não vejo muita alegria em vocês.
– É que você só fica com o Brian, por que não fica mais próximo de nós.
Em algumas semanas, eu ficaria envergonhada com uma frase dessas, mas faz tempo que não fico sozinha que acabei nem me incomodando mais com essas frases. Me levantei e me sentei do lado do Kyle e do rapaz. Eles ficaram olhando algumas garotas e eu disse:
– Vão lá chamar elas.
– Melhor não, elas estão ocupadas- o garoto tinha um olhar vago- e com certeza recusariam.
– Com essa música sim, mas eu resolverei esse problema,
Me levanto e vou até onde o rapaz usava o computador. Ele sorriu e me entregou o meu CD. Eu disse:
– Poderia me fazer outro favor?
– Se você me fizer um favor eu faço qualquer favor para você.
– Diga primeiro o que quer.
– Se consegui fazer os rapazes que estão ali- ele apontou para onde eu estava à pouco tempo- dançarem faço qualquer favor para você.
– Então coloque uma música mais rápida e todos estarão dançando em pouco tempo.
Ele colocou “Rock’n Roll Train” para tocar e me direcionei a eles. Ao chegar lá disse:
– Eu amo essa música, por que vocês não vem dançar?
Eles rapidamente olharam entre si e se levantaram. Fomos até onde estavam todos os jovens dançando. Nós nos juntamos a eles. Eu parecia um deles. Os rapazes estavam sorrindo e começaram a socializar com algumas garotas. Felipe se aproximou de mim e disse:
– Acho que agora poderia dançar comigo.
– Essa música é feita para dançar sozinho.
Saio de perto do Felipe. Aquela música ficava na mente, principalmente o refrão. Me aproximei do rapaz com o computador e disse:
– Eu sou boa, não?
– Nunca mais duvido de você. Você é diferente, gosta de Rock em quanto à maioria das garotas preferem eletrônicas.
– Família antiga que gostava de rock acabou dando nisso...
Eu então me distanciei dele e me sentei em um banco. Tyler tinha acabado de chegar e não me viu. Até tinha ficado feliz por isso, por que queria ficar um pouco sozinha. Encostei as costas no banco e olhei para todos. Algo me dizia que eu não deveria estar ali, que deveria fugir e nunca mais voltar. Mas acho que seria errado, pelo menos eu achava na época que está ideia passou rapidamente no meu cérebro, e agora eu sei que deveria ter seguido ela. Brian e Tyler se sentaram do meu lado. Brian falou olhando para o relógio:
– Temos que ir, se quer ainda quer viver mais um dia.
– Como assim?
– Lucy, eu e Brian te explicamos no caminho. Vamos agora.
Nós nos levantamos e saímos de lá. Fizemos um caminho diferente que nos deu no consultório que Tyler usava. Entramos na sala que Tyler trabalha e Brian trancou a porta. Tyler então me deu um pequeno copo com um liquido rosa. Meu remédio. Tomei ele deixando uma marca preta de batom em volta da boca do copo. Tyler disse:
– Eles descobriram algumas coisas que te comprometem, e nós não queremos que você morra.
– Que coisas?
Brian falou impaciente:
– A cor dos seus olhos, o seu talento em luta, que não pode ser manipulada, que não tem sentimentos físicos e que a cada dia que passar ficará mais bonita e mais inteligente. E nós- ele fez um gesto rápido- queremos te ajudar. Eles pretendiam te matar o mais rápido possível para não influenciar uma revolução, só que nós necessitamos disso. Vamos fazer algumas “mudanças” em você. Nada permanente, não se preocupe.
Me sentei na maca e eles tiraram uma caixa escrito na tampa “IMPORTANTE”. Brian abriu a caixa e dentro tinha algumas coisas. Em quanto ele tirava as coisas da caixa, Tyler prendia rapidamente meu cabelo em um dois coques altos. Brian tirou uma peruca loira e entregou a Tyler. Tyler colocou a peruca em mim que chegava até meu ombro. Tyler me entregou uma blusa folgada, uma jeans surrada e uma caixinha com uma lente de contato. Fui no banheiro me trocar, as lentes deixavam meus olhos na cor azul escuro. Ouvi uma batidas na porta. Sai do banheiro rapidamente, vestindo o que eles me deram. Brian estava com minha mochila em suas costas e disse:
– Lucy, agora terá que fazer umas pequenas mudanças. Existia uma garota aqui chama Anastasia, ela morreu a poucas semanas. Na verdade ela sabia que você necessitava de uma identidade falsa e se “ofereceu” para entregar a identidade dela para você. Ela era a garota quase da sua altura e da mesma cor de pele que você. A garota que você viu conversando com Tyler era ela, eu sei que foi um sonho, mas eles conseguem ver seus sonhos. Esse remédio codifica seu sonho e suas memorias, mas “eles” estão quase que descobrindo o código. Ela morreu a poucos dias. Ela estava em intercambio na fronteira e lá não tem comunicação com aqui. Ela teria chegado hoje, e você agora será ela. Você vai dormir no mesmo quarto que eu, Tyler e Charles, como ela fazia. Agora vamos acompanhar você até o quarto.
– Mas e a Lucy?
– Ela fugiu hoje para a floresta. Mas “eles” já estão cuidando deste problema.
Concordei com a cabeça e saímos de lá. Em quanto passávamos no corredor ninguém ficava no nosso caminho. Ao chegarmos no dormitório Charles estava lá. Ele disse:
– Estava com saudades de você Anastasia.
– Você é um péssimo mentiroso, e vai ter que melhorar isso. – Tyler disse em quanto ria.
– Eu tento...
– Você fica com a beliche de cima, e eu fico com a de baixo- Brian apontou para a beliche que ficava encostada na parede direita. E continuo- Tyler dorme na de baixo e Charles na de cima. Tem direito ao lado esquerdo do armário- Ele puxou uma porta. Estava vazio- Amanhã vamos arranjar roupas parecidas com que Anastasia usava.
Coloquei a mochila lá dentro sem me importar com nada. Me direcionei a cama e me sentei nela. Olhei para eles. Estavam todos olhando para mim e Tyler disse:
– Não vamos ao baile, não se preocupe.
Concordei com a cabeça. Olhei para a parede e vi que tinha um espelho grande com umas anotações (que devem ter sido feita por Anastasia) e um papel preso. As anotações eram “ Olá Lucy! Espero que goste do quarto (e dos rapazes). Tem umas pequenas coisas que eu faço normalmente, quem eu não gosto, o que converso com algumas pessoas, e coisas que os rapazes não sabem. Qualquer duvida pergunte a ele. Antes que eu esqueça tem outro papel deste no armário (estava com preguiça de subir aqui) Boa Sorte e não gaste minha vida atoa, eu confio em você.”
Peguei o papel e o abri. Estava escrito “ Oi novamente. Bem vou começar sendo bem simples. Não tenho alergia a nada, não tenho paciência, não falo (só quando necessário) e não suporto brigas verbais. Trabalho na policia (no mesmo trabalho que o Brian), não suporto o Neo, Liam, Felipe e não sou muito amiga do Kyle. Tenho uma ótima mira (e você também, que sorte) só uso meu cabelo solto, não suporto maquiagem. Se eu fico nervosa mordo a parte de baixo dos lábios. Não sei se tenho mais alguma coisa... Não podia esquecer, estou quase namorando o Brian (não precisa namorar ele, mas vou lhe explicar como fico com ele.) Ele me ajuda atirando, me dá muitos beijos (em alguns lugares mais que outros...), me abraça bastante. Só tinha eu de policial, então não tenha pena deles, ou afeição de alguns deles, por que nunca agi assim, e ficará estranho. Qualquer coisa que esqueci está na outra ‘carta’. Sim, eu sei que não gosta de cabelos loiros, eu também não, mas não posso fazer nada.”
Tirei a peruca e soltei o cabelo. Apoiei a cabeça no travesseiro e olhei o teto. Desci da cama e me direcionei ao armário. Eu simplesmente entrei no armário e tirei aquela roupa (com a porta fechada). Coloquei uma bermuda e continuei com a mesma blusa. Fiquei descalça e aproveitei que estava lá e coloquei algumas roupas nos cabides. Saí de lá e Tyler e Charles estavam conversando e Brian estava dormindo. Me direcionei até minha cama e me deitei. Fechei os olhos e logo acabei dormindo.
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