Armagedom
3 Capítulo II - Zena Palafis
Eu definitivamente não deveria ter falado aquilo. Eu poderia estar descansando rodeado por belas fadas e ninfas nesse mesmo instante. Mas ao contrário estou aqui enjaulado como um animal — mas para eles eu definitivamente era um animal.
Já se passou quanto tempo desde que eu estou aqui? Será que Maria já se deu conta de que eu desapareci? Provavelmente já ativaram a segurança e estão procurando por mim. Levaria tempo até perceberem que eu não estava na cidade. E quando souberem que eu estava fora... Dariam-me como morto. Afinal, todo humano que saia das cidades nunca voltava. Acordei com a luz do sol reluzindo em meus olhos. Também havia alguém — ou alguma coisa — batendo em mim e chamando meu nome. — Vamos! Acorde seu infeliz! Levante rápido! — resmungava a voz que pairava no ar. Fui reconhecendo pouco a pouco a estrutura do corpo daquele estranho ser. Possuía um tamanho que podia jurar que batia em meus joelhos. Um rosto mal humorado que o deixava cheio de rugas. Era um pouco gordo, parecia mais uma bolinha falante. — O-O que? Quem é você? — disse eu. — Não irei dizer meu nome para um rato como você — bufou a bolinha — Apenas me siga. O Líder quer falar com você. Apenas tive a sensação de que deveria fazer o que ele havia dito. Levantei-me e comecei a seguir aquela bolinha que retrucava de um lado para outro resmungando algumas palavras que eu não conseguia entender. Será que eu estava com um nariz do tamanho de meu braço? Todos aqueles monstros não paravam de olhar para mim enquanto eu caminhava em direção ao Líder. Mas acho que ter um nariz exageradamente grande não seria um defeito. O meu defeito seria não ter nenhum defeito. Apenas continuei a segui-lo. Paramos em frente a uma grande casa que se assemelhava as casas da minha cidade. Possuía um jardim na frente e um caminho que cortava a grama verde até a porta. Era como se eu estivesse em cima da parte branca do lado preto daquele símbolo que se chamava... Iene... Yn... Yin e Yang. Isso, Yin e Yang. Logo me lembrei daquela doce voz que me saudou quando cheguei a esta \"aldeia\". Se aquela era a governanta, o Líder não devia ser nenhum monstro mal humorado como aquela bolinha que me guiou até aqui. Talvez eu ainda tivesse uma chance de voltar até a cidade com minha cabeça ainda grudada ao corpo. Sem bater a bolinha abriu a porta. — Entre, o Líder está lhe esperando. — disse a bolinha. Ao entrar na casa tomei um susto. A casa era totalmente diferente do que eu imaginara. Era tudo escuro, não dava para ver nada. Exceto as brasas que estavam na lareira. Segui a luz vermelha e logo me encontrei com aquela pessoa fitando a lareira. — O-Olá... — gaguejei. Nenhuma resposta. — A bolinha me disse que você queria falar comigo... — tentei novamente. — Bolinha? — finalmente o estranho falou. — É... Como ele não me disse o seu nome... E então ele soltou um inesperado riso: — HAHAHAHAHAHA! — gargalhou estrondosamente o estranho. Fiquei intimidado com aquela gargalhada ensurdecedora. Pensei em dar um sorrisinho também. Ele poderia ficar zangado se eu não entrasse no clima junto a ele. — Bolinha... Você se referia a Tanzwas? Aquele duende? — Então ele se chamava Tanzwas? Bem, ele é um pouco mal humorado... Mas era muito engraçado. O ver andar no chão me dava vontade de chutá-lo. — fiquei mais a vontade percebendo que aquele homem era tão gentil quanto eu suspeitava. — Humor típico de duendes... — arfou o homem gentil — mas vamos ao assunto do qual me levou a chamá-lo aqui. — continuou com uma expressão séria. — E qual seria esse assunto? — Meu grande amigo Wonter que aqui se encontra — aponta a escuridão -, é um vampiro. Ele me contou algo que me intrigou muito. — Wonter? — tentei procurá-lo na escuridão. E de repente o vampiro aparece atrás de mim. Fitando-me com aqueles olhos escarlates que penetravam a minha alma, paralisando meu corpo completamente. — Você não é um humano. – ótimo, conta algo que eu já não sabia — e também não é um de nós — essa me pegou de surpresa. — Então o que eu sou? — Não faço a mínima idéia. Possui um cheiro diferente. Doce com o dos humanos, forte como o dos fantasys. Um mistura envolvente que atrai qualquer vampiro — percebi seus olhos faiscarem como chamas — é algo difícil de controlar — logo ele se inclinava em minha direção como uma cobra pronta para dar o bote. — Wonder! — a voz do Líder passou como um relâmpago dentro da casa — Já chega. O grito do Líder foi bem mais assustador que a ameaça de ataque de Wonder. — E por sinal. — volta a um tom suave — Ainda não lhe disse como me chamo. — houve uma pausa — sou Viften. Viften Wansglover. Líder da maior aldeia de fantasys existente no Mundo de Eden: Zena Palafis. E você garoto, se chama Joe, não estou certo? — Isso senhor, me chamo Joe Sauver. — Joe Sauver... — dá uma pausa como se estivesse lembrando de alguém com o mesmo nome.
Finalmente Viften se levanta. Ele era bem maior do que eu pensara, mas ainda não conseguia enxergá-lo por causa da escuridão. Começa a andar em direção a porta. Wonder o segue e instintivamente começo a caminhar atrás dele também. Ao abrir a porta, a luz do sol quase me cega. Recuperando pouco a pouco a minha visão podia ver os pelos prateados que cobriam aquele grande corpo cheio de músculos — parecia que iria estourar a qualquer momento. Suas pernas eram iguais as de animais, possuía, no lugar dos pés, dois cascos. Sua cauda não se mexia. Possui um par de chifres na cabeça e longos pelos prateados que recobriam da cabeça até a costa. — Seja bem vindo garoto. A Zena Palafis! – fala Viften olhando para a aldeia. Todos os habitantes da aldeia se curvaram diante a Viften quando ele apareceu na porta. Sua presença era realmente louvadora. Possuía um ar de confiança. Olhos que refletiam a sabedoria, cicatrizes que representavam experiência e um corpo que emanava força. Fiquei por um bom tempo olhando para ele — ou para aquilo. Ele se virou para mim, tomei um susto ao ver sua cabeça. Era semelhante à de um touro. Ou realmente era a de um touro. — M-Minotauro! — disse eu. Pude ver um sorriso no rosto do minotauro. — Vejo que sabe bastante sobre nós fantasys — disse Viften. — É. Na escola onde eu estudo, ou estudava, eles dão aulas sobre tudo que você possa imaginar. E temos uma matéria exclusiva ensinando sobre vocês mon... — parei ao me lembrar da ultima vez que me empolguei assim falando dos humanos. — Oh... Humanos são bastante inteligentes não é? — continuou a conversar como se aquela palavra não o afetasse. — É, pode-se dizer que alguns são sim. — respondi antes de perceber que a pergunta foi em sentido geral — mas os humanos possuem muitos defeitos, por mais que sejam inteligentes, só a usam para fazer besteiras. E o resultado disso foi o agora. — dei uma pausa — O homem não conhece seus limites. — Joe Sauver... — fez a mesma pausa dramática que fizera antes — estou gostando de seu jeito garoto... Você tem um coração muito bom, posso sentir isso em cada palavra que você fala. Não respondi nada, e em contrapartida ele ficou me olhando, mais parecia que estava analisando, sem falar nada. Até que uma pequena fada pousou em seu ombro. Começou a sussurrar alguma coisa em seu ouvido, mas eu não conseguia escutar nada. Era algo sério, poderia dizer isso ao ver a expressão de medo no rosto de Viften. — Esquadrão de Elfos e Lobisomens, preparem-se imediatamente para uma caçada. — comandou Viften.
Notas finais
Críticas *.*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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