Notas iniciais
Hey jujubas, revisei o capitulo para melhorar um pouco a narrativa, mas se encontrarem algum erro não hesitem em corrigir! O dreamcast será postado nas notas do próximo capítulo ou da história em si, não deixo de avisar quando acabar! Kisses de açúcar e boa leitura!

As cortinas que cobriam as janelas gigantescas do quarto se recolheram subitamente. A luz que irradiava delas invadiu o dormitório, o incômodo nos meus olhos fez-me acordar, e ao abri-los, fiquei cega por um tempo.

– Aah! O que diabos? — queixei-me.

– Hora de acordar, May.

Levei a mão até os olhos e me levantei da cama. A falha tentativa me fez cair ao chão por ter tropeçado na base do móvel, envolvi o rosto com uma coberta caída.

– Só mais cinco minutinhos... Por favor!

– Você disse a mesma coisa há 10 minutos. Não pode se atrasar.

– Não tinham te programado para ser gentil, Halley? – Resmunguei.

– Você foi gerada para ter uma finalidade útil, mas essa função foi excluída de seu cérebro. Levante essa bunda esquelética do chão!

Bufei e revirei os olhos. Halley era um programa, o controle da casa. Sabia de tudo o que estava acontecendo, resolvia todos os problemas domésticos e era onipresente. Ao mesmo tempo em que me atormentava, checava cada mínimo pedaço da residência e preparava minha refeição.

– Pode ao menos diminuir a claridade? Meus olhos estão me matando!

Assim que percebi a escuridão retornando, joguei a coberta para longe e me levantei, esfregando os olhos ainda pesados pelo sono e um pouco doloridos pela enorme quantidade de luz anteriormente.

– Separou minha roupa? – Perguntei.

– Seu uniforme está no armário, como sempre.

Bocejei e as portas do armário se abriram. Dirigi-me preguiçosamente em sua direção, amarrando o cabelo com um elástico por preguiça de arruma-lo. Arranquei o pijama do corpo e me vesti. As portas se fecharam e arregalei os olhos.

– Puta merda, eu já deveria estar na metade do caminho para a escola!

Corri desesperadamente para a saída, pegando minha motocicleta. Dirigi 10 quilômetros acima do limite permitido para chegar a tempo. Normalmente, estaria indo a pé, mas minha preguiça e imbecilidade me fizeram descumprir meu castigo para chegar à escola no primeiro tempo. Meus pais me matariam quando descobrissem minha nova façanha, e provavelmente tirariam de mim todo e qualquer direito de utiliza-la novamente.

Por sorte, não havia sido notificada por excesso de velocidade, então segui correndo até minha sala de aula.

– Nada de correr no meu maldito corredor! — gritou o zelador, apontando o dedo em minha direção enquanto permanecia parado ao lado de um pequeno robô faxineiro.

– Foi mal! — Parei de correr, mas apressei o passo até chegar à sala.

Sentei-me na cadeira de sempre, a terceira na quinta fileira, logo na frente do projetor de hologramas.

– Você se atrasou hoje. O que aconteceu?

Sky estava me olhando, com a cabeça levemente inclinada para a direita. Seu olhar sugeria preocupação, e não pude evitar um sorriso.

Ela tem o chamado “complexo de mãe”. Muito carinhosa com os amigos, amável ao extremo, se preocupa com qualquer atraso e praticamente entra em pânico ao ver sequer um machucado de alguém querido.

Senti-me quase culpada por ter causado aqueça preocupação toda.

– Desculpe o atraso. Acabei dormindo mais do que deveria.

Ela sorriu e assentiu com a cabeça.

Adorava o sorriso dela, era lindo e contagiante. Seus cabelos tingidos de azul, sua cor favorita, eram perfeitamente iguais a cor de seus olhos grandes e brilhantes. A pele era razoavelmente bronzeada, era alta e magra, mas seu corpo dava inveja em qualquer um.

– Nós ainda vamos sair para almoçar hoje? – Perguntou — Se não se incomoda, chamei Kevin para ir junto.

– Se eu ainda tiver dinheiro, sim.

Dei de ombros, segurando um comentário sobre seu — infantil — querido namorado. Ela estava a ponto de me falar algo, mas as lâmpadas diminuíram sua luminescência. Esse era o primeiro sinal de que a aula já estava para começar. Sky e eu nos viramos para frente, esperando o holograma do professor Howard Stark surgir. Em vez disso, uma mulher, em carne e osso apareceu.

Cochichos foram ouvidos por toda a sala de aula, provavelmente se perguntando o que diabos aquela mulher estava fazendo ali.

– Bom dia alunos!

Mesmo com todos os olhares da sala sendo dirigidos a ela e falando por suas costas, ela sorriu amigavelmente. Cabelo e pele brancos, olhos cinzentos, mais magra que o normal e de altura mediana.

– Sou Whitney, mas podem me chamar apenas de White. — seu olhar parou momentaneamente em mim, logo depois retomou a postura e se voltou para a classe — Enfim, houve uma falha nos hologramas e fui chamada para lecionar uma aula de história para vocês. Estou correta em relação à disciplina?

Como todos na sala fizeram silêncio, me prontifiquei a responder a professora, mesmo ainda tendo duvidas sobre o porquê de estar ali.

– Na verdade, professora, a aula de hoje seria sobre biologia e sua aplicação na tecnologia atual...

– Quem disse isso?

Quando perguntou, todos os alunos direcionaram seus olhares à mim. Não consegui conter minha vermelhidão, mas não hesitei ou me envergonhei em levantar a mão. Estranhamente, ela deu um sorriso triunfante, como se houvesse acabado de tirar nota máxima em um teste difícil.

– Qual seu nome, senhorita?

Senhorita? Voltamos ao século XX?

Quase arqueei uma das sobrancelhas, mas contive a expressão.

– Maicha Leonhardt, professora.

– Hm... Nome interessante. Segundo o russo, Maisha quer dizer vida, enquanto o sobrenome alemão Leonhardt significa coração de leão, para os leigos, uma expressão para valente. Diga-me, você é corajosa?

– Não sei.

Franzi o cenho e dei de ombros, enquanto alguns riam de minha resposta. Fitava a mulher. Ela me parecia familiar de uma forma indescritível para mim. Podia afirmar com total convicção de que nunca a havia visto em toda a minha vida, mas senti que toda aquela certeza vacilava dentro de mim. Queria saber porque ela sabia tudo aquilo, porque compreendia a origem e os significados do meu nome, coisa que nem eu mesma sabia ou me interessava em saber. E queria ainda mais entender que sensação era aquela de familiaridade.

Passei o restante do período de aulas a encarando, explicava sobre a necessidade de robôs em nosso século e também a inspiração na anatomia humana e de outros seres existentes em nosso planeta atualmente e os que já existiram há alguns séculos atrás da qual temos registros.

Quando o sinal tocou, avisando o final das aulas, avisei para Sky que não poderia sair para almoçar, então ela se despediu e foi sozinha para o Halow’s.

Caminhei até a entrada da escola, e quando ia montar a moto, percebi que alguém estava me observando.

Estreitei os olhos para ver quem era, e reconheci White. Coloquei o capacete, para evitar uma conversa desnecessária, mas ela já havia me visto e se aproximou.

– Olá Maicha. Podemos conversar? Só demorarei alguns minutos – Disse sorrindo.

– Se for sobre o avião de papel, juro que não fui eu!

Ela riu brevemente, era um som doce, diria até agradável de se ouvir.

– Não é sobre o avião de papel, sei que foi obra dos irmãos Dudley. É sobre algo um pouco mais sério.

Desconfiei um pouco da situação, mas ela não tentaria nada comigo em plena luz do dia, não é?

– Certo... Mas por favor, seja breve, preciso voltar correndo pra casa.

– Claro, claro... – Seu sorriso agora não me parecia satisfeito, e nem mesmo verdadeiro — Bem, percebi que esteve um pouco desconfiada de mim, e quero saber o porquê disso.

Hesitei por alguns minutos, mas logo abri o jogo. Não tinha tempo para delongas, tinha que retornar antes dos meus pais.

– Sinto que te conheço de algum lugar, mas não sei se isso realmente aconteceu.

Ela pareceu pensar por algum tempo, enquanto me encarava.

– Sim, já nos vimos antes. Você era muito pequena para se lembrar.

Fiquei um pouco chocada com a informação, não poderia parar de perguntar agora.

– Muito pequena? Está dizendo que nos vimos na infância?

– Diria que ainda antes disso... Mas isso é algo que não posso te contar ainda.

– E porque não? – Disse intrigada – Eu tenho o direito de saber, estamos falando sobre a minha vida!

Cerrei os dentes, não era mais nenhuma garotinha para omitirem fatos importantes para mim. Queria respostas.

– Tudo em seu tempo. O que deve saber até agora, é que nós nos conhecemos, e posso afirmar que nossos laços são bastante... Como posso dizer? Ah sim, estreitos.

– Como isso é possível? Meus pais teriam dito sobre você e não me esqueceria de alguém tão importante. Sinceramente, acho que está mentindo senhora White.

Ela soltou um sorrisinho amarelo enquanto balançava a cabeça negativamente para o chão.

– Um dia conseguirá unir todas as peças para terminar esse quebra-cabeça. Tenha um bom dia, Maicha.

Ela sorriu e saiu caminhando, deixando-me ainda mais confusa que no começo. Minha sede por informações me consumia por dentro, mas não havia outra alternativa a não ser esperar o tempo passar e sanar todas as minhas dúvidas, saber se havia alguma verdade em tudo aquilo.

Finalmente coloquei o capacete e acelerei, me afastando do mar de dúvidas que me afogava.

Notas finais
Entao, o que acharam? Comentários são importantes para que a história fique melhor a cada capítulo :) Prometo tentar postar mais rápido da próxima vez!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.