Armadilha ácida

1 Capítulo único - Armadilha ácida


Notas iniciais
Olá para você que está passando por aqui, como vai?
Desejo-lhe uma boa leitura.

Eu deveria me segurar?

Impedir-me de estar perto de você?

Talvez o melhor a fazer seria observar de longe enquanto as lágrimas aquecem meu rosto abatido.

Abalado pelos tapas invisíveis, pelas palavras que eu não deveria ter guardado para mim, pelas mentiras sussurradas em meu ouvido. A boca ressecada por ter sido tocada tantas vezes por tais lábios sujos de enganação e persuasão pura.

Hematomas de bons momentos planejados minuciosamente, como todas suas falas, construídas por um rico vocábulo de palavras feitas para me fazer crescer nesses dedos lisos, desacostumados de tocar rostos rugosos.

Quanto eu mais caia, parecia estar mais ao alto, elevando-me até o limite, que seria o teto de nossa ilusão.

Que bela ilusão, conduzida por teus olhos achava-me perdida, submersa em toques leves e promessas impossíveis. Presa à sua mente que mais me parecia o coração, continuava o êxtase profundo que tinha injetado em mim.

Pena que essa droga foi gradualmente perdendo o efeito, escolher entre a ignorância e o saber era quase impossível, pior que isso, doloroso.

Mas eu tinha que entender, então fui pelo caminho pedregoso. O caminho em que eu via o opaco amarelo por trás de seus sorrisos e nada mais que meu reflexo nos olhos que outrora se aparentavam tão radiantes.

Comecei a ouvir coisas através das rachaduras que começavam a surgir em meus ouvidos.

Comecei a ver coisas escuras atrás de tanto brilho em meus olhos.

Comecei a sentir o gosto amargo do rancor em meus lábios.

Comecei a sentir os calos em meus pés depois de andar por tanto tempo em círculos.

Comecei a evitar os toques intrusivos, as conversas, os olhares.

Tudo começou a aparecer imundo, usado.

Repetitivo, como um déjà vu de algo que eu não vivi antes.

Era como se eu pudesse ver a rotina de suas palavras, um labirinto sem obstáculos.

Como uma cobra, você se aproximou lentamente e apertou-me com paciência, se alimentando de minha paixão. Faz algum tempo minha vitalidade não lhe satisfaz, paraste de suga-la com tanto vigor.

Agora posso ver a próxima presa sento asfixiada lentamente, cedendo ao entrelaçar de mãos. Parecem bem enquanto caminham para longe de mim.

Dentro da maleta nas tuas mãos posso sentir minha alma sendo levada por completo, o ultimo suspiro é presenciado por um encontro de olhos maldoso, sua pupila rodeia minha face com desprezo, simbolizando a minha inutilidade a partir daquele instante.

Eu não iria correr descalça pelos espinhos de rosas tão belas, o meu tempo já se fora.

Como poderia ir até eles se tudo o que resta em mim são os cacos de meu recipiente, aquele que um dia fora como porcelana?

Ali mesmo, na sacada de minha vida, consigo ver aquela que um dia foi tola pulando direto para o abismo, levando com sigo minha juventude.

Notas finais
Obrigado por irem até o final.
:)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!