Armas Químicas e Poemas
1 Armas Químicas e Poemas
Notas iniciais
...::: Armas Químicas e Poemas :::...
" Eu me lembro muito bem, como se fosse amanhã
O sol nascendo sem saber o que iria iluminar
Eu abri meu coração como se fosse um motor
E na hora de voltar sobravam peças pelo chão
Mesmo assim eu fui à luta... eu quis pagar pra ver "
Ela estava lá. E eu sabia que se quisesse ser notado teria que fazer isso sozinho.
E ela estava lá. Tão linda e misteriosa, como só ela sabe ser.
E se eu quiser que ela saiba vou ter que fazer isso sozinho.
" Aonde leva essa loucura
Qual é a lógica do sistema
Onde estavam as armas químicas
O que diziam os poemas "
- O-oi, Ana. — disse eu, com a voz falha.
- Ah, oi Tiago. Tudo bem? — perguntou com aquele sorriso. Ai meu Deus.
- T-tudo e v-você? — eu tinha que parar de gaguejar, e rápido.
- Tudo. — voltando os olhos para seu armário da escola — Quer dizer, mais ou menos...
- Por que? Aconteceu alguma coisa? — perguntei assustado.
- Ah... é que tem alguém, sabe? — senti meu peito bater mais forte — Que fica deixando recados no meu armário quase todo dia.
- E você não gosta desses recados, Ana?
- Gosto. Eu não gosto de não saber quem os faz... — falou desanimada.
- T-talvez, essa p-pessoa tenha v-ergonha de se m-mostrar...
" Afinal de contas
O que nos trouxe até aqui, medo ou coragem?
Talvez nenhum dos dois
Sopra o vento um carro passa pela praça
E já foi... já foi
Por acaso eu fui à luta... eu quis pagar pra ver "
Se eu não disser logo, jamais vou saber se vale a pena.
Mas tenho medo de perdê-la... sem nem mesmo ter tido ela comigo.
" Aonde leva essa loucura
Qual é a lógica do sistema
Onde estavam as armas químicas
O que diziam os poemas "
- Ana... — falei apressadamente, antes que ela sumisse no corredor da escola.
- Sim? — disse ela, como se esperasse que eu me revelasse.
- E se eu disser que sei quem tem feito isso?
- Você sabe mesmo, Tiago? — disse ela, correndo até mim.
- S-sei. — senti meu corpo todo estremecer nessa hora.
- E quem é? — disse ela entusiasmada.
- S-sou... e-eu, Ana. — saiu mais baixo do que eu planejava, mas pela cara dela, acho que entendeu. — D-desculpa! M-melhor eu s-sair daqui...
- Tiago, espera aí! — disse ela antes de fazer uma longa pausa. — Foi você mesmo? — assenti. — E por que não colocou seu nome?
- P-porque e-eu gosto d-de v-você, Ana... — falei.
" O tempo nos faz esquecer o que nos trouxe até aqui
Mas eu lembro muito bem como se fosse amanhã "
É claro que ela não tinha como saber disso. É claro que ela não tinha porque corresponder.
Mas eu não podia deixar a oportunidade mais uma vez. Era preciso arriscar... e eu arrisquei.
" Quem prometeu descanso em paz
Pra depois dos comerciais?
E quem ficou pedindo mais
Armas químicas e poemas? "
A reação das pessoas é algo que pode chocar muita gente, o tempo todo.
Mas isso não é nada comparado ao que senti naquele dia. Não é nada comparado ao que fizemos naquele dia.
E o importante nisso tudo, o que vou guardar daqui pra frente, é que não importa se tudo parece difícil, importa a nossa vontade de mudar as coisas.
Fale com o autor