Armas da vida

14 Capítulo 14


Kyle me olhou e acordei assustada. Não sei por que me sentia estranha. Ele disse:

– Venha Lucy.

Eu não conseguia me lembrar do que tinha sonhado. Aquilo era um sonho. Eu disse:

– Isso é um sonho!

Eu então estava em uma floresta. Estava sozinha. Era quando o meu irmão tinha ido para o treinamento. Não tinha ido ainda para a floresta sozinha e naquele dia decidi ir sem ele. Eu tinha 17 anos. Andei até aonde meu irmão tinha me mostrado. Lá não tinha ninguém, mas mesmo assim segui com desconfiança. Cheguei a uma árvore e agarrei um galho dela e subi nele. Me sentei no galho e observei em volta: estava vulnerável. Subi mais até que as folhas me cobriram por inteiro. Algumas pessoas chegaram. Todos os dias às 02h00min P.M eles estavam ali treinando tiros. Eu nunca estive tão perto deles, pois o medo de ser descoberta era muito grande para a vontade de ir lá. Aquela parte de árvores era livre até às 03h30min P.M, mas eu estava lá. Eles então carregaram as armas e miraram em uma árvore que tinha uma madeira por cima assim não viam os tiros de bala. O primeiro a atirar era um rapaz bem alto. Ele acertou em uma parte direita da árvore. O segundo acertou do lado esquerdo e o terceiro acertou bem no meio. Eu vi que tinha um rapaz escondido atrás de uma árvore, mas ele não sabia se esconder nem um pouco bem e eles notaram. O garoto que atirou no meio olhou para os outros e falou:

– Me empresta a sua faca?

– Esqueceu a sua de novo?

– Digamos que sim.

Ele jogou a faca com uma proteção. O rapaz tirou a proteção. A faca era de um tamanho razoável para carregar por aí sem ser notada. Ele chegou perto da árvore que estava o menino. Eu sabia o que iria ocorrer e queria poder interferir, mas eu teria o mesmo fim dele. O rapaz com a faca se encostou na árvore que o garoto estava e rapidamente esfaqueou o garoto que não notou nem o que tinha aconteceu. Ele caiu no chão e o rapaz atirou na sua cabeça como se o garoto não fosse ninguém. Eu tinha que me controlar, mas eu queria socar o rapaz, só que eu não sairia viva. Decidi que eu iria tira-los dali e tentar ajudar o garoto. Eu tinha umas pedras no bolso que eu carregava comigo e um canivete e mirei em um galho alguns metros de onde eles estavam. Tinha que fazer direito se não descobririam onde eu estava. Eu joguei com a maior força que consegui. Ela atingiu um galho cheio de frutas que caíram no chão. Dois deles foram lá checar o que era, mas o garoto que matou o menino ficou lá. Tinha que tira-lo de lá e só tinha dois jeitos de tira-lo de lá: com outro barulho ou lutando com ele. Pelo que eu via ele não iria sair de lá por qualquer barulho. Eu falei de um jeito que parecia que eu estava longe:

– Irmão cadê você?

Esperava que ele saísse de lá, mas ele simplesmente apontou a arma para uma árvore do lado do qual eu estava. Eu me movi no maior silencio que consegui e fiquei em um galho em cima dele. Pulei nas costas dele e tapei a boca dele com uma mão e com a outra me agarrei em seu pescoço. Ele tentava mirar a arma para mim e eu disse em quanto tentava não estar na mira dele:

– Não atire! Eu lhe prometo que só vou pegar o corpo do rapaz.

Ele então esfaqueou minha mão e eu larguei as costas dele. Ele se virou para mim e disse rindo:

– Eu esperava um homem, mas vou lutar com uma garota e ainda por cima bonita! Menina você não sabe no que se meteu.

Ele então correu em minha direção e eu passei por baixo das pernas dele, mas ele agarrou meu cabelo. Eu sabia o que fazer. Peguei um canivete que eu tinha no meu bolso e cortei o cabelo que ele segurava. Enfiei o canivete nas costas dele e arrastei para baixo, mas rapidamente ele agarrou a minha mão que segurava o canivete me imobilizou e com o canivete que eu usei nas suas costa e colocou no meu pescoço. Eu não tinha opções. Ele disse:

– Você me deu muito trabalho, por aparentar ser uma garota tão frágil. Eu posso fazer que os meus amigos não te matem nem saibam que você esteve aqui, se você me beijar eu lhe deixo ir em bora, ou eu chamo meus amigos e nós te matamos. Você não tem muito tempo até que meus amigos verem que o barulho foi uma pedra que você jogou.

Ele sabia que tinha sido eu, mas não tentou me tirar da árvore. Mas quando viu o menino o matou e agora está me dando opções? Eu preferia morrer, mas me lembro ainda do que meu irmão disse: “Nem sempre as opções são boas quando nos arriscamos, mas aceite a que lhe deixar no mínimo viva.” Sabia que eu iria fazer. Eu respirei fundo e disse tentando não pisar no sue pé com raiva:

– Eu aceito a primeira opção...

Ele tirou a faca do meu pescoço e me virou e vi seu rosto: Ele era bonito, com olhos azuis, rosto bronzeado e um sorriso que me irritava (não sei ainda o motivo de alguns sorrisos me irritarem tanto). Ele disse como se nunca tivesse feito isso mesmo eu duvidando que sim:

– Mas tem um detalhe: se contar para alguém eu prometo que mato sua família e qualquer um que você conheça e depois te mato.

Respirei fundo e fiz que sim com a cabeça. Eu me aproximei da boca dele e o beijei. Não pensei que era a pessoa que iria me matar se tivesse chance, pensei que era uma pessoa que eu amava na vida. Quando ele me largou olhei em seus olhos e ele disse um pouco desorientado:

– É melhor ir pela parte fechada da floresta, não volte mais aqui, isto não é seguro.

Fiz com sim com a cabeça e fiz o caminho como ele explicou. Não sei por que, mas ele parecia muito carinhoso mesmo tendo tentado me matar.