Armageddon
1 Prefácio
Tudo começou num casarão humilde, adornado por tons beges, a poucos metros de Manhattan. Era uma tarde de Junho, o céu estava repleto de nuvens e chegava a confundir-se com o mar. Por este motivo, os membros da família Knotehad estavam acolhidos no conforto da sua casa.
Os Knotehad’s eram conhecidos por serem uma família simples, possuidores de um grande e generoso coração. Procuravam ajudar todos aqueles que lhes pediam ajuda e não se importavam com as diferenças. Eram, ao todo, cinco membros:Joseph, o pai trabalhador de 45 anos. Passava os dias a trabalhar fora de casa, na sua própria loja de mecânica. Costumava trajar quase sempre um macacão sujo de graxa, com o seu nome estampado num crachá minúsculo preso ao peito. Não era extremamente belo, no entanto, também não podia ser considerado feio, tendo os cabelos pretos encaracolados e uns colossais olhos da mesma cor. Eleanor, a mãe atenciosa de 42 anos. Sendo uma mãe dedicada aos seus filhos 24 horas por dia, não tinha gosto por trabalhar fora de casa, fazia tudo o que podia para agradar os seus progenitores. Possuía uma voz doce e mansa que atenuava qualquer pessoa. Tinha cabelos ruivos, cortados pouco acima dos ombros, e seus olhos eram de um tom diferente de verde, susceptíveis a mudanças quando expostos à luminosidade do sol.Eram um casal feliz, viviam quase sempre rindo e se amando mutuamente. Juntos, tiveram três filhos, sendo eles: Trevor, o mais velho. De cabelos ruivos rebeldes e olhos de um castanho tão claro que se igualava a cor do mel. Ethan, o do meio, o mais birrento e o mais inteligente, vivia quase sempre em seu quarto, onde passava horas e horas do seu dia escutando Katy Perry, no volume máximo, em seus fones de ouvido e Brentt, o mais novo, extremamente brincalhão, os seus dentes extraordinariamente alinhados e brancos, com olhos no mesmo tom engraçado que os da mãe.Nesse dia em especial, a família estava preparando um almoço com todos juntos, aparecendo aqui como um indicador que assina a sua forte união. Todavia, de momento, apenas Brentt estava sentado na mesa com os pais, aguardando os seus irmãos.- TREVOR E ETHAN DESÇAM PRA COMER AGORA. – vociferava Joseph, inclinando a cabeça para gritar enquanto se acomodava na cadeira e posicionava os braços em cima da mesa.- Calma, querido. Eles já devem estar vindo. – disse Elanor, no seu habitual tom pacífico, envolvendo as mãos do marido em um aperto.Alguns segundos se passaram num meio de um silêncio, e os degraus, banhados por um soalho antigo, rangeram e ambos os irmãos surgiram no portal, arrastando os pés na direção da mesa. - Até que enfim, achei que não fossem vir – proferiu Joseph com alguma rigidez, embora sorrisse sobre os efeitos do poder da sua mulher.Ah! É mesmo! Esqueci de mencionar isso. Os Knotehad’s não eram uma família típica americana. Não eram tão comuns quando todos pensavam que eram. Todos eram dotados de capacidades incríveis: mutações genéticas, descobertas por um médico, tornavam esta família mais especial do que já era. Então, tecnicamente, eram conhecidos como os “Mutantes”. O mundo não parecia ser seguro com mutantes. Prisões foram criadas especialmente para eles, pois todos diziam que eram criaturas “perigosass”. Então, acho que, nesse momento, você entende o motivo da família Knotehad esconder esse segredo, estou certo?Cada um com sua mutação genética diferenciada, os Knotehad’s viviam em harmonia com os humanos e até então, nunca foram descobertos. Joseph tinha a habilidade de “compreender” qualquer tipo de máquina, poderio conhecido como Tecnopatia. Já Eleanor tinha a capacidade de controlar as emoções através de feromônios. O seu filho Trevor conseguia materializar e desmaterializar objetos de pequeno e médio porte, seu irmão Ethan conseguia ler pensamentos e desencadear fortes dores de cabeça a quem o incomodasse e Brentt, que, até então, ainda não descobrira os seus poderes.- Já estamos aqui, certo? Vamos comer – disse Trevor, se sentando em sua cadeira habitual e puxando um prato vazio para perto.- Certo, certo... – comentou Eleanor, soltando algumas gargalhadas suaves. Esticou a mão para abrir as panelas, mas foi interrompida quando a porta tremeu violentamente com batidas. – Quem será? – perguntou ela num murmúrio e se pôs de pé, tapando a panela novamente.Joseph foi logo atrás, deixando os garotos sentados na mesa, perdidos em meio dos seus variados pensamentos. A porta da frente foi aberta e um enorme rebuliço corrompeu a quietude que existia naquela casa. Cincoo homens, armados até os dentes, avassalaram seu dó nem piedade o hall de entrada, prendendo os braços dos dois pais com algemas.- O que é isso!? O que está acontecendo!? – voz do pai podia ser escutada, como um eco desesperador e ao mesmo tempo cheio de coragem, vindo do hall. Os três garotos se colocaram de pé com um salto e caminharam com pressa até o portal da cozinha. Os pés pareciam pesar como pedras, atrasando o chegar dos meninos até o hall. Olharam em fila para o que acontecia logo à frente.- Vocês dois são mutantes. Houve uma denúncia por parte de seus vizinhos. Estamos levando vocês para a prisão e se tentarem nos atacar, temos dois helicópteros nos seguindo, aguardando a ordem de explosão do carro com um míssil. –atirou um dos oficiais, com desdém, parecendo um robô enquanto falava.- M-Mas... – gaguejou a mãe, olhando para os lados preocupada.- Mas nada. – vociferou um dos soldados, empurrando a mulher de cabeça na traseira do carro. Fizeram o mesmo com o pai, que tentou resistir e foi submetido a uma injecção que o desacordou em questão de segundos.
Da mesma forma que chegaram, foram embora. Na cozinha, os irmãos se entreolhavam aturdidos e em pânico, lágrimas escorrendo dos olhos. O único som audível naquele casarão era o de soluços, nem uma risada, nem uma única palavra. A alma daquela família desvanesceu. O que fariam agora?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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