Armadilhas

1 Capítulo 1 - Convidado inconveniente


— Eu não vou aceitar isso! – Disse uma yokai de grandes olhos vermelhos, cabelos lisos pretos como a noite e pele clara. – Isso é um absurdo! E… e o quê você está pensando que é, hein?

— Não há discussão, eu não deveria nem estar conversando sobre isso com você. Você é minha esposa e me deve obediência. Eu te livrei da sua família, daquela casa onde você nunca foi bem-vinda. – disse outro yokai de longos cabelos pretos ondulados. A yokai olhou para ele incrédula e apontou para si mesma.

— E por acaso você foi bem-vindo em sua família, Naraku? – Perguntou com ironia a yokai que não parava de andar em círculos pela sala.

— Você não está sendo prática, não entende nada. Esse é o problema com as mulheres, sempre deixam o coração falar mais alto que o cérebro, sejam yokais, sejam humanas. – Disse o Naraku se virando. – Primeiro eu gostaria de te lembrar que eu prometi isso aos Taishos. Segundo, eu saio muito mais em vantagem do que eles, ou devo te lembrar mais uma vez que nossa filha é uma Ningen kankyō?

— Eu é que devo te lembrar, Naraku, que atualmente isso pouco importa. A séculos as coisas estão mudadas e o fato de ser yokai, hanyo ou Ningen kankyō pouco importa para uma pessoa hoje em dia. – disse a mulher olhando para o marido com fúria nos olhos. Ela apertava um leque em sua mão como se quisesse quebrar o objeto.

— Para mim isso tem muita importância e você deveria agradecer de não ter importância para os Taishos. Você acha que eu quero deixar a minha empresa, o meu império que eu tanto lutei para conquistar para um humano? Para netos humanos e um genro humano? Em menos de 200 anos já não haverá sangue meu na empresa e tudo que eu construí será de outras pessoas, meros humanos que nasceram amaldiçoados com telômeros curtos demais para lhes proporcionar um grande tempo de vida.

— Rin tem os telômeros de tamanhos normais de um hanyou, então não sei o que é este pensamento imbecil seu. Ela pode viver tanto ou até mais do que nós. – disse Kagura.

— Rin é mulher e escolheu ser veterinária, logo não pode assumir a empresa. Se você tivesse me dado filhos homens, Kagura, isto não teria que acontecer, mas você me deu não apenas uma, mas duas meninas, sendo uma delas uma estátua. – disse Naraku com toda a revolta que havia em seu coração.

— Você não fale assim das nossas filhas, você deveria era ter muito orgulho do que elas são. Rin foi a primeira colocada de sua turma e saiu no jornal com uma pesquisa que revolucionou… — Kagura foi interrompida pelo marido.

— Revolucionou a saúde dos Hamsters chineses, eu sei. Parabéns para ela mudou o mundo com certeza e fez a economia do Japão girar de forma gigantesca. – disse Naraku debochadamente.

— Não seja esse tipo de pessoa, Naraku, não é só o dinheiro que importa. – disse Kagura. – várias pessoas investiram pesado na pesquisa dela.

— Já está decidido. Hoje à noite os Taisho estarão aqui. Mande que Rin esteja o mais apresentável possível, porque o casamento vai acontecer. – disse Naraku. – Agora pode sair do meu escritório e não faça essa cara de revoltada, Kagura.

Olá, meu nome é Rin Uramaki e eu sou uma Ningen kankyō que acabou de terminar a faculdade de Veterinária. Tenho 24 anos e gosto muito de curtir a vida na natureza.

— Não, não está bom. – disse Rin amassando a folha de papel onde havia acabado de escrever sobre si mesma. – está PÉSSIMO, Sango, PÉSSIMO.

— Rin, relaxa. Eu sei o quanto isso significa para você, mas você tem que ficar fria, entendeu? O nervosismo está te deixando paranoica, já é a quinta folha que você amassa. – Disse uma garota de longos cabelos lisos e sorriso doce. – Isso não é nada ecológico.

— Sango, isso é a minha vida, o meu futuro. Eu preciso fazer uma boa carta de apresentação. Gostaria só de mandar o meu currículo, mas para a bolsa eles podem uma carta falando mais sobre mim. O que importa quem é a Rin? O que deveria estar em jogo aqui é quem é a Dr. Uramaki, e suas diversas qualificações. É engraçado imaginar como é fácil para mim falar sobre o que sei, mas tão difícil descrever quem sou eu.

— Sei, só que a vida é muito mais do que os prêmios e cursos que você já fez. – disse Sango se deitando na poltrona. – Fora que eles não querem um artigo sobre autoconhecimento, querem só saber o básico, então relaxa e conta para eles o que você gosta de fazer no dia a dia, o que te motiva e essas baboseiras todas.

— Para você é fácil, você é psicóloga. – disse Rin enquanto brincava com a caneta.

— O que vai fazer hoje á noite? – Perguntou Sango enquanto mexia no celular. – Vai rolar uma festa na casa de uma amiga minha, você deveria vir.

— Vou acompanhar meus pais em um jantar de negócios super chato com os Taisho. – disse Rin sem dar importância. – É incrível como meu pai consegue fazer de um simples jantar uma tortura.

— Deve ser maravilhoso conviver com tantas pessoas influentes. Eu sou fã número 1 da Izayo Taisho, acho ela uma mulher maravilhosa. – disse Sango. – A forma como ela defende a integração dos hanyos na sociedade e fala sobre todas as limitações e preconceitos que eles tem que lidar.

— Bem, acho que ela não faz mais do que a obrigação dela. – disse Rin séria.

— Nossa Rin, como você está mal humorada. – disse Sango. A jovem de longos cabelos pretos se virou olhando a amiga.

— Não é má humor, é que é lógico que ela vai defender a causa dos hanyos, o filho dela é um. Então eu não acho nada demais o que ela faz. – Rin se virou olhando para a folha de papel. – Eu sei o que um hanyo sofre e mais ainda, então se eu defender essa causa não é nada extraordinário para mim.

— Engano seu queridinha, várias pessoas foram segregadas, humilhadas e marginalizadas e nunca tiveram coragem ou oportunidade de se levantarem e lutar. O fato dela está lutando pela integração dos hanyos faz dela um exemplo sim, mesmo que seja para benefício do filho dela. Quantas mãe, por exemplo, já ficaram sem matricular seus filhos na escola no passado por eles serem hanyos? – perguntou Sango. – Desmerecer a luta da Izayo por ela ser mãe de um hanyo é a mesma coisa que desmerecer as mulheres que lutam pelo feminismo e igualdade de gênero por elas serem… mulheres.

— Vamos parar com esse papo cabeça, porque eu tenho que focar nessa carta de apresentação antes do jantar. – disse Rin fazendo careta e segurando o pescoço. – E além do mais eu sei bem o que é o preconceito dessa sociedade podre que vivemos, esqueceu que eu sou uma Ningen kankyō? Assim que as pessoas descobrem fazem uma cara de piedade como se eu falasse que tenho uma doença.

— Pelo menos você nasceu numa família influente e rica. – disse Sango.

— O que pouco me importa. – Disse Rin. – Todos me olham quando saio com meus pais, acham que sou fruto de um adultério ou que sou adotada. É incrível como a genética pode pegar peças na gente.

— Dos males o menor, pense comigo, você tem sorte de ter nascido nessa era, a tempos atrás provavelmente seria morta. – disse Sango se levantando da cama e se alongando.

— Obrigada, Sango, sei bem disso. – Disse Rin. – É só que eu detesto esses rótulos sabe. Eu não sou humana, não sou yokai e não hanyo. Ningen kankyō, estou cansada das pessoas inventando nomes para as coisas.

Rin era uma Ningen kankyō, pessoas raras nascidas do cruzamento de dois Hanyos. Quando hanyos se casam há uma baixa probabilidade de que seus filhos nasçam completamente, ou quase completamente humanos. Na era atual existia um apelo muito grande por parte do governo e de muitas pessoas e organizações não governamentais pela aceitação dos hanyos, e principalmente dos Ningen kankyō. Ningen kankyō eram vistos como o pior da sociedade, porque muitas vezes aparentavam ser 100% humanos, mas com alguma capacidade ou anomalia que eles não podiam controlar. Um caso especial que chamou atenção foi a história de Nimus Akaiaka, uma adolescente que nasceu praticamente humana, mas que continha alguns cromossomos yokais que conferiram a ela asas de borboleta. Em 2019 adolescentes da escola onde ela estudavam a prenderam no banheiro e cortaram suas asas, o que resultou em hemorragia e quase levou a jovem a óbito. Depois desse caso as pessoas se voltaram com mais atenção para o Ningen kankyō, porque apesar de conter uma ou outra característica de yokais, geralmente estas estavam associadas apenas à aparência, sendo poucos os Ningen kankyō que possuíam alguma força extraordinária ou um corpo resistente a lesões como aquelas. Se as asas de um yokai fossem cortadas ele provavelmente se recuperaria em menos de um dia, mas se tratando de uma Ningen kankyō a agressão foi quase fatal. Alguns Ningen kankyō nasciam de cores diferentes, azul, violeta. Outros nasciam com mãos monstruosas ou mesmo um corpo lembrando algum animal. Rin teve sorte, nasceu uma Ningen kankyō, o que significava que a maioria dos cromossomos de sua célula eram de humanos, mas 3 cromossomos eram de yokais. E esses cromossomos eram justamente os que continham o gene para telômeros aumentados, fazendo com que Rin apesar de humana pudesse viver tanto quanto um hanyo.

— Eu vou embora, vou te deixar trabalhar. Quer que eu mande algum recado para o Kohaku? – Perguntou Sango.

— Fala para ele passar aqui em casa amanhã sem falta depois da faculdade. – disse Rin.

— Pode deixar, eu falo. – disse dando um beijo na cunhada e descendo.

À noite caiu e Rin não havia conseguido terminar sua carta de apresentação. Na verdade a jovem havia se distraído vendo vídeos de maquiagem no instagram e quando se deu conta sua mãe já estava batendo em sua porta pedindo que se arrumasse, porque as visitas logo chegariam.

— Beleza, já vou. – disse Rin com um sorriso. Assim que a mãe fechou a porta a expressão de Rin se modificou, ela fechou a cara de forma carrancuda e foi para o quarto. – que merda de instagram, sempre fazendo eu perder meu tempo. Um dia ainda vou excluir esse aplicativo idiota.

Rin ligou o chuveiro e sentiu a água quente na sua pele. Sua mãe sempre brigava por ela deixar o chuveiro no quente mesmo no verão, mas o que ela podia fazer? A sensação da água quentinha era maravilhosa. Kagura só tomava banhos gelados, inclusive no inverno. Ela dizia sempre que a água fria rejuvenesce a pele.

Após terminar o banho e sua rotina de skincare Rin pensou em qual roupa usar. Ela estava passando por uma mudança de estilo e a maioria das roupas que ela tinha já não a agradava mais. Ela entendia que a vida é um ciclo e que as mudanças são inevitáveis, então ela não se apegava a nada e mudava de estilo de roupa e cabelo de tempos em tempos.

Ela optou por uma roupa mais elegante e clássica, o pai falará tanto naquele jantar que ele realmente devia ser muito importante para ele. Ela pegou um vestido um pouco justo azul marinho, colocou um salto transparente e joias de ouro branco. Optou por fazer uma maquiagem leve, o jantar acabaria tarde e ela tinha muita preguiça de tirar maquiagem.

— Minha filha, você está adorável. – disse Naraku olhando Rin descer às escadas – Onde está Kanna?

— Não sei, deve estar no quarto, papai. – disse Rin sorrindo. Kanna era sua irmã mais nova, cujo o comportamento deixa os pais loucos. Ela simplesmente desaparecia sem deixar rastros, mas sempre quando era encontrada estava quieta lendo alguma coisa. Ela era muito tímida, não gostava de fotos e tinha uma mania estranha de só querer se vestir de branco. Uma peça rara. Kanna era uma hanyou. Haviam muito mais cromossomos de yokais do que de humanos nela.

— Onde está a mamãe? – perguntou Rin olhando pela sala em busca dela. A casa deles era maravilhosa, qualquer um iria amá-la, mas para Rin tudo era demais. A sala era grade demais, o sofá grande demais e até mesmo a TV era tão grande não fazia sentido para Rin. Fora todos os enfeites de cristais da mãe e vasos raros caríssimo que ela não conseguia entender o que fazia deles tão caro.

— Ela teve que sair para uma reunião com as amigas idiotas e já deve estar voltando. – disse Naraku. – É bom que ela chegue a tempo.

— Deve chegar. – disse Rin com um meio sorriso. Só pelo tom de voz do pai já dava para perceber que eles estavam brigados. As brigas eram recorrentes na vida deles desde a infância de Rin. Eles sempre tentaram ser discretos, mas ela era uma menina muito perceptiva.

Rin se jogou no sofá e ligou a TV, colocou na Netflix e deu uma conferida no celular. Nenhuma mensagem do Kohaku, o que estaria acontecendo? O namorado não dera notícias de vida desde de manhã. Resolveu ligar para ele, mas ninguém atendeu.

Pouco tempo depois Kagura chegou, estava transtornada, subiu sem falar com Rin e parecia bastante estressada. Sempre eram assim os jantares com investidores ou potenciais investidores. Uma correria danada, uma movimentação desnecessária.

— Eu não entendo porque meus pais insistem em fazer os jantares aqui em casa. É um saco para todo mundo. – dizia Rin para alguém do WhatsApp. – Custa fazer em um restaurante? Se meu pai sente tanta vontade de ostentar assim, é só fazer uma reserva no restaurante mais caro e pagar a conta pra todo mundo.

A mesa foi colocada de maneira perfeita pelos empregados, dava para ver que era importante aquele jantar e Rin só conseguia se perguntar porque ela sempre tinha que participar daquelas porcarias de jantares.

A campainha tocou, a empregada abriu a porta e recebeu os convidados. Os Taishos eram uma família composta por yokais e hanyos de cabelos brancos. Taisho era um dos yokais mais velhos no mercado corporativo e Naraku sempre tentou fazer negócios com eles, mas parecia que não dava certo. Agora porém as coisas pareciam estar andando, já que de um tempo para cá eles andavam conversando bastante e marcaram o jantar. Izayo era esposa de Inu Taisho e era uma mulher humana. Ela aparentava ter uns 45 anos, tinha uma aparência jovial, não se podia negar, mas era discrepante a diferença física de idade entre eles. Inu Taisho não aparentava ter mais de 25 anos, porém deveria ter quase 300. O mundo era realmente um lugar estranho. Rin imaginava quantas esposas ele teria em toda sua vida, e como seria o casamento com Izayo quando esta tivesse 80 anos.

— Rin! – gritou Naraku com ódio no olhar. – Pare de devaneios e faça o favor de vir cumprimentar nossos convidados.

Rin deu um sorriso amarelo e se levantou cumprimentando cada um dele de maneira meiga e educada. Inu Taisho olhou para a garota de cima a baixo a deixando corada, parecia que ele estava a avaliando. Inu Taisho, Izayo e Inuyasha o filho mais novo do casal estavam lá.

Taisho e Naraku seguiram para a o escritório de Naraku, enquanto Izayo conversava de forma muito séria com Kagura na outra ponta da sala.

— E então, Rin. Ouvi dizer que você é veterinária? – perguntou Inuyasha um pouco desinteressado e sem saber do que conversar com a jovem. Ele estava muito bonito naquela noite, com os longos cabelos brancos soltos e os olhos cor de âmbar chamando atenção. Rin olhou discretamente para as orelhas de cachorro dele. Pobre hanyo sem sorte, nasceu com alguns membros de animal no corpo.

— Sim. Isso mesmo. Você é um dos empresários do seu pai né? – perguntou Rin educadamente após ver que o rapaz havia ficado sem graça ao perceber que ela reparava nas orelhas dele.

— Bem, por enquanto estou trabalhando lá sim. Eu sou na verdade um arquiteto. Meu pai tem uma empresa de investimentos e nela há empresas de vários ramos. Uma delas é uma imobiliária onde eu faço vários projetos. – disse Inuyasha.

— E qual projeto você mais se orgulha de ter feito? – perguntou Rin sem saber do que falar. Ela achava arquitetura a coisa mais chata do mundo. Na verdade Rin achava qualquer profissão que não fosse a sua a coisa mais chata do mundo.

— Bom, na verdade eu não me orgulho de nenhum que eu tenha feito ainda. Sabe, a empresa do meu pai não abre muito espaço para a imaginação. – disse Inuyasha. – Mas estou construindo uma casa para mim e nossa... Vai ficar demais.

— Sério? Que bacana! – disse Rin pouco interessada.

— E você, já está trabalhando na área? – perguntou Inuyasha.

— Na verdade estou querendo fazer mestrado na Austrália. – disse Rin. – Eu descobri recentemente que me interesso muito pela saúde de animais silvestre e é muito importante para mim fazer meu mestrado lá, que é um dos países referência em veterinária no mundo.

— Adorei a ideia, por mim está tudo bem. – disse Inuyasha. Rin ficou fitando ele sem entender do que ele estava falando. Com certeza o rapaz não sabia muito se expressar ou estava nervoso com a conversa.

— Her... que bom que você gostou e me deu sua aprovação. – disse Rin meio irônica. Inuyasha estaria louco?

— Se depender de mim você vai ter liberdade para fazer o que quiser. – disse Inuyasha.

— E por quê dependeria de você? – perguntou Rin ainda mais confusa. Inuyasha nesse momento arregalou os olhos como se houvesse se dado conta de algo. Ele deu um meio sorriso e abaixou o olhar. Rin ficou se perguntando se Inuyasha estava acompanhando a conversa, porque pelas respostas ele estava dando ele só pode que estava em órbita a milhares de distância dali.

— Esquece. – disse ele olhando com ternura para Rin. Rin não gostou daquele olhar, parecia que ele estava com pena dela. – Deixa eu te perguntar Rin, você tem namorado?

— Sim, eu tenho um namorado. Ele se chama Kohaku e é estudante de admistração. – Respondeu com um sorriso. – E você?

— Eu tinha... Kagome é o nome dela. – disse Inuyasha com tristeza. – Ela é uma mulher incrível. É enfermeira obstétrica no Hospital Cegonha.

— Ela parece incrível mesmo. Mal pergunte, porque vocês terminaram? – perguntou Rin com curiosidade.

— Logo você vai descobrir. – disse Inuyasha. Rin arregalou os olhos surpresa e ficou mais confusa ainda. Não estava gostando nada daquela conversa e estava ficando angustiada com Inuyasha. Seria ele um louco? Estaria delirando? Porque estava agindo de forma tão estranha?

Nesse momento Kagura chama todos para o jantar que ocorre tranquilo e silencioso, com pouca conversa. O clima estava estranho, meio pesado.

— Taisho, porque seu filho mais velho não veio ao jantar? – perguntou Kagura.

— Sesshoumaru está em uma viagem de negócios, em outro continente. – disse com um sorriso.

— Puxa, isso é realmente maravilhoso. – disse Kagura.

— Por enquanto é apenas uma análise de mercado, mas quando Naraku e eu fecharmos negócio e resolvermos a pendência do banco tenho certeza que lucraremos muito. – disse Inu Taisho com um sorriso. – Inuyasha, espero que esteja animado tanto quanto eu.

— Inuyasha é arquiteto mãe. – disse Rin com um sorriso.

— E ele é bom, apesar de não gostar de trabalhar para mim. Sabe como são as imobiliárias a gente tem um padrão a seguir em nossos apartamentos, mas esse novo negócio vai modificar a opinião do Inuyasha com certeza. – disse Inu Taisho.

— E o que seria isso, Taisho? Meu marido não gosta de conversar comigo sobre os negócios e muitas vezes não sei nem o que se passa com nossa empresa. – disse Kagura.

— É um negócio do turismo, coisa chique, no Brasil. – Kagura, Kanna e Rin fizeram um “Oooh” de surpresa ao saber daquela informação.

— Vai ser um resort 5 estrelas no Jalapão, vai todo mundo ter essa mesma reação quando ver. – disse Taisho muito animado.

— Espera, vai ser no Brasil ou no Japão? – Perguntou Kanna confusão.

— Ele disse JA – LA – PÃO e não Japão. – corrigiu Naraku.

— E onde fica isso? – perguntou Kanna confusa.

— No Brasil, Kanna, no Brasil. – disse Naraku como se a menina fosse idiota.

—Também estou com um projeto em Capitólio, fica no estado do queijo. – Disse Taisho.

— No Brasil tem um estado do queijo? – Perguntou Rin curiosa.

— Sim, lá tem. – disse Taisho. – Mandei Sesshoumaru pesquisar tudo sobre o queijo deles.

— Que bacana. – disse Rin colocando uma garfada na boca.

Depois do jantar a família Taisho ficou mais uma hora e depois se despediram. Na hora da despedida Inuyasha ficou para trás. Ele olhou triste para Rin e depois chamou a jovem para mais próximo dele. Ela foi, meio sem entender o que estava acontecendo, não confiava muito no rapaz por que achava que ele era meio doido.

— Rin, escute. Eu sei que você não está entendendo nada. – disse Inuyasha fitando seus olhos. – Mas eu gostaria de dizer que sinto muito. Sinto muito mesmo. Eu… eu também não tive escolha.

Nesse momento o rapaz pegando Rin de surpresa a abraça. Um abraço quente e afetuoso. Rin retribui o abraço com alguns tapinhas nas costas dele e espera ansiosa que ele a solte. Ela nunca tinha conhecido um homem tão estranho na vida.

Inuyasha se despede dela com um beijo na mão e a frase “eu sinto muito” fica em sua mente. Ela entra para a casa e vê seus pais sentados no sofá. Naraku a chama e ela se aproxima. Aquilo tudo é muito estranho, alguma coisa estava acontecendo. Ela olha ao redor e não vê Kanna. “Vish”, pensa Rin, “a coisa é séria”.

— Meu anjo precisamos conversar. – disse Naraku. Neste momento Kagura começa a chorar e Rin não tem dúvida. “Eu sinto muito”, ela ouvia a voz de Inuyasha na cabeça. Os vários olhares de pena que ele dava para ela. “Eu sinto muito”, o olhar de compaixão, o abraço. “Eu sinto muito”. Rin não teve dúvidas. Olhava para Naraku brigando com Kagura e mandando que ela se acalmasse pois estava assustando Rin. “Eu sinto muito”.

Rin cai de joelhos no chão, seus olhos já não aguentavam mais segurar as lágrimas, sua garganta parecia estar sendo apertada por uma corda. “Eu sinto muito”. Não havia mais dúvidas no coração dela. Sua mãe, sua querida e amada mãe, estava muito doente.

Notas finais
Prévia Capítulo 2 - Ainda há esperança

Rin recebe uma noticia que abala com sua vida a deixando em um completo desespero. Porém, ainda há esperança.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.